(ou como fiz 18km "à força")
Este fim de semana tive de ir à terra. Como não consegui correr toda a semana devido a uma dor no gémeo esquerdo (fruto da "dobradinha" do fim de semana passado) decidi que iria correr no sábado de manhã.
O plano era acordar cedo, antes que o resto da família acordasse, e ir fazer um treininho rápido de 8km, só para testar o "hardware". Quando corro em Beja normalmente vou para a "variante", uma ciclovia que circunda a cidade. Mas desta vez, inspirado pelos vários relatos na blogosfera sobre trail, decidi ir correr pelo campo nos arredores de Beja.
No sábado, e após um par de minutos de discussão com as minhas pernas lá sai da cama. Desloco-me para o inicio do percurso e começo a ligar a "telemetria": Relógio, Check! Sensor FC, Check! Foot POD,Check! MP3, Check! Endomondo, Check! Só na preparação começo logo a ficar cansado...
Uma das razões que me inibe de ir correr para o campo são os cães. Passo a explicar. Existem algumas casas ao longo dos caminhos rurais, e todos elas têm cães, enormes e que ao passarmos parecem ser possuídos pelo espírito de Cérbero. "Normalmente" os portões estão fechados mas tenho o trauma que de alguma forma se vão escapar e atacar-me (já me aconteceu, mas ia de bicicleta e consegui escapar só com uns arranhões).
Então um pouco receoso lá comecei a minha corrida. Mas passado os primeiros km já estava mais calmo e pude apreciar a paisagem e a tranquilidade da planície. Ainda era cedo e o ar estava fresco. Quando me lembrei que agora não posso "só" pensar na corrida, tenho de pensar também no meu blog! :) Por isso, pela 1ª vez, parei a meio de um treino para tirar uma foto!
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| A dicotomia cromática do trigo alentejano (artístico, não? ;)) |
E foi mais ou menos por aqui que tudo começou a sair do planeado. É muito giro ir ao google earth e planear o trajecto, mas in loco, com poucos pontos de referencia e com culturas diferentes da foto do google earth (o Alentejo está a transformar-se num olival intensivo...) não virei no sítio certo. Continuei em frente e quando comecei a perceber que pela distância percorrida já devia estar no sitio errado, em vez de voltar para trás continuei em frente: "Eventualmente há-de surgir um caminho para a esquerda...". E apareceu, mas já ia no 7km...
Acabei por ir parar a uma estrada de alcatrão que conhecia bem e lá consegui ver o castelo ao fundo.
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| O Castelo de Beja lá bem ao fundo... |
Como se pode ver a estrada era muito estreita e sem qualquer berma, não me estava a sentir muito seguro com os carros a passar. Pelo que, num momento de
estupidez insanidade vi um caminho mais ou menos na direcção que queria e decidi segui-lo. E assim continuei a admirar a fauna. Vi um par de lebres a fugir à minha frente, um milhafre a fazer uma picada e uma perdiz a voar. Os km's iam passando e comecei a ficar preocupado. No 14km percebi que já tinha passado por alí! Estava a fazer o caminho inicial ao contrário. Comecei a fazer contas de cabeça e cheguei à conclusão que ainda tinha mais 4km pela frente.
A partir do 15km começou a custar. Já começava a fazer calor. O último km foi feito em sofrimento, por esta altura já nem os cães me preocupavam, só tinham um pensamento: "Tenho de continuar a correr para chegar a casa rapidamente para ver se não se zangam muito comigo por estar atrasado..."
Acabei por correr 18km em 1h31m, o treino mais longo que alguma vez fiz (sim, nem na preparação para a meia o fiz)! Mal tinha chegado ao carro tocou o telemóvel. Era a minha mulher preocupada a saber por onde andava.
Notas finais. Foi algo estúpido meter-me sozinho por caminhos que não conhecia e ainda por cima sem levar água ou mantimentos (se bem que estava relativamente perto da cidade). Mas foi um dos melhores treinos dos últimos tempos. Mal posso esperar por fazer um trail a sério!