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segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Corrida Jumbo Portimão - 26 Julho 2014

Como a maioria das provas de 10km que fiz este ano, também esta chegou sem grande planeamento. Nas vésperas do habitual período estival por terras Algarvias recebi um email a publicitar mais uma corrida. Já são tantos os emails que recebo sobre provas que por vezes já nem os leio, mas este, por ser em Portimão, despertou-me a curiosidade. Nunca tinha participado nas corridas patrocinadas pelo Jumbo e achei interessante a panóplia de actividades que ofereciam: a corrida de 10km, uma caminhada de 5km, uma corridinha para as crianças e ainda uma prova de resistência para bicicletas. Parecia o evento perfeito para as minhas férias. Eu ia à corrida, o meu cunhado à prova das bicicletas, as senhoras à caminhada e até a criançada tinha actividade. Comecei a plantar a ideia e no dia 26 lá estávamos no Autódromo de Portimão.

Chegámos em cima da hora para a corrida das crianças. Como a Margarida é “bâmbi” corria na primeira série, que partiu quando ainda estávamos a uns 100m do pórtico da partida. Resultado, a nossa (os bâmbis podem levar a companhia de um adulto) corrida teve direito a 100m extra e obviamente que íamos no fim. Mas a minha atleta, embora um pouco atrapalhada, fez toda a prova a correr e no fim ficou super contente com a sua medalha!
A concentração ao passar a meta!
Já com mais calma conseguimos finalmente observar o ambiente e verificar a grande logística que estava montada, uma das melhores organizações que já tenho assistido com a chancela da HMS. Já me tinham falado do saco cheio de produtos que se trazia da Corrida do Jumbo, mas o da Margarida estava tão cheio que tive de ser eu carrega-lo que ela não conseguia.

Para a prova principal não estava muita gente, terminaram 231 atletas, e a partida foi dada em simultâneo com a caminhada. O percurso da prova de 10km era uma volta ao circuito no sentido certo, e outra invertida com uma passagem pela zona do parque interno para completar a distância (o autódromo tem cerca de 4,8km). 

Entusiasmado com os recentes resultados e dados os poucos atletas fui para a linha da frente disposto a tentar bater novamente o meu record. Ao sinal verde lancei-me num ritmo desenfreado alimentando a adrenalina. Foi um dos inícios de corrida mais emocionantes que já fiz. A escaços metros dos primeiros em perseguição do carro cronómetro. 
Reparem bem na minha competição directa, estes foram a minha companhia durante a prova. No fim não consegui acompanhar...
A primeira placa marca km surgiu 3’45’’ após a partida e embora começasse a sentir algumas dificuldades ainda acreditava que seria possível. Ao 2ºkm compreendi que seria impossível bater o RP e já seria muito bom fazer abaixo dos 45’. É que o percurso do autódromo é um verdadeiro carrocel de subidas e descidas, algumas bem inclinadas em que era impossível manter o ritmo. E depois era o vento. Soprava com tanta intensidade que, numa ligeira descida com vento contra, o ritmo desceu quase até aos 5’/km.

Ao contrário do que é habitual nestas corridas de 10km, fiz grande parte da mesma sem ninguém por perto. Acho que após o 2km ultrapassei 2 ou 3 atletas e fui 2 ou 3 vezes ultrapassado. Continuei a dar tudo o que tinha e já com a meta á vista oiço uns passos atrás de mim. Não sei se está longe ou perto mas lanço-me num sprint e consigo não ser ultrapassado. 



Termino com 43’22’’ o que acabou por ser um tempo razoável face às dificuldades. Mas a maior surpresa foi no dia seguinte quando vejo na classificação que fiquei em 26º da geral e 7º do escalão.

Depois era hora de nova recolha de mantimentos e ir render o meu cunhado com as crianças porque era agora a vez dele de entrar em prova. Ainda ficámos a assistir à primeira volta da corrida de bicicletas que proporcionava um lindo espetáculo com os seus frontais no escuro do autódromo. 

Uma prova muito bem organizada que, embora sem o nível de participação que estava à espera, permitiu sentir a emoção de correr no Autódromo de Portimão.


terça-feira, 22 de julho de 2014

Ultra Trail Monte da Lua - Video Blog

 

Arribas do Cabo da Roca - 0 
Eu - 4

Após 8h50m completei a minha segunda Ultra pela Serra encantada de Sintra. Maior em distância e subida acumulada e largamente a prova de trilhos que mais desfrutei. Sempre em excelente companhia! Obrigado Sílvio!

E não, não vou alterar a linha editorial do estabelecimento. Os relatos escritos permanecerão a ser o core business, mas a realidade é que eu continuo uma lesma a escrever e o relato desta prova só deve sair lá para o Outono. Por isso, e  para fazer inveja ao pessoal que não foi, deixo aqui o registo video (montado às três pancadas).


domingo, 13 de julho de 2014

10K Lisboa UNICEF- 6 Junho 2014

Mas que grande molha! Acho que nunca tinha feito uma prova com tanta chuva. Mas esta prova não irá ficar na memoria apenas pela chuva de verão mas, principalmente, pela prova onde quase conseguia realizar o grande objectivo do sub40 aos 10km.
Como comentei aqui, esta prova não estava de todo nos meus planos. Quer a distância quer o piso estão longe do meu próximo desafio. Mas o factor solidário e a oportunidade de fazer uma actividade em família acabaram por ditar a inscrição. O dia amanheceu cinzento e logo começaram as dúvidas. Esta era suposto ser uma prova em família, comigo na prova dos 10km e o contingente feminino da equipa na caminhada. Com a chuva teimosamente a cair começámos a reequacionar a participação. Mas num acto de coragem (ou insensatez) colocá-mo-nos a caminho de Lisboa. O raciocínio foi, se os nórdicos não saíssem de casa por causa de umas pinguinhas nunca faziam nada! Vamos lá mas é sair da nossa redoma e aproveitar a vida!

A organização a prever o calor de Julho marcou o início da prova para as 9h30 e por isso às 9H15 estávamos nós e grande parte dos participantes abrigados nas arcadas dos prédios em Entrecampos. Deu logo para ver que estavam poucas pessoas, muito longe do limite das 6000. Segundo os resultados provisórios terminaram a prova dos 10km 590 atletas. A falta de divulgação, a divulgação tardia e a chuva não terão ajudado.
Ainda sequinho... Correr ou rolar eis a questão...
A 5 minutos do início despeço-me das meninas e dirijo-me para a partida. Até este momento ainda não sabia muito bem o que ia fazer. Se ia testar o "red-line" ou rolar pelas avenidas da capital e por isso deixei-me ficar mais ou menos a meio do pelotão. Sob uma chuva persistente lá esperei pelo sinal da partida com o speaker a tentar animar a malta com algumas piadas, como por exemplo: "para o ano prometemos fazer a corrida no verão já percebemos que no inverno com a chuva é difícil...".

Às 9h30 em ponto é dada a partida mas não sem antes mais um momento sui generis quando, à minha volta toda a gente começa a cantar música de coro! Era um grande grupo do Coro do Teatro Nacional de São Carlos.
O contingente feminino a postos para enfrentar os elementos! 
O percurso seguia em direcção ao Saldanha, onde invertia o sentido. Como sempre a adrenalina de prova é mais forte que a minha razão e parti muito rápido. Vou ultrapassando sempre atletas e sou surpreendido pelo beep do 1ºkm do relógio em menos de 4 minutos. Está decidido, vou tentar atacar o meu record.

Mantenho um ritmo forte e pouco antes de chegar ao Saldanha começo a ver os primeiros atletas já em sentido contrário, e de repente aparece o retorno. Ainda estou a tentar perceber porque vi tão poucos atletas à minha frente quando oiço o 2º beep, 3'57. É lá!
A descer do Saldanha: Epá, isto até parece fácil! (foto Correr Lisboa)
Apenas corri 2 vezes pela Avenida da República e a verdade é que aquilo não é assim tão plano como parece de carro. Primeiro há os túneis, nesta prova passámos por 7! Mas a parte mais complicada é mesmo entre o Campo Pequeno e o Saldanha, a inclinação é pequena mas existe (cerca de 1000m a 2%). Já vinha a quebrar um pouco o ritmo, mas na segunda passagem não consegui manter o sub 4'e acabei por fazer o km mais lento com 4'23.

Depois foi aproveitar a descida até aos Restauradores e tentar recuperar o tempo. Já na Avenida da Liberdade alcanço o grupo da caminhada e lá vejo as minhas meninas, encharcadas até aos ossos mas com bom espírito e a bom ritmo!
Ao 5km: Tudo fixe e obrigado pelas fotos! (foto Correr Lisboa)
Começo a acreditar que os sub40 são possíveis. Continuo a acelerar mas sou surpreendido pelo sinal do relógio para os 10km quando ainda falavam uns bons metros para a meta. Ou a prova tem mais que os 10km ou  o relógio ficou baralhado e tem-me dado indicações erradas durante toda a prova. A realidade é que nesse momento percebi que ainda não seria aqui que faria os sub40. 

Picado por um outro atleta, a 200m da meta ainda tenho força para um sprint final. Termino a prova em 40m56s, novo recorde aos 10km por quase 2 minutos. Já depois em casa, e corrigindo o track, o percurso terá tido cerca de 10,2km o que daria um tempo estimado aos 10km de 40m05s! Grrrrrr, nem oficial nem oficioso. 
Finalmente a meta! (foto Correr Lisboa)
As minhas heroínas! (foto Correr Lisboa)
Esperei pelas caminheiras e depois foi ir directo para o metro para regressar a Entrecampos que já chegava de molha. No dia seguinte ainda tive mais uma surpresa quando nos resultados provisórios fiquei em 25º em 590 atletas, a minha melhor posição de sempre!

Acabou por ser uma manhã bem passada. A Margarida adorou andar à chuva, a Mafalda dormiu, e todos ajudámos a UNICEF.
Ainda a recuperar de 10,2km no redline! (Foto organização UNICEF)

segunda-feira, 23 de junho de 2014

28ª Escalada do Mendro - 8 Junho 2014

Após alguns anos a participar em provas de corrida, finalmente corri uma no meu distrito. No dia 8 de Junho fui à Vidigueira fazer a 28ª Escalada do Mendro.

Desde que tomei conhecimento da prova no ano passado no blog do Sílvio que fiquei com vontade de participar. E este ano, com muito boa vontade dos meus sogros que ficaram com a mais pequena, fomos em família "escalar" o Mendro. Eu na versão corrida e a Inês e a Margarida na versão caminhada. Devo confessar que estava muito apreensivo em relação à caminhada, afinal ainda eram 8km, com algum desnível, por caminhos de terra e a Margarida já tem 4 anos.
O evento familiar! Tive que ceder a minha badana à pequena, ela disse logo que lhe ficava melhor que a mim...
Mais uma vez fui para esta prova com o Sílvio. Chegámos cedo e depois de levantarmos os dorsais ficamos por ali a confraternizar. Como era de esperar vimos algumas caras conhecidas, quer de outras provas quer de pessoas de Beja. Ainda tentei dar um crash training ao Sílvio de como operar a máquina de filmar mas infelizmente ainda não foi desta. A ver se em Sintra a coisa finalmente sai, porque os vídeos são agora parte integrante deste blog! E por falar em vídeos, não sei se reparam mas a última imagem do post de Geneva não é uma foto é um filme! É que embora o post tenha o número habitual de visualizações o video só tem meia dúzia... Por isso desta vez decidi colocar o vídeo logo aqui! 

A caminhada partiu meia hora antes da corrida, isto é, a sua partida simbólica. Porque após alguns metros os caminhantes entraram num autocarro que os deixou mais perto do Mendro, afinal a caminhada eram 8km e a prova 11km. Elas lá foram e a Margarida estava toda entusiasmada!
A partida simbólica e a alegria da Margarida!
Antes de fazermos o controlo zero ainda fomos fazer um pequeno aquecimento. Já não fazia aquecimento antes de uma prova há séculos, mas afinal era uma prova curta e acabou por ser uma óptima ideia do Sílvio tendo em conta o momento alucinante que foi a partida. O controlo zero era efectuado ao entrar dentro do recinto das Piscinas Municipais, após o qual os atletas se juntaram num portão que eu julgava ser a partida. Achei um pouco estranho que, sem grande anúncio, abrissem o portão e a malta começa toda a correr. Corremos uns 100m e parámos, afinal a partida não era no portão mas sim num pórtico. A passagem pela piscina era mesmo só para o controle.

Os primeiros km foram alucinantes. Numa prova curta, com muitos prémios monetários e portanto com gente muito experiente e o facto de ser em alcatrão provocou um pico de adrenalina que nos levou a fazer o 1ºkm em 4'16 e o 2º em 4'30, sendo que nos primeiros 500m a média foi inferior a 4'/km...

No 2ºkm deixámos o alcatrão e começamos finalmente a subir por caminhos de terra. O ritmo desce um pouco mas não muito e lá seguimos num carrossel de sobe e desce. No 4ºkm a subida começa a apertar e opto por andar alguns metros, provavelmente poderia ter forçado um pouco e mantido o passo de corrida, mas há valores mais altos do que acabar uns segundos mais rápido...
O sobe e desce do percurso.
O "meu" Alentejo!

Mesmo antes de chegarmos às antenas do Mendro começamos a ver o caminhantes já a descer em sentido oposto. E este é um dos pontos fortes desta prova. Pelo facto de irmos em direcção oposta à caminhada, não só não há engarrafamentos como temos "público" em grande parte do percurso que puxam pelos corredores.

Após o último esforço alcançámos finalmente as antenas e, após um abastecimento de água, iniciamos a nossa descida. Ainda as minhas pernas estavam a mudar de chip quando vi as minhas caminheiras! Grande festa e siga que agora é sempre a descer! Fiquei mais descansado, parecia que estavam bem e surpreso uma vez que ainda tinham bastante gente atrás delas.
As minhas caminheiras!
Uma das grandes melhorias que tenho sentido dos treinos em Monsanto é o facto de estar mais confiante nas descidas, e isso notou-se bastante nesta prova. Ataquei a descida e seguimos em grande ritmo. Por esta altura a caixa da máquina de filmar ficou embaciada e infelizmente todas as filmagens desta parte ficaram inutilizadas. Passámos junto de uma pequena barragem e até tivemos de atravessar um curso de água! Sim no Alentejo também há água... Ok, tinha uns milímetros e nem sequer precisávamos de sujar as sapatilhas.
Sempre em grande ritmo! (Foto da CMV)
O 9ºkm é feito por um caminho com alguma areia mas que não me incomodou nada, até porque neste ponto somos ultrapassados por uma senhora que tentava em esforço alcançar uma outra senhora uns metros mais à frente. Entro no ritmo dela e seguimos assim lado a lado durante alguns km's. 


Regressamos à Vidigueira e consequentemente ao alcatrão. Reduzo um pouco o ritmo e pergunto ao Sílvio se dá para fazermos um sprint até à meta. Ele já está muito perto do limite e diz para eu seguir, mas acaba por conseguir dar mais qualquer coisa porque acabou apenas alguns segundos depois de mim. No meu sprint final acabo por picar 2 atletas que quando me vêm desatam a sprintar que nem loucos, já na entrega de prémios percebi que estavam a lutar pelo prémio para os atletas do concelho.

Foram 11.3km com 200m de D+ em 57m40s, o que resultou no 128º lugar em 215 que terminaram a prova.
Já está! Obrigado Sílvio, grande prova!
Após recuperar uns segundos coloquei-me de novo a caminho em sentido oposto para procurar o resto da família. Encontrei-as à entrada da Vila todas contentes e frescas! Tornei a passar a meta, desta vez com a minha heroína que fez todos os 8km com as suas perninhas.
As grandes atletas!
A foto de família!
 Depois foi tempo de ir dar um banho nos balneários da piscina que, em comparação com as instalações da Corrida do Monge (que pertence ao mesmo circuito que esta) eram um luxo! Um balneário espaçoso e água quente.

Mais uns minutos de espera novamente à porta da piscina desta vez para aceder ao parque de merendas onde seria servido o almoço. Um belo rancho acompanhado de pão alentejano e vinho à descrição! Ali ficámos em confraternização e acabámos por assistir à entrega de prémios, que eram monetários e em grande número.
O repasto...
Foi um dia muito bem passado. Com desporto, confraternização, almoço e lembranças e tudo isto por 5 euros... Definitivamente a repetir em 2015!
Obrigado!

quarta-feira, 18 de junho de 2014

Marginal à Noite 2014 - 14 Junho 2014

Em equipa ganhadora não se mexe, e sendo assim, este ano repeti a dose na Marginal à noite. Como expliquei no post do ano passado, embora a partida seja a menos de 500m da minha casa apenas no ano passado participei pela primeira vez nesta prova, e logo com uma grande equipa!

Este ano voltei a desafiar a malta do trabalho a vir fazer os 8km na Marginal de Oeiras. Desta vez com mais tempo comecei a plantar a ideia e a espicaçar o espírito competitivo e consegui que 5 colegas se juntassem para fazermos um género de competição do departamento. Juntámos ainda as respectivas companheiras, mais alguns dos filhos e a equipa "Só Mais um Blog de Corrida" tinha este ano 14 elementos!
A grande equipa "Só Mais Um Blog de Corrida"!
O chamariz tornou a ser o jantar cá em casa que, para não variar, durou até quase às 20h45. Depois foi enxotar o pessoal porta fora e deslocar-mo-nos para a partida. Ainda tentei colocar um passo agressivo na caminhada para ver se não ficávamos muito atrás, mas com paragens para fotos e mijinhas à última da hora ficámos quase no fim do garrafão. 

Sinceramente não percebi a ideia da organização ao dividir a zona da partida transversalmente, metade das faixas da marginal para os dorsais com chip e a outra metade para quem ia sem chip. Eu ia para a festa e para tentar motivar o pessoal, mas é sempre chato numa "corrida" ter que "andar" e ultrapassar pessoas que claramente não estavam ali para correr. Não estou a dizer que não deveriam estar ali, apenas que deviam partir após os que estão para correr ou no mínimo tentar seguir o mais à direita possível.
São 21h15... claro que temos tempo para tirar mais uma foto...
E assim, quase 2min depois do "tiro" de partida conseguimos finalmente ultrapassar o pórtico. Os primeiros metros foram o caos, com ultrapassagens, acelerações e travagens. De imediato perdi de vista os restantes elementos da equipa tendo apenas ficado junto do meu amigo Duarte. Nota para o próximo ano, é muito giro levar a tshirt do evento mas depois é impossível seguir alguém na confusão, para a próxima levar uma tshirt de cor contrastante com a cor do ano.
Os atletas do "Torneio EO"!
O meu grande objectivo para esta prova era servir de lebre e levar o pessoal a fazer os 8km em menos de 40min, papel que encarnei com toda a convicção! Embora tivesse perdido o resto do pessoal, passei toda  a prova a puxar pelo Duarte. A motivá-lo, a manter o ritmo nas zonas mais difíceis e até a ir buscar a água para que evitasse a confusão junto do abastecimento.

Foi uma prova simpática e divertida, de trás para a frente e por isso sempre a ultrapassar o que ajuda na motivação mas desgasta mais rapidamente. Com muita animação e muita gente... demasiada gente... Numa das ultrapassagens, no exacto momento que me preparava para a manobra, a senhora, por sinal bem robusta, decide levantar os cotovelos quase ao nível dos ombros. Já embalado não consigo evitar o contacto e quase perco o equilíbrio. Mas o que me chateou deveras foi ao mesmo tempo ouvi-la dizer para a amiga: "Vês, assim já não nos ultrapassam". Aquilo mexeu comigo de uma maneira que tive de me voltar para trás e xingar a dita senhora.

Seguimos num ritmo sempre ligeiramente abaixo do 5'/km e quando alcançamos o 7km a prova está feita, a partir daqui é sempre a descer e aproveitar para um sprint final. Continuo sempre a puxar pelo Duarte e alguns metros depois da placa dos 7km lá começamos a alargar a passada. Tomo a dianteira e acelero um pouco, nada demais porque o rapaz parece que já está nos limites. E qual é a minha surpresa quando o ingrato, a poucos metros das meta acelera e passa por mim a rir. Já não dá tempo de acelerar para o alcançar e passo a meta 4s depois do campeão da EO.

Com um tempo de chip de 38:38 ficou bastante aquém do tempo do ano passado, mas o objectivo era também bastante diferente. O grande vencedor do "torneio EO" percorreu a prova 38:33 no que foi uma grande prestação(principalmente com a quantidade de minis e bolo brigadeiro que enfardou antes da prova, e não há aqui qualquer ressentimento), com um ritmo médio de 4:54/km dá excelente perspectiva para que consiga fazer os 50min na Corrida Tejo. Parabéns Duarte. De resto toda a equipa está de parabéns com prestações de grande superação. Para a posteridade fica a classificação final.
Só ficou a faltar o Luís que se inscreveu sem chip mas que terminou em 49'
Depois foi tempo de esperarmos pela malta da caminhada e ficarmos no convívio para vermos o fogo de artifício que encerrou a nossa festa e as festas de Oeiras. Muito obrigado a todos os convivas e até para o ano!
Obrigado e até para o ano!

domingo, 18 de maio de 2014

IV Ultra Trail de Sesimbra - 03 Maio 2014

Chegara finalmente o dia. Hoje ia correr uma Ultra Maratona, a minha primeira. Parecia que tinha passado uma eternidade desde o dia em que o Sílvio começara a semear a ideia. Mais de seis meses em que sem fazer exactamente uma preparação especifica mudei completamente o chip, puro estradista para um curioso dos trilhos. Hoje ia testar limites. Hoje ia sofrer. Hoje ia ser muito feliz...

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Muito antes de me inscrever nesta prova já andava a preparar a logística associada. A ideia sempre foi levar a família toda e aproveitar o fim de semana para conhecer Sesimbra. Embora já tivesse passado pela vila nunca a tinha efectivamente visitado. O problema é que organizar a estadia para 4 incluindo uma pulga eléctrica de 4 anos e um bebé de 5 meses não é nada fácil, ainda para mais que a minha adorada e muito prestável esposa teria que as aguentar durante todo o dia da prova...

Sesimbra é adorável e com o tempo que apanhámos parecia uma estância balnear de luxo. A família gostou muito do hotel, principalmente da piscina...
Vista da piscina do Hotel no 6º andar...
Ás 6:30 saio da cama e vou silenciosamente preparar-me. E aqui começam as indecisões... levar a tshirt de compressão ou uma tshirt mais leve, levar o boné ou a badana... Com tantas indecisões demoro demasiado tempo e chego ao pequeno almoço já atrasado. Como se não bastasse esqueço-me do dorsal no quarto. Corrida hotel acima e stress pré-prova... Nada bom.

Já com o estômago mais confortado dirigimo-nos para a zona da partida. Acabámos por chegar com bastante tempo e ficámos ali na conversa a apanhar o sol da manhã. Mais tarde iríamos querer fugir de tanto sol mas às 7:30 estava a saber bem! Encontrámos várias caras conhecidas de Monsanto e de outras aventuras. Eu fui surpreendido por dois colegas do trabalho que não sabia que também andava nestas coisas.
Sim, sorriam para o Sol que mais tarde logo choram...
Depressa percebi que ia haver confusão com a partida. Como cheguei de véspera fui logo levantar o dorsal na sexta à noite e, mesmo com tempo, não foi fácil chegar desde a praia até ao local da entrega dos dorsais que ficava na recepção do Hotel do Mar. Quem ia levantar os dorsais no dia tinha logo uma longa e stressante caminhada para aquecer. Acabámos por sair com 10 min de atraso.

Na entrada para o "garrafão" da partida são verificados os equipamentos obrigatórios. Eu não estava à espera que a verificação fosse tão minuciosa e fiquei um pouco atrapalhado. A malta começa a amontoar-se e a adrenalina começa a bombar. Contagem decrescente e lá começa a epopeia!
3, 2, 1... Vamos a isto que os 52km não se correm sozinhos.
O primeiro km, em alcatrão e com as pernas frescas é uma beleza. Uma pessoa tenta não se entusiasmar mas entre a adrenalina e o instinto de rebanho lá vamos nós em torno dos 5'30/km. Mas depressa chegamos à primeira subida, e embora seja perfeitamente corrivel começa o jogo a que chamo: não vou ser o primeiro a andar. Quando sabemos que já devíamos ir a passo mas porque toda a gente à nossa volta ainda corre, corremos mais um pouco.
"Primeira subida" ou "Vamos lá ver quem começa a andar primeiro..."
Depois da experiência de Almourol, o nosso plano era simples: sempre que inclinasse por muito pouco que fosse passaríamos a andar. Nas descidas e em terreno plano correríamos. O problema é que nos primeiros 20km, terreno plano era algo muito escasso.

São 20km em que perdi a conta às arribas que descemos e tornámos a subir. A progressão era difícil e algumas vezes perigosa. Na minha memória ficou uma descida em que tinham espalhado gravilha grossa e mesmo assim parecia que estávamos a fazer ski... Curiosamente nunca tivemos de esperar para ultrapassar obstáculos, o número de atletas reduzido e o facto de irmos já bastante espaçados facilitou a passagem. Era-mos um enorme carreiro de formigas coloridas.
Sempre ladeados de grande paisagens seguíamos o carreiro colorido.
Arriba acima...Arriba abaixo...
Passámos no 1ª abastecimento, só de água, sem parar e seguimos directamente para o 2º no 9km. Este abastecimento, como de resto em todos, tínhamos um autêntico banquete à nossa espera, com muita variedade e quantidade e a simpatia dos voluntários. Acabei por não tocar na comida que levei. Ficámos neste abastecimento cerca de 5 minutos.

A minha estratégia para esta prova em termos de abastecimentos era simples: manter a bolsa sempre cheia de água, levar uma garrafa com isotónico que enchia em cada abastecimento, beber o máximo que conseguia no local e comer sempre uma banana temperada com um pacote de sal. Muito sal comi eu neste dia, perdi a conta aos pacotes mas a verdade é que não tive caimbras! :)
O 2º Abastecimento: vai uma banana com sal? :)
Mal deixámos o abastecimento encontrámos a descida mais vertical e perigosa de toda a prova. Perdemos quase 100m de altitude em pouco mais de 120m. Grande parte da descida era constituída por gigantescos degraus em que era necessário a utilização dos 5 apoios! Sempre ladeados por um muro de cimento com uns postes que ajudavam a dissipar alguma velocidade. Foram 6 minutos muito tensos em que a concentração tinha de ser total. E no último metro de descida os pés do Sílvio falham e caí com o 5º apoio no chão. Na altura pensei que tivesse sido apenas um susto, uma vez que queda tinha sido para trás e devido à inclinação o terreno estava logo ali. Só uns metros mais à frente é que me mostrou os braços e vi que as feridas não tinham bom aspecto...
A meio da "descidinha" junto ao muro, esta parte já estava...
Só faltavam esta...
Já me tinha apercebido que a malta de Monsanto costumava imprimir o perfil vertical da prova com a indicação dos abastecimentos para levar no dia, e por isso decidi também eu fazer o mesmo. E o jeito que aquilo deu! Muitas foram as vezes que o consultámos, qual oráculo divino, e nos ajudou a manter a motivação para chegar até ao próximo abastecimento. Nesta fase fizemo-lo várias vezes... As feridas do Sílvio teimavam em não estancar e precisavam de ser tratadas urgentemente. Foi a primeira fase negra da prova.

Continuámos sempre junto ao mar ao sabor das arribas. A disposição não era a melhor mas lá animámos um pouco quando começámos a ver o farol a aproximar. Sabíamos que a parte mais técnica da prova ficava nos primeiros 20km e que o Espichel marcava o seu fim.
Promontório do Cabo Espichel de um ângulo diferente.
3º abastecimento, 16km, 3 horas. Até aqui as minhas previsões de tempo ainda estavam correctas...
Bem junto ao farol, no 16km e com 3 horas de prova, encontramos o 3º abastecimento. Mais do mesmo e vá de sal para o bucho. E aqui surge, para mim, uma falha da organização que de resto esteve impecável. O Sílvio precisava de limpar e estancar as feridas e, embora estivessem inclusive bombeiros no local, não havia material de primeiros socorros. Lá limpou o melhor que pode com água mas uma das feridas estava difícil de estancar. Ficámos neste abastecimento cerca de 6 minutos.


Com o abastecimento e o terreno mais rolante o espírito do Sílvio melhorou um pouco e conseguimos fazer 2km sempre a correr, o 19km foi inclusive o km mais rápido de toda a prova. Com os caminhos mais largos começaram a ser possíveis as ultrapassagens, e sempre que nos cruzávamos com alguém lá trocávamos umas palavras de incentivo. Foi muito divertido porque às tantas as caras eram sempre as mesmas, ora passávamos nós, ora éramos ultrapassados e nos abastecimentos voltávamos a baralhar as posições.
A passagem pelo Santuário, com alguma pena o caminho não era pelo interior mas por um caminho lateral. 
Aqui em plena confraternização com um casal muito animado  (foto de Ricardo Taxa).
E ao 20km encontrámos a variável inesperada e que veio complicar as nossas contas e as nossas pernas: Areia. Não é que eu tivesse preparado esta prova até à exaustão, mas li alguns relatos e vi alguns vídeos e em nenhum constatei que teria de ir preparado para atravessar um deserto! Começou devagar. Uma subida de areia fina aqui, um planalto acolá. Aqui ainda tentámos correr mas depressa percebemos que era um esforço inglório.

Depois de mais uma descida a pique chegámos a uma lage de pedra enorme ao nível do mar. Seguimos sobre a lage até que alcançamos uma praia deslumbrante, a Praia da Foz, onde se encontrava o 4º abastecimento no 24km. Alguns brincavam com a ideia de ir dar um mergulho enquanto outros efectivamente o concretizaram.
A linda e escondida Praia da Foz.
Com quase 4h30 de prova a minha previsão já estava a falhar (a previsão era 4h), mas ainda acreditava que seria possível recuperar. Felizmente neste abastecimento para além de todos os mantimentos que precisávamos (vá de banana com sal) e da simpatia dos voluntários, e embora não existisse mala de primeiros socorros, um dos voluntários tinha uma bisnaga de betadine. Foi o júbilo, enchemos os estômagos, o Sílvio tratou das feridas e o optimismo voltou em força! Devido às acções de enfermagem levámos 11 minutos neste posto.
Agora é que é, abastecidos e tratados vai ser sempre a bombar... ou talvez não...
Mas o optimismo esmoreceu rapidamente... O troços de areia são cada vez mais frequentes e a progressão cada vez mais lenta. E quando pensávamos que a coisa não podia ficar pior, no 26km, chegamos à praia do Meco e começa um calvário de areia. As marcações levam-nos pelo sistema dunar do Meco. Sempre a passo os km parecem que não passam. Os pés cheios de areia e às 13h da tarde o Sol começa finalmente a incomodar-me.
A famosa Praia do Meco que será sempre por mim recordada como a Infame Praia do Meco.
Este é para mim o troço mais complicado, quando a cabeça começa a acumular dúvidas. Lembro-me de pensar: "Marathon des Sables, Jamais!" e começar a rir sozinho :)

O martírio prolonga-se até ao 30km onde encontramos finalmente o 5º abastecimento sob a sombra de uns pinheiros, qual oásis no deserto. Foram 1h10m para percorrer pouco mais de 6km.
Deserto? Não, é apenas o sistema dunar do Meco...
Areia e mais areia numa sucessão capaz de arruinar os espíritos mais optimistas. 
Este abastecimento parecia uma zona de guerra. Havia gente sentada pelo chão por todo o lado a tirar a areia dos sapatos ou simplesmente a descansar à sombra. A minha prioridade foi retirar a tonelada de areia que tinha nos pés, até porque, assim descansava um pouco. Só depois fui para a mesa da comida e para minha surpresa este abastecimento era ainda melhor que os anteriores. Comi uma sandes de paio que me soube a ginjas. Neste posto vimos muita gente a desistir, nunca antes tinha visto tanta gente a desistir simultaneamente e foi algo desanimador. Ficámos neste abastecimento durante 15 minutos...

Mesmo antes de deixarmos o posto deu-me aquela sensação de faltar alguma coisa, mas não me consegui lembrar. Era tirar fotos! A partir das dunas a máquina foi para o bolso e foram muito escassas as vezes que saiu.

Já a caminho tentei telefonar à minha mulher. Tinha-lhe dito que deveria levar umas 8h (hahaha) mas neste ponto (30km com  5h45 de prova) era evidente que tal não iria acontecer e queria deixa-la mais descansada. Mas entre ela não atender à primeira e a ausência de rede acabei por não conseguir falar.
Sem dunas  mas ainda com muita areia...
Deixámos finalmente a praia para trás mas não a areia... Os km's seguintes foram "andados" pelo pinhal entre a praia e a aldeia do Meco. Embora o caminho fosse sobretudo por estradões, na maior parte das vezes a areia era tanta e as forças poucas para se efectivamente correr.

Por esta altura o Sílvio começa a ficar com algumas dificuldades e foi-se abaixo psicologicamente. Eu bem tentava animar e dizer umas graçolas, mas a coisa estava a ficar bastante negra. Numa das minhas tentativas recordei a altura em que nos conhecemos no desafio para comemorar o seu 31º aniversário e disse que teríamos de tirar uma foto quando chegássemos ao 32km para fazer a comemoração deste ano! 
Não sei se dá para perceber mas estamos a fazer um 32 com as mãos...
A cada km que passava via o Sílvio a ficar mais em baixo e temi que ele ficasse no próximo abastecimento.

E eis que, com 7h de prova e 37km, no meio do caminho vimos uns pinos coloridos no chão. Ao principio pensei que fossem marcações de uma outra prova, mas depois oiço chamarem por nós e vimos o 6º abastecimento debaixo de um telheiro.

Este sim era um verdadeiro abastecimento reforçado, com canja, sandes e tudo mais. Dirijo-me imediatamente para a canja e pergunto ao Sílvio, que entretanto se tinha atirado para o chão, se também queria. E aquela canja para além de salgada (como se quer!) também devia ser mágica porque de um momento para o outro o Sílvio arrebita e está pronto para a acção. Ficamos no posto durante 22 largos minutos mas valeu bem a pena! Voltei a comer umas sandes de presunto divinais e deu ainda para refrescar junto de uma torneira que existia no telheiro. Estávamos prontos para a próxima etapa. Os voluntários informaram que o próximo abastecimento seria na Pedreira.
A caminho da Pedreira numa espécie de trote...
Com novo fôlego e o Sílvio com equipamento lavado, retomamos o caminho. Continuamos nos estradões durante mais uns km's, mas estes vão tendo progressivamente menos areia e tornado-se mais corriveis. Infelizmente as pernas não permitem grandes aventuras e nesta fase só é possível ensaiar um trote ligeiro quando a inclinação assim o permite.

Antes de regressarmos à serra passamos ainda por um lindo morangal. Que seria ainda mais lindo se eu não tivesse visto que, no fim do mesmo, teríamos que passar um pequeno mas impossível de evitar riacho... Depois de tanta areia nunca me passou pela cabeça que ainda teria de molhar os pés... Como sabem eu "adoro" correr com um saco de água em cada pé, que é no que se transformam as minhas sapatilhas quando tal acontece... Mas eu prometi que nunca mais me queixava e por isso todo este parágrafo não é uma queixa.
O lindo morangal imediatamente antes do infame riacho...
Perto do 40km quase nos enganávamos no caminho. Íamos uns 50m atrás de uns atletas e numa mudança de direcção eles continuam em frente e eu ia segui-los. Felizmente o Sílvio ia atento e evitámos o engano. Eu bem gritei aos outros atletas mas não sei se me terão ouvido. Neste aspecto a organização também esteve irrepreensível, as marcações estiveram sempre impecáveis.

O terreno voltou a ficar mais pedregoso e regressámos à serra entre o Espichel e Sesimbra. O terreno não permitia grandes aventuras mas depois do desespero de areia parecia uma pista de tartan. A cada km suspirávamos pela pedreira... E depois de uma descida quase vertical (na realidade até nem era assim tão íngreme mas no estado em que estavam as minhas pernas e a miufa que tenho das descidas parecia-me uma pista de saltos de sky) chegámos finalmente à entrada da Pedreira e ao 7º abastecimento.

Neste abastecimento voltámos a ver alguns atletas a desistir, mas ao Sílvio parece que lhe dão uma injeção de optimismo. Fazemos o abastecimento mais rápido até aí e em 3 minutos estamos a sair. 
Não, não me teleportei para outro planeta, é mesmo ali ao lado de Sesimbra.
Ao entrar na pedreira parece que estamos a entrar noutro mundo. É impossível não admirar a magnitude do local mas não deixa de ser um contraste demasiado berrante com o cenário de reserva natural por onde tínhamos deambulado até ali.

O Sílvio começa a ficar cada vez mais eufórico e só grita "Já cheira a Meta! Já cheira a Meta"". Na realidade estávamos a menos de 1km em linha recta da meta mais ainda teríamos que palmilhar mais 6km até lá chegar. Contagiado pela alegria do Sílvio telefono de novo à minha mulher para dizer que estávamos quase a chegar, mais 30m segundo o Sílvio... Obviamente levámos mais de 1h, afinal ainda faltava conquistar o último obstáculo, o Castelo.
Sempre com o objectivo à vista!
À medida que o tempo passa e o Castelo não há meio de aparecer, as baterias do Sílvio voltam a ficar em níveis críticos. Já tinha lido bastante sobre esta subida e sabia que, embora fosse íngreme, era relativamente curta. Só era preciso não desmotivar e, acima de tudo, não parar! Tomei a dianteira e coloquei um passo certo mas agressivo e gritando incentivos lá escalámos até ao Castelo.
Vamos lá! Já vejo o portão!
No largo do Castelo encontramos o 8º e último abastecimento. Mais parco mas com o essencial nesta fase da prova, água. Dois dedos de conversa com os voluntários e ala que se faz tarde e agora vai ser sempre a descer. Voltámos a gastar 3 minutos neste posto.
Agora é sempre a descer!  "Isto agora é como em Monsanto!"
Saímos do Castelo por uma porta nas traseiras e embrenha-mo-nos nuns single tracks pelo meio de uma floresta. O Sílvio, novamente cheio de motivação grita: "Isto agora é como em Monsanto!". O facto de irmos a descer, à sombra e com fome de meta dá-nos a energia para colocar um ritmo mais vivo.
Voando a "alta" velocidade pelo trilho que a imagem até fica desfocada.
Depois do que me parece uma eternidade chegamos finalmente à vila. Ainda ficamos ali uns segundos sem saber exactamente por onde é o caminho mas alguém nos grita que é pelo passadiço da praia. 

Um mar de emoções passam pela minha cabeça ao correr naquele passadiço. Tínhamos conseguido! Íamos acabar a nossa primeira ultra, uma verdadeira prova de equipa. Depois de 9h40 a torrar ao Sol o espírito tinha ganho sobre o corpo. Sem termos combinado agradecemos um ao outro esta aventura e felizmente captei esse momento que resume o espírito desta equipa.
Já está! Obrigado Sílvio!
Última curva e a meta está a dezenas de metros. De entre a multidão a minha filha desata a correr em minha direcção e recebe-me como um herói. Dou-lhe a mão e corremos juntos os últimos metros da prova. Mas no último segundo dá-lhe a vergonha e volta para a mãe que com o rebento mais novo espera por mim junto à meta. Segundo ela teve vergonha que o senhor dissesse o seu nome e pensasse que tinha feito a prova.
Papaaaa, Papaaaa!
Foi de longe o meu maior desafio até agora. Quer pelo record de distância, 52km, record de tempo, 9h40, quer pelas condições atmosféricas, com um dia abrasador. No final a minha tshirt estava branca, tal era a quantidade de sal que tinha transpirado. Começaram esta prova 244 atletas, mas na classificação final figuram apenas 186, sendo que terminei na 147ª posição. Sozinho muito dificilmente teria conseguido terminar e quero deixar aqui o meu muito obrigado ao meu grande companheiro pela companhia, motivação e espírito de superação com que me contagiou. Curiosamente, ao contrário de Almourol, em nenhum momento tive as habituais questões filosóficas do tipo "que estou eu aqui a fazer" ou "não tenho vida para estas distâncias". Acho que fiz as pazes com as ultras... :)
SOMOS ULTRAS!
O último parágrafo deste "curto" relato é dedicado à minha família. Principalmente à minha mais que tudo, que atura esta minha pancada e, com uma paciência infinita, segue-me nestas aventuras. Obrigado são a minha alegria.

 PS- Se chegaram a este ponto já perceberam que para além de ter ficado super entusiasmado e querer recordar todos os pormenores desta aventura, desta vez tenho montes de fotografias! O motivo e um video todo catita podem ser vistos aqui.