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terça-feira, 27 de outubro de 2015

3ª Corrida Montepio - 25 Outubro 2015

Uma semana depois de ter feito a Maratona, onde retirei "apenas" 21' ao tempo do ano passado, o bom senso continuou na estratosfera e fui fazer mais uma prova de 10km. 

Como a maioria das corridas de 10km, também esta não estava propriamente no meu planeamento. Mas as razões para participar eram mais que muitas: o carácter solidário, o facto de (mais uma vez) poder disfarçar a coisa como uma actividade familiar, porque a equipa do Clube TAP ia participar e fundamentalmente porque desde as corridas de Setembro fiquei obcecado com os muito ansiados sub40...
A equipa do Clube TAP finalmente em foto!
Antes de correr a Maratona parecia muito boa a ideia ir tentar bater o RP dos 10km uma semana depois (só para lembrar que sou um optimista), a realidade é que embora tenha recuperado muito bem o desgaste de uma Maratona não passa em 7 dias...

Chegámos cedo ao Rossio, até porque a Margarida ia participar na Corrida dos Pelicas. Na realidade esta seria uma verdadeira actividade familiar. A Margarida nos Pelicas e nas actividades, eu nos 10km e a equipa Inês/Mafalda nos 5km carrinho de bebé!

O tempo estava chuvoso e embora a temperatura estivesse boa, antes de começarmos já estávamos todos ensopados.
Tudo pronto? Vamos lá!
O principal motivo que me levou a considerar o devaneio do ataque ao RP foi a ausência de desnível desta prova. Mas com as pernas ainda pesadas e o facto de, devido a uma confusão na inscrição, ter escrito no meu dorsal sub60, o que significava 2ª vaga e montanhas humanas a ultrapassar, as expectativas na linha de partida eram baixas.

Cerca de 5min depois da 1ª vaga de atletas ter saído (Elite, sub40 e sub50) lá foi dada a partida para o 2º grupo (sub60 e +60) onde eu me encontrava. Uma pequena nota só para dar os parabéns à HMS por mais esta inovação. Acho que funcionou muito bem e é definitivamente o caminho para este tipo de provas com milhares de atletas. Apenas penso existir um detalhe a melhorar, na meta devia existir um cronometro para cada vaga. Todos sabemos o poder dos segundos a passar na recta da meta.

Os primeiros metros ainda fui dentro do pelotão a tentar cuidadosamente ultrapassar devido ao piso escorregadio. Mas 150m a correr a 5'18/km deixaram-me num estado de nervos e frustração que não resisti e fui para o passeio. Com a adrenalina a bombear lá fui eu a assapar passeios da Rua do Ouro abaixo como se, efectivamente, tivesse roubado alguma coisa! Os 400m seguintes até à curva para a Praça do Município foram corridos a 3'45/km. Mas na curva o bom senso retornou e voltando para o alcatrão reduzi muito a velocidade, até porque vi pelo menos 2 atletas no chão... Mas a verdade é que o sprint permitiu-me ultrapassar o grosso do pelotão e a partir daí já consegui correr sem grandes desvios. Passa a primeira placa de km e o relógio apita 4:00, quase que pulava de alegria.
Sempre com cuidado nas curvas! (Foto mBm)
Obviamente que iria pagar o preço de tanta parvoíce e desde praticamente o 2km que me estava a custar manter o ritmo dentro dos 4'/km. A partir do 4km todas as células do meu corpo gritavam para que parasse. No 5km estava pronto para falecer. Quem já fez séries de 400m conhece a sensação naquela última série em que o coração parece querer sair e que o único pensamento é que só um louco se submete a tamanha tortura. Foi o que eu senti durante praticamente toda a prova. A sorte azar é que sou mais teimoso que uma porta e permaneci (é a minha palavra)! Felizmente as pulsações estavam no visor secundário do relógio e nem tive tempo de olhar porque caso contrário não teria continuado com a tortura. A média na prova foi de 182bpm, a média da 2ª metade foi de 187bpm...

Pouco oxigénio chegava ao cérebro mas quando passei no 7km  comecei a fazer contas. Já estava quase 10'' atrás do objectivo, pode não parecer muito mas para mim era uma enormidade e desanimou-me. O 8km foi o mais lento da prova e eu só já pensava: só falta sofrer 2kms, o último a adrenalina resolve.
Calçada? O que é isso? Sofrer? O que é isso? (Foto PortugalRunning)
E a verdade é que a passagem da placa do 9km devolve-me o animo e nem a horrível calçada na Ribeira das Naus me afecta. Avanço decidido e quando faço a cuidadosa curva para o Terreiro do Paço tudo se dissolve e arranco num sprint que nem eu sabia que ainda tinha. Foram 500m a 3:45 com uma média 190bpm. Nestes últimos metros, para não perder a concentração, nem olhei para o relógio e o contador da meta marcava o tempo da 1ª vaga pelo que não servia de referência, eram só as minhas pernas e a meta. 

Quando finalmente parei o relógio e vi 39:36 nem queria acreditar! Tinha conseguido! Sou SUB40! Talvez o objectivo em termos de corrida que durante mais tempo persegui! 
Até as pálpebras estavam cansadas.
Depois fui procurar a Inês e a Mafalda que tinham ido fazer os 5km da "caminhada" a correr e passei mais uma vez a meta com elas.

Acima de tudo, foi uma grande manhã em família, todos encharcadinhos. E pronto, agora posso deixar de "correr aquecimentos".
Foto molhada!

quinta-feira, 8 de outubro de 2015

Throwback Thursday: Rock'n'Roll Maratona de Lisboa 2014 - 5 Outubro 2014


Como podem ter reparado voltei ao activo aqui no blog. Durante a fase de hibernação comecei vários posts mas devido ao carácter temporal dos temas, provas, ao fim de algumas semanas sem conseguir progredir, não só perdia a motivação para os terminar como perdia o timing para os publicar.

Assim, ao longo destes meses fui coleccionando posts inacabados. Agora que estou a tentar colocar a coisa nos eixos lembrei-me de uma expressão que costumava ler nos blogs em língua inglesa (na altura em que ainda tinha tempo para ler blogs, agora só consigo mesmo ler os blockbuster dos blogs de corrida nacional): Throwback Thursday. Numa tradução livre é algo do género "Recordar à Quinta-Feira". O conceito é publicar às quintas-feiras algo do passado que tenha marcado o visado. Ora todos os posts inacabados deixaram uma marca em mim, porque por mais pequenos que sejam, ao ritmo a que escrevo, de certeza que ocuparam um grande espaço de tempo na minha vida! 

Como podem compreender, terminar relatos com meses de iato, leva a que a maioria dos pequenos pormenores já não existam. Por isso não se admirem se alguns destes posts terminem de forma mais abrupta.

Um dos posts que deixei inacabado foi o da Maratona, algo imperdoável! Por isso, e pelo facto de estar a pouco mais de uma semana de voltar ao mesmo percurso foi a escolha óbvia para iniciar esta nova rubrica aqui no botequim.


Rock'n'Roll Maratona de Lisboa 2014 - 5 Outubro 2014

Um ano depois voltei ao "meu quintal" para correr os 42,195 km pela 2ª vez.

A mesma distância, o mesmo percurso, a mesma tshirt mas uma experiência completamente diferente do ano anterior.

Primeiro, e como expliquei no post anterior, a preparação. Ou antes a falta dela, dos treinos longos e da adaptação do corpo ao esforço constante. A confiança não era muita e dai à defesa quer na colocação de objectivos relativamente acessíveis - igualar o tempo do ano passado - quer na aproximação jocosa de forma a manter as expectativas bem baixinhas.

Depois, quase por acaso, nas vésperas da prova arranjo uns companheiros fenomenais. Malta dos treinos em Monsanto que como eu decidiram fazer um intervalo dos trilhos para completar a distância rainha das provas de estrada. Embora tenhamos ritmos muito semelhantes entre os 3 sei de antemão que a minha "preparação" não me vai permitir acompanha-los até ao fim, mas esse "detalhe" não irá impedir-me de tentar.
Os meus grande companheiros de empreitada!
Ainda com as cãibras do ano passado na memória, este ano decido pensar antecipadamente e com tempo os abastecimentos. No ano passado levava as mantimentos mas não tinha plano, ia confiante que seria capaz de ir controlando a coisa mas com a adrenalina perdi um pouco o controlo e às tantas já não me lembrava do que tinha comido e do que precisava. Este ano planei tudo ao detalhe, onde iria beber o isotónico, onde ficaria a fruta e onde comeria as minhas marmeladas. Este ano voltei a fazer uma maratona sem géis.

Um dos problemas que achei na organização do ano passado era o facto de existirem poucos pontos de abastecimento de isotónico. Pode ser psicológico, mas acredito que a ingestão de isotónico está directamente associada às cãibras que tenho e por isso é um ponto fundamental para mim. Daí este ano decidi que iria levar a minha própria provisão. O que implicava levar o cinto ou a mochila.

A mochila era demasiado peso e o cinto não tem espaço para sólidos e sempre que o tenho utilizado para treinos mais longos acaba por me fazer assaduras nas costas. Acabo por me decidir pelo cinto sabendo que vou ter de pagar o preço.
Momento épico em Santo Amaro de Oeiras.
Uma das maiores criticas o ano passado foi a hora de inicio da prova. A provar que é sempre possível melhorar, a organização colocou o inicio da prova para umas muito mais simpáticas 8:30. Outra alteração de peso foi o percurso. Em vez de termos as voltinhas no Estoril e em Oeiras, a organização alterou o ponto da partida e colocou a distância pelas ruas de Cascais. Se por um lado a ideia foi boa, evitar a subida no Estoril e o percurso em Oeiras que envolvia uma passagem no parque em terra e um empedrado, é sempre positivo (embora pessoalmente eu gostasse muito de passar na minha terra adoptiva). Por outro o percurso inicial em Cascais com idas e retornos  na mesma rua, com os carros estacionados e o pelotão ainda muito denso tornaram o inicio algo caótico.

Às 8h30 lá estávamos os 3 prontos para atacar a Dª Maratona. Muita gente conhecida e após deixarmos os sacos no camião de apoio lá fomos para a partida, onde nos colocámos mesmo juntinho da bandeira das 3h45. Este ano a partida era na entrada do Hipódromo e não sei se é da minha cabeça mas é tudo muito apertado. Se o ano passado saí nas calmas, estes ano foi um stress só para conseguir passar o pórtico da partida. Fruto da alteração do percurso e do caos associado o 1km é feito a um ritmo muito baixo, e sempre a tentar ultrapassagens, energia que não se quer desperdiçar logo no inicio de uma maratona!

A partida impropria para claustrofóbicos.
Mas ao fim de 2km lá conseguimos estabilizar o ritmo e alcançar de novo a bandeira. Tendo em conta a minha não preparação, o meu plano era simples: ir num ritmo confortável de 5'15/km o máximo de tempo possível e depois tentar sobreviver o resto da prova. E assim fizemos, sempre uns metros à frente da bandeira lá seguimos Marginal a fora.

Este é um percurso que conheço quase de cor e sem carros a atrapalhar é efectivamente um grande postal que os inúmeros atletas estrangeiros levaram para casa. Em Santo Amaro tenho o melhor momento da prova, com a minha claque à espera. Com as energias renovadas lá seguimos no nosso passinho certo. Na Cruz Quebrada encontrámos o 1º abastecimento de isotónico mas está tudo muito confuso, a mesa com os copos é muito pequena, os copos já foram todos e os voluntários não conseguem repor a tempo. Acabo por pegar numa garrafa inteira e leva-la comigo.

Os três na Marginal no nosso ritmo certinho.
Chegámos ao pórtico da Meia Maratona com 1h50, média de 5'14/km. Perfeito. O problema é que não há milagres, e a partir do 24km, a cada km era mais difícil manter o ritmo. Ainda aguentei mais 6km mas ao 30km rebento. O ritmo baixa e deixo os meus companheiros seguirem para a sua prova. Pouco antes do Cais do Sodré passa por mim a bandeira das 3h45 e entro em modo de sobrevivência.

Curiosamente parece-me que a volta aos Restauradores não custa tanto como o ano passado e começo a desejar ardentemente o abastecimento dos 33km, porque haverá isotónico e toda a minha super estratégia contra as cãibras baseia-se em repor sais pelas bebidas. Mas mesmo antes dos abastecimento chega o choque. Após 34km o pelotão já está muito esticado e desde o Terreiro do Paço que sigo praticamente sozinho, mas de repente estou rodeado por milhares de atletas, é a malta da meia.
E um agradecimento ao patrocinador.
 Sei que houve quem tivesse gostado deste juntar de provas e tenha ganho alento com a os atletas da meia. Mas para mim foi terrível, quer a nível físico como emocional. Por um lado já não tinha energia para andar a competir por abastecimentos com pessoas muito mais frescas. Chegar perto do isotónico foi completamente impossível e até a água tive de andar uns passos para conseguir apanhar. A nível emocional o que me perturbou foi começar a ser ultrapassado e saber que todas aquelas pessoas tinham menos 21km nas pernas. Eu que tenho uma grande capacidade de correr sozinho, tentava desesperadamente encontrar algum atleta da maratona com que pudesse partilhar o meu estado de alma. Mas é quase impossível perceber quem está em que prova. Finalmente encontro um atleta que corre com a tshirt oficial e eu que sou super calado meto conversa.

Seguimos juntos alguns km's mas ele está em grandes dificuldades  e no Braço de Prata tem de caminhar e eu sigo. O ritmo entretanto baixou para perto dos 5'50/km e assim me arrasto até à rotunda do Pavilhão do Conhecimento.
Dedicada à minha mais que tudo...
Já dentro do Parque das Nações cheira-me a meta, ganho novo fôlego e começo a acelerar. Esta zona já está cheia de público e quando finalmente separam os atletas da meia parece que voltei novamente à maratona.

O último km é percorrido em menos de 5' e desta vez até me lembro de dedicar a prova à minha linda esposa e levantar os braços e celebrar.

Levanta os braços e sorri. Levanta os braços e sorri. Levanta os braços e sorri. Ah, e desliga o relógio!
Termino a minha 2ª Maratona com um tempo de 3h47'42''. Menos 10min que o ano anterior, em muito melhor estado e com um treino especifico miserável. Não é um tempo fantástico mas como dizem: não há almoços grátis. Desta vez levei a máquina de filmar e fiz um video sofrível que publiquei aqui.

Uma última palavra para os meus companheiros de empreitada que estiveram muito bem e literalmente que rebocaram naqueles primeiros 30km. Obrigado!

E finalmente a foto do triunfo!

terça-feira, 7 de outubro de 2014

Rock'n'Roll Maratona de Lisboa 2014 - Video

Enquanto o relato completo não sai, (até porque pelos vistos só tenho até Janeiro para o terminar) fica aqui mais uma tentativa de aspirante a Tarantino.


E caso alguém fique curioso porque passa o video dos 24km para os 41km existem dois motivos. Primeiro devido a um "problema técnico" passei a gravar o bolso dos meus calções e a apontar a máquina desligada à paisagem. E segundo porque entre os 35km e os 40km a máquina passou a pesar 999kg e pegar nela exigia uma quantidade de energia que não estava disponível.

domingo, 5 de outubro de 2014

Maratona "bi"-Finisher!

E já está!

Hoje dei o golpe à Srª D. Maratona!
Dedicada à minha mais que tudo...
Levei a preparação de forma leviana. Graças a um dorsal patrocinado fui a Cascais. E pumbas, não só terminei a prova, sempre a correr, super controlado e ainda assim saiu um tempo melhor que o ano passado!

Claro que este ano estavam menos uns 300ºC que o ano passado e tive duas lebres de luxo que me levaram até aos 30km nos calcanhares dos Quénianos... Ok, eram os calcanhares do marca passo das 3h45  e aos 30km foram à vidinha deles porque tinham muito mais pedalada do que eu. Mas de qualquer maneira foi graças a eles que fiz este tempo. O meu muito obrigado ao Pedro P. e ao João S. são os maiores.
Os grandes atletas e eu.
Eventualmente sou capaz de fazer um relato mais exaustivo...

O comprovativo que não apanhei o comboio.
E um agradecimento ao patrocinador.

domingo, 13 de julho de 2014

10K Lisboa UNICEF- 6 Junho 2014

Mas que grande molha! Acho que nunca tinha feito uma prova com tanta chuva. Mas esta prova não irá ficar na memoria apenas pela chuva de verão mas, principalmente, pela prova onde quase conseguia realizar o grande objectivo do sub40 aos 10km.
Como comentei aqui, esta prova não estava de todo nos meus planos. Quer a distância quer o piso estão longe do meu próximo desafio. Mas o factor solidário e a oportunidade de fazer uma actividade em família acabaram por ditar a inscrição. O dia amanheceu cinzento e logo começaram as dúvidas. Esta era suposto ser uma prova em família, comigo na prova dos 10km e o contingente feminino da equipa na caminhada. Com a chuva teimosamente a cair começámos a reequacionar a participação. Mas num acto de coragem (ou insensatez) colocá-mo-nos a caminho de Lisboa. O raciocínio foi, se os nórdicos não saíssem de casa por causa de umas pinguinhas nunca faziam nada! Vamos lá mas é sair da nossa redoma e aproveitar a vida!

A organização a prever o calor de Julho marcou o início da prova para as 9h30 e por isso às 9H15 estávamos nós e grande parte dos participantes abrigados nas arcadas dos prédios em Entrecampos. Deu logo para ver que estavam poucas pessoas, muito longe do limite das 6000. Segundo os resultados provisórios terminaram a prova dos 10km 590 atletas. A falta de divulgação, a divulgação tardia e a chuva não terão ajudado.
Ainda sequinho... Correr ou rolar eis a questão...
A 5 minutos do início despeço-me das meninas e dirijo-me para a partida. Até este momento ainda não sabia muito bem o que ia fazer. Se ia testar o "red-line" ou rolar pelas avenidas da capital e por isso deixei-me ficar mais ou menos a meio do pelotão. Sob uma chuva persistente lá esperei pelo sinal da partida com o speaker a tentar animar a malta com algumas piadas, como por exemplo: "para o ano prometemos fazer a corrida no verão já percebemos que no inverno com a chuva é difícil...".

Às 9h30 em ponto é dada a partida mas não sem antes mais um momento sui generis quando, à minha volta toda a gente começa a cantar música de coro! Era um grande grupo do Coro do Teatro Nacional de São Carlos.
O contingente feminino a postos para enfrentar os elementos! 
O percurso seguia em direcção ao Saldanha, onde invertia o sentido. Como sempre a adrenalina de prova é mais forte que a minha razão e parti muito rápido. Vou ultrapassando sempre atletas e sou surpreendido pelo beep do 1ºkm do relógio em menos de 4 minutos. Está decidido, vou tentar atacar o meu record.

Mantenho um ritmo forte e pouco antes de chegar ao Saldanha começo a ver os primeiros atletas já em sentido contrário, e de repente aparece o retorno. Ainda estou a tentar perceber porque vi tão poucos atletas à minha frente quando oiço o 2º beep, 3'57. É lá!
A descer do Saldanha: Epá, isto até parece fácil! (foto Correr Lisboa)
Apenas corri 2 vezes pela Avenida da República e a verdade é que aquilo não é assim tão plano como parece de carro. Primeiro há os túneis, nesta prova passámos por 7! Mas a parte mais complicada é mesmo entre o Campo Pequeno e o Saldanha, a inclinação é pequena mas existe (cerca de 1000m a 2%). Já vinha a quebrar um pouco o ritmo, mas na segunda passagem não consegui manter o sub 4'e acabei por fazer o km mais lento com 4'23.

Depois foi aproveitar a descida até aos Restauradores e tentar recuperar o tempo. Já na Avenida da Liberdade alcanço o grupo da caminhada e lá vejo as minhas meninas, encharcadas até aos ossos mas com bom espírito e a bom ritmo!
Ao 5km: Tudo fixe e obrigado pelas fotos! (foto Correr Lisboa)
Começo a acreditar que os sub40 são possíveis. Continuo a acelerar mas sou surpreendido pelo sinal do relógio para os 10km quando ainda falavam uns bons metros para a meta. Ou a prova tem mais que os 10km ou  o relógio ficou baralhado e tem-me dado indicações erradas durante toda a prova. A realidade é que nesse momento percebi que ainda não seria aqui que faria os sub40. 

Picado por um outro atleta, a 200m da meta ainda tenho força para um sprint final. Termino a prova em 40m56s, novo recorde aos 10km por quase 2 minutos. Já depois em casa, e corrigindo o track, o percurso terá tido cerca de 10,2km o que daria um tempo estimado aos 10km de 40m05s! Grrrrrr, nem oficial nem oficioso. 
Finalmente a meta! (foto Correr Lisboa)
As minhas heroínas! (foto Correr Lisboa)
Esperei pelas caminheiras e depois foi ir directo para o metro para regressar a Entrecampos que já chegava de molha. No dia seguinte ainda tive mais uma surpresa quando nos resultados provisórios fiquei em 25º em 590 atletas, a minha melhor posição de sempre!

Acabou por ser uma manhã bem passada. A Margarida adorou andar à chuva, a Mafalda dormiu, e todos ajudámos a UNICEF.
Ainda a recuperar de 10,2km no redline! (Foto organização UNICEF)

quarta-feira, 2 de abril de 2014

24ª Meia Maratona de Lisboa - 16 Março 2014

Este ano fui feliz na Meia Maratona da Ponte! Ok, sofri que nem um maluco durante 21km e depois fui muito feliz em Belém (depois sofri novamente para conseguir sair mas isso é outra história).
Não não é uma selfie, o fotografo é que queria tanto centrar a ponte que quase me falhava a mim!
Depois do fiasco do ano passado queria muito voltar a correr esta prova. Tinha umas contas a ajustar e um objectivo a cumprir. Esta prova é muito especial para mim, foi onde corri a minha primeira meia maratona o que constituiu na altura uma superação quase inimaginável. Há quem não goste ou porque é muita confusão, ou a logística do transporte é complicada , ou é cara. Obviamente que é muita gente mas é isso que torna a prova tão especial. É a oportunidade de termos um cheirinho das grandes provas internacionais aqui mesmo no nosso cantinho. É uma festa e por isso deve ser encarada como tal.

Não tinha voltado a tentar correr uma meia maratona e por isso o objectivo mantinha-se o mesmo, fazer em menos de 1h35. Era um objectivo ambicioso, tendo em conta que o meu RP estava em 1h40m e não fiz qualquer treino especifico para esta prova, a minha mania agora é mais trilhos...

Tal como nos últimos anos não tive grande dificuldade em chegar ao Pragal. Saí relativamente cedo de casa, fui "gratuitamente" de comboio da CP até ao Cais do Sodré, metro até ao Areeiro e novamente comboio para o Pragal. Sempre sentado e descontraidamente cheguei à estação pouco depois das 9h. Ai encontrei-me com uns amigos que também iriam participar. O meu chaganço não foi suficiente para convencer o Duarte a ir para a prova maior mas o Jorge fez a sua estreia em grande! O Jorge é um exemplo de resiliência. No inicio do ano meteu na cabeça que ia correr os 21km, definiu um plano, executou escrupulosamente o mesmo e no dia cumpriu impecavelmente!

Os grandes atletas na espera pelo apito da partida!
Com companhia e na conversa a espera no tabuleiro passou rápido e em menos de nada estávamos a começar a avançar aos poucos. Era altura de tentar desentorpecer as pernas após a espera em pé e rever o plano para atacar a 1h35. Na realidade era bastante simples: 1) sair como um louco; 2) aproveitar cada centímetro de descida até Alcantara e "acumular" o máximo de segundos; 3) Tentar manter um ritmo em torno dos 4'30/km e "perder" o mínimo de segundos possível.

Mais uma vez não me posso queixar muito da partida, no entanto, foi um grande ponto de reclamações e confusões. Fazer uma partida simultânea de 40000 pessoas é no mínimo irrealista. Mesmo as 10000 da meia já é complicado. Mesmo nas grandes competições internacionais com o número semelhante de participantes a partida é efectuada por vagas. Claramente um dos pontos que a organização devia rever.

Após 3 longos minutos lá passei o pórtico da partida e comecei a correr. Como habitualmente a confusão inicial é muita mas entre sprints e travagens, ultrapassagens "in extremis" e utilização criativa da parte metálica do tabuleiro, lá consegui engrenar no ritmo planeado. Os meus pés não estavam a gostar nada de correr na grade e sabia que todas estas maluquices iam ter um preço mas nesta altura só esperava que não fosse demasiado alto. 

Felizmente quando cheguei à descida já tinha algum espaço e alarguei a passada ao máximo. Ainda pensei em ignorar o 1º abastecimento mas estava algum calor e optei por pegar numa garrafa... e a seguir choquei com um homem que decidiu parar assim que pegou na dele... Grrrr... A partir daqui decidi que apenas iria aos abastecimentos se tivessem "livres" o que me levou a passar quase metade deles. Alguém se lembrou de mim quando serviram o isotónico em copos? :-)

No km 6 passei pelo Sílvio. Não tínhamos combinado nada e fiquei super contente por o encontrar. Trocamos algumas palavras e às tantas ele fala no ritmo médio e eu lá carrego no relógio para ver: 4'12/km Uau! Não estava à espera que fosse tão bom! Isso deu-me motivação extra e após o Sílvio insistir um par de vezes lá continuei na minha demanda.
Concentradissimo! Inspira... Expira...
O retorno no Cais do Sodré foi uma boa novidade deste ano. Em termos "turísticos" é pena não passar no Terreiro do Paço, mas tudo o que evite correr no empedrado da Ribeira da Naus é uma decisão vencedora (o ano passado foi lá que o meu joelho deu o crack final...). Com a inversão de direcção o vento passa a fazer sentir-se e aliado ao desgaste inicial o ritmo vai progressivamente a diminuir. Mesmo assim ainda consigo passar a marca dos 10km em 42'34'' o que é menos 14s que o meu melhor tempo na distância.

Os 7km seguintes são um longo e tortuoso caminho até quase à Cruz Quebrada, fruto do retorno antecipado. Está é sempre a parte mais difícil, quando as forças já começam a faltar. Passamos pela zona da meta e apesar de estar ali tão perto ainda está tão longe. Mas este ano o que mais me afectou foi mesmo ver os atletas mais rápidos já no retorno. Talvez influenciado pelo corrida da semana anterior em que até ao retorno não havia muita gente já a regressar, aqui eram aos magotes. Felizmente mais uma vez tive um apoio muito especial das minhas três flores na zona de Belém que me ajudou a ultrapassar esta fase.




A corrida necessitava de toda a minha concentração, e à mais pequena distracção o ritmo teimava em abrandar. Tive de deixar de tentar olhar para as caras para ver se via alguém conhecido e focar-me apenas no acto de colocar uma perna à frente da outra. Houve muito sofrimento nesta fase e ver atletas deitados no chão a serem assistidos pelos paramédicos a cortarem a tshirt com uma tesoura não ajudou nada.

E como sempre o retorno chega de surpresa e parece que ganho novo fôlego (provavelmente pelo vento ter ficado a favor). Embora eu não consiga ver ninguém oiço chamarem por mim, primeiro o Sílvio e depois o Jorge e isso dá-me uma força incrível. Vou progressivamente aumentando o ritmo e passo o 20km em 1h29m.Sinto uma onda de felicidade dentro de mim, a não ser que aconteça um cataclismo vou conseguir cumprir o objectivo, pela primeira vez na prova acredito que vai ser possível!

Obrigado Duarte! Vamos lá sprintar!
Acelero ainda mais e a 400m da meta oiço alguém a chamar por mim, era o Duarte que entretanto já terminara a sua prova. Largo num sprint e termino a prova em grande. Desta vez até me lembro de levantar os braços e festejar, infelizmente não havia ninguém para captar o momento. 
E já está! Fui feliz em Belém!
1h34m05s, novo RP e quase menos 1min que o objectivo!
Vejo a Inês com as meninas atrás das grades mas levaria ainda quase 30mim para conseguir finalmente chegar ao pé delas. Felizmente encontrei o Filipe e fomos na conversa no longo caminhar até à saída. Até compreendo a intenção da organização de criar um espaço amplo para os participantes poderem esperar pelos colegas, mas devia haver mais saídas, e localizadas mais perto da meta. Quando finalmente consegui sair estava longe da meta e já não consegui ver o Jorge a chegar.

Fiquei super feliz com esta prova e nem toda a confusão de gente afectou a minha experiência. Nos dias seguintes quando me perguntavam sobre a prova dizia que este seria o meu RP da Meia Maratona para sempre, que não voltaria a sofrer naquela maneira para tentar bater o tempo. Como levei tanto tempo a escrever, agora já não tenho tanta certeza... :) 

De qualquer maneira  agora chegou a altura de mudar de chip e nos próximos meses dedicar-me a outro tipo de terrenos e distâncias...
Com todas as minhas medalhas!