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quarta-feira, 7 de maio de 2014

UTS - o trailer

Não, ainda não é o relato da minha primeira Ultra Maratona... Depois do teaser há alguns dias, hoje vem o trailer...

Já há algum tempo que andava para comprar uma câmara mais dedicada à acção. Queria fotos para ilustrar os meus posts e chateava-me imenso ter que estar a parar para tirar o telemóvel do bolso. Nunca dominei a arte de o fazer em andamento. Comecei a fazer as provas de trail e queria guardar as paisagens por onde passava e o telemóvel continuava a ser um empecilho. Depois há aqueles leitores muito queridos cujo o comentário aos meus posts costuma ser: escreves muito... só lá vou ver as fotografias. Urgia arranjar uma forma de documentar as minhas provas!

Na véspera da prova fui comprar a câmara e após uma noite a carregar a bateria siga para a prova. E aqui vem o 1º disclaimer: foi literalmente a 1ª vez que utilizei a máquina, aliado à minha falta de jeito e ao facto de numa prova de 52km às tantas o documentar já não está na lista dos pensamentos mais imediatos, foram as filmagens possíveis.

Como já me queixei algumas vezes por aqui, o meu tempo para o blog é muito limitado. E aqui vem o 2º disclaimer: o pouco tempo aliado ao facto de não ter qualquer experiência em edição de videos ou ferramentas para o fazer, este foi o resultado possível. O meu primeiro video totalmente filmado e editado por mim!


terça-feira, 6 de maio de 2014

Ainda Almourol...

Sei que devia estar já a publicar o relato de Sesimbra, mas já tinha este pensado há alguns dias e não queria deixar de o publicar.

Já passaram algumas semanas sobre os Trilhos do Almourol, mas queria deixar aqui para a posteridade esta sequência de fotos da nossa chegada apoteótica, disponibilizadas pela organização. Infelizmente não estavam disponíveis quando publiquei o relato. Mais uma vez a organização esteve impecável!

As nossas expressões não necessitam de mais descrições. Grande equipa e venham mais outras!









domingo, 4 de maio de 2014

Sou ULTRA!

(oficialmente...)


Era uma vez um louco que convenceu um maluco a fazer uma insanidade.

Com um calor demente e com uma preparação insensata meteram-se a correr por um caminho insano.

A sofrer como seria de esperar tiveram momentos em que perderam a razão.

Mas uma canja divinal trouxe o juízo para um nível de apenas alienação.

E mantendo um estouvado espírito de união o Ouro (a praia!) lá alcançaram!


PS - Após 9h40 ao sol era espectável que alguns (todos?!?) os neurónios tivessem fundido mas se souberem de mais algum sinónimo de loucura estejam à vontade de partilhar. 

quinta-feira, 17 de abril de 2014

5º Trilhos do Almourol (Maratona Trail) - 06 Abril 2014

É bom para estreias, diziam eles... É rolante e tens de ter cuidado com os entusiasmos, diziam eles... São "só" 42km, diziam eles... MAS COMO É QUE EU ME DEIXEI ENGANAR DESTA MANEIRA!

Efectivamente fazer a inscrição foi um acto de insanidade, mas terminar esta prova só veio confirmar o meu louco diagnóstico.

****************************************************************

Toda esta prova foi concertada com o Sílvio. Foi ele que me convenceu a inscrever e seria com ele que haveria de correr a prova. Na véspera da prova a logística da deslocação para o Entroncamento foi alterada drasticamente e acabámos por ir de boléia com uns companheiros de treino de Monsanto. Foi uma viagem muito divertida, sempre na conversa sobre temas variados, ou não... ;)

Chegámos ao Pavilhão com imenso tempo e deu para ir nas calmas levantar o dorsal, o que fiz quase instantaneamente. Já se vivia um clima de festa dentro da pavilhão. 
Vamos lá começar a tirar fotos que tenho um blog para sustentar...
Depois de uma frenética demanda por um wc livre lá voltei para o carro para equipar. Verifica e torna a verificar o material para ver se não falta nada. Parece que nem toda a gente leu a parte das instruções finais sobre a necessidade de levar um copo (que depois nem foi assim tão crítico porque a organização facilitou copos de plástico). Eu não tenho nenhum copo xpto todo profissional pelo que tive de levar um da minha filha que saiu numa refeição alegre. Mas devo dizer que funcionou muito bem e não incomodou nada durante a prova.
Tcharam! E com efeito holográfico e tudo!
Já a caminho dos autocarros que nos levariam para Martinchel encontrámos a Isa e o Vitor que aguardavam o outro autocarro para Constança. O ambiente no autocarro era animado e continuámos na conversa o tempo todo. Foi aqui que, com o passar dos kms para chegar à partida, começaram as dúvidas. Todo aquele caminho de ida que confortavelmente estávamos a realizar sentadinhos, teríamos que o fazer a pé...às voltinhas no sobe e desce...

A linha de partida era o portão do Parque de Campismo da Barragem de Castelo de Bode. Entrar no parque era o controlo 0 e como ainda faltavam alguns minutos para as 10h ficámos mais uns minutos na galhofa e depois de alguma insistência lá conseguimos tirar uma foto da equipa.
A grande equipa! João, Rui, Sílvio, Eu, Nuno e o Luís
Fomos ouvir o briefing da organização onde fomos informados que devido às chuvas o percurso iria ter uma pequena alteração e que iríamos ter "alguma" lama (as aspas fui eu que coloquei). Achei imensa piada à mochila do atleta que estava à minha frente no briefing.
Alguém que leva muito a sério o cargo!
E estava na hora. O orador inicia a contagem decrescente: 5 (Epá, afinal isto não é apenas estar na galhofa com amigos)... 4 (e colocar equipamento porreiro)... 3 ( e estudar até à exaustão o perfil vertical)... 2 (se calhar ainda vou ter que correr)... 1 (isto vai doer)... Beeeeepppppp! (Vamos lá pernas eu acredito em vocês!)

Mal se dá a partida metade do grupo sai desaustinado e só os veríamos na chegada já com o banho tomado. Eu o Sílvio e o João engrenamos num passo mais reduzido e acabaríamos por fazer toda a prova juntos. Os três primeiros km são de sonho. Correr sobre o paredão da barragem e depois descer mais de 120m em alcatrão até às margens do Rio Zêzere. Sempre na galhofa e a um ritmo controlado (porque afinal estávamos a correr uma Maratona) que mesmo assim foram os km's mais rápidos de toda a prova. À medida que relógio vai marcando os km, o pensamento é: Epá, se calhar isto até se faz!
Uiiiii. Epá , isto se calhar até se faz!
Perto do 3km saímos do alcatrão e entrámos nos primeiros trilhos, e logo ao fim de alguns metros paramos perante uma fila interminável de atletas. Eu já tinha lido relatos de engarrafamentos em provas de trilhos, mas achei os mais de 15min de espera após ter corrido apenas 15min uma barbaridade. Os obstáculos eram, primeiro uma descida mais técnica para entrar no trilho e depois uma subida inclinada que tinha uma corda e um elemento da organização a ajudar. Uma ressalva, a organização esteve impecável em toda a prova. Muito bem marcada, bons abastecimentos e sinalização de perigo nas zonas mais problemáticas. No entanto, este obstáculo tão perto do inicio (principalmente porque até ali tinha sido ultra rolante) foi muito mal pensado, principalmente porque era perfeitamente evitável.
Hora de ponta em Almourol. Onde está o Wally?

A mão amiga da organização.
Os km's seguintes foram simplesmente espectaculares. Seguindo sempre por trilhos, primeiro subindo umas colinas com vistas deslumbrantes e depois descendo em direcção ao Rio Nabão que iríamos acompanhar até à foz no Zêzere. Eram trilhos algo técnicos (pelo menos para mim) que incluíam algumas subidas onde a organização tinha colocado cordas para facilitar.
"Muito rolante, cuidado com os entusiasmos"
Com as pernas frescas e o espírito embevecido comecei a cometer erros. Primeiro colocámos um ritmo demasiado rápido para a minha forma actual (só para referencia nesta altura ia acompanhando atletas que acabaram quase 1 hora antes de mim). Segundo não hidratei o suficiente, embora o céu estivesse encoberto, a humidade relativa era muito elevada e ao fim de alguns minutos estava completamente encharcado. Terceiro, falhei completamente a parte da alimentação e lá para o 11km comecei a sentir fome.
O sorriso ficou perdido entre a ordem do cérebro para os "Likes" manuais
Junto à foz do Nabão surge um dos momentos mais giros da prova, com a travessia do mesmo por uma ponte militar. Mais uma vez a organização esteve muito bem e nem faltou reportagem fotográfica!
Para a próxima vou à frente... Aquilo com os três balançava bastante...
Mas mesmo com todo o entusiasmo a progressão era tão lenta que fiquei verdadeiramente surpreso por termos levado quase 2h para chegar ao 2º abastecimento ao 12km, o primeiro com sólidos. A minha experiência neste tópico era quase inexistente pelo que considero que os abastecimentos estiveram muito bem, variados e com abundância. Como ensinamento fica a necessidade de levar salgados, estou habituado a que nas provas de estrada haja sempre isotónico o que normalmente para mim é suficiente para repor os sais perdidos, mas nestas provas para além de não existir isotónico é obrigatório fazer um reforço.
Mais um autoretrato para colorir o post e mostrar como o percurso estava bem marcado!
Seguimos caminho com o João sempre na dianteira e rapidamente ultrapassamos o pico do percurso. A partir da até Constança o caminho "abre" um pouco e permite correr mais à larga. Também permite que sigamos na conversa e como sempre que me distraio um pouco, torço o pé. Nada de muito grave, nem chego a parar, mas fica a dorzinha e o espírito nunca mais volta a ser o mesmo.
A grande equipa apanhada em plena acção! Com o João sempre na dianteira.
Passamos por Constança e entramos num trilho no leito do Rio Tejo. Por vezes passamos tão perto da linha de água que se o Rio tivesse mais uns centímetros de caudal estaria submerso. É um percurso muito belo e praticamente plano o que permite efectuar o troço da prova mais rolante (e praticamente único). Para completar o quadro no fim deste troço temos a vista deslumbrante do Castelo. Aqui "obrigo" o meus companheiros a parar e imortalizar o momento.
O postal para mais tarde recordar.
E depois de escalar mais uma subida alcançamos o 4º abastecimento no 27km. Desta vez levámos o nosso tempo. Já tínhamos mais de 4h de prova e ainda acreditávamos que as 6h eram possíveis. Mas nada nos podia preparar para o que iríamos apanhar a seguir.

O telemóvel há muito que não saía do bolso e a partir do 30km o meu cérebro deixou de ter disponibilidade para registar a experiência para se focar unicamente em controlar as ameaças de caimbras e evitar encharcar os pés, batalha que perdi no 33km. Provavelmente esta parte do percurso era igualmente bela, mas para mim apenas ficou registado o sofrimento. O Sílvio bem tentava manter o moral e decidiu que tínhamos de tirar uma foto no 34km para marcar o nosso record em trilhos.
O sorriso digno de um oscar. Aqui estava mais com vontade de chorar...
A lama começou a surgir com mais intensidade mas a bem ou a mal lá chegámos ao 5º abastecimento no 35km. E aqui cometi o último erro. Não recuperei o suficiente, não hidratei o suficiente e não comi o suficiente. Estava a ficar saturado e queria chegar o mais rapidamente possível ao final.

Obviamente que os sintomas não diminuíram e numa descida um pouco mais exigente no 37km tenho uma caimbra no gémeo esquerdo. Mas uma senhora caimbra que me joga para o chão. Eu bem grito (ou pelo menos o meu cérebro gritou bem alto mas pelos vistos não foi assim tão sonoro) mas como ia atrás os meus companheiros não se apercebem e depressa os deixo de ver. Fico ali o que me parece uma eternidade a alongar até que aparece o João que entretanto voltou para trás. Eu bem insisto para que continuem porque vou ter que reduzir ainda mais o ritmo, mas  eles persistem e continuamos todos juntos.

Felizmente recupero um pouco mas apenas para entrar naquilo que denominei como o calvário de lama.

Lama?!? Qual lama?!?!
Por esta altura já estou completamente curado da síndrome de maçarico e nem tento evitar a lama e a água. Nunca mais me vou queixar de ter de molhar os pés! Perdi a conta aos túneis sob as estradas por onde passámos que, com as chuvas dos dias anteriores, estavam cheios de água. Obviamente que nesta fase o meu discernimento já estava um pouco toldado mas algumas destas passagens eram desnecessárias e revelavam laivos de sadismo, como por exemplo o túnel na foto abaixo.
Este era o lado raso... No outro lado a "água" chegava quase à cintura.
Os km's iam passando muito devagar num ciclo interminável de lama e água até que, no meio de um pântano chegámos ao último abastecimento. Era suposto estar no 38km mas o GPS já marcava 40,5km. Esta discrepância não agoirava nada de bom. A cada custosa centena de metros o ânimo esmorecia e só queria que chegasse o 42km. Quando o relógio apitou para o 42km no meio de um lamaçal tive um momento de desespero. Considerei seriamente em sentar-me no chão e gritar "Quero o pavilhão já!", mas depois o facto de ter lama até ao tornozelo ajudou a desistir da ideia e continuar a arrastar-me.

No mesmo instante em que passamos o 43km deixamos a lama para trás e chegamos finalmente à civilização. Sonho por momentos que o pavilhão está já ali e fico irritado com o senhor da organização que me manda virar à esquerda e entrar no Parque Verde do Bonito. Fazemos todo o parque e continuo a não ver o pavilhão. Já tudo me irrita e o atleta que segue comigo sempre a vociferar com dores num joelho também não ajuda. Mais um ribeiro, mais uma barreira para subir e passamos o 44km e pavilhão nada. Acelero o ritmo, as pernas aguentam. Volto a acelerar e tento apanhar o Sílvio. E de repente lá este ele, nunca tinha desejado tanto ver um edifício como naquele momento. O Sílvio espera por mim e entramos no pavilhão juntos e parece que estamos a acabar a maratona olímpica! O João havia terminado uns minutos antes. Um senhor da organização aproxima-se e insiste em colocar-me a medalha ao pescoço. Fico ali meio zombie a tentar comer qualquer coisa que nem me lembro de tirar mais fotos.


Foram 7h08m, quase 45km e 1150m D+ de aventura em excelente companhia. Sendo que a companhia foi o motivo do sucesso, não tenho dúvida nenhuma que se estivesse sozinho o desfecho não teria sido este. O meu muito obrigado!

O pessoal estava com pressa para voltar para Lisboa. Pelo que foi só o tempo de tomar um duche e enfiar-me na parte de trás do carro, local onde estava quando tive a mais dolorosa caimbra que já alguma vez tive, agora no gémeo direito e sem espaço para alongar.
Sim a minha medalha diz 44km!
O pensamento mais recorrente nesta prova foi: não tenho vida para isto. Este tipo de provas requer treinos muito longos e actualmente isso não é possível. Antes de fazer esta prova o meu mantra para Sesimbra era: são só mais 13km. Agora é mais: como é que é possível sobreviver a mais 13km! Estou com bastante receio de Sesimbra. Felizmente o tempo amortece tudo e como estou a escrever este post quase duas semanas depois dos acontecimentos Sesimbra já não me parece assim tão impossível...

segunda-feira, 7 de abril de 2014

"Maratona" Trail Finisher

Insanidade...................................................................... CHECK!
Maior "ultra" empeno de sempre.......................................CHECK!
Dizer que nunca mais me meto numa destas 99 vezes........CHECK!
Pensar que os organizadores são uns sádicos....................CHECK!
Perder a conta à quantidade de "esgotos" por onde passámos..CHECK!
Andar com água/lama pela cintura......................................CHECK!.
Ter a certeza que os organizadores são uns sádicos...........CHECK!
Andar a penar durante mais de 7 horas.............................CHECK!
Terminar a "Maratona" de 44km.......................................CHECK!
Não sei se já tinha referido cometer uma INSANIDADE...CHECK!.

A lebre "ah é a minha estreia" João, o reboque "ah é a minha estreia" Sílvio, e o lastro "já fiz uma de estrada" Rui.
O meu muito obrigado aos meus companheiros de aventura que esperaram por mim e aturaram o meu ritmo "deixa lá ver se não me dá mais nenhuma cãibra"!

E uma palavra de carinho para todos aqueles que, antes da prova, a descreveram como rolante e boa para estreias. Garanto que estiveram nos meus pensamentos em boa parte da prova!

sábado, 5 de abril de 2014

Trail Me Up 2 - a "Surpresa"!

Ontem quando cheguei a casa tinha uma surpresa. Chegou finalmente a minha prenda de aniversário por parte das minhas filhas.

Foi uma decisão difícil! A Margarida, com a autoridade de irmã mais velha com 4 anos dizia que deviam comprar ao pai umas Asics. A Mafalda, mais nova mas muito perspicaz para os 4 meses que tem, sugeriu que o pai merecia algo mais adequado às exigências dos trilhos e por isso deviam comprar umas Salomon. A Mafalda levou a melhor mas a Margarida escolheu a cor! E isto tudo obviamente sem o pai saber, e que ficou tão surpreso com a encomenda como a mãe!
Tão lindinhas e limpinhas... mas não por muito tempo!
Só é mesmo pena terem chegado na véspera da primeira insanidade, Trilhos de Almourol. E não, não sou louco o suficiente para ir estrear umas sapatilhas novas num prova de 42km. A estreia ficará reservada para uma ida a Monsanto assim que o empeno que seguramente surgirá amanhã desvanecer.

A todos os que vão amanhã participar em provas, boa sorte! Sejam elas em estrada ou em trilhos!

domingo, 23 de fevereiro de 2014

Insanidades II - A Sequela

Claramente há algo de errado na minha cabeça esta semana... Talvez seja um vírus ou assim...

Pois bem, quase que ainda não tinha clicado no botão para publicar o último post e já andava a navegar na internet nos sites de outras provas. Enquanto a parte racional do meu cérebro se lastimava com a sua má sorte, a metade emocional lia com um nervosinho electrizante que o prazo para a inscrição numa outra prova estava quase a terminar...

E no mesmo dia em que me deu a preguiça e não fui fazer o treino longo que tinha planeado, inscrevi-me em mais uma prova, tipo terapia de choque...
Espero ter um final como o da Pampilhosa: Feliz, exausto e com recepção apoteótica!
E não numa prova qualquer. Aquela que será o meu maior desafio até ao momento e que vivia no meu imaginário desde Outubro.

Lembro-me, há pouco mais de um ano, ver uma reportagem sobre um homem que corria ultras e pensar que aquilo não era para mim. A minha onda eram mais 10km e de preferência aquelas com as tshirts mais vistosas :) Agora, desdenho as provas populares e acabei de me inscrever naquela que será a minha primeira ultra maratona, isto claro se conseguir chegar ao fim! (sim, tornei-me um snob da corrida...)
UTS - Ultra Trail de Sesimbra (ai... ai... ai... onde me fui meter...)
A parte racional do meu cérebro entrou em choque e recolheu-se no recanto mais escondido da minha psique e a parte emocional está a escrever este post! Estou super entusiasmado com a ideia de ir correr 55km. Só espero que tenha pernas para tal e não esteja a meter "a carroça à frente dos bois". Ainda à alguns dias estava temeroso de fazer 42km... Por outro lado, se Almourol não correr bem tenho ainda algumas semanas para trocar a inscrição para a prova mais pequena ;) 

Obviamente que tenho aqui de deixar uma mensagem para o "culpado" de todo este frenesim de inscrições: a 3 de Maio vamos ser ultras! (pensamento positivo)

E noutro tópico igualmente interessante (para mim, óbvio!). Na sexta-feira fiquei com o ego do tamanho do Mundo! No treino à "Hora do Esquilo", no final do treino, vem ter comigo um rapaz que me pergunta se sou o Rui, porque segue o meu blog! Obviamente que fiquei super inchado. Pela primeira vez alguém que eu não conhecia me reconhecia a mim por causa do blog! Obrigado Francisco, fizeste o meu dia!

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

Insanidades

Esta semana deu-me um momento de insanidade. 

Utilizo esta foto do UTSS para me motivar para os próximos desafios... 
Há algumas semanas que andava a incubar a ideia de participar numa prova de trilhos assim um pouco maior. Mas o lado mais racional do meu cérebro levava sempre a melhor e a mão acabava sempre por clicar na cruzinha no topo direito da página web do evento. 

Embora ande a treinar com alguma intensidade não tenho feito grandes treinos longos. A parte mais complicada é que um treino longo em trilhos implica muito muito tempo, algo que não posso dispensar de momento. Posto isto já estava mais ou menos resignado iria deixar passar a data limite e assim acabaria o dilema. 

Mas num volte face, a minha adorada e muito compreensiva mulher acedeu ao meu "comentário casual" sobre o meu "ligeiro" interesse em participar na tal prova. Um desejo ardente começou a consumir-me por dentro e quando no facebook alguem publicou que apenas restavam 15 inscrições, qual vulcão em erupção, num momento de insanidade fiz algo...

Alguns minutos depois recebia este email...
E pronto, estou inscrito nos trilhos do Almourol versão Maratona...

Será a maior distância em trilhos que já corri e a segunda  vez que irei correr os míticos 42km. Por uma questão de preservação estou a mentalizar-me que 42km em trilhos não é exactamente o mesmo que a "Maratona". Sei o quanto treinei o ano passado e o estado em que cheguei à meta. Agora não vou ter nem de longe a mesma disponibilidade de treino e dai a tentativa de mentalização. Por enquanto está a resultar... vamos lá ver a 6 de Abril...

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

II Trail Running Bucelas - 02 Fevereiro 2014

Já passou uma semana e ainda não escrevi uma linha sobre esta prova. Sinto as memorias lamacentas e escorregadias a deslizarem da minha psique. Ou isso ou estou a interiorizar aquilo que mais fiz em Bucelas: Escorregar!
Aqui ainda estava tudo limpinho e com as sapatilhas sequinhas!
Estava super ansioso por esta prova. Não só devido ao recente interesse no trail, sendo esta a prova mais longa em trail em que participei, como,  na semana que antecedeu a prova, toda a gente falava da prova e de como era a 1ª edição tinha sido espectacular. Tinha as expectativas bem lá no alto e foram completamente preenchidas.

No entanto, na véspera tive uma quebra na motivação, com a mensagem do Sílvio a avisar que não iria à prova. Como referi no post anterior tenho andado a treinar bastante com o Sílvio e uma pessoa habituasse a ter companhia, principalmente quando temos andamentos semelhantes e sentimos que não estamos a atrasar ou a pressionar o outro (não sei se tens a mesma percepção mas espero que sim! :) ).

Mesmo antes de sair de casa assombra-me a indecisão: Levo ou não mochila? Encho a bolsa de água com os 2L ou apenas com 1L? Confio nos abastecimentos sólidos ou levo mantimentos? Visto o corta vento ou levo apenas a camisola?  Levo a badana ou o chapéu? (Esta claramente a mais importante decisão!) Dado a minha "limitada" experiência e porque as minhas aventuras recentes foram em autonomia total acabei por levar  a mochila  com 2L de água , comida para 2 e o corta vento foi enfiado à pressa dentro da mochila segundos antes da partida.
Sharam! Acabei por levar a badana vermelha! Ponto positivo: foi fácil identificar-me nas fotos, era o tipo que parecia um fósforo!
Pensava que iria chegar com bastante tempo a Bucelas, mas acabei por não ter tempo para muito. Entre arranjar lugar para o carro, levantar o dorsal, voltar ao carro para equipar e voltar para a partida era quase hora. Ainda deu para trocar 2 dedos de conversa com alguns dos muitos bloggers que marcaram presença assim como pessoal dos "Esquilos".
Onde está o fósforo? :) (Hint: entre os ramos da árvore)
(Foto FB Grupo Bucelas Aventura)
Como sempre, assim que foi sinalizada a partida, um espírito competitivo apoderou-se de mim e lá fui eu a assapar. O facto do 1ºkm ser em alcatrão ajudou a fazer o km mais rápido de toda a prova. O alcatrão deu lugar a um estradão e aqui começaram a surgir as primeiras "pocinhas" que toda a gente se esforça por contornar.
Vou levar isto na descontracção e apreciar o caminho...ZAZ...ACELERAR, TESTAR LIMITES, DAR TUDO...
(Foto FB Grupo Bucelas Aventura) 
Como se pode ver pelo estado das sapatilhas ainda estávamos bem no inicio!
(Foto FB Grupo Bucelas Aventura)
Do estradão passamos para um carreiro apertado onde evitar molhar o pé se torna algo passível de ter isto como banda sonora. A partir daí foi a loucura em forma de lama. Havia para todos os gostos, consistências, cores, viscosidades e odores.
Speedy Matchstick!
(Foto FB Grupo Bucelas Aventura)
Mantenho um ritmo (demasiado) elevado e rapidamente desisto de me desviar da lama, passando a optar por evitar apenas as zonas muito más. Cedo se veem atletas a perder sapatos no lamaçal e uma ou outra queda (que eu tenha visto nunca nada de muito grave). Nesta fase não consigo apreciar muito as vistas uma vez que é necessária toda a concentração para não ir parar ao chão. É também neste período que muitas vezes bendigo as minhas Brooks GTX, devido à tracção que não me atraiçoou e à impermeabilidade que manteve os meus pés bem sequinhos!
À saída de um dos túneis, não se vê mas à frente estava uma parede de lama para escalar.
(Foto FB Grupo Bucelas Aventura)
Durante 10km o espírito competitivo viveu em mim, mas foi exorcizado na primeira grande subida quando foi expulso pelo espírito de sobrevivência. Estes primeiros 10km foram feitos em 1h02, mas nesta subida percebi que não poderia manter o mesmo ritmo. Foram pouco mais de 600m com 40m de ganho, mas foi uma das subidas mais exasperantes que alguma vez fiz. A lama era mais que muita, e cada passo em frente era acompanhado com meio metro de deslize para trás... O trilho já estava completamente inutilizado e a única forma era utilizar a erva lateral para aumentar a tracção. E eu devia ir na 1ª metade do pelotão, nem imagino como terá sido depois de 600 pares de pés passarem por lá...

Muitas vezes, durante a subida, pensei no que poderia ser pior que aquilo... A resposta chegou rapidamente, quando, após a passagem no topo da colina, começámos a descer... por um trilho igualmente enlameado... Li algures alguém comentar que a prova parecia uma sessão de "Jogos Sem Fronteiras", foi esse exactamente o meu pensamento nestes km's. Na verdade apenas custaram os 1ºs metros, porque depois foi necessário desligar o filtro da sanidade e deslizar trilho abaixo.
Quase conseguia ouvir o Denis: "Attention! Prêts! Piiiiiii!" E vá de malta a escorregar.
(Foto FB Grupo Bucelas Aventura)
Ao km 13 dá-se a separação entre a prova de 25km e a mais curta. Nesta fase já num ritmo mais realista (até porque seguimos por trilhos estreitos onde as ultrapassagens são difíceis e mesmo quando possíveis temos sempre uma boa desculpa por nos deixarmos ir ao ritmo simpático do colega da frente), aproveito para apreciar a paisagem. Não tenho bem a certeza mas penso que é mais ou menos nesta zona onde começam a surgir as primeiras placas a dizer "Perigo" e os primeiros obstáculos algo desafiantes. 
Um dos "obstáculos" com placa a dizer "Perigo"
(Foto FB Grupo Bucelas Aventura)
Passámos também num género de planalto com erva baixa onde não existe propriamente trilho, apenas um elemento da organização ao fundo a marcar o percurso. Foi uma sensação de liberdade incrível, e só me vinha à cabeça os vídeos do Kilian a saltitar pela montanha.

A placa dos 15km marca o início da grande subida. Foram 220m de ganho de altitude em pouco mais de 2km. Felizmente uma boa parte da subida foi feita pela encosta virada a Sul e por isso havia muita pedra mas menos lama. Aqui, apesar de estar a andar, foi das zonas onde ultrapassei mais atletas. As descidas continuam a ser o meu ponto fraco, mas nas subidas consigo colocar um bom ritmo. Já perto do topo, e uma vez que de qualquer maneira já vou a andar, decido tirar umas fotos.
Quase no topo da subida precisava de todo o ar disponível...
Perto dos 19km encontro o 3º e último abastecimento. Ainda não falei dos abastecimentos. Infelizmente ainda não consegui libertar-me daquela sensação que o tempo parado nos abastecimentos é tempo desperdiçado, e por isso não fiquei mais que alguns segundos em cada um. Em todos segui o mesmo modus operandi: comer um quarto de laranja, comer meia banana, agradecer aos simpáticos voluntários e siga que se faz tarde. Uma vez que não estava muito calor e tinha 2L de água às costas optei por não beber a água fornecida em copos de plástico. Na altura até nem achei muito mal, mas depois do FB começaram a aparecer alguns comentários mais negativos pelo facto de andarem copos espalhados pelo percurso. Infelizmente é algo que continua a acontecer, para mim jogar uma garrafa para o chão em provas de estrada já me faz confusão, quanto mais no meio da Natureza.
Mais uma para mostrar as eólicas bem ao lado do caminho.
Continuamos durante mais uns 2km no sobe e desce pelas cristas da serra até que por fim iniciamos a nossa descida, pela encosta virada a Norte. Retornamos a mais uma sessão de Jogos Sem fornteiras e lá vou a deslizar trilho abaixo. Até que surge uma placa a dizer "MUITO PERIGO" a vermelho e como se isso não fosse suficiente ainda estavam 2 elementos da organização a avisar que os próximos metros estavam muito perigosos e que era melhor irmos a andar...E efectivamente uns metros mais à frente surgia um lamaçal em forma de escorrega. À minha frente segue um senhor com bastões. Há alguns km que sigo atrás dele e me pergunto porque carga de água é que alguém leva uns bastões para uma prova desta. Pois bem, não sei se foi karma foi simples inexperiência minha, mas no escorrega o senhor lá foi com os seus bastões serenamente, eu, por outro lado, não consigo ter a mesma tracção e acabo com o cu no chão. Foi a minha primeira queda em trail. Tirando uns arranhões e umas mãos e um ego enlameado não teve consequências de maior. 

Consigo completar a descida sem mais quedas, mas fiquei um pouco desmoralizado e aliado ao cansaço, ao facto de ter as mãos com mais 2kg de lama e não conseguir beber água sem sujar o bocal, a concentração diminui e os 3km seguintes são os mais complicados, embora o percurso em si fique mais fácil. Para ajudar à festa, faço um pequeno entorçe do pé. Felizmente foi mesmo pequeno (ou então os ligamentos já estão tão flexiveis que já resistem às torções :) ) e após alguns metros de avaliação deixou de doer e consegui terminar sem mais problemas.



Os km finais são feitos nas margens do ribeiro, que estava mais que prometido que iríamos atravessar. Se calhar sou um "menino" e não estou preparado para o trail "hardcore", mas a verdade é que atravessar cursos de água não me atrai minimamente. Principalmente porque com as minha sapatilhas impermeáveis, ao ficarem submergidas no atravessamento, tornaram-se dois sacos de água que tive de transportar no último km. Efectivamente a água ia saindo e se calhar aquela é a sensação que qualquer sapatilha encharcada provoca, mas não gostei. Ainda por cima, sabendo a organização que aquele era um dos pontos altos da prova podia ter tirado fotos de toda a gente e não apenas dos primeiros. Assim fiquei com as sapatilhas encharcadas e sem foto para comprovar.
Não sou eu mas é para ficar com uma foto de recordação do Ribeiro.
(Foto FB Grupo Bucelas Aventura)
Os últimos metros em alcatrão pareciam surreais depois de 25km de lama e aproveitei para sacudir a maior  ao correr abaixo dos 5min/km.
A já banalizada foto do depois...
Terminei os 25,4km e 800m D+ da prova em 3h08m o que deu o 184º lugar da geral em 444 atletas que completaram a prova longa. Ao chegar tive de pedir a uma senhora da organização para me dar um biscoito, porque com as minhas mãos com kilos de lama não queria andar a chafurdar no tabuleiro.
A cara da chegada e os 2kg de lama da mão.
Adorei a experiência e fiquei ainda mais rendido ao mundo do trail. Levei o caminho de regresso a casa a pensar em qual será a próxima!

terça-feira, 7 de janeiro de 2014

5º UTSS - Ultra Trilhos da Serra de Sintra - 5 Janeiro 2014

ou "Meia Dose que soube a Prato Cheio!"

ou "A minha mulher é uma Santa!" (graxa da mais alta qualidade :D)

No mês passado, num dos treinos à hora do esquilo, comecei a ouvir uns comentários sobre o UTSS no inicio de Janeiro. Fiquei curioso e fui cuscar na net. Não encontrei nada sobre a 5ª edição mas descobri uns videos e uns relatos de edições anteriores. Basicamente é um treino com a organização "Pirata" de um dos administradores do grupo por detrás dos "Esquilos", onde estão convidados todos os amigos dos amigos. O Sílvio teve a amabilidade de me convidar e assim fiquei a par da convocatória:

Vamos manter a Tradição e Re-editar um UTSS no 1º domingo de 2014. O de 2013 foi mítico (fiz Grandes AMIGOS!) Saída à "Hora do Esquilo" 06.00h
Inicio e fim na Malveira (Associação Janes/Malveira)
É disponibilizado o track no dia 3/01/2014.
Mantendo o espírito do 1º UTSS, vão existir distâncias para todos os gostos:
Mini-Prato 13km/600m D+, Meia-Dose 28km/1200m D+ e Prato-Cheio 44km/1800m D+.
A ter em conta:
É uma organização "PIRATA"! 
NÃO HÁ marcações, Exclusivamente seguida por track, GPS
É em Autonomia Total (passa em diversos pontos de água)

Este era o perfil "prometido" para a "Meia Dose" (atentem à linha vertical aos 22km...)
A "Meia Dose" parecia-me muito apetecível, mas face à actual situação familiar era um pouco complicado estar tanto tempo fora. No entanto, num acto de grande magnanimidade da Inês, e depois de explicar que a saída era às 6h e que lá para as 10h estava em casa, lá tive o assentimento para ir. Combinei logo com o Sílvio e fui preparar o equipamento. Era a mais "louca" aventura que alguma vez tinha participado e o factor "pirata" obrigava a mais atenção aos preparativos. Ainda tive de ir à pressa comprar uma bolsa de água, a tampa mal fechada afinal era mesmo um furo. Acabei com uma mercearia dentro da mochila, mas ao longo da tarde de Sábado fui retirando mantimentos e às 6h em ponto estava à porta da Associação preparado para a aventura.

Os primeiros km's eram coincidentes com a Corrida do Monge e por isso eram-me familiares. Se na altura achei a prova dura, imaginem o mesmo percurso de noite, com neblina, com muita lama e com o conhecimento que ainda nos esperavam 28km... O "aquecimento" de 5km sempre a subir foi complicado, principalmente porque não só não tenho muita experiência a correr em trilhos de noite mas sobretudo devido à neblina que mesmo com o frontal no máximo apenas permitia uma visibilidade para ai de 0,5m. Numa curva ia-me quase enfiando numa barreira de lama e um companheiro mesmo à minha frente enfiou-se dentro de um buraco...
A dupla ao raiar do dia, bem fluorescentes para não nos perderem na serra...
No topo da subida surgiu pela primeira vez a frase que nos havia de acompanhar durante todo o treino: "Estamos fora de percurso...". Em "prova" existem as fitas, as marcas no chão, as pessoas da organização. Nas "pirata" existe o track e a fé que o vamos conseguir seguir. Foram várias as vezes que falhámos o percurso e tivemos de voltar para trás, nomeadamente sempre que tínhamos de sair de um estradão e entrar num trilho. Felizmente entre o relógio do Sílvio e o meu telemóvel com o OruxMaps conseguimos cumprir o percurso. Nesta primeira parte do treino íamos apenas os dois. Mas à medida que tínhamos de voltar atrás por termos saído do track fomos criando um grupo que acabaria por fazer quase todo o percurso junto.
Não estávamos a descansar, era só para a foto...
O ritmo era muito baixo e chegámos ao topo da subida do corta fogo já com luz natural e com quase 1h45 (na corrida do Monge passei lá com 1h05). A partir daqui o percurso divergia e tinha uma passagem pela famosa Pedra Amarela, que acredito que seja um excelente miradouro mas que no dia apenas nos permitia ver uma largo manto cinzento. Mas isso não impediu de tirarmos fotos para a posteridade.
Pedra Amarela, uma vista de cortar a respiração (acho...)
Lá seguimos caminho e já perto da Malveira foi uma complicação seguir o track. Em menos de 1km conseguimos falhar o percurso 6 vezes! Era um pagode. Chegámos a um cruzamento e decidimos ir pela direita. Ao fim de 100m, "plim!" fora de percurso, voltar para trás e fomos pela esquerda. Ao fim de 100m, "plim!" fora de percurso, mau! Voltámos ao cruzamento e juntinho a uma casa, com 1 metro de largura, existia um género de barranco. Adivinhem por onde era o percurso? :)
1km = 6 fora de percurso!
Despedi-mo-nos dos companheiros que iam aos 13km e seguimos caminho para o Guincho. Estes foram os km mais regulares onde conseguimos efectivamente correr  de forma contínua, isto claro quando não estávamos perdidos. Mais uma vez, num destes momentos já tínhamos percorrido uns bons metros quando o meu telemóvel apitou, o caminho certo ficava quase paralelo ao que levávamos mas aí uns 100m ao lado. As opções eram: a) voltar para trás e tomar o caminho certo; b) atalhar pelo mato até ao caminho certo. Escolhemos a opção "b)" e atalhámos por um matagal de silvas até à estrada correcta. Apenas um ligeiro problema, o desnível entre os caminhos era acentuado e mesmo antes da estrada existia uma barreira com uns 2 metros que tivemos de ultrapassar. Uns 200m mais à frente o caminho que seguíamos e o correcto convergiam...
Tempo de repor energias mas sempre a correr que temos de aproveitar o terreno plano!
Chegámos ao Guincho e finalmente tivemos o céu limpo e vistas de cortar a respiração. Não podíamos perder a oportunidade de captar o momento! Não sem antes nos metermos noutra aventura. Adivinhem! Fora de percurso, só que desta vez os caminhos eram mesmo paralelos apenas separados por uma rede de aço para aí com 1,5m. Opções: a)Voltar para trás; b)Continuar no caminho "errado" e esperar que convergissem; c) Saltar a rede. Por esta altura já devem de estar a ver o espírito do grupo e por isso, sem surpresa,  optámos pela "c" e digo-vos, após 20km a pernas já não queriam cooperar com a ideia. 100m mais à frente a rede terminava... O que eu ri...
Foto para colocar no perfil...
Depois da passagem no Guincho era altura de começarmos a escalar o regresso à Malveira. E escalar é o termo certo. Em 2km subimos do nível do mar até aos 150m e nos 2km seguintes chegámos aos 470. A tal linha vertical no 25km era MESMO vertical e mesmo com a tracção aos "quatro membros" a coisa não era fácil (vi marcas de dedos com 1m de comprimento...alguém foi a escorregar parede abaixo).
Em plena utilização da tracção aos "quatro membros"
Por esta altura olhei para o relógio e eram 10h... Ainda estávamos a pelo menos uns 5km dos carros, não ia conseguir cumprir o meu "tempo limite"...
Voltámos para a serra e se já tínhamos sentido mais que visto muitos galhos e folhas de árvores pelo caminho, agora com a luz do dia vimos a destruição que o temporal do dia anterior tinha causado. Passámos por várias árvores caídas nos caminhos que faziam as "delícias" dos inúmeros BTT'istas que encontrámos pelo caminho.

Para o fim  já com algum sofrimento físico aliado ao saber que estava atrasado acabou por nebular um pouco os km's finais. O último km a descer em empedrado foi feito muito a custo.




Foram quase 32km em 5h22m e 1380m de D+. Foi um dos treinos mais compridos que alguma vez fiz e de longe o mais longo (o máximo tinha sido a Maratona em 3h58...). O meu relógio indica quase 4000kcal e 98horas de recuperação... (não vai acontecer! :D) Foi um rico empeno com direito a todas as dores já habituais e algumas novidades como dores nas canelas e no dedo do pé.

Foto no final do grupo dos 32km (ou meia dose reforçada!)
Adorei tudo neste treino. A companhia 5 estrelas do Sílvio, a camaradagem no grupo, o percurso exigente, a componente de orientação (vulgo andar perdido a olhar para o gps...) e claro as várias aventuras. O único ponto que julgava que fosse diferente era a questão do grupo. Pensava que iríamos mais ou menos todos juntos com pontos para reagrupar. No entanto, embora estivesse bastante gente no inicio, devido à subida ao fim de alguns metros já estava sozinho com o Sílvio e se não fossem os inúmeros "volta atrás" não teríamos encontrado ninguém. Não é uma crítica, apenas um desencontro de expectativas.
A grande dupla de possíveis-futuros-um-mais-que-o-outro Ultras!
Quero aqui deixar o meu Muito Obrigado ao Sílvio pelo convite, companhia e as excelentes fotos que documentam este post! Quero também pedir desculpa à minha adorada família por ter chegado atrasado e garantir que me esforcei ao máximo por cumprir o prometido. Em contrapartida fomos almoçar ao McDonalds com direito a sobremesa de cheesecake.