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quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Regresso à Terra...

E após 3 semanas nas nuvens, no passado Domingo acordei para a "dura" realidade que não sou um Deus do Atletismo.

Várias vezes tenho ouvido pessoas comentarem que com o passar do tempo o nosso cérebro retêm mais facilmente os momentos maus do que os bons. Não sei se é assim para muita gente, mas para mim, talvez por ser entusiasticamente optimista, é exactamente ao contrário."Esqueço" demasiado facilmente os momentos difíceis e retenho em gloriosa apoteose os momentos fantásticos. Por este motivo, após a Maratona, mal me deixou de doer as pernas tornei-me um snob das corridas. Sentia que tudo podia e nada era demasiado longe. Procurava afincadamente uma próxima prova, e não podia ser uma prova qualquer. Agora olhava com desdém para provas de 10km, com interesse reduzido para as meias e apenas as superiores a 40km valiam a pena pesquisar. Para verem o grau de demência a lista de provas que andei a ver incluíam: Maratona de Madrid, Maratona de Liverpool, Maratona de Paris, MIUT, Ultra Trail de Sesimbra...

Mas como é que tudo isto está relacionado com o treino de Domingo?

Este ano decidi que ia aproveitar a hora extra devido à mudança de hora, não para dormir com é habito, mas para correr. Deste modo às 7h estava a sair de casa rumo ao Jamor, a correr.
Objectivo: Jamor!
O objectivo era fazer um bom longão, fazer os 8km até ao Jamor pela Marginal em ritmo de Maratona, em torno dos 5min/km (ritmo esse que só existe na minha cabeça porque na Maratona propriamente dita km's nesse tempo foram quase inexistentes...), depois explorar o Complexo do Jamor incluindo uma passagem pela zona florestal (porque agora o foco vai ser as provas de trail e no mínimo Ultras...) e por fim regressar a casa pelo mesmo caminho.

Este era o plano, agora a realidade... 

Logo aos 2km tive que parar por motivos técnicos: fechei mal o camelback e metade da água já tinha encharcado a mochila, as costas e os calções, e por isso fiz praticamente todo o treino ensopado. Os km iam passando mas o ritmo poucas vezes chegava aos 5min/km e estava a custar-me. 

Embora passe todos os dias à "porta" do complexo do Jamor nunca tinha corrido na zona da pista de canoagem (apenas na zona florestal na Corrida das Localidades). Dei umas voltas em torno da pista e pelas "ilhas". Distraído com a paisagem achei que era tempo de passar ao "trail mode" e meti-me por um atalho bem inclinado que me levou até à entrada do Estádio Nacional. Cheguei ao topo com o coração a saltar-me do peito e sem fologo para continuar a trilhar... Optei por me deixar ir na descida em alcatrão de volta ao terreno mais plano.

Ainda dei mais umas voltas ao complexo mas com 12km nas pernas comecei a temer que não conseguisse regressar a casa... Voltei para a Marginal e iniciei o doloroso regresso a casa. Sentia as pernas presas, os músculos pareciam pedras. Pensei várias vezes na nota de 10€ que levo sempre na mochila e se a deveria entregar aos senhores da CP...
O "retorno"... ou talvez não...
Fui aguentando e para me distrair ia fazendo contas ao número de km's que faria se chegasse a casa. Os meus treinos longos são sempre planeados ao pormenor com muito pouco espaço para o improviso, desse modo sei sempre quantos km's vou fazer. Mas no Domingo com tanto improviso perdi-me nas contas. Quando estava a chegar ao passeio Marítimo, onde tenho várias referências, chego à conclusão que se for directo para casa não chego aos 21km... Não pode ser! Então uma pessoa levanta-se cedo, com frio, encharcado, a sofrer e não faz sequer uma Meia! Não, não e não. Toca de dar mais uma voltinha ao rabo da baleia para fazer os 22km. E assim foi...quase...quando cheguei ao ínicio da rampa perdi a luta psicológica com as minhas pernas e atalhei pela Marina...

Fiz 22km certinhos em 1h53. Não foi muito mau, mas custou-me imenso e acho que não conseguia dar mais um passo. Fiquei a pensar como é que consegui terminar a Maratona, só pode ter sido muita sorte.

Este choque com a realidade teve um lado bom, fez-me colocar as minhas prioridades na ordem certa. Há coisas muito mais importantes do que coleccionar medalhas... Há muito trabalho para se conseguir alcançar um objectivo dessa magnitude e há que saber apreciar o caminho.

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Murphy’s Law

Na terça-feira acordei super bem disposto. Era dia de treino de corrida e a menos de duas semanas da Maratona era tempo de começar a reduzir na intensidade. Tinha pensado ficar no ginásio e fazer um fartlek na passadeira, mas estava uma manhã tão bonita e com a ameaça de chuva para o fim da semana achei que devia aproveitar a rua.

Já algumas vezes tinha passado no Parque do Vale do Silêncio, mas desta vez decidi fazer um treino exclusivamente no local. Quem conhece o parque sabe que a volta do caminho principal é uma autêntica montanha russa! E viva as Rampas! A ideia era fazer 5 voltas ao parque e depois regressar ao clube. O problema é que uma das extremidades do parque termina numa escadaria o que é algo chato, pelo que decidi ignorar as escadas e contornar o quarteirão adjacente (o hospital do SAMS) pelo passeio para as evitar.

O treino estava a correr muito bem, bom ritmo com poucas quebras nas subidas e as rampas a fazerem o seu trabalho a nível cardio.

E agora a razão do titulo. Na última volta, já no ponto de retorno, na zona do hospital a correr no passeio, para me desviar de um senhor com uma criança coloco mal o pé e faço um entorse feio. Só não fui parar ao chão porque me consegui agarrar a um sinal de trânsito. Não consegui continuar. Vi a maratona a ir pelo ar e vieram-me lágrimas aos olhos (e não foi pela dor).

Este ano já tinha torcido este mesmo pé duas vezes, com a diferença que das outras vezes tinha conseguido continuar a correr e após a corrida com um pouco de gelo tinha ficado bem. Desta vez foi um pouco mais agressivo, e após o treino não conseguia andar sem coxear e à noite estava bastante inchado.

Tenho feito gelo e massajado com Voltaren e hoje praticamente não tive dores. Acho que já daria para correr, mas vou ficar bem quietinho (pelo menos até Domingo) para ver se recupero. Agora o problema é saber se ficará suficientemente bem para aguentar a Maratona, e também o facto de não treinar o que é um problema quer físico como psicológico (acho que estou a ficar um pouco “agarrado” e nos dias em que não treino sinto-me mal disposto e quase consigo sentir a cintura a alargar…).

Já estive mais pessimista, agora só me resta esperar e ver como estou em 9 dias.

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

O meu "trail" em Porto de Mós

Fui passar o último fim de semana a Porto de Mós. Ia ser um fim de semana muito ocupado mas o plano de preparação não podia ser descurado, e para mais, toda aquela paisagem estava mesmo a pedir para ser "trilhada"!
Porto de Mós visto da Ecopista
Na semana anterior analisei com afinco o google earth para planear a minha corrida, e numa das pesquisas na net descobri que existe uma ecopista bem perto da Vila. O percurso desta ecopista percorre a antiga linha de caminho de ferro que fazia o transporte de carvão das minas da Bezerra para a Central Termoelétrica de Porto de Mós, tendo sido renovada recentemente. Segundo o site do município o percurso é circular com cerca de 13km, apenas esqueceram de referir que só 8km estão "renovados" e os restantes fazem parte de um percurso pedestre que está mais ou menos sinalizado...

Estava tudo estudado e às 7h estava a sair na companhia do meu amigo Fernando que também se está a preparar para a sua 1ª maratona. Tínhamos de estar de volta às 9h mas não me quis arriscar a sair mais cedo para não começar a correr ainda de noite por sítios que não conhecia.

Começámos logo bem com o GPS do meu telemóvel a não querer cooperar. Como não podiamos perder mais tempo decidimos começar a correr e tentar encontrar o caminho apenas pelas minhas memórias do google earth... tudo para correr bem...
Fernando, está tudo controlado, sem stress...
Obviamente que falhámos o caminho que tinha planeado e fomos dar a um estradão que não tinha o aspecto de "ecopista". Como não vi marcações ao fim de alguns km decidimos voltar para trás. Na zona da pedreira conseguiamos ver, uns 200m mais acima, a famosa ecopista pelo que decidimos tomar um estradão que parecia lá levar. Primeiro o estradão começou a inclinar e passámos a andar. Depois o estradão passou a "carreiro" com a inclinação sempre a subir. Estavamos efectivamente a aproximar-mo-nos do objectivo mas a certa altura já estavamos simplemente a caminhar no meio das estevas e os últimos metros foram "escalados" literalmente na vertical!
Finalmente a Ecopista! Vitória!
 A minha noção era que deviamos seguir para sul e assim fizemos. O percurso era lindíssimo com algumas passagens por desfiladeiros cortados na pedra e até um túnel entre as duas vertentes. Foram 3,5km que custaram muito a fazer, não só porque o dia já estava a aquecer mas porque embora não parecesse era uma subida constante. Só depois de descarregar o treino é que me apercebi do desnível do percurso.
Espera Fernando que tenho de tirar fotos para por no blog!
Ao km 10, bem no cimo do percurso encontrámos finalmente um mapa e percebemos os nossos erros. A ecopista não está "renovada" em todo o percurso circular,apenas em parte. No início, no estradão, estávamos a ir na direcção correcta só que devido a escassa inexistente marcação pensámos que estávamos no caminho errado. Os km que tínhamos feito da ecopista era suposto serem já o regresso. Agora não tínhamos outra solução a não ser voltar para trás, tornar a fazer toda a ecopista, e já eram 8h20... A sorte é que agora era sempre a descer.

Alcançámos a chegada com um total de pouco mais de 20km e com apenas 15min de atraso (claro que ainda tínhamos de recuperar, tomar banho e comer mas isso são pormenores...).

Adorei este treino. Não só pelo percurso: na natureza, em montanha, deslumbrante. Mas principalmente pela companhia. Nesta longa preparação para a maratona fiz praticamente todos os treinos sozinho, e embora não tenha sentido desmotivação por isso, foi muito divertido ter um companheiro nesta aventura. Obrigado Fernando!

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Três Boas Noticias

***Este post era para ter sido publicado no dia 8 de Setembro, mas como sou uma lesma a escrever só ficou pronto hoje, quase uma semana depois***

Após o último post em que me sentia algo desanimado, achei que tinha de vir aqui partilhar três novidades que me deixaram novamente muito entusiasmado com a grande M (esta noite até sonhei que estava na linha da partida com a minha mulher).


1 - Chegaram as minhas novas Adrenaline!

Na semana passada com a dor no pé a impedir que cumprisse o plano de preparação comecei a procurar culpados. O principal suspeito eram as minhas "velhinhas" Brooks Adrenaline. Com 1 ano de utilização e quase 1500km já não me davam o mesmo conforto de antes, para mais a zona da sola onde tenho a dor está efectivamente bastante gasto. Nunca tinha gasto as solas de umas sapatilhas antes, acho que os treinos longos no Verão foram bastante abrasivos.
Nada como tratar uma especie de depressão com uma ida às compras! O que para mim equivale a ir à net comprar sapatilhas. Já andava a "namorar" a versão 12 das Adrenaline, em equipa ganhadora não se mexe, e como estavam com 50% de desconto acabou por ser uma decisão simples. Encomendar tenis (olha para mim poliglota) pela internet envolve sempre um pouco de fé e é sempre um alivio quando o carteiro toca à campainha.
Não são lindas? :) Preferia que não tivessem tanto vermelho mas não se pode ter tudo...


2 - Estou finalmente inscrito na Maratona!

O quê! Perguntam voces. Mas este doido anda a treinar arduamente durante 3 meses, a contar no blog como está entusiasmado com a Maratona e nem sequer estava inscrito! Sim é verdade. Mas tinha uma boa desculpa. A empresa onde trabalho é uma das patrocinadoras do evento e habitualmente costuma ter algumas inscrições que oferece aos colaboradores. Normalmente é dificil conseguir a inscrição porque são literalmente milhares de "cães" para meia dúzia de "ossos". Mas desta vez fiquei a saber que iriam existir 20 inscrições exclusivamente para a maratona e achei que as probabilidades estavam do meu lado. Assim sempre poupei "meio par de sapatilhas" (lembram-se quando tudo no país era contabilizado em submarinos? Pois, para mim tudo é convertido em "sapatilhas"). Quando finalmente recebi o email de confirmação parecia uma criança na manhã do dia de Natal.
Ufa, estava a ver que tinha desenbolçar 2/3 de umas sapatilhas porque o preço já tinha aumentado...


3 - Fiz mais um longo e correu muito bem!

Domingo foi dia de mais um treino longo. Fui passar o fim de semana a Beja pelo que tive de improvisar o percurso. O objectivo era voltar a correr os 32km mas desta vez com uma passada normal e de preferencia sem dores no membros inferiores. 
Sair da cama cedo e começar a correr ainda com estrelas no céu custa um pouquinho. Mas depois do cérebro se convencer que não há volta a dar, adoro a emoção de correr enquanto o mundo ainda dorme. Ver o Sol nascer, a troca de cumprimentos cumplices com os outros corredores madrugadores e a sensação de ser um só com a estrada...
 Consegui cumprir o objectivo de distância mas tive alguma dificuldade em manter o ritmo, e mais uma vez cheguei ao fim com a sensação que seria necessário muito sofrimento para fazer mais 10km... Provavelmente terei que repensar o ritmo para o dia da Maratona, afinal o fundamental é terminar...
Mas apesar disso terminei o treino muito satisfeito. O pé ainda incomodava um pouco mas a dor não apareceu e no dia seguinte estava impecável. Voltei a estar optimista para dia 6 e todos os dias vou contando os dias em falta no painel na Marginal...

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Treinos e ameaças de lesões

E praticamente a um mês do dia M, depois de 3 meses de treinos certinhos, a semana passada não consegui cumprir o plano de preparação e tive mesmo de abortar um dos treinos.

Tudo começou com uma ligeira dor nos metatarsos do pé esquerdo. Nada de muito intenso, ao correr estava tudo bem mas depois do treino começava a doer e se tivesse uns sapatos com solas mais duras mal conseguia pousar o pé.

Adiei os treinos por uns dias, vá de massagens com voltaren e lá me fui convencendo que estava a passar. Quinta-feira o "Dr.Rui" deu-se "alta" e fui fazer um treino. Era para ser um treino só para rolar, mas na descida da Av. de Berlim entusiasmei-me. Depois de tanto "jejum" estava a sentir-me bem, aumentei a passada e fiz uns "gloriosos" 8km com um ritmo médio de 4:22 (incluindo ter que abrandar para passar os semáforos).

No km 8 comecei a sentir o gémeo direito moer. Ao principio eram só umas picadinhas mas 800m depois sinto uma dor aguda, como se tivesse a ter uma caimbra que me obrigou a parar. Nunca em 3 anos de corrida me tinha acontecido tal. Fico alguns minutos sentado no chão a alongar o músculo e após testar com um par de passadas regresso ao ginásio num trote suave.

Mas o pior veio depois de arrefecer. Tanto o pé esquerdo como o gémeo direito doíam consideravelmente, parecia um desengonçado a coxear. Mas o pior foi mesmo o pessimismo que se instalou. Até esse dia estava super confiante que iria conseguir terminar a Maratona, no dia 29 pensei que o sonho tinha terminado.

Felizmente consegui convencer-me a não treinar durante alguns dias e só Domingo fui fazer um treino. Saí de casa com tempo para ser um longo mas estava preparado para parar assim que sentisse algo errado. O percurso ia ser o habitual: de Oeiras pela Marginal até Cascais e depois continuar na estrada para o Guincho até alcançar a distância do retorno.

Optei por um ritmo um pouco mais baixo do que tenho feito nos longos anteriores, mas mesmo assim estava a custar-me fisicamente. As "ameaças" de lesões (vou-lhes chamar assim para ver se percebem a ideia e se vão embora de vez...) não me estavam a incomodar, estava descansado, a correr mais devagar mas mesmo assim tinha de me esforçar para manter o ritmo.

Os últimos km's já foram feitos com algum sofrimento e acho que não teria conseguido fazer os 10 restantes. Acabei por conseguir cumprir o treino longo com mais uma distância superada, 32km.


Cheguei a casa e depois de recuperar fui descarregar os dados do relógio. Qual é o meu espanto quando reparo que a cadencia da minha passada foi muito maior que no último treino longo, onde corri mais rápido. Neste treino com apenas mais 1km que o anterior dei mais 5200 passos! A minha passada média "encolheu" 17cm. (neste treino foi 1,1m). Isto explica a razão da dificuldade em manter o ritmo mas também evidencia que inconscientemente tive todo o treino a proteger o pé e o gémeo ao dar passos mais curtos.

Embora ainda não esteja completamente optimista em relação à prova, este treino deu para voltar a acreditar.  As dores ainda não desapareceram mas têm vindo a diminuir. Tenho "tentado" não correr (ou correr muito devagarinho) mas é muito difícil quando começo a pensar que faltam "apenas" 31 dias...

quarta-feira, 14 de agosto de 2013

1000km...Check!

Acabei de regressar de duas semanas de férias (do trabalho não dos treinos que o contador continua a diminuir) e ainda estou a "arrumar" a casa, mas queria partilhar a realização de mais um dos meus objectivos. No passado dia 9 de Agosto, ao completar mais um treino longo de 30km, fiz o km 1000 em 2013.Pela primeira vez, desde que registo as minhas corridas, corri 1000km no mesmo ano, e ainda estamos em Agosto.


 A verdade é que quando defini este objectivo não estava a planear preparar uma maratona. No inicio do ano numa semana típica corria em média menos de 30km, pelo que para cumprir o objectivo tinha de o fazer praticamente todas as semanas do ano. Nas últimas semanas essa tem sido a distância de um treino (do longo). Só o plano de preparação para a maratona, em 4 meses, prevê correr mais de1000km.

Quando comecei a correr o foco era a velocidade. Correr os 10km o mais rápido que o meu coração conseguisse alcançar. Com a preparação para a maratona passei a adorar correr distância, a um ritmo confortável, sem aquela sensação que os pulmões vão colapsar a qualquer momento.

E já que estou a falar de objectivos, no próximo sábado vou riscar mais um da minha lista. Vou participar numa prova de trail.
Tinha pensado só o fazer depois da maratona e possivelmente um mais ligeiro, mas surgiu a oportunidade e decidi inscrever-me . Estou muito entusiasmado com a ida à Pampilhosa até porque vou ter a oportunidade de conhecer alguns atletas da blogosfera.


terça-feira, 23 de julho de 2013

A Maratona e os treinos

Quando comecei o blog não estava a pensar escrever sobre os meus treinos, mas também não estava a treinar para a Maratona. Nas próximas semanas (ver o contador à direita) até à Maratona a minha participação em provas irá ser muito diminuta e portanto os potenciais posts também seriam diminutos. Por outro lado o planeamento, preparação e execução dos treinos têm sido tão entusiasmantes que decidi alterar a "politica de publicação" aqui no estaminé e falar nos meus treinos das últimas semanas.

No passado sábado completei a 5ª semana do meu plano de preparação. Até agora tenho conseguido cumprir os 4 treinos semanais de corrida (mais os treinos de ginásio) no seguinte ciclo:

Domingo: Descanso
Segunda: IndoorCycling
Terça: Corrida (Séries) + Musculação
Quarta: Corrida (Recuperação)
Quinta: Corrida (Médio-Longo Ritmo)
Sexta: Pilates
Sábado: Treino Longo

Como só tenho tempo de treinar logo de manhã, tenho mantido a minha rotina de ir todos os dias bem cedinho para o ginásio (porque fica à porta do meu trabalho e antes das 7h a 2ª circular ainda é transitável), com a diferença que nos dias de corrida venho para a rua. Ao principio o pessoal pensava que eu era um pouco estranho, chegava ao ginásio, deixava o saco e ia para a rua correr só voltando para o banho. Agora acho que já se habituaram.

A verdade é que estas corridas entre o aeroporto e o Parque das Nações têm sido muito agradáveis e o único senão é ter sempre a pressão do tempo para não chegar depois das 9h ao trabalho. A avenida de Berlim custa um pouco, por causa dos carros e dos semáforos (o facto de ser uma subida de quase 3km no final do treino também não ajuda) mas vale a pena para poder desfrutar o amanhecer junto ao Tejo. Este é o log do treino da passada quinta-feira: 18km ritmo.


Quando lia sobre a preparação para a Maratona havia um ponto comum a grande parte dos relatos, as dificuldades dos treinos longos. No entanto, para mim, esses têm sido os melhores treinos. Desde o planeamento do percurso (para acertar nos km certos), passado pela preparação na véspera dos abastecimentos e finalizando na corrida em si. Os últimos 2 foram feitos sozinho e foram muito bons. Praticamente desde que comecei a correr o meu objetivo sempre foi a velocidade, fazer os 10km mais rápido, com o coração sempre no "redline". Nestes treinos longos a pulsação mal passa dos 65% e permite-me desfrutar o momento.

Por uma questão mais logística (sair e chegar a correr de casa) do que estratégica (efectivamente irá ser o inicio do percurso da Maratona) tenho feito estes treinos entre Oeiras e Cascais. Adoro ir correr e ter o passeio marítimo praticamente só para mim. É uma sensação de liberdade incrível ir a correr a um sitio onde antes só ia de carro. Tenho sentido-me muito bem durante a corrida e no final fico com a sensação que podia continuar mais uns km's. E mesmo depois embora com as pernas um pouco doridas não fico prostrado (como aconteceu no final das meias que já fiz). Este foi o meu treino de Sábado.


Em conclusão, estou super entusiasmado (ou com a "pancada" da Maratona como a minha mulher carinhosamente se refere). Para motivação até comecei a ler "Nascidos para Correr" mas isso fica para outro post.

quarta-feira, 10 de julho de 2013

O desafio do Sílvio

Ou o meu primeiro "longão".

Na semana passada o Sílvio partilhou o seu "sonho". Fazer 31km para comemorar o seu 31º aniversário.

Desafiou a blogosfera a acompanhá-lo e mal li o seu post fiquei logo super entusiasmado. Primeiro porque se encaixava na perfeição no meu plano de preparação para a maratona. Segundo porque iria ser o percurso  ideial, o inverso da maratona e permitia-me terminar em casa. E por fim, porque poucas vezes tenho o prazer de fazer treinos acompanhado e por isso sempre que tenho a oportunidade é ver-me a fazer os possíveis e impossíveis para alinhar!

Desde logo defini que não iria fazer todos os 31km. O objectivo é preparar-me para maratona e não queria forçar e arriscar-me a "ganhar" um empeno (não vou escrever a palavra começada por l...), muito menos no dia mais quente do ano. O plano era fazer metade do percurso até à Praia de Santo Amaro.

Às 7:10 estava a chegar à estação do Cais do Sodré e tinha à minha espera a "organização" da "prova". Sim porque tivemos direito a dorsal, um percurso previamente reconhecido e na mochila do Sílvio havia mantimentos sólidos e líquidos para um batalhão!
O dorsal personalizado e tudo!
Depois de feitas as apresentações dos 5 atletas e da foto para a posteridade (tirada por um taxista ai à centésima tentativa), lá iniciámos o nosso treino. Depois da adaptação inicial depressa encontrámos um ritmo confortável e lá fomos Tejo abaixo. Fomos sempre na conversa e quando chegámos a Algés nem queria acreditar que já tínhamos feito 10km! O tempo literalmente voou. Até este ponto eu não conhecia muito bem o percurso e já mais tarde, em casa, ao rever o treino há zonas que eu não me lembro de ter passado, só para verem o quão "distraído" com a conversa eu ia.
Os atletas!
O Paulo ia mantendo o ritmo qual relógio suíço e num piscar de olhos estava a anunciar que estávamos nos 15,5km e devíamos iniciar o retorno. O plano era eu continuar em frente mas estava a ser tão agradável que decidi continuar mais um pouco. E esta foi a melhor parte do treino. Estava a soprar uma breve brisa mas era o suficiente para nos arrefecer e com uma vista espectacular sobre o Tejo com a ponte no fundo. Ao analisar o treino reparei que nestes 2 km embora tenhamos mantido praticamente o mesmo ritmo a minha pulsação passou dos 160 para os 150 bpm. O calor têm efectivamente um impacto brutal no nosso corpo.

Já perto dos 18km achei que tinha de dar voz à razão e anunciar que estava na hora de deixar o grupo e voltar para trás. Ainda estava a uns 5km de casa mas como me estava a sentir tão bem (e estava atrasado) decidi "engrenar" o ritmo de maratona (ou pelo menos espero que venha a ser o ritmo de maratona). O último km já foi feito em esforço mas globalmente estava muito bem. Foram 22,8km em 2h14m o que representam quer um record de distância como de tempo em corrida (a minha maior distância era a meia maratona).

Como comentei no relato do Sílvio: Foi um excelente treino em excelente companhia!

quarta-feira, 5 de junho de 2013

A minha "Mexa-se na Marginal"

Bem antes da Marginal se transformar nisto
Pista/Ciclovia/Passeio/Ginásio/Palco na Marginal
Eu fui fazer a minha versão de "Mexer-me na Marginal".

No final da semana passada, estava eu a planear o meu treino de fim de semana, quando finalmente foi publicado o regulamento da próxima prova do Troféu das Localidades de Oeiras. A próxima prova será realizada no Complexo do Estádio Nacional. Até agora todas as provas do troféu têm sido de "estrada", mas pelo croqui do regulamento parece que na próxima vamos ter um cheirinho de corta mato. A verdade é que embora o Jamor seja praticamente no meu quintal (metafórico porque moro em Oeiras) e passe por ele todos os dias nunca fui correr para lá. Por esse motivo decidi que este fim de semana haveria de ir fazer um reconhecimento!

Talvez motivado pelo treino da semana passada e como a Marginal ia estar fechada e seria difícil ir de carro até ao Jamor (grande desculpa...), ficou claro que a única forma de o fazer seria ir a correr! São 6km até lá, depois dou uma volta pelo percurso da prova, mais 3km e depois volto. Fiquei tão entusiasmado com a minha ideia, claramente fenomenal, que  fiquei mais ansioso do que para algumas provas.

Como jurei que nunca mais saía para um treino longo (pela minha medida) sem mantimentos, na véspera, tal era o entusiasmo, fui logo preparar uns cubinhos de marmelada e água para o caminho. E agora atenção, como tinha "deveres familiares" e "queria" estar de volta às 9h, coloquei o despertador para as 6h50 de um DOMINGO (só para poderem aferir o meu estado de espírito).

E assim, pouco depois das 7 da manhã, estava a sair para o meu treino. O dia estava perfeito para correr, céu limpo e àquela hora ainda estava fresquinho. A Marginal ainda estava aberta ao carros, pelo que, na ida tive de ir pelo passeio. Desta vez sabia que ia ser um treino longo e por isso fui moderando o ritmo para um "confortável plus".

Ao 6km chegou a subida do alto da boa viagem, literalmente o ponto "alto" do treino. Mas como estava tão ansioso por entrar no Jamor nem custou assim tanto. Já na mata, o que mais gostei foi correr nos carreiros. Aquela sensação de comunhão com a Natureza sem ver ou ouvir vivalma, priceless...
Se na semana passada vi duas lebres, desta vez vi dezenas de coelhos!
Ainda sou muito verdinho nisto dos blogs, mas não atino com o engenho de tirar fotografias a correr... Sinceramente não sei como certos bloggers têm sempre fotografias espectaculares para acompanhar o texto. A fotografia acima foi a melhor que consegui (os coelhos já estavam a km's de distância) e tive de parar completamente (o que me aborrece profundamente).

No regresso a Marginal já estava fechada e tinha-a quase só para mim.
Imaginem a Corrida Tejo mas com menos 9999 pessoas! :)
Pelo caminho ia passando por várias ilhas de agitação que as organizações dos vários eventos se apressavam a montar. Passei pela meta da Corrida Mulher, da Caminhada pela infertilidade, do circuito dos FitnessHut Games e pelos vários palcos ao longo do percurso.

Cheguei ao cruzamento para a minha casa no 15km, mas estava a sentir-me tão bem que decidi continuar em frente e aproveitar mais um pouco. Acabei por fazer 17,7km em 1h32m.

segunda-feira, 27 de maio de 2013

Perdido no Alentejo

(ou como fiz 18km "à força")

Este fim de semana tive de ir à terra. Como não consegui correr toda a semana devido a uma dor no gémeo esquerdo (fruto da "dobradinha" do fim de semana passado) decidi que iria correr no sábado de manhã.

O plano era acordar cedo, antes que o resto da família acordasse, e ir fazer um treininho rápido de 8km, só para testar o "hardware". Quando corro em Beja normalmente vou para a "variante", uma ciclovia que circunda a cidade. Mas desta vez, inspirado pelos vários relatos na blogosfera sobre trail, decidi ir correr pelo campo nos arredores de Beja.

No sábado, e após um par de minutos de discussão com as minhas pernas lá sai da cama. Desloco-me para o inicio do percurso e começo a ligar a "telemetria": Relógio, Check! Sensor FC, Check! Foot POD,Check!   MP3, Check! Endomondo, Check! Só na preparação começo logo a ficar cansado...

Uma das razões que me inibe de ir correr para o campo são os cães. Passo a explicar. Existem algumas casas ao longo dos caminhos rurais, e todos elas têm cães, enormes e que ao passarmos parecem ser possuídos pelo espírito de Cérbero. "Normalmente" os portões estão fechados mas tenho o trauma que de alguma forma se vão escapar e atacar-me (já me aconteceu, mas ia de bicicleta e consegui escapar só com uns arranhões).

Então um pouco receoso lá comecei a minha corrida. Mas passado os primeiros km já estava mais calmo e pude apreciar a paisagem e a tranquilidade da planície. Ainda era cedo e o ar estava fresco. Quando me lembrei que agora não posso "só" pensar na corrida, tenho de pensar também no meu blog! :) Por isso, pela 1ª vez, parei a meio de um treino para tirar uma foto!

A dicotomia cromática do trigo alentejano (artístico, não? ;))
E foi mais ou menos por aqui que tudo começou a sair do planeado. É muito giro ir ao google earth e planear o trajecto, mas in loco, com poucos pontos de referencia e com culturas diferentes da foto do google earth (o Alentejo está a transformar-se num olival intensivo...) não virei no sítio certo. Continuei em frente e quando comecei a perceber que pela distância percorrida já devia estar no sitio errado, em vez de voltar para trás continuei em frente: "Eventualmente há-de surgir um caminho para a esquerda...". E apareceu, mas já ia no 7km...

Acabei por ir parar a uma estrada de alcatrão que conhecia bem e lá consegui ver o castelo ao fundo.
O Castelo de Beja lá bem ao fundo...
Como se pode ver a estrada era muito estreita e sem qualquer berma, não me estava a sentir muito seguro com os carros a passar. Pelo que, num momento de estupidez insanidade vi um caminho mais ou menos na direcção que queria e decidi segui-lo. E assim continuei a admirar a fauna. Vi um par de lebres a fugir à minha frente, um milhafre a fazer uma picada e uma perdiz a voar. Os km's iam passando e comecei a ficar preocupado.  No 14km percebi que já tinha passado por alí! Estava a fazer o caminho inicial ao contrário. Comecei a fazer contas de cabeça e cheguei à conclusão que ainda tinha mais 4km pela frente.

A partir do 15km começou a custar. Já começava a fazer calor. O último km foi feito em sofrimento, por esta altura já nem os cães me preocupavam, só tinham um pensamento: "Tenho de continuar a correr para chegar a casa rapidamente para ver se não se zangam muito comigo por estar atrasado..."

Acabei por correr 18km em 1h31m, o treino mais longo que alguma vez fiz (sim, nem na preparação para a meia o fiz)! Mal tinha chegado ao carro tocou o telemóvel. Era a minha mulher preocupada a saber por onde andava.


Notas finais. Foi algo estúpido meter-me sozinho por caminhos que não conhecia e ainda por cima sem levar água ou mantimentos (se bem que estava relativamente perto da cidade). Mas foi um dos melhores treinos dos últimos tempos. Mal posso esperar por fazer um trail a sério!