Mostrar mensagens com a etiqueta Prova. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Prova. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

III Trail Centro Vicentino da Serra - 10 Janeiro 2016

Foi ÉPICO!
Porque consegui terminar e sem mazelas (de maior)... Se tivesse ficado pelo caminho se calhar teria escrito um amargurado trail duro e demasiado "extreme"... Mas poucas coisas superam aquele momento de glória, em que passamos por baixo do pórtico para uma sala cheia de sorrisos, depois de 7 horas de pensamentos algumas vezes(muitas) sombrios. E por isso foi Épico!
A melhor foto que tenho de corridas!
O ano passado este foi o trail que mais pena tive de não ter ido, principalmente depois de todos os relatos fantásticos que li. Pelo que, para 2016 estava no topo das minhas prioridades. E como nos dias que correm os trails esgotam mais depressa que bolinhos quentes, fiz questão de me inscrever mal abriram as inscrições. E foi uma autentica festa! Acho que nunca tinha ido a uma prova onde conhecesse tanta gente. Parecia que Monsanto se tinha mudado para Portalegre!
A partida ainda tudo muito fresco.
A organização esteve impecável e montou uma das melhores provas onde já participei. Não só pela prova em si mas também por todos os eventos paralelos que tornaram o TCVS numa autentica prova familiar. Quero evidenciar em particular dois que a família Soeiro teve o prazer de participar: o Vicentino Kids Night Run e o Autocarro de acompanhantes.
O primeiro foi um super sucesso e com uma ajuda preciosa de S.Pedro transformou o Jardim do Tarro num recinto de festa. Foi fantástico ver a alegria dos miúdos de frontal na testa a iluminar o jardim. A Margarida, na sua qualidade de "Traquina", adorou correr de noite por entre lama e canaviais. Segundo ela foi a melhor corrida em que já participou! E a entrega das medalhas foi simplesmente extraordinária! E o orgulho com que levou a medalha e o frontal no dia seguinte para a escola para mostrar aos colegas...
O Autocarro de acompanhantes, apesar da meteorologia adversa e de um ou outro desencontro de expectativas, foi também um sucesso ao colocar autenticas claques no meio da serra. Não só foi muito bom receber o apoio das minhas meninas no 2º PA, como assim puderam preencher uma boa parte das 7 horas que de outra forma teriam de ser passadas à espera no mercado.

Também a nível das lembranças esteve muito bom, com um dorsal indestrutível (tive inclusive de utilizar um corta unhas para o conseguir furar para o colocar no porta dorsal), uma boa tshirt de manga comprida muito colorida (mas afinal estamos a falar de malta que anda com "lenços" berrantes à cabeça só por que sim) para além de uma chávena de café da delta. No pack dos kids ainda tinham um frontal.
A atleta e o emplastro! (legenda por Liliana Eusébio)
Partida Lagarta Fugida!
Ambiente contagiante na recta final da prova dos traquinas!
Em relação à prova em si. Com marcações irrepreensíveis, aliado ao facto de à minha passagem existir sempre um rio de lama a indicar o percurso, era efectivamente difícil sair do trajecto. As placas "informativas" também estavam fenomenais, dando a sensação que a organização estava sempre connosco. É verdade que em algumas, principalmente para o final, só tinha vontade de esmurrar quem as escreveu... como por exemplo na "Amazónia Vicentina" ou "Uphill Vicentino"...
Passámos por bombeiros e pelo menos uma tenda da cruz vermelha. Vários voluntários ao longo do percurso, à chuva e ao frio, apenas para nos indicar o caminho, facilitar uma travessia de estrada ou até pular um riacho. Super prestáveis e simpáticos mesmo quando, já a evidenciar alguma saturação de lama entre os neurónios, perguntei algo brusco se faltava muito para o último abastecimento.
NÃO ESTÁS A OLHAR PARA O CHÃO! QUERES TORCER O PÉ?
Os abastecimentos estavam nos sítios certos e com o essencial e mais alguns mimos como o salame de chocolate (hummm) ou a boleima (hummmmmmm). A coca cola era coca cola e havia isotónico e água com fartura. Para a malta lenta, como eu, a sopa no último abastecimento terá sido demasiado tarde. Se tivesse no abastecimento anterior, onde o vento e o frio apertavam teria sido mais eficaz. Ali no 37km já se sentia o sabor da meta.

Em relação à minha prova, tentei acompanhar os menos rápidos da pandilha, mas depressa percebi que não tinha a forma e a técnica para os acompanhar. As condições meteorológicas muito agrestes transformaram os trilhos desde logo técnicos em verdadeiros escorregas de lama, e com o meu pé esquerdo ainda em recuperação passei os primeiros km's literalmente a olhar para o chão a contabilizar pedrinhas. Depois lá relaxei um pouco mas sempre a sacrificar a velocidade pela segurança. Para o meio e para não variar lá vieram as cãibras. Certinhas e direitinhas, ao 32km, primeiro a esquerda, depois a direita, obrigaram-me a umas paragens para alongamentos. Felizmente não voltaram a chatear mas fizeram-me (ainda mais se tal era possível) progredir cuidadosamente.
Quando ainda conseguia seguir com parte da Pandilha.
Em bendita hora decidi não levar os bastões. Tal como nos Abutres, com a minha inexperiência e o terreno agreste teriam sido praticamente inúteis, uma vez que era muito mais importante ter as mãos livres para agarrar o que fosse possível. E aqui surge mais uma grande inovação que levei para o TCVS, luvas! Depois de horas a procurar uma luvas para utilizar neste trails mais agrestes recebi uma dica fenomenal, luvas de trabalho, disponíveis em qualquer loja da especialidade (vulgo chinês) e por um par de euros. Com a zona da palma emborrachada protegiam ou mesmo tempo que garantiam a tracção necessária. Comecei a prova sem elas, mas à medida que ia subindo a serra o frio começou a fazer-se sentir, e graças à experiência do ano passado nos Abutres, reconheci logo os primeiros sinais de problemas e coloquei as luvas. E a verdade é que não voltei a ter as mãos trôpegas e os únicos arranhões com que fiquei foram feitos antes da entrada em cena das ditas.

Perdi a conta às quedas que dei. Felizmente sem consequências de maior, à excepção de uma mega escorregadela nas lajes da "Cordilheira Vicentina" em que ao rolar para me agarrar dei um jeito ao ombro direito que ainda me incomodou durante uns minutos. Depois lá passou e até agora não voltou a chatear.
"São elas, são elas!" O reencontro no PA2.
Os primeiros 14km foram espectaculares, do melhor que alguma vez corri em trilhos. Single tracks sem fim e paisagens deslumbrantes. A organização não se poupa a esforços para animar os atletas, desde palhaços, salamandras gigantes e até um sonoro grupo de índias. O terreno estava pesado, mas sempre corrivel. Apenas as longas filas de atletas diminuíam o ritmo. Lembro-me do Sílvio comentar que as minhas meias ainda estavam muito brancas... E claro, tudo fica mais extraordinário quando, no alto da serra, temos à nossa espera as minhas lindas flores.

Nos km's seguintes tudo começa a complicar. Tenho cada vez mais dificuldade em seguir a malta e no 3 PA, onde até havia café expresso embora eu não tenha bebido, digo ao Sílvio para seguir. A partir deste ponto, sem a motivação da companhia e efectivamente sozinho durante largos períodos, entro em modo de sobrevivência e reduzo ainda mais o ritmo.
"Pare, escute e aprecie a paisagem!"
A meteorologia esteve sempre muito agreste, mas no topo da serra chegava a meter um pouco de medo, com o vento a fazer um barulho ensurdecedor entre as árvores e a chuva a nos castigar completamente na horizontal.

No briefing inicial o Director de Prova bem tinha avisado para não esperarmos facilidades depois do 30km, e efectivamente não estava a minimizar a coisa. Pessoalmente não aprecio que as provas tenham muitas dificuldades no último terço. As pernas já não estão frescas e a cabeça já começa a saturar. Mas aquilo que apanhámos nos últimos 12km do TCVS foi um percurso muito exigente que com a intempérie se transformou num dos mais duros finais de prova que alguma vez fiz. Nesta altura, e até devido às cãibras sou ultrapassado por vários atletas, mas mesmo assim ainda ultrapasso outros, na sua maioria em dificuldades devido a quedas ou entorces. 
A empatar atletas desde 1980.
Durante estes km's muitas vezes a minha mente avança 3 semanas e pensa naquilo que irei encontrar na Lousã. Pergunto-me muitas vezes se fará sentido meter-me noutra reconhecidamente ainda mais dura quando estou em tantas dificuldades nesta. As comparações com os Abutres, na minha cabeça, foram muitas, e pelo que percebi depois não fui o único. Para mim a grande diferença entre o TCVS deste ano e os 30km dos Abutres do ano passado foi que, embora ambos tenham sido muito duros, aqui nunca encontrei situações estupidamente perigosas. A única coisa que me deixou um pouco mais esperançado para o final do mês é que consegui passar no PA dos 29km em 4h30, com alguma margem para a célebre barreira horária que irei ter que derrubar.

Nos últimos km's já só sonho com o mercado, e embora tenha de fazer ainda mais um trilho técnico a subir, acelero. Vejo Portalegre e entro num estradão, o meu coração rejubila com a ideia de o seguir até à cidade, mas não. Conseguimos ir quase até à porta do mercado por trilhos. Última rampinha e depois, finalmente, o mercado.
"Não tira os olhos do chão!" 10258 pedrinhas, 10259 pedrinhas...
A chegada do TCVS é apoteotica, mesmo para a malta do fim do pelotão. Subir aquela passadeira vermelha e celebrar ter completado mais uma grande prova. O José Presado estava na meta a receber os atletas e anuncia o meu nome no sistema de som, mas tudo o que quero é procurar as caras conhecidas que sei que ansiosamente me esperam. Vejo-as, sorrio, está tudo bem. 
Ainda recebo das mãos da Liliana a linda medalha também ela moldada por mãos especiais da CERCI de Portalegre.

Foram 7h10 de prova, teoricamente com 42km e 1700m D+ embora o meu relógio tenha perdido 1km e o D+ tenha ido até aos 2120m. Pelo que vejo no STRAVA a maioria dos atletas tem os 42km prometidos embora o D+ nos relógios com barómetro ande na casa dos 2100m D+.

Foi uma prova dura, muito mais dura do que estava à espera, obviamente muito devido às condições atmosféricas. Prefiro provas onde me posso focar mais no prazer da corrida do que no espírito de sobrevivência, mas é impossível não ficar rendido com o TCVS. Quer pelo percurso quer pela forma como fomos recebidos em Portalegre.

Queria agradecer à organização por me fazer voltar a acreditar em Ultra Trails. Agradecer também ao resto da Pandilha que me convenceu a inscrever e tanto puxam por mim, principalmente ao Pedro P. pela fantástica foto que tirou à família Soeiro. Aos inúmeros fotógrafos aos quais roubei as fotos que documentam este texto

Por fim queria agradecer à minha enorme Inês que ainda se deixa convencer em ir atrás de mim nestas coisas e que estoicamente aturou as duas pulguinhas, e desta vez com o bónus de um tratamento de criogenia no alto de S.Mamede.

Até para o ano Vicentino!

Os atletas e as medalhas equipados a rigor!
*********ACTUALIZAÇÃO*********
E o Pedro P. continua a supreender, para além de grande atleta e fotografo ainda teve disponibilidade para filmar e criar uma excelente recordação da prova.Também contribuiu para as filmagens outro grande atleta da pandilha o Miguel S.. Eu bem levei a máquina para Portalegre, mas depois não tive coragem para a levar... E sem mais demoras aqui fica o vídeo.



terça-feira, 27 de outubro de 2015

3ª Corrida Montepio - 25 Outubro 2015

Uma semana depois de ter feito a Maratona, onde retirei "apenas" 21' ao tempo do ano passado, o bom senso continuou na estratosfera e fui fazer mais uma prova de 10km. 

Como a maioria das corridas de 10km, também esta não estava propriamente no meu planeamento. Mas as razões para participar eram mais que muitas: o carácter solidário, o facto de (mais uma vez) poder disfarçar a coisa como uma actividade familiar, porque a equipa do Clube TAP ia participar e fundamentalmente porque desde as corridas de Setembro fiquei obcecado com os muito ansiados sub40...
A equipa do Clube TAP finalmente em foto!
Antes de correr a Maratona parecia muito boa a ideia ir tentar bater o RP dos 10km uma semana depois (só para lembrar que sou um optimista), a realidade é que embora tenha recuperado muito bem o desgaste de uma Maratona não passa em 7 dias...

Chegámos cedo ao Rossio, até porque a Margarida ia participar na Corrida dos Pelicas. Na realidade esta seria uma verdadeira actividade familiar. A Margarida nos Pelicas e nas actividades, eu nos 10km e a equipa Inês/Mafalda nos 5km carrinho de bebé!

O tempo estava chuvoso e embora a temperatura estivesse boa, antes de começarmos já estávamos todos ensopados.
Tudo pronto? Vamos lá!
O principal motivo que me levou a considerar o devaneio do ataque ao RP foi a ausência de desnível desta prova. Mas com as pernas ainda pesadas e o facto de, devido a uma confusão na inscrição, ter escrito no meu dorsal sub60, o que significava 2ª vaga e montanhas humanas a ultrapassar, as expectativas na linha de partida eram baixas.

Cerca de 5min depois da 1ª vaga de atletas ter saído (Elite, sub40 e sub50) lá foi dada a partida para o 2º grupo (sub60 e +60) onde eu me encontrava. Uma pequena nota só para dar os parabéns à HMS por mais esta inovação. Acho que funcionou muito bem e é definitivamente o caminho para este tipo de provas com milhares de atletas. Apenas penso existir um detalhe a melhorar, na meta devia existir um cronometro para cada vaga. Todos sabemos o poder dos segundos a passar na recta da meta.

Os primeiros metros ainda fui dentro do pelotão a tentar cuidadosamente ultrapassar devido ao piso escorregadio. Mas 150m a correr a 5'18/km deixaram-me num estado de nervos e frustração que não resisti e fui para o passeio. Com a adrenalina a bombear lá fui eu a assapar passeios da Rua do Ouro abaixo como se, efectivamente, tivesse roubado alguma coisa! Os 400m seguintes até à curva para a Praça do Município foram corridos a 3'45/km. Mas na curva o bom senso retornou e voltando para o alcatrão reduzi muito a velocidade, até porque vi pelo menos 2 atletas no chão... Mas a verdade é que o sprint permitiu-me ultrapassar o grosso do pelotão e a partir daí já consegui correr sem grandes desvios. Passa a primeira placa de km e o relógio apita 4:00, quase que pulava de alegria.
Sempre com cuidado nas curvas! (Foto mBm)
Obviamente que iria pagar o preço de tanta parvoíce e desde praticamente o 2km que me estava a custar manter o ritmo dentro dos 4'/km. A partir do 4km todas as células do meu corpo gritavam para que parasse. No 5km estava pronto para falecer. Quem já fez séries de 400m conhece a sensação naquela última série em que o coração parece querer sair e que o único pensamento é que só um louco se submete a tamanha tortura. Foi o que eu senti durante praticamente toda a prova. A sorte azar é que sou mais teimoso que uma porta e permaneci (é a minha palavra)! Felizmente as pulsações estavam no visor secundário do relógio e nem tive tempo de olhar porque caso contrário não teria continuado com a tortura. A média na prova foi de 182bpm, a média da 2ª metade foi de 187bpm...

Pouco oxigénio chegava ao cérebro mas quando passei no 7km  comecei a fazer contas. Já estava quase 10'' atrás do objectivo, pode não parecer muito mas para mim era uma enormidade e desanimou-me. O 8km foi o mais lento da prova e eu só já pensava: só falta sofrer 2kms, o último a adrenalina resolve.
Calçada? O que é isso? Sofrer? O que é isso? (Foto PortugalRunning)
E a verdade é que a passagem da placa do 9km devolve-me o animo e nem a horrível calçada na Ribeira das Naus me afecta. Avanço decidido e quando faço a cuidadosa curva para o Terreiro do Paço tudo se dissolve e arranco num sprint que nem eu sabia que ainda tinha. Foram 500m a 3:45 com uma média 190bpm. Nestes últimos metros, para não perder a concentração, nem olhei para o relógio e o contador da meta marcava o tempo da 1ª vaga pelo que não servia de referência, eram só as minhas pernas e a meta. 

Quando finalmente parei o relógio e vi 39:36 nem queria acreditar! Tinha conseguido! Sou SUB40! Talvez o objectivo em termos de corrida que durante mais tempo persegui! 
Até as pálpebras estavam cansadas.
Depois fui procurar a Inês e a Mafalda que tinham ido fazer os 5km da "caminhada" a correr e passei mais uma vez a meta com elas.

Acima de tudo, foi uma grande manhã em família, todos encharcadinhos. E pronto, agora posso deixar de "correr aquecimentos".
Foto molhada!

quinta-feira, 8 de outubro de 2015

Throwback Thursday: Rock'n'Roll Maratona de Lisboa 2014 - 5 Outubro 2014


Como podem ter reparado voltei ao activo aqui no blog. Durante a fase de hibernação comecei vários posts mas devido ao carácter temporal dos temas, provas, ao fim de algumas semanas sem conseguir progredir, não só perdia a motivação para os terminar como perdia o timing para os publicar.

Assim, ao longo destes meses fui coleccionando posts inacabados. Agora que estou a tentar colocar a coisa nos eixos lembrei-me de uma expressão que costumava ler nos blogs em língua inglesa (na altura em que ainda tinha tempo para ler blogs, agora só consigo mesmo ler os blockbuster dos blogs de corrida nacional): Throwback Thursday. Numa tradução livre é algo do género "Recordar à Quinta-Feira". O conceito é publicar às quintas-feiras algo do passado que tenha marcado o visado. Ora todos os posts inacabados deixaram uma marca em mim, porque por mais pequenos que sejam, ao ritmo a que escrevo, de certeza que ocuparam um grande espaço de tempo na minha vida! 

Como podem compreender, terminar relatos com meses de iato, leva a que a maioria dos pequenos pormenores já não existam. Por isso não se admirem se alguns destes posts terminem de forma mais abrupta.

Um dos posts que deixei inacabado foi o da Maratona, algo imperdoável! Por isso, e pelo facto de estar a pouco mais de uma semana de voltar ao mesmo percurso foi a escolha óbvia para iniciar esta nova rubrica aqui no botequim.


Rock'n'Roll Maratona de Lisboa 2014 - 5 Outubro 2014

Um ano depois voltei ao "meu quintal" para correr os 42,195 km pela 2ª vez.

A mesma distância, o mesmo percurso, a mesma tshirt mas uma experiência completamente diferente do ano anterior.

Primeiro, e como expliquei no post anterior, a preparação. Ou antes a falta dela, dos treinos longos e da adaptação do corpo ao esforço constante. A confiança não era muita e dai à defesa quer na colocação de objectivos relativamente acessíveis - igualar o tempo do ano passado - quer na aproximação jocosa de forma a manter as expectativas bem baixinhas.

Depois, quase por acaso, nas vésperas da prova arranjo uns companheiros fenomenais. Malta dos treinos em Monsanto que como eu decidiram fazer um intervalo dos trilhos para completar a distância rainha das provas de estrada. Embora tenhamos ritmos muito semelhantes entre os 3 sei de antemão que a minha "preparação" não me vai permitir acompanha-los até ao fim, mas esse "detalhe" não irá impedir-me de tentar.
Os meus grande companheiros de empreitada!
Ainda com as cãibras do ano passado na memória, este ano decido pensar antecipadamente e com tempo os abastecimentos. No ano passado levava as mantimentos mas não tinha plano, ia confiante que seria capaz de ir controlando a coisa mas com a adrenalina perdi um pouco o controlo e às tantas já não me lembrava do que tinha comido e do que precisava. Este ano planei tudo ao detalhe, onde iria beber o isotónico, onde ficaria a fruta e onde comeria as minhas marmeladas. Este ano voltei a fazer uma maratona sem géis.

Um dos problemas que achei na organização do ano passado era o facto de existirem poucos pontos de abastecimento de isotónico. Pode ser psicológico, mas acredito que a ingestão de isotónico está directamente associada às cãibras que tenho e por isso é um ponto fundamental para mim. Daí este ano decidi que iria levar a minha própria provisão. O que implicava levar o cinto ou a mochila.

A mochila era demasiado peso e o cinto não tem espaço para sólidos e sempre que o tenho utilizado para treinos mais longos acaba por me fazer assaduras nas costas. Acabo por me decidir pelo cinto sabendo que vou ter de pagar o preço.
Momento épico em Santo Amaro de Oeiras.
Uma das maiores criticas o ano passado foi a hora de inicio da prova. A provar que é sempre possível melhorar, a organização colocou o inicio da prova para umas muito mais simpáticas 8:30. Outra alteração de peso foi o percurso. Em vez de termos as voltinhas no Estoril e em Oeiras, a organização alterou o ponto da partida e colocou a distância pelas ruas de Cascais. Se por um lado a ideia foi boa, evitar a subida no Estoril e o percurso em Oeiras que envolvia uma passagem no parque em terra e um empedrado, é sempre positivo (embora pessoalmente eu gostasse muito de passar na minha terra adoptiva). Por outro o percurso inicial em Cascais com idas e retornos  na mesma rua, com os carros estacionados e o pelotão ainda muito denso tornaram o inicio algo caótico.

Às 8h30 lá estávamos os 3 prontos para atacar a Dª Maratona. Muita gente conhecida e após deixarmos os sacos no camião de apoio lá fomos para a partida, onde nos colocámos mesmo juntinho da bandeira das 3h45. Este ano a partida era na entrada do Hipódromo e não sei se é da minha cabeça mas é tudo muito apertado. Se o ano passado saí nas calmas, estes ano foi um stress só para conseguir passar o pórtico da partida. Fruto da alteração do percurso e do caos associado o 1km é feito a um ritmo muito baixo, e sempre a tentar ultrapassagens, energia que não se quer desperdiçar logo no inicio de uma maratona!

A partida impropria para claustrofóbicos.
Mas ao fim de 2km lá conseguimos estabilizar o ritmo e alcançar de novo a bandeira. Tendo em conta a minha não preparação, o meu plano era simples: ir num ritmo confortável de 5'15/km o máximo de tempo possível e depois tentar sobreviver o resto da prova. E assim fizemos, sempre uns metros à frente da bandeira lá seguimos Marginal a fora.

Este é um percurso que conheço quase de cor e sem carros a atrapalhar é efectivamente um grande postal que os inúmeros atletas estrangeiros levaram para casa. Em Santo Amaro tenho o melhor momento da prova, com a minha claque à espera. Com as energias renovadas lá seguimos no nosso passinho certo. Na Cruz Quebrada encontrámos o 1º abastecimento de isotónico mas está tudo muito confuso, a mesa com os copos é muito pequena, os copos já foram todos e os voluntários não conseguem repor a tempo. Acabo por pegar numa garrafa inteira e leva-la comigo.

Os três na Marginal no nosso ritmo certinho.
Chegámos ao pórtico da Meia Maratona com 1h50, média de 5'14/km. Perfeito. O problema é que não há milagres, e a partir do 24km, a cada km era mais difícil manter o ritmo. Ainda aguentei mais 6km mas ao 30km rebento. O ritmo baixa e deixo os meus companheiros seguirem para a sua prova. Pouco antes do Cais do Sodré passa por mim a bandeira das 3h45 e entro em modo de sobrevivência.

Curiosamente parece-me que a volta aos Restauradores não custa tanto como o ano passado e começo a desejar ardentemente o abastecimento dos 33km, porque haverá isotónico e toda a minha super estratégia contra as cãibras baseia-se em repor sais pelas bebidas. Mas mesmo antes dos abastecimento chega o choque. Após 34km o pelotão já está muito esticado e desde o Terreiro do Paço que sigo praticamente sozinho, mas de repente estou rodeado por milhares de atletas, é a malta da meia.
E um agradecimento ao patrocinador.
 Sei que houve quem tivesse gostado deste juntar de provas e tenha ganho alento com a os atletas da meia. Mas para mim foi terrível, quer a nível físico como emocional. Por um lado já não tinha energia para andar a competir por abastecimentos com pessoas muito mais frescas. Chegar perto do isotónico foi completamente impossível e até a água tive de andar uns passos para conseguir apanhar. A nível emocional o que me perturbou foi começar a ser ultrapassado e saber que todas aquelas pessoas tinham menos 21km nas pernas. Eu que tenho uma grande capacidade de correr sozinho, tentava desesperadamente encontrar algum atleta da maratona com que pudesse partilhar o meu estado de alma. Mas é quase impossível perceber quem está em que prova. Finalmente encontro um atleta que corre com a tshirt oficial e eu que sou super calado meto conversa.

Seguimos juntos alguns km's mas ele está em grandes dificuldades  e no Braço de Prata tem de caminhar e eu sigo. O ritmo entretanto baixou para perto dos 5'50/km e assim me arrasto até à rotunda do Pavilhão do Conhecimento.
Dedicada à minha mais que tudo...
Já dentro do Parque das Nações cheira-me a meta, ganho novo fôlego e começo a acelerar. Esta zona já está cheia de público e quando finalmente separam os atletas da meia parece que voltei novamente à maratona.

O último km é percorrido em menos de 5' e desta vez até me lembro de dedicar a prova à minha linda esposa e levantar os braços e celebrar.

Levanta os braços e sorri. Levanta os braços e sorri. Levanta os braços e sorri. Ah, e desliga o relógio!
Termino a minha 2ª Maratona com um tempo de 3h47'42''. Menos 10min que o ano anterior, em muito melhor estado e com um treino especifico miserável. Não é um tempo fantástico mas como dizem: não há almoços grátis. Desta vez levei a máquina de filmar e fiz um video sofrível que publiquei aqui.

Uma última palavra para os meus companheiros de empreitada que estiveram muito bem e literalmente que rebocaram naqueles primeiros 30km. Obrigado!

E finalmente a foto do triunfo!

domingo, 4 de outubro de 2015

Não há duas sem três...

Sim, este blog ainda não está completamente extinto. O número de posts inacabados e não publicados não pára de crescer mas este há de ser publicado em tempo útil ou não me chamo Roy.

O mote deste post é o facto de ter participado não em uma mas em três corridas de 10km em Setembro. Isto depois de ter dito que já não saía de casa para ir fazer aquecimentos... Mas entre borlas, clássicas e obrigatórias vi-me na linha de partida três vezes.

Corrida Jumbo 2015 - 5 Setembro 2015

Esta foi à borla. Não estava nos meus planos e nem sabia exactamente qual era a data. Mas nas vésperas um colega do Clube TAP, que estava inscrito, não pode ir e perguntou se alguém queria ir. O colector impulsivo de borlas que há em mim não resistiu ao apelo e após confirmar que ainda podia inscrever a minha filha na prova das crianças lá fomos todos para o Autódromo do Estoril.

Já tinha passado várias vezes à porta desse icone da imaginação de jogador de "Gran Prix" mas nunca tinha lá estado. O ano passado tinha participado na versão algarvia da Corrida Jumbo pelo que estava mais ou menos preparado para o que me esperava. Por mais plano que os circuitos pareçam na tv a verdade não é assim tão geométrica.
Partida dos Bambis com a grande atleta na linha da frente e o cota lá atrás...
Desta vez, se calhar pela prova ser de tarde, chegámos bem a tempo da Margarida fazer a sua prova. Embora ainda pudesse levar o cota a correr com ela (por estar no escalão bambi), logo me avisou que não precisava de ir com ela porque já sabia como era... Mas a facada no coração valeu a pena para poder ver a cara de felicidade ao cruzar a meta! Estava tão contente que nem me ouviu a chamar por ela!
E está feito! E nem estou assim muito cansada... Ah, e ganhei ao Batman!
Depois dos pequenos era a vez dos crescidos irem fazer o seu passeio. O esquema era semelhante à prova de Lagos, uma volta num sentido, passagem pelo paddock e nova volta em sentido inverso. Só para verem o quão inesperada foi esta participação, a prova foi no Sábado à tarde, na Sexta de manhã tinha feito um treino longo de 28km, numa semana com mais de 80km... Obviamente que as expectativas não eram muito grandes, entre o cansaço e o percurso pouco plano.
Como aprendi no "Gran Prix" fazer as curvas por fora.
Mas como sempre nestas corridas de 10km, mal passei a o pórtico o discernimento foi às urtigas e foi a acelerar até à Red Line. Quando o relógio apitou no 5km marcava 20:05 e o meu coração parecia que queria saltar pela garganta. Nestas corridas tenho sempre de encontrar formar de me motivar a continuar e não a estender-me no chão. Desta vez o estratagema foi tentar seguir a Mónica Moreiras. No tempo em que participava no troféu das localidades de Oeiras ela cilindrava a competição feminina e embora seja uma grande atleta nestes primeiros km's consegui manter-me na sua esteira. Obviamente que não consegui manter o ritmo e terminei os 10km ao sprint com o tempo de 41:05 a uns míseros 9s do meu RP oficial.
vrrrrmmmmmmm...
Excelente organização da HMS principalmente porque permite mascarar uma prova de 10km como actividade familiar. :) Entre a corrida dos pequenitos, as actividades para as crianças durante a prova (babysitting incluído) e todas as ofertas dos patrocinadores proporcionaram uma tarde em família muito divertida.
Boa disposição reinava no paddock.


Corrida do Tejo 2015 - 13 Setembro 2015

A clássica, o meu metrônomo da corrida, foi a minha 7ª participação.

Era para ter sido uma corrida a dois, mas infelizmente a minha cara metade ainda não voltou ao ritmo de outrora e não estava em condições de fazer 10km. Mas com a companhia do costume lá estava às 10h em Algés pronto para mais uma Corrida do Tejo.
Esta foi tirada já no fim, porque no início estava tudo demasiado ensonado para se lembrar de tirar selfies...
A organização reutilizou o esquema do ano passado e sem surpresas penso que correu tudo como esperado. Com o bónus de este ano a tshirt voltar a ser de uma grande marca de material desportivo. Obviamente que os blocos não foram respeitados, mesmo estando na 1ª linha do bloco sub45 (e portando apenas com atletas sub40 à minha frente) levei toda a prova a ultrapassar atletas e os primeiros metros foram completamente caóticos. 

Depois da surpreendente prestação na semana anterior no Estoril, parti convicto que seria desta que bateria o meu RP. Mesmo sabendo que o percurso não é exactamente fácil e de ter, mais uma vez, feito um treino longo de 33km numa semana com mais de 70km... A ilusão não tem limites...
Excelente foto escandalosamente usurpada ao Astrodeck Studio, só é pena eu estar meio tapado... 
Comecei super motivado mas com o caos inicial o 1km chegou aos 4:16... Demasiado tempo para o km mais fácil do percurso, recuperar seria quase impossível e a bandeira dos sub40 já estava a milhas. Pouco depois o meu relógio tem uma paragem cerebral e apita para os 2km quando nem 500m tinha feito deste a placa do 1km. As estatísticas ficam todas maradas, eu fico furibundo. Esqueço o RP e faço o resto da prova a gerir o esforço. E faço uma gestão tão eficiente que chego a Santo Amaro com energia e quando vejo novamente a Mónica Moreiras uns metros à minha frente e decido renovar o desafio da semana anterior (que existe apenas na minha cabeça) e acelero. A escassos metros da rotunda consigo ultrapassa-la e termino a prova em sprint com a euforia de quem acabou de ganhar a a medalha de ouro olímpica.

Termino os 10km da prova em 40:59 a 3s do RP. Fui tão rápido que nem a minha claque chegou a tempo de me ver cruzar a meta. E embora não tenha sido o record absoluto melhorei quase 1min em relação ao tempo da Corrida do Tejo do ano passado em que ia quase a ter um colapso cardíaco.

Foi mais uma manhã bem passada que continuou num almoço em excelente companhia!
A foto da praxe. Desta vez a Margarida não achou tanta graça porque não correu...

Corrida do Aeroporto 2015 - 27 Setembro 2015

E como não há duas sem três, duas semanas depois estava no Terminal de carga do Aeroporto de Lisboa pronto para mais um aquecimento prova de 10km.

Esta é uma prova que passou a ser obrigatória na minha época desportiva. Como referi no post do ano passado, não só trabalho no aeroporto como o ginásio que dá apoio ao evento é o ginásio que frequento. Há sempre muita gente conhecida e muita conversa para fazer. Esta foi mais uma prova a correr pelo clube TAP. É incrível como o tempo passa, já faz 2 anos que corro pelo clube. Infelizmente este ano os meus colegas de trabalho baldaram-se todos e por isso tive de defender a honra da Engenharia de Operações sozinho.
A vertente familiar da prova capturada em grande pelo LESTUDIO.PT
Foi mais uma prova muito bem organizada pela HMS e com tudo o que já nos habitou. A Margarida é quem mais aprecia as provas da HMS e mais uma vez aproveitou ao máximo. Mais uma vez não quis companhia na corrida e depois foram pinturas faciais, desenhos e brincadeira o resto da manhã. E ainda ganhou uma visita ao aeroporto sorteada pelo Clube ANA.
Legendas para que? A cara diz tudo!
Com a pequena atleta entregue era hora da prova dos grandes. O percurso era igual ao do ano passado, o que significava mais de 110m D+, a entrada no Parque das Conchas e os seus paralelipípedos irregulares e a subida em terra batida bem inclinada dentro do parque. Todos estes elementos fazem desta prova a mais dura das 3 em que participei este mês e imprópria para records.

Face a isto, e tendo em conta que o treino para a Maratona continuou durante a semana com mais um longo de 28km, obviamente que na linha da partida só pensava em bater o RP! No entanto enquanto furava o pelotão para me chegar à linha da frente encontro 2 colegas do Clube TAP e fiquei na conversa. Quando se deu a partida tinha um mar de gente à minha frente e levei novamente toda a prova a ultrapassar outros atletas.
Obrigado Sr. Fotografo, mas para o ano não se coloque no fim da subida... Não havia oxigénio para sorrir...
E quem é que também estava nesta prova? A Mónica Moreiras! Mas desta vez ia ao despique com uma atleta do Sporting e só a consegui ver nas ocasiões em que existiam retornos. Claramente na Corrida do Tejo ia no relax, afinal de contas é uma Atleta com "A" grande.


O facto de conhecer o trajecto permitiu-me fazer uma gestão super eficaz e passei aos 5km com 19:44, o meu melhor tempo. Mas ainda faltava a Quinta das Conchas e com o cansaço acumulado não consegui manter o ritmo.
E está feito! Novo RP!
O final desta prova é muito fixe, com uma descida jeitosa permite terminar em grande sprint e com a adrenalina aos saltos. Os últimos 500m fora corridos a menos de 3'30/km e passei a meta com um tempo de 40:32. E não é que, a treinar para uma maratona, numa prova difícil, bati o meu RP dos 10km. O sub40 ficou tão perto que quase o consigo saborear... Acho que ainda vou ter que fazer outro "aquecimento" este ano, um assim bem plano!

Até para o ano!

sexta-feira, 24 de outubro de 2014

Corrida do Aeroporto 2014 - 19 Outubro 2014

Esta é uma das minhas provas de 10km favoritas e, a par da Corrida do Tejo, uma que tento nunca falhar apesar do meu recente interesse por outro tipo de desafios.

Mais do que uma corrida é um momento de socialização. Como referi no post do ano passado, não só trabalho no aeroporto como o ginásio que dá apoio ao evento é o ginásio que frequento. Desde modo para além da malta do trabalho que nos últimos tempos tenho "desencaminhado", nesta corrida o número de pessoas conhecidas é enorme e é sempre uma grande festa.

Outra fantástica característica desta prova, que se está a tornar habitual nas corridas organizadas pela HMS, é que tem uma grande componente familiar. Desde as corridas para os mais pequenos como a disponibilização de uma área vedada com as mais variadas actividades para as crianças ficarem enquanto os mais crescidos faziam a sua prova. Obviamente que inscrevi a Margarida e desta vez nem tive de falsear a data de nascimento uma vez que já é uma "Bambi" de pleno direito!
A Bambi em grande estilo! (Foto: Gustavo Figueiredo Photography)
Infelizmente o pai da atleta é um néscio e meteu na cabeça que as provas das crianças eram às 9h30. Afinal eram às 9h15 e quando chegámos ao Terminal de Carga já os bambis estavam alinhados na partida... Com uma grande sensação de dejavu lá fomos a correr para a partida e depois de explicar a situação a um simpático elemento da organização fomos correr com os mais crescidos. Assim, a minha bambi correu o dobro da distancia devida, num grupo de atletas mais crescidos e conseguiu não ficar em último!
Muito envergonhada a receber o seu prémio. (Foto: Gustavo Figueiredo Photography)
Passado o stress inicial da corrida da Margarida era altura de começar a pensar na minha prova. O meu objectivo era simples: diverti-me! Depois da loucura que foi a Corrida do Tejo, queria fazer uma prova sem sofrimento e apenas pelo prazer de correr com amigos. Juntei-me ao Duarte e ao Carlos e combinámos correr juntos para um tempo próximo dos 50min.

Num ápice estavam a dar a partida e lá seguimos nós todos contentes. O 1ºkm foi o mais lento de toda a prova. A confusão inicial habitual e o facto de começarmos logo a subir não estarão isentos de culpa. Mas depois entrámos no ritmo e fomos sempre muito certinhos, ligeiramente mais rápido do que os 5'/km. Ligeiramente mais rápidos nas descidas, e mais lentos nas subidas. 
Os atletas! (e um gajo de azul)
Este ano o percurso era um pouco diferente mas mantinha os pontos de interesse como a passagem na Pista Moniz Pereira, no Parque Urbano da Alta de Lisboa com a sua ponte de madeira e pelo Parque das Conchas. A maior diferença foi a retirada das voltinhas pelos caminhos de terra da Quinta das Conchas e para compensar uma ida pela nova avenida até quase à 2ªCircular. Eu acho que assim ficou muito melhor. Aquelas subidas íngremes em terra batida pareciam um pouco fora de contexto numa prova de 10km de estrada. Mesmo assim a subida acumulada aumentou ligeiramente em relação ao ano passado. Em relação ao percurso o único ponto mais fraco é mesmo a passagem pela rua que dá acesso à Quinta das Conchas, muito inclinada e em empedrado o que a torna liminarmente perigosa. O percurso desta prova não é propriamente plano, mas como o meu amigo Duarte diz: quando corremos 1'/km acima das nossas capacidades toda a subida parece uma descida com uma inclinação esquisita.

Desta vez decidi levar a câmara, fica aqui o registo muito pessoal da Corrida do Aeroporto 2014.

Fui sempre a chagar para mantermos o ritmo e chegámos ao 9ºkm com uma folga bastante confortável para o nosso objectivo. O problema era que o último km era sempre a subir e quando o relógio apitou para os 10km ainda estávamos a uns bons 200m da meta. Para mim, este foi o único ponto menos bom de uma organização irrepreensível (na altura ainda dei o benefício da dúvida pois o relógio tem a precisão que se sabe, mas depois outros atletas queixaram-se do mesmo e já em casa verifiquei que a distância foi mesmo 10,2km).

Nos últimos metros o "Coração de Cavalo" (aka Duarte) larga no seu sprint louco e mesmo com o relógio a marcar uma velocidade instantânea abaixo dos 3'/km não o consigo acompanhar. No entanto, desta vez, espera por mim reduz a velocidade e passamos a meta juntos com um tempo de 49m28s. Pouco tempo depois chega o Carlos que tinha ficado ligeiramente para trás.
Acabadinhos de chegar! Jorge, fizeste quanto tempo? :P
E estava feita a prova. Recolhemos o íman, o saco com as águas e o gelado e ficámos mais um pouco para ouvir o sorteio das duas viagens. Ainda deu para conhecer o Manuel Nunes que após correr uma Maratona foi ao Aeroporto esticar as pernas. Foi pena a tshirt este ano não ser, como habitualmente, da Asics e de ser completamente branca na parte da frente mas a verdade é que o meu maior problema com a tshirt é: onde raios é que eu vou guardar tanta tshirt...
E numa prova familiar não podia faltar a foto de família!
Foi uma manhã muito bem passada mas no final fiquei com aquela sensação de ter copiado num exame... De me ter posto à prova e não me ter esforçado...

terça-feira, 7 de outubro de 2014

Rock'n'Roll Maratona de Lisboa 2014 - Video

Enquanto o relato completo não sai, (até porque pelos vistos só tenho até Janeiro para o terminar) fica aqui mais uma tentativa de aspirante a Tarantino.


E caso alguém fique curioso porque passa o video dos 24km para os 41km existem dois motivos. Primeiro devido a um "problema técnico" passei a gravar o bolso dos meus calções e a apontar a máquina desligada à paisagem. E segundo porque entre os 35km e os 40km a máquina passou a pesar 999kg e pegar nela exigia uma quantidade de energia que não estava disponível.

quinta-feira, 25 de setembro de 2014

Corrida do Tejo 2014 - 14 Setembro 2014

Mais um ano, mais uma Corrida do Tejo.

A Corrida do Tejo é para mim como um marco no caminho ou o badalar do relógio. Marca o passar do tempo e o meu "aniversário" da corrida. Foi a minha 6ª participação.

Antes de tudo, o seu a seu dono. O ano passado critiquei, de forma acutilante, a questão do transporte (o facto de ter de se pagar o bilhete na CP mas principalmente por não terem avisado atempadamente). Este ano, e provando que com um pouco de imaginação tudo se consegue, regressou o transporte gratuito na CP. Ainda fui um pouco desconfiado para a estação mas não havia motivo para ralação. Dois voluntários faziam o papel de fiscais e garantiam que nenhum corredor pirata desfalcava a CP.
Equipa "Só mais um Blog de Corrida" fora os baldas...
Voltei a convocar o grupinho do costume embora desta vez tenha havido uma ou outra balda mas não estamos cá para apontar dedos. Desta vez chegámos mais em cima da hora e após um ou dois dedos de conversa e a selfie do costume lá me despedi e fui procurar a entrada para o bloco dos sub45.

Ultimamente tenho andado numa fase Charlie Brown. Quero muito correr uma maratona, mas o universo conspira para não me deixar fazer treinos longos (tradução, tenho preguiça para me levantar cedo para ir correr 3h). Tenho muita esperança em fazer sub40 aos 10km mas não consigo treinar séries (tradução, séries doi muito e custa sair da cama para ir sofrer). E foi deste modo que me apresentei no bloco dos sub45 determinado a qualificar-me para o sub40.
Selfie da praxe e a prova de como estava quase em cima da partida...
No início a confusão dos costume. Mesmo estando a escassos metros da partida tive de ultrapassar um mar de gente, a maioria com ritmos que nem sub60 deviam conseguir mas enfim, não vou continuar a bater no ceguinho. Todos os anos é assim, todos os anos há "vips" e "fura blocos". A corrida ainda nem tinha começado e já estava a uns 100m da bandeira dos sub40.

Comecei logo a abrir e com o coração na boca fiz os 2 primeiros km abaixo do 4'/km. Mas então chega a subida do Alto da Boa viagem e é necessário um esforço imenso para manter a média abaixo do objectivo. Consigo manter essa média e os mesmos 100m da bandeira até ao 6km. Sempre no red line e com o relógio sempre a apitar, a subida de Paço de Arcos termina com o meu sonho. E entre fazer mais que 40' ou acabar estendido no alcatrão da Marginal optei por reduzir o ritmo.
No momento em que a Lucy me tirou a bola quando eu ia chutar...
Os 4km seguintes são feitos em gestão de esforço. Como habitualmente nestas provas evitei os abastecimentos e acabei por pagar a factura do calor. Como é que numa semana de tempestades e com previsão de chuviscos acabamos por ter uma manhã quente e húmida!

Passo a piadinha da organização ao colocar um pórtico gigante a anunciar que 9km já estavam aos 8,5km mas já não existia energia para sprintar e o relógio teimava a não baixar das 198 bpm. Sou "empurrado" para a meta pela minha claque pessoal e passo-a quase a cair para o lado com 41'48''. Algo longe do objectivo mas não deixa de ser um novo record no percurso. 
A passagem da meta sem pompa e a medir bem os passos para não me estatelar no alcatrão.
Meio zombie arrasto-me até ao relvado e ali tombo. Nunca tinha terminado uma prova assim. Com uma média de 188bpm e 38' na zona 5 (maximal) foi efectivamente sempre no red line. Nem consegui ir ver a chegada do restante pessoal.
A equipa agora já sem sono e mais quentinha. Duarte, eu não disse que era sempre a descer? :p
Ao fim de 20' lá me consegui levantar e estava pronto para "outra", desde que a "outra" não envolvesse correr e incluísse 4000 calorias. Como habitualmente foi uma manhã muito divertida num percurso que é claramente a "minha" prova. Até para o ano "Tejo"!
Com os meus tesouros: "Até para o ano Tejo!"