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terça-feira, 22 de julho de 2014

Ultra Trail Monte da Lua - Video Blog

 

Arribas do Cabo da Roca - 0 
Eu - 4

Após 8h50m completei a minha segunda Ultra pela Serra encantada de Sintra. Maior em distância e subida acumulada e largamente a prova de trilhos que mais desfrutei. Sempre em excelente companhia! Obrigado Sílvio!

E não, não vou alterar a linha editorial do estabelecimento. Os relatos escritos permanecerão a ser o core business, mas a realidade é que eu continuo uma lesma a escrever e o relato desta prova só deve sair lá para o Outono. Por isso, e  para fazer inveja ao pessoal que não foi, deixo aqui o registo video (montado às três pancadas).


domingo, 2 de fevereiro de 2014

GP Fim da Europa - 26 Janeiro 2014

E após várias tentativas este foi o ano em que corri até ao Fim da Europa!
Há anos que ouvia falar desta prova mas por uma razão (quando me apercebia já não havia inscrições) ou por outra (cagufa, quando 10km me pareciam uma maratona e 17km um sofrimento desumano) ainda nunca tinha conseguido participar. Mas no ano passado na Corrida do BES fiquei com uma amostra do que me esperava e ansiosamente fiquei atento à edição deste ano. Como já escrevi aqui, só muito recentemente me envolvi no mundo das redes sociais, mas a verdade é que apesar do meu cepticismo inicial são muito úteis para a malta das corridas. No dia em que abriram as inscrições rapidamente o meu facebook encheu-se de gente entusiasmada a anunciar a boa nova, até parecia que o Natal tinha chegado mais cedo! Rapidamente fiz a minha inscrição e garanti a minha primeira "Fim da Europa".

Sexta-feira, enquanto me deslocava  a Sintra para levantar os dorsais, comecei a sentir os primeiros sintomas gripais. Sábado, os sintomas agravaram-se, e a ida à prova começou a ser colocada em causa. No Domingo de manhã acordei sentindo-me minimamente em condições de participar, e decidi ir, até porque tinha os dorsais de alguns amigos. Por falar em amigos, um dos que consegui convencer a ir a esta prova foi o meu amigo Duarte, com o qual já fiz algumas corridas... de 10km... sendo na altura a distância máxima que alguma vez tinha corrido. Nos dias que antecederam a prova confesso que fiquei um pouco preocupado com a participação dele, não só era quase o dobro da distância habitual, como não era propriamente o mais plano dos percursos. Claramente subestimei o rapaz....
Da esquerda para a direita, Duarte, David e Eu!
A caminho de Sintra, e tendo em conta o meu estado físico decidi que iria ter como objectivo fazer a prova com o Duarte. Quando chegámos, entreguei os dorsais da restante malta e durante a conversa (picaria) alterei o objectivo para: não ficar atrás do David (amigo, colega e chefe! :) ). Já em contagem decrescente encontrei o Sílvio. Novo objectivo: acompanhar o Sílvio (tentar)! A adrenalina da prova é uma coisa lixada... E assim às 10h estávamos praticamente sob o pórtico da partida prontos para a nossa prova.
Já com o Sílvio e com um renovado objectivo!
Fruto da nossa posição estratégica e da excelente ideia (pelo menos para os atletas de pelotão, para os elite não sei se terá sido tão boa...) de utilizar o tempo de chip para a classificação final, começámos logo a correr a bom ritmo. A subida inicial é demolidora (215m D+), mas não sei se por já não ser novidade, ou os treinos mais intensos a trepar em Monsanto ou a motivadora companhia, escalámos os 4km iniciais a um ritmo médio de 5:17. Alcançar o topo da subida foi uma sensação incrível, estávamos a ir a bom ritmo e o meu corpo estava a responder bem. Mal o terreno alivia um pouco a inclinação o Sílvio começa a impor um ritmo "louco" e eu lá me vou aguentando. Os 6km seguintes foram sempre bem abaixo do 5min, tendo o 7km sido percorrido em 4:18.


Sintra estava Sintra, húmida, fresca e com a neblina a dar um ar misterioso à serra. Por duas ou três vezes o Sílvio fez comentários à magnifica paisagem, os quais tiveram como resposta apenas uns sussurros monossilábicos da minha parte. Em termos cardio estava controlado mas a parte muscular estava a começar a ceder. Mentalmente ia imaginando que a corrida tinha 11km e que após a parede eram 6km de "relantim". Aguentei até à rampa ao 10km, mas a meio da rampa tive de andar alguns passos. Não foram mais que 200m e provavelmente teria conseguido continuar a correr, mas por uma questão táctica (a velocidade era ridícula, acho que a andar ia quase à mesma velocidade, e iria precisar das pernas para o últimos km sempre a descer), optei por uma caminhada técnica. O Sílvio que fez toda a subida a correr, ainda esperou por mim, mas assim que a inclinação começou a mudar rapidamente me apercebi que as minhas pernas não iam conseguir acompanhar. Insisti que continuasse e fiquei a ve-lo descer a encosta a uma velocidade estonteante. Não é que eu fosse devagar, os últimos 6km foram feitos a uma média de 4:10.
Ai...doi...Ai...doi...Ai...É o farol! I belive I can Fly... (foto Friends2Run)
Para o fim o sofrimento já era considerável e o avistamento do farol do Cabo da Roca foi um momento muito especial. A meta estava já ali! Ouvia uns passos rápidos nos meus calcanhares e embora não estivesse a lutar por um lugar no pódio (até porque o que contava para a classificação era o tempo de chip) alarguei ainda mais a passada e voei para a meta. Só depois em casa, ao ver a fotografia, é que me apercebi que o atleta perseguidor era uma senhora que ficou em 3º na geral feminina.
Finalmente apareço numa foto na meta sem ninguém à frente! Hurra!  Para a próxima tenho de me lembrar de sorrir... (foto Correr Lisboa)
No fim o relógio marcava 16,9km em 1:20:33 com 390m de D+.

Entro na tenda e o Sílvio lá está à minha espera. Tenho de me sentar para conseguir tirar o chip e depois lá vamos recolher o farnel, o chá e a bebida isotónica. Fiquei um pouco decepcionado por não poder juntar mais uma medalha ao meu placar, mas em termos logísticos a organização esteve irrepreensível. Os sacos à chegada foram dignos de um prémio, ainda estava a tentar perceber qual era a minha fila e já um voluntário me estava a acenar com o saco na mão. Fantástico!

Já com a roupinha trocada olho para o relógio, 1:45 de prova, e dirijo-me para a meta para ver o Duarte chegar. O minutos vão passando e nada, começo a ficar preocupado. Entretanto vejo chegar um dos 3 cromos desta prova, a "Japonesa de bikini e botas de ski". Há gente muito estranha... Os outros 2 "cromos" não cheguei a ver ao vivo mas vi depois as fotos no Facebook, "O Homem que correu descalço" e o "Tipo do Carrinho de Bebé".

Lá toca o telemóvel. O Duarte já tinha chegado, já tinha trocado de roupa e já andava à nossa procura. Um gajo que nunca tinha corrido mais que 10km, vai a uma prova de 17km com 390m D+ e termina em 1:43... Fantástico. Obviamente que o chaganço para se inscrever na Meia da Ponte alcançou patamares nunca antes alcançados (que pelos vistos resultou porque o homem já está inscrito).
Os 2 grandes atletas e Eu
O regresso a Sintra correu bem. Mais uma vez a organização esteve bem face à dificuldade logística, e estavam dezenas de autocarros a postos para o retorno. Não sei se deu para toda a gente, mas pelo menos eu não me posso queixar.

Foi uma grande prova em excelente companhia. Assim corre sempre bem! A não perder em 2015.


terça-feira, 7 de janeiro de 2014

5º UTSS - Ultra Trilhos da Serra de Sintra - 5 Janeiro 2014

ou "Meia Dose que soube a Prato Cheio!"

ou "A minha mulher é uma Santa!" (graxa da mais alta qualidade :D)

No mês passado, num dos treinos à hora do esquilo, comecei a ouvir uns comentários sobre o UTSS no inicio de Janeiro. Fiquei curioso e fui cuscar na net. Não encontrei nada sobre a 5ª edição mas descobri uns videos e uns relatos de edições anteriores. Basicamente é um treino com a organização "Pirata" de um dos administradores do grupo por detrás dos "Esquilos", onde estão convidados todos os amigos dos amigos. O Sílvio teve a amabilidade de me convidar e assim fiquei a par da convocatória:

Vamos manter a Tradição e Re-editar um UTSS no 1º domingo de 2014. O de 2013 foi mítico (fiz Grandes AMIGOS!) Saída à "Hora do Esquilo" 06.00h
Inicio e fim na Malveira (Associação Janes/Malveira)
É disponibilizado o track no dia 3/01/2014.
Mantendo o espírito do 1º UTSS, vão existir distâncias para todos os gostos:
Mini-Prato 13km/600m D+, Meia-Dose 28km/1200m D+ e Prato-Cheio 44km/1800m D+.
A ter em conta:
É uma organização "PIRATA"! 
NÃO HÁ marcações, Exclusivamente seguida por track, GPS
É em Autonomia Total (passa em diversos pontos de água)

Este era o perfil "prometido" para a "Meia Dose" (atentem à linha vertical aos 22km...)
A "Meia Dose" parecia-me muito apetecível, mas face à actual situação familiar era um pouco complicado estar tanto tempo fora. No entanto, num acto de grande magnanimidade da Inês, e depois de explicar que a saída era às 6h e que lá para as 10h estava em casa, lá tive o assentimento para ir. Combinei logo com o Sílvio e fui preparar o equipamento. Era a mais "louca" aventura que alguma vez tinha participado e o factor "pirata" obrigava a mais atenção aos preparativos. Ainda tive de ir à pressa comprar uma bolsa de água, a tampa mal fechada afinal era mesmo um furo. Acabei com uma mercearia dentro da mochila, mas ao longo da tarde de Sábado fui retirando mantimentos e às 6h em ponto estava à porta da Associação preparado para a aventura.

Os primeiros km's eram coincidentes com a Corrida do Monge e por isso eram-me familiares. Se na altura achei a prova dura, imaginem o mesmo percurso de noite, com neblina, com muita lama e com o conhecimento que ainda nos esperavam 28km... O "aquecimento" de 5km sempre a subir foi complicado, principalmente porque não só não tenho muita experiência a correr em trilhos de noite mas sobretudo devido à neblina que mesmo com o frontal no máximo apenas permitia uma visibilidade para ai de 0,5m. Numa curva ia-me quase enfiando numa barreira de lama e um companheiro mesmo à minha frente enfiou-se dentro de um buraco...
A dupla ao raiar do dia, bem fluorescentes para não nos perderem na serra...
No topo da subida surgiu pela primeira vez a frase que nos havia de acompanhar durante todo o treino: "Estamos fora de percurso...". Em "prova" existem as fitas, as marcas no chão, as pessoas da organização. Nas "pirata" existe o track e a fé que o vamos conseguir seguir. Foram várias as vezes que falhámos o percurso e tivemos de voltar para trás, nomeadamente sempre que tínhamos de sair de um estradão e entrar num trilho. Felizmente entre o relógio do Sílvio e o meu telemóvel com o OruxMaps conseguimos cumprir o percurso. Nesta primeira parte do treino íamos apenas os dois. Mas à medida que tínhamos de voltar atrás por termos saído do track fomos criando um grupo que acabaria por fazer quase todo o percurso junto.
Não estávamos a descansar, era só para a foto...
O ritmo era muito baixo e chegámos ao topo da subida do corta fogo já com luz natural e com quase 1h45 (na corrida do Monge passei lá com 1h05). A partir daqui o percurso divergia e tinha uma passagem pela famosa Pedra Amarela, que acredito que seja um excelente miradouro mas que no dia apenas nos permitia ver uma largo manto cinzento. Mas isso não impediu de tirarmos fotos para a posteridade.
Pedra Amarela, uma vista de cortar a respiração (acho...)
Lá seguimos caminho e já perto da Malveira foi uma complicação seguir o track. Em menos de 1km conseguimos falhar o percurso 6 vezes! Era um pagode. Chegámos a um cruzamento e decidimos ir pela direita. Ao fim de 100m, "plim!" fora de percurso, voltar para trás e fomos pela esquerda. Ao fim de 100m, "plim!" fora de percurso, mau! Voltámos ao cruzamento e juntinho a uma casa, com 1 metro de largura, existia um género de barranco. Adivinhem por onde era o percurso? :)
1km = 6 fora de percurso!
Despedi-mo-nos dos companheiros que iam aos 13km e seguimos caminho para o Guincho. Estes foram os km mais regulares onde conseguimos efectivamente correr  de forma contínua, isto claro quando não estávamos perdidos. Mais uma vez, num destes momentos já tínhamos percorrido uns bons metros quando o meu telemóvel apitou, o caminho certo ficava quase paralelo ao que levávamos mas aí uns 100m ao lado. As opções eram: a) voltar para trás e tomar o caminho certo; b) atalhar pelo mato até ao caminho certo. Escolhemos a opção "b)" e atalhámos por um matagal de silvas até à estrada correcta. Apenas um ligeiro problema, o desnível entre os caminhos era acentuado e mesmo antes da estrada existia uma barreira com uns 2 metros que tivemos de ultrapassar. Uns 200m mais à frente o caminho que seguíamos e o correcto convergiam...
Tempo de repor energias mas sempre a correr que temos de aproveitar o terreno plano!
Chegámos ao Guincho e finalmente tivemos o céu limpo e vistas de cortar a respiração. Não podíamos perder a oportunidade de captar o momento! Não sem antes nos metermos noutra aventura. Adivinhem! Fora de percurso, só que desta vez os caminhos eram mesmo paralelos apenas separados por uma rede de aço para aí com 1,5m. Opções: a)Voltar para trás; b)Continuar no caminho "errado" e esperar que convergissem; c) Saltar a rede. Por esta altura já devem de estar a ver o espírito do grupo e por isso, sem surpresa,  optámos pela "c" e digo-vos, após 20km a pernas já não queriam cooperar com a ideia. 100m mais à frente a rede terminava... O que eu ri...
Foto para colocar no perfil...
Depois da passagem no Guincho era altura de começarmos a escalar o regresso à Malveira. E escalar é o termo certo. Em 2km subimos do nível do mar até aos 150m e nos 2km seguintes chegámos aos 470. A tal linha vertical no 25km era MESMO vertical e mesmo com a tracção aos "quatro membros" a coisa não era fácil (vi marcas de dedos com 1m de comprimento...alguém foi a escorregar parede abaixo).
Em plena utilização da tracção aos "quatro membros"
Por esta altura olhei para o relógio e eram 10h... Ainda estávamos a pelo menos uns 5km dos carros, não ia conseguir cumprir o meu "tempo limite"...
Voltámos para a serra e se já tínhamos sentido mais que visto muitos galhos e folhas de árvores pelo caminho, agora com a luz do dia vimos a destruição que o temporal do dia anterior tinha causado. Passámos por várias árvores caídas nos caminhos que faziam as "delícias" dos inúmeros BTT'istas que encontrámos pelo caminho.

Para o fim  já com algum sofrimento físico aliado ao saber que estava atrasado acabou por nebular um pouco os km's finais. O último km a descer em empedrado foi feito muito a custo.




Foram quase 32km em 5h22m e 1380m de D+. Foi um dos treinos mais compridos que alguma vez fiz e de longe o mais longo (o máximo tinha sido a Maratona em 3h58...). O meu relógio indica quase 4000kcal e 98horas de recuperação... (não vai acontecer! :D) Foi um rico empeno com direito a todas as dores já habituais e algumas novidades como dores nas canelas e no dedo do pé.

Foto no final do grupo dos 32km (ou meia dose reforçada!)
Adorei tudo neste treino. A companhia 5 estrelas do Sílvio, a camaradagem no grupo, o percurso exigente, a componente de orientação (vulgo andar perdido a olhar para o gps...) e claro as várias aventuras. O único ponto que julgava que fosse diferente era a questão do grupo. Pensava que iríamos mais ou menos todos juntos com pontos para reagrupar. No entanto, embora estivesse bastante gente no inicio, devido à subida ao fim de alguns metros já estava sozinho com o Sílvio e se não fossem os inúmeros "volta atrás" não teríamos encontrado ninguém. Não é uma crítica, apenas um desencontro de expectativas.
A grande dupla de possíveis-futuros-um-mais-que-o-outro Ultras!
Quero aqui deixar o meu Muito Obrigado ao Sílvio pelo convite, companhia e as excelentes fotos que documentam este post! Quero também pedir desculpa à minha adorada família por ter chegado atrasado e garantir que me esforcei ao máximo por cumprir o prometido. Em contrapartida fomos almoçar ao McDonalds com direito a sobremesa de cheesecake.

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

21ª Corrida do Monge - 17 Novembro 2013

Mais uma prova de trail e mais um valente empeno...

Desde que comecei a ler blogues de corrida (o que fez começar a  fervilhar a ideia de fazer trails) que tinha em mente correr a Corrida do Monge. Por ser perto, por ser curto, tinha as características ideais (pensava eu) para me iniciar no mundo do Trail. Acabei por fazer a iniciação ao trail um pouco mais cedo na Pampilhosa da Serra, mas a prova de Domingo foi uma perspectiva completamente diferente.
A foto para a posteridade, desta vez antes da prova.
Depois de uma semana sem correr por causa do entorce no pé, a semana anterior à prova optei por me controlar e ficar-me pelo alcatrão e pela passadeira de forma a não fazer nenhuma asneira que pudesse comprometer a tão esperada Corrida do Monge.

No Domingo foi dia de acordar cedinho e carregar com toda a família para a Malveira da Serra. Chegámos cedo e o processo de levantar o dorsal foi instantaneo, sem esperas, sem stress e sem tecnologia. Um simples dorsal com um código de barras. Foi este o mote para toda a logística da prova: simples e eficiente.

Às 10h30 é dada a partida e começa a aventura. Esta prova tem provavelmente o início mais brutal de todas as corridas que já fiz. São 4,5km de subida praticamente contínua com um D+ de 340m, sempre em terreno "corrivel". Praticamente desde o início que se viam atletas a andar, mas eu teimei em correr quase até ao fim da subida, ultrapassando imensos pelo caminho.
A partida: onde está o WallyRui?
Chegámos ao primeiro abastecimento e aqui surge a minha única critica à organização. Estavam a distribuir garrafas de plástico mas não havia (ou pelo menos não os vi) sítios para as recolher. Ainda pensei em levá-la nos calções, mas o mais certo era ir cair a meio do percurso o que era ainda pior. Optei por colocá-la no chão ao lado do voluntário, ao menos estava fácilmente acessivel.

No abastecimento ia ao lado de uma senhora que o voluntário teve a gentileza de dizer que era a 6ª classificada. E porque é que estou a partilhar esta informação aparentemente irrelevante? Já vão perceber.

O pelotão ainda compacto a meio da subida.
Tudo o que sobe tem de descer e a Serra de Sintra não é exepção. Mal passámos o topo da subida entrámos em trilhos propriamente ditos que nos acompanharam até praticamente ao 10km. E aqui começa a adrenalina e a grande diferença para a minha outra experiência em trail. Na Pampilhosa também havia grandes descidas, mas o caminho era maioritariamente estradões de terra. Aqui o terreno era muito irregular, cheio de raizes, pedras e socalcos que formavam por vezes uma espécie de degraus infernais.
Foto do FB da Sirjim. Não sou eu mas é para ficar com recordação dos "degraus".
Eu bem tentei acompanhar mas aos primeiros avisos do meu tornozelo, diminui a intensidade e passei para o modo super cuidadoso. Já não bastava ir cheio de medo que o pé me falhasse, mas comecei a sentir gente atrás de mim, sempre a pressionar e literalmente a voar-me por cima sempre que existia a minima oportunidade. Muitos deles reconheci-os, tinha-os passado na subida quando já iam a passo. Detesto sentir-me pressionado, tenho sempre a sensação que estou a estorvar. Ainda me sentia pior quando eram senhoras que estavam atrás, porque sabia que estavam a lutar pelo TOP10 e respectivo prémio. Tentava sempre ceder passagem mas nem sempre era fácil fazê-lo em segurança.
Foto do FB da Sirjim. Não sou eu. Na minha escala o nivel técnico desta prova: Bem acima das minhas capacidades.
O percurso eram lindíssimo, se bem que "senti" mais do que efectivamente "vi", porque os olhos não podiam sair do metro quadrado de chão à minha frente. Se não fosse o constante receio de lesão teria aproveitado muito mais. Só me vinha à cabeça o treino que fiz em Monsanto, só que numa escala gigante. Já ansiava pela famosa rampa para poder finalmente relaxar um pouco.

E ela lá chegou, e que "bela" subida. A parte mais interessante era a forma sádica com que brindava os iniciantes que como eu a "corriam" pela primeira vez. A cada segmento de inclinação absurda surgiam uns metros planos que permitiam correr, e nos faziam crer que o pior já tinha passado, apenas para nos depararmos a seguir com outra parede para escalar. Mais uma vez me veio à cabeça a imagem dos carrinhos de corda da infância: aperta, aperta, aperta para depois gastar toda a energia potencial numa corrida louca.

Após a conquista do monte foi tempo de iniciar a descida para a Meta. Rápidamente os trilhos deram lugar a estradões e depois a empedrado. Oh bendito empedrado que por esta altura parecia um piso super regular. Aqui mais confiante, com a inclinação a meu favor dei largas às pernas e cheguei a Janes com as endorfinas a bombar.

Episódio caricato mesmo a terminar. Vejo a minha família perto da meta e preparo-me para o habitual sorriso quando sou albarroado por um atleta (que tinha passado na descida vertiginosa) que quer ultrapassar-me violentamente. Já me tinha acontecido algo semelhante no troféu das localidades, mas aí cada posição valia pontos e para quem estava a competir por equipas podia ser relevante. Neste caso não. Queria aqui felicitar o sr. 536 pelo seu espectacular 195º lugar que nada tem a haver com o meu decepcionante 196º.
Mais uma vez obrigado ao Sr. 536 por este momento sem o qual este post não teria a mesma piada.
 Depois foi receber o saco com as lembranças e o famoso pão com chouriço. Tinha lido que haveria balneários disponiveis e decidi proveitar. Balneários talvez seja uma palavra demasiado complexa para descrever o local, mas permitiu limpar o corpo com um revigorante duche de água fria. Obviamente que isto sou só eu, menino de ginásio, que não está habituado à dureza da corrida em montanha.

Gostei imenso desta prova e quero muito cá voltar, de preferência sem o "medo" dos problemas físicos.