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segunda-feira, 23 de junho de 2014

28ª Escalada do Mendro - 8 Junho 2014

Após alguns anos a participar em provas de corrida, finalmente corri uma no meu distrito. No dia 8 de Junho fui à Vidigueira fazer a 28ª Escalada do Mendro.

Desde que tomei conhecimento da prova no ano passado no blog do Sílvio que fiquei com vontade de participar. E este ano, com muito boa vontade dos meus sogros que ficaram com a mais pequena, fomos em família "escalar" o Mendro. Eu na versão corrida e a Inês e a Margarida na versão caminhada. Devo confessar que estava muito apreensivo em relação à caminhada, afinal ainda eram 8km, com algum desnível, por caminhos de terra e a Margarida já tem 4 anos.
O evento familiar! Tive que ceder a minha badana à pequena, ela disse logo que lhe ficava melhor que a mim...
Mais uma vez fui para esta prova com o Sílvio. Chegámos cedo e depois de levantarmos os dorsais ficamos por ali a confraternizar. Como era de esperar vimos algumas caras conhecidas, quer de outras provas quer de pessoas de Beja. Ainda tentei dar um crash training ao Sílvio de como operar a máquina de filmar mas infelizmente ainda não foi desta. A ver se em Sintra a coisa finalmente sai, porque os vídeos são agora parte integrante deste blog! E por falar em vídeos, não sei se reparam mas a última imagem do post de Geneva não é uma foto é um filme! É que embora o post tenha o número habitual de visualizações o video só tem meia dúzia... Por isso desta vez decidi colocar o vídeo logo aqui! 

A caminhada partiu meia hora antes da corrida, isto é, a sua partida simbólica. Porque após alguns metros os caminhantes entraram num autocarro que os deixou mais perto do Mendro, afinal a caminhada eram 8km e a prova 11km. Elas lá foram e a Margarida estava toda entusiasmada!
A partida simbólica e a alegria da Margarida!
Antes de fazermos o controlo zero ainda fomos fazer um pequeno aquecimento. Já não fazia aquecimento antes de uma prova há séculos, mas afinal era uma prova curta e acabou por ser uma óptima ideia do Sílvio tendo em conta o momento alucinante que foi a partida. O controlo zero era efectuado ao entrar dentro do recinto das Piscinas Municipais, após o qual os atletas se juntaram num portão que eu julgava ser a partida. Achei um pouco estranho que, sem grande anúncio, abrissem o portão e a malta começa toda a correr. Corremos uns 100m e parámos, afinal a partida não era no portão mas sim num pórtico. A passagem pela piscina era mesmo só para o controle.

Os primeiros km foram alucinantes. Numa prova curta, com muitos prémios monetários e portanto com gente muito experiente e o facto de ser em alcatrão provocou um pico de adrenalina que nos levou a fazer o 1ºkm em 4'16 e o 2º em 4'30, sendo que nos primeiros 500m a média foi inferior a 4'/km...

No 2ºkm deixámos o alcatrão e começamos finalmente a subir por caminhos de terra. O ritmo desce um pouco mas não muito e lá seguimos num carrossel de sobe e desce. No 4ºkm a subida começa a apertar e opto por andar alguns metros, provavelmente poderia ter forçado um pouco e mantido o passo de corrida, mas há valores mais altos do que acabar uns segundos mais rápido...
O sobe e desce do percurso.
O "meu" Alentejo!

Mesmo antes de chegarmos às antenas do Mendro começamos a ver o caminhantes já a descer em sentido oposto. E este é um dos pontos fortes desta prova. Pelo facto de irmos em direcção oposta à caminhada, não só não há engarrafamentos como temos "público" em grande parte do percurso que puxam pelos corredores.

Após o último esforço alcançámos finalmente as antenas e, após um abastecimento de água, iniciamos a nossa descida. Ainda as minhas pernas estavam a mudar de chip quando vi as minhas caminheiras! Grande festa e siga que agora é sempre a descer! Fiquei mais descansado, parecia que estavam bem e surpreso uma vez que ainda tinham bastante gente atrás delas.
As minhas caminheiras!
Uma das grandes melhorias que tenho sentido dos treinos em Monsanto é o facto de estar mais confiante nas descidas, e isso notou-se bastante nesta prova. Ataquei a descida e seguimos em grande ritmo. Por esta altura a caixa da máquina de filmar ficou embaciada e infelizmente todas as filmagens desta parte ficaram inutilizadas. Passámos junto de uma pequena barragem e até tivemos de atravessar um curso de água! Sim no Alentejo também há água... Ok, tinha uns milímetros e nem sequer precisávamos de sujar as sapatilhas.
Sempre em grande ritmo! (Foto da CMV)
O 9ºkm é feito por um caminho com alguma areia mas que não me incomodou nada, até porque neste ponto somos ultrapassados por uma senhora que tentava em esforço alcançar uma outra senhora uns metros mais à frente. Entro no ritmo dela e seguimos assim lado a lado durante alguns km's. 


Regressamos à Vidigueira e consequentemente ao alcatrão. Reduzo um pouco o ritmo e pergunto ao Sílvio se dá para fazermos um sprint até à meta. Ele já está muito perto do limite e diz para eu seguir, mas acaba por conseguir dar mais qualquer coisa porque acabou apenas alguns segundos depois de mim. No meu sprint final acabo por picar 2 atletas que quando me vêm desatam a sprintar que nem loucos, já na entrega de prémios percebi que estavam a lutar pelo prémio para os atletas do concelho.

Foram 11.3km com 200m de D+ em 57m40s, o que resultou no 128º lugar em 215 que terminaram a prova.
Já está! Obrigado Sílvio, grande prova!
Após recuperar uns segundos coloquei-me de novo a caminho em sentido oposto para procurar o resto da família. Encontrei-as à entrada da Vila todas contentes e frescas! Tornei a passar a meta, desta vez com a minha heroína que fez todos os 8km com as suas perninhas.
As grandes atletas!
A foto de família!
 Depois foi tempo de ir dar um banho nos balneários da piscina que, em comparação com as instalações da Corrida do Monge (que pertence ao mesmo circuito que esta) eram um luxo! Um balneário espaçoso e água quente.

Mais uns minutos de espera novamente à porta da piscina desta vez para aceder ao parque de merendas onde seria servido o almoço. Um belo rancho acompanhado de pão alentejano e vinho à descrição! Ali ficámos em confraternização e acabámos por assistir à entrega de prémios, que eram monetários e em grande número.
O repasto...
Foi um dia muito bem passado. Com desporto, confraternização, almoço e lembranças e tudo isto por 5 euros... Definitivamente a repetir em 2015!
Obrigado!

segunda-feira, 27 de maio de 2013

Perdido no Alentejo

(ou como fiz 18km "à força")

Este fim de semana tive de ir à terra. Como não consegui correr toda a semana devido a uma dor no gémeo esquerdo (fruto da "dobradinha" do fim de semana passado) decidi que iria correr no sábado de manhã.

O plano era acordar cedo, antes que o resto da família acordasse, e ir fazer um treininho rápido de 8km, só para testar o "hardware". Quando corro em Beja normalmente vou para a "variante", uma ciclovia que circunda a cidade. Mas desta vez, inspirado pelos vários relatos na blogosfera sobre trail, decidi ir correr pelo campo nos arredores de Beja.

No sábado, e após um par de minutos de discussão com as minhas pernas lá sai da cama. Desloco-me para o inicio do percurso e começo a ligar a "telemetria": Relógio, Check! Sensor FC, Check! Foot POD,Check!   MP3, Check! Endomondo, Check! Só na preparação começo logo a ficar cansado...

Uma das razões que me inibe de ir correr para o campo são os cães. Passo a explicar. Existem algumas casas ao longo dos caminhos rurais, e todos elas têm cães, enormes e que ao passarmos parecem ser possuídos pelo espírito de Cérbero. "Normalmente" os portões estão fechados mas tenho o trauma que de alguma forma se vão escapar e atacar-me (já me aconteceu, mas ia de bicicleta e consegui escapar só com uns arranhões).

Então um pouco receoso lá comecei a minha corrida. Mas passado os primeiros km já estava mais calmo e pude apreciar a paisagem e a tranquilidade da planície. Ainda era cedo e o ar estava fresco. Quando me lembrei que agora não posso "só" pensar na corrida, tenho de pensar também no meu blog! :) Por isso, pela 1ª vez, parei a meio de um treino para tirar uma foto!

A dicotomia cromática do trigo alentejano (artístico, não? ;))
E foi mais ou menos por aqui que tudo começou a sair do planeado. É muito giro ir ao google earth e planear o trajecto, mas in loco, com poucos pontos de referencia e com culturas diferentes da foto do google earth (o Alentejo está a transformar-se num olival intensivo...) não virei no sítio certo. Continuei em frente e quando comecei a perceber que pela distância percorrida já devia estar no sitio errado, em vez de voltar para trás continuei em frente: "Eventualmente há-de surgir um caminho para a esquerda...". E apareceu, mas já ia no 7km...

Acabei por ir parar a uma estrada de alcatrão que conhecia bem e lá consegui ver o castelo ao fundo.
O Castelo de Beja lá bem ao fundo...
Como se pode ver a estrada era muito estreita e sem qualquer berma, não me estava a sentir muito seguro com os carros a passar. Pelo que, num momento de estupidez insanidade vi um caminho mais ou menos na direcção que queria e decidi segui-lo. E assim continuei a admirar a fauna. Vi um par de lebres a fugir à minha frente, um milhafre a fazer uma picada e uma perdiz a voar. Os km's iam passando e comecei a ficar preocupado.  No 14km percebi que já tinha passado por alí! Estava a fazer o caminho inicial ao contrário. Comecei a fazer contas de cabeça e cheguei à conclusão que ainda tinha mais 4km pela frente.

A partir do 15km começou a custar. Já começava a fazer calor. O último km foi feito em sofrimento, por esta altura já nem os cães me preocupavam, só tinham um pensamento: "Tenho de continuar a correr para chegar a casa rapidamente para ver se não se zangam muito comigo por estar atrasado..."

Acabei por correr 18km em 1h31m, o treino mais longo que alguma vez fiz (sim, nem na preparação para a meia o fiz)! Mal tinha chegado ao carro tocou o telemóvel. Era a minha mulher preocupada a saber por onde andava.


Notas finais. Foi algo estúpido meter-me sozinho por caminhos que não conhecia e ainda por cima sem levar água ou mantimentos (se bem que estava relativamente perto da cidade). Mas foi um dos melhores treinos dos últimos tempos. Mal posso esperar por fazer um trail a sério!