quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Murphy’s Law

Na terça-feira acordei super bem disposto. Era dia de treino de corrida e a menos de duas semanas da Maratona era tempo de começar a reduzir na intensidade. Tinha pensado ficar no ginásio e fazer um fartlek na passadeira, mas estava uma manhã tão bonita e com a ameaça de chuva para o fim da semana achei que devia aproveitar a rua.

Já algumas vezes tinha passado no Parque do Vale do Silêncio, mas desta vez decidi fazer um treino exclusivamente no local. Quem conhece o parque sabe que a volta do caminho principal é uma autêntica montanha russa! E viva as Rampas! A ideia era fazer 5 voltas ao parque e depois regressar ao clube. O problema é que uma das extremidades do parque termina numa escadaria o que é algo chato, pelo que decidi ignorar as escadas e contornar o quarteirão adjacente (o hospital do SAMS) pelo passeio para as evitar.

O treino estava a correr muito bem, bom ritmo com poucas quebras nas subidas e as rampas a fazerem o seu trabalho a nível cardio.

E agora a razão do titulo. Na última volta, já no ponto de retorno, na zona do hospital a correr no passeio, para me desviar de um senhor com uma criança coloco mal o pé e faço um entorse feio. Só não fui parar ao chão porque me consegui agarrar a um sinal de trânsito. Não consegui continuar. Vi a maratona a ir pelo ar e vieram-me lágrimas aos olhos (e não foi pela dor).

Este ano já tinha torcido este mesmo pé duas vezes, com a diferença que das outras vezes tinha conseguido continuar a correr e após a corrida com um pouco de gelo tinha ficado bem. Desta vez foi um pouco mais agressivo, e após o treino não conseguia andar sem coxear e à noite estava bastante inchado.

Tenho feito gelo e massajado com Voltaren e hoje praticamente não tive dores. Acho que já daria para correr, mas vou ficar bem quietinho (pelo menos até Domingo) para ver se recupero. Agora o problema é saber se ficará suficientemente bem para aguentar a Maratona, e também o facto de não treinar o que é um problema quer físico como psicológico (acho que estou a ficar um pouco “agarrado” e nos dias em que não treino sinto-me mal disposto e quase consigo sentir a cintura a alargar…).

Já estive mais pessimista, agora só me resta esperar e ver como estou em 9 dias.

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

O meu "trail" em Porto de Mós

Fui passar o último fim de semana a Porto de Mós. Ia ser um fim de semana muito ocupado mas o plano de preparação não podia ser descurado, e para mais, toda aquela paisagem estava mesmo a pedir para ser "trilhada"!
Porto de Mós visto da Ecopista
Na semana anterior analisei com afinco o google earth para planear a minha corrida, e numa das pesquisas na net descobri que existe uma ecopista bem perto da Vila. O percurso desta ecopista percorre a antiga linha de caminho de ferro que fazia o transporte de carvão das minas da Bezerra para a Central Termoelétrica de Porto de Mós, tendo sido renovada recentemente. Segundo o site do município o percurso é circular com cerca de 13km, apenas esqueceram de referir que só 8km estão "renovados" e os restantes fazem parte de um percurso pedestre que está mais ou menos sinalizado...

Estava tudo estudado e às 7h estava a sair na companhia do meu amigo Fernando que também se está a preparar para a sua 1ª maratona. Tínhamos de estar de volta às 9h mas não me quis arriscar a sair mais cedo para não começar a correr ainda de noite por sítios que não conhecia.

Começámos logo bem com o GPS do meu telemóvel a não querer cooperar. Como não podiamos perder mais tempo decidimos começar a correr e tentar encontrar o caminho apenas pelas minhas memórias do google earth... tudo para correr bem...
Fernando, está tudo controlado, sem stress...
Obviamente que falhámos o caminho que tinha planeado e fomos dar a um estradão que não tinha o aspecto de "ecopista". Como não vi marcações ao fim de alguns km decidimos voltar para trás. Na zona da pedreira conseguiamos ver, uns 200m mais acima, a famosa ecopista pelo que decidimos tomar um estradão que parecia lá levar. Primeiro o estradão começou a inclinar e passámos a andar. Depois o estradão passou a "carreiro" com a inclinação sempre a subir. Estavamos efectivamente a aproximar-mo-nos do objectivo mas a certa altura já estavamos simplemente a caminhar no meio das estevas e os últimos metros foram "escalados" literalmente na vertical!
Finalmente a Ecopista! Vitória!
 A minha noção era que deviamos seguir para sul e assim fizemos. O percurso era lindíssimo com algumas passagens por desfiladeiros cortados na pedra e até um túnel entre as duas vertentes. Foram 3,5km que custaram muito a fazer, não só porque o dia já estava a aquecer mas porque embora não parecesse era uma subida constante. Só depois de descarregar o treino é que me apercebi do desnível do percurso.
Espera Fernando que tenho de tirar fotos para por no blog!
Ao km 10, bem no cimo do percurso encontrámos finalmente um mapa e percebemos os nossos erros. A ecopista não está "renovada" em todo o percurso circular,apenas em parte. No início, no estradão, estávamos a ir na direcção correcta só que devido a escassa inexistente marcação pensámos que estávamos no caminho errado. Os km que tínhamos feito da ecopista era suposto serem já o regresso. Agora não tínhamos outra solução a não ser voltar para trás, tornar a fazer toda a ecopista, e já eram 8h20... A sorte é que agora era sempre a descer.

Alcançámos a chegada com um total de pouco mais de 20km e com apenas 15min de atraso (claro que ainda tínhamos de recuperar, tomar banho e comer mas isso são pormenores...).

Adorei este treino. Não só pelo percurso: na natureza, em montanha, deslumbrante. Mas principalmente pela companhia. Nesta longa preparação para a maratona fiz praticamente todos os treinos sozinho, e embora não tenha sentido desmotivação por isso, foi muito divertido ter um companheiro nesta aventura. Obrigado Fernando!

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Corrida do Tejo 2013 - 15 Setembro 2013

Este Domingo foi dia de mais uma Corrida do Tejo, foi a minha 5ª participação.

Tenho uma relação muito especial com esta prova. Foi a minha primeira prova e efectivamente o motivo porque comecei a correr (objectivo 1). Termina a 500m da minha casa e grande parte do caminho que percorre é o local da maioria dos meus treinos.

Sempre foi uma prova muito popular e se não me engano a prova com mais participantes a nivel nacional. Longe da exuberancia de outros anos (desta vez não ouve estrelas da tv a animar ou ecrans gigantes com videos motivacionais ou contagens decrescentes dignas de um lançamento espacial), este ano penso que a organização esteve menos bem. Não foi pelo facto de terem feito uma corrida mais simples mas por terem alterado coisas que estavam bem. Refiro-me obviamente à questão do transporte.

Numa prova que termina a 10km da partida, penso que a organização deve assegurar a ligação entre os 2 pontos. Se não foi possivel negociar com a CP a gratuitidade do transporte, o minimo que podiam ter feito era ter publicado no regulamento e não enviar um email na véspera a dizer "LEMBRA-TE". Não havia nada para lembrar porque nunca tinham alertado para a alteração em relação a todas as edições anteriores. Mas como não bastasse o "Bilhete" era um recibo em papel termico que mal consegue sobreviver dentro da carteira quanto mais a uma corrida. Cheguei à estação de Oeiras mais cedo que o costume e já estava uma confusão na bilheteira (incluindo um polícia de plantão), imagino que mais perto da hora da prova se tenha instalado o caos. Havia mesmo necessidade de toda esta má imagem?

O segundo ponto negativo foi a questão dos blocos de partida. Se nas edições anteriores já era criticado os critérios algo elevando dos blocos, este ano não só não criaram blocos mais acessiveis (50min, 60min por exemplo) como decidiram eliminar o último bloco (48min) e dividir ainda mais a "elite" (com os 37min). Devido ao caracter popular da prova não entendo a opção, ainda para mais quando continuam a não ser rigorosos na admissão. Mesmo partindo da linha da frente do bloco 45min tive de ultrapassar pessoas que claramente não deviam estar ali.

A pose para a foto (ou os segundos em que não estive a melgar para fazerem uma meia)
Bom, agora que já tirei isto cá de dentro posso voltar à minha prova. Nesta prova tenho tido sempre  companhia e este ano não foi diferente. Dois amigos que habitualmente também participam nesta corrida voltaram e às 8h40 estávamos a caminho de Algés.

Fomos conversando, comigo sempre a chagar para ver se começam a correr a sério, e já perto das 9h30 decidiram ir para a partida (acho que foi porque sabiam que eu ia para os blocos e os ia deixar em paz). Devido às várias declarações de intenções de participação na blogosfera, estive todo o tempo a ver se reconhecia algum blogger, ia ficando com um torcicolo no pescoço e não vi ninguém.
Como não reconhecia ninguem decidi fazer um autoretrato
Sem pompa ou outro sinal audivél, às 10h em ponto começámos a correr. Até este ponto não sabia muito bem o que ia fazer, se por um lado há 3 meses que não treino velocidade, por outro eram "só" 10km. Mas assim que comecei a correr a decisão ficou tomada, sem pensar em RP ia correr em velocidade e ver quão mais "lento" estava com o treino para a Maratona. Estava a sentir-me muito bem e antes do km 2 já estava a passar a bandeira do sub45.

Para não variar ia sempre olhando para o relogio e verificando o andamento mas era dificil manter o ritmo. As pernas pareciam que queria rolar a outra velocidade e embora as pulsações até nem estivessem muito altas manter o ritmo era muito dificil. Claramente o "chip" actual não se coaduna com este tipo de provas mais curtas. 

Fui ultrapassando atletas ao longo de toda a prova e fiquei muito satisfeito com a minha prestação nas subidas. Normalmente é aqui onde sinto mais dificuldades e onde começo a ver muitos atletas a passar por mim. Mas desta vez consegui manter o ritmo mesmo na subida de Santo Amaro, e quando vi a placa do km 9 foi meter o pé no acelerador. 
A voar para a meta...
Terminei a prova com um tempo de chip de 43:30 a pouco mais de 40s do meu tempo no ano passado e Record na distância. No entanto com uma grande diferença, fiz a prova sem "sofrimento", sem aquela sensação de que o coração vai saltar do peito a qualquer momento. No ano passado não tinha registo de pulsações mas acredito que tenha sido uma média de bpm bem mais agressiva. Até porque hoje estava impecável e comecei logo o dia com um treininho de 19km ritmo.
À chegada já bem mais quentinhos e "quase" convertidos (ou não...)
O "meu" harém ( 3 já conta como harém!)
Foi uma manhã muito bem passada e apesar das vicissitudes esta prova continuará a ter um lugar especial no meu arquivo de memórias. Gostei imenso da tshirt, o logotipo deste ano estava o máximo.

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Três Boas Noticias

***Este post era para ter sido publicado no dia 8 de Setembro, mas como sou uma lesma a escrever só ficou pronto hoje, quase uma semana depois***

Após o último post em que me sentia algo desanimado, achei que tinha de vir aqui partilhar três novidades que me deixaram novamente muito entusiasmado com a grande M (esta noite até sonhei que estava na linha da partida com a minha mulher).


1 - Chegaram as minhas novas Adrenaline!

Na semana passada com a dor no pé a impedir que cumprisse o plano de preparação comecei a procurar culpados. O principal suspeito eram as minhas "velhinhas" Brooks Adrenaline. Com 1 ano de utilização e quase 1500km já não me davam o mesmo conforto de antes, para mais a zona da sola onde tenho a dor está efectivamente bastante gasto. Nunca tinha gasto as solas de umas sapatilhas antes, acho que os treinos longos no Verão foram bastante abrasivos.
Nada como tratar uma especie de depressão com uma ida às compras! O que para mim equivale a ir à net comprar sapatilhas. Já andava a "namorar" a versão 12 das Adrenaline, em equipa ganhadora não se mexe, e como estavam com 50% de desconto acabou por ser uma decisão simples. Encomendar tenis (olha para mim poliglota) pela internet envolve sempre um pouco de fé e é sempre um alivio quando o carteiro toca à campainha.
Não são lindas? :) Preferia que não tivessem tanto vermelho mas não se pode ter tudo...


2 - Estou finalmente inscrito na Maratona!

O quê! Perguntam voces. Mas este doido anda a treinar arduamente durante 3 meses, a contar no blog como está entusiasmado com a Maratona e nem sequer estava inscrito! Sim é verdade. Mas tinha uma boa desculpa. A empresa onde trabalho é uma das patrocinadoras do evento e habitualmente costuma ter algumas inscrições que oferece aos colaboradores. Normalmente é dificil conseguir a inscrição porque são literalmente milhares de "cães" para meia dúzia de "ossos". Mas desta vez fiquei a saber que iriam existir 20 inscrições exclusivamente para a maratona e achei que as probabilidades estavam do meu lado. Assim sempre poupei "meio par de sapatilhas" (lembram-se quando tudo no país era contabilizado em submarinos? Pois, para mim tudo é convertido em "sapatilhas"). Quando finalmente recebi o email de confirmação parecia uma criança na manhã do dia de Natal.
Ufa, estava a ver que tinha desenbolçar 2/3 de umas sapatilhas porque o preço já tinha aumentado...


3 - Fiz mais um longo e correu muito bem!

Domingo foi dia de mais um treino longo. Fui passar o fim de semana a Beja pelo que tive de improvisar o percurso. O objectivo era voltar a correr os 32km mas desta vez com uma passada normal e de preferencia sem dores no membros inferiores. 
Sair da cama cedo e começar a correr ainda com estrelas no céu custa um pouquinho. Mas depois do cérebro se convencer que não há volta a dar, adoro a emoção de correr enquanto o mundo ainda dorme. Ver o Sol nascer, a troca de cumprimentos cumplices com os outros corredores madrugadores e a sensação de ser um só com a estrada...
 Consegui cumprir o objectivo de distância mas tive alguma dificuldade em manter o ritmo, e mais uma vez cheguei ao fim com a sensação que seria necessário muito sofrimento para fazer mais 10km... Provavelmente terei que repensar o ritmo para o dia da Maratona, afinal o fundamental é terminar...
Mas apesar disso terminei o treino muito satisfeito. O pé ainda incomodava um pouco mas a dor não apareceu e no dia seguinte estava impecável. Voltei a estar optimista para dia 6 e todos os dias vou contando os dias em falta no painel na Marginal...

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Treinos e ameaças de lesões

E praticamente a um mês do dia M, depois de 3 meses de treinos certinhos, a semana passada não consegui cumprir o plano de preparação e tive mesmo de abortar um dos treinos.

Tudo começou com uma ligeira dor nos metatarsos do pé esquerdo. Nada de muito intenso, ao correr estava tudo bem mas depois do treino começava a doer e se tivesse uns sapatos com solas mais duras mal conseguia pousar o pé.

Adiei os treinos por uns dias, vá de massagens com voltaren e lá me fui convencendo que estava a passar. Quinta-feira o "Dr.Rui" deu-se "alta" e fui fazer um treino. Era para ser um treino só para rolar, mas na descida da Av. de Berlim entusiasmei-me. Depois de tanto "jejum" estava a sentir-me bem, aumentei a passada e fiz uns "gloriosos" 8km com um ritmo médio de 4:22 (incluindo ter que abrandar para passar os semáforos).

No km 8 comecei a sentir o gémeo direito moer. Ao principio eram só umas picadinhas mas 800m depois sinto uma dor aguda, como se tivesse a ter uma caimbra que me obrigou a parar. Nunca em 3 anos de corrida me tinha acontecido tal. Fico alguns minutos sentado no chão a alongar o músculo e após testar com um par de passadas regresso ao ginásio num trote suave.

Mas o pior veio depois de arrefecer. Tanto o pé esquerdo como o gémeo direito doíam consideravelmente, parecia um desengonçado a coxear. Mas o pior foi mesmo o pessimismo que se instalou. Até esse dia estava super confiante que iria conseguir terminar a Maratona, no dia 29 pensei que o sonho tinha terminado.

Felizmente consegui convencer-me a não treinar durante alguns dias e só Domingo fui fazer um treino. Saí de casa com tempo para ser um longo mas estava preparado para parar assim que sentisse algo errado. O percurso ia ser o habitual: de Oeiras pela Marginal até Cascais e depois continuar na estrada para o Guincho até alcançar a distância do retorno.

Optei por um ritmo um pouco mais baixo do que tenho feito nos longos anteriores, mas mesmo assim estava a custar-me fisicamente. As "ameaças" de lesões (vou-lhes chamar assim para ver se percebem a ideia e se vão embora de vez...) não me estavam a incomodar, estava descansado, a correr mais devagar mas mesmo assim tinha de me esforçar para manter o ritmo.

Os últimos km's já foram feitos com algum sofrimento e acho que não teria conseguido fazer os 10 restantes. Acabei por conseguir cumprir o treino longo com mais uma distância superada, 32km.


Cheguei a casa e depois de recuperar fui descarregar os dados do relógio. Qual é o meu espanto quando reparo que a cadencia da minha passada foi muito maior que no último treino longo, onde corri mais rápido. Neste treino com apenas mais 1km que o anterior dei mais 5200 passos! A minha passada média "encolheu" 17cm. (neste treino foi 1,1m). Isto explica a razão da dificuldade em manter o ritmo mas também evidencia que inconscientemente tive todo o treino a proteger o pé e o gémeo ao dar passos mais curtos.

Embora ainda não esteja completamente optimista em relação à prova, este treino deu para voltar a acreditar.  As dores ainda não desapareceram mas têm vindo a diminuir. Tenho "tentado" não correr (ou correr muito devagarinho) mas é muito difícil quando começo a pensar que faltam "apenas" 31 dias...

sábado, 24 de agosto de 2013

I Trail da Pampilhosa da Serra - 17 Agosto 2013

ou "O meu 1º Trail!"

ou "O maior empeno de sempre"

ou "A aventura na Pampilhosa"

****Ressalva: Este é um post longo, com poucas fotos (porque ainda não dominei a arte de tirar fotos e correr ao mesmo tempo) e está uma semana atrasado porque sou um caracol a escrever.****

Há pouco mais de 3 meses na minha lista de objectivos escrevia:

10 - Participar numa prova Trail
Este é um objectivo bem recente e que espero poder riscar bem em breve (até porque é fácil) . Nunca tinha pensado muito neste tipo de provas, gosto mais de correr "limpinho" e a um regime constante. Mas depois de ler os imensos relatos pela comunidade de bloggers fiquei com tanta vontade (leia-se inveja) que decidi que havia de experimentar (um bem curtinho que isso de escalar arribas parece difícil).

E realmente inscrever-me até foi fácil. Mal li o desafio da Anabela (Run Baby Run)começou a fervilhar o plano...

Há algum tempo que estava para ir visitar uns tios da minha adorada esposa que vivem no Candal, perto de Alvaiazere. Depois de muito estudar o mapa consegui convencer-me que ficava "relativamente" perto.Tinha assim uma excelente desculpa para carregar com toda a família estrada fora. Como vim depois a descobrir, 50km pela serra não é exactamente sinónimo de perto...

Como agora tenho a mania que corro longos km's, quando vi que o trail "só" tinha 19km achei que não seria problema. Na realidade até achei que era curto, uma vez que iria substituir o meu treino longo na preparação da maratona. Era tão verdinho...

A única coisa que acertei em relação ao objectivo é que me fartei de "escalar" montanha acima.

Mas voltemos à prova. Cheguei à Pampilhosa perto da hora de almoço. Depois de um curto passeio pela zona do Rio Unhais e de um mergulho na espectacular Praia Fluvial foi hora de assentar arraiais e fazer um piquenique com vista para a meta (a minha filha adora piqueniques).
A Praia Fluvial com a Meta lá ao fundo.
O tempo foi passando e comecei a ver algumas pessoas com tshirts técnicas a passear pelo local. Decidi ir equipar-me e foi a partir daqui que começou a sentir-se algum stress. No site da prova referiam que iria haver transporte para o local da partida, mas apenas para 50 atletas e por ordem de chegada. Eu não sabia quantos atletas estavam inscritos mas a julgar pela quantidade que estavam "descontraidamente" com o olhar fixo na porta da Câmara não agoirava nada de bom. Como seria de esperar, assim que se abriram as portas foi uma confusão. Fui calmamente para a "fila" porque não queria stressar só para chegar à partida, e lá consegui a senha para o autocarro. Como é óbvio não houve para toda a gente e vi alguns atletas que ficaram sonoramente chateados. Para mim este foi o ponto menos bom por parte da organização.
Descontraidamente de camelback na mão, e reparem, de costas para a porta :)
Já na entrada para o autocarro reparo num grupo de atletas estrategicamente sentados nos lugares do fundo. Reconheço o Carlos (Papa Kilometros) e vou meter conversa. A viagem até à barragem de Santa Lúzia, local da partida, foi espectacular. Deu logo para ver que o ambiente nesta provas é diferente e passei grande parte da viagem na conversa com outros atletas enquanto uma paisagem deslumbrante passava lá fora. Passámos por uma encosta com uma vista sobre o dique da barragem que parecia algo saído do Senhor dos Anéis.
A minha foto tirada dentro do autocarro em movimento não fazia justiça ao local pelo que decidi procurar na net
Chegados ao local da partida foi tempo de ir levantar o dorsal e fazer os últimos ajustes no equipamento. Entretanto tive o prazer de finalmente conhecer a Anabela, o Paul Michel e a restante equipa Run Baby Run.
A foto de grupo versão Sol
Fiquei tão distraído com a conversa que, quando pensei em ir fazer um aquecimento, já estavam a iniciar o briefing. Pensei, "Bom com este calor já devo estar suficientemente quente" e fiquei a ouvir. Não fazia ideia quantos atletas estavam inscritos mas reparei que não estava assim muita gente (pela classificação final terminaram 201), foi a prova com menos atletas em que participei.
O ambiente na partida
 Nisto são quase 17h e os atletas começam a juntar-se na partida. Reparo que o Carlos e os restantes membros do CAL estavam quase no fim do pelotão. Tendo em conta que são muito mais experientes nestas lides decido ir para junto deles e assim fazer o percurso contrário a todas as outras provas em que luto para me chegar mais à frente.
A esta foto decidi chamar: O Sorriso do Maçarico
Às 17h em ponto é dado o sinal de partida e lá começa a minha prova de trail... em alcatrão e a descer. Os primeiros metros são feitos a 4:20 e começamos a ultrapassar alguns atletas, mas não muitos. Ao passar sobre o dique da barragem existem umas escadas onde só passa um atleta de cada vez e somos forçados a parar, olho para traz e continuamos quase no fim do pelotão, "Epá isto é só pros" comento com o carlos. A seguir ao dique, e durante 2km entramos numa zona de carreiros praticamente plano (um mimo que não voltaremos a ter...). Nesta fase o Carlos embala e num zig zag frenético começa a ultrapassar outros atletas. Eu ainda tento segui-lo mas numa tentativa de ultrapassar um atleta coloco mal o pé e por pouco não o torço. Considero isto um sinal divino para ficar sossegado e lá continuo muito serenamente pelo carreiro.

Chegamos à primeira subida e ai começo a ultrapassar. Primeiro um, depois outro e mais outro, começo a ver gente a andar e penso, mas que raio isto até nem é assim tanto a subir. Aguento-me até ao km 3, olho para o relógio e vejo 186bpm. Se continuo neste ritmo não aguento, não deve ser fácil uma ambulância chegar aqui, será que têm helicóptero? Dou uma gargalhada seca e começo a andar.

Não paro no abastecimento, até porque levo a mochila, mas a subida é tão íngreme que não dá para correr. Desta vez sou eu que começo a ser ultrapassado, e entre eles está um senhor mais veterano e com uma tshirt do Sporting. Considero que o senhor deve ser experiente nesta coisa do Trail e durante os 2km que ainda faltavam na subida colo-me a ele. Quando ele andava eu andava, quando corria eu corria. O cimo nunca mais chegava e eu inocentemente ansiava pela descida...

E ela lá chegou, deixei o senhor para traz e ataquei a descida qual Killian do Alentejo (só uma nota, andei na semana anterior a ver a série de videos que o Killian Jonet fez com a Salamon, só para motivação). Durou 10 metros. Apanhei um susto porque as pernas não responderam como estava à espera e os 3km seguintes foram feitos sempre a travar. Nesta fase o meu mantra era: Não estou a amar isto. O raio da descida nunca mais acabava!

No final dos 3km de descida chegamos à aldeia de Cabril onde se encontra mais um abastecimento e onde volto a não parar. Tinha levado uns cubinhos de marmelada que fui comendo de 15 em 15 min depois da 1ª hora. Saímos da aldeia por um trilho irregular e as pernas voltam a falhar e quase torço novamente o pé. Começo a sentir-me muito cansado e só quero uma descida para "poder" andar.

Iniciamos mais uma "escalada", e passamos por um troço de alcatrão. Todos os meus instintos me dizem para correr mas estou demasiado fatigado e continuo a andar. A partir daqui sempre que o caminho sobe,  passo imediatamente para modo caminhada para tentar poupar as pernas para as descidas. Até ao km 14 continuamos neste sobe e desce quebra pernas, ora "Mas a p**** desta parede nunca mais acaba!" ora "ai, ai, ai perninhas não me falhem nesta descida!".

Nesta parte fico várias vezes "sozinho". Este era um do meus maiores receios em relação aos trails. Ao ler os vários  relatos de provas de trail na blogosfera, um tópico habitual é gente a perder-se e acabei por me deixar impressionar. Felizmente sempre que tive de tomar uma decisão o caminho estava muito bem assinalado e em vários pontos estavam pessoas da organização a indicar o caminho. Para mim este foi um ponto muito positivo da organização!

No km 14 mesmo antes de terminar a última subida encontro o terceiro e último abastecimento. Desta vez pego numa banana e numa garrafa de água (porque estava com medo de já ter pouca na mochila mas acabei por ficar quase com metade da água na mochila). E que bem me fez, o meu estômago aceitou bem e senti-me novamente com energia. Ficou a indicação para a maratona, vou levar bananas!

Infelizmente após o abastecimento muitos atletas jogaram as garrafas vazias para o chão. Até nas provas de estrada me faz alguma confusão deitar as garrafas para o chão, então aqui, no meio da serra não me pareceu mesmo nada bem. Como tinha a mochila enfiei a garrafa vazia num dos bolsos e segui caminho.

Os últimos 4km são sempre a descer até à Vila, onde perdemos mais de 360m de altitude! Uma das descidas é tão inclinada que tenho mesmo de parar com medo de ir parar ao chão, mesmo assim esse km é feito em 4:35, o mais rápido da prova.

A 2 km da meta entramos numa estrada de alcatrão. Será verdade? Será que vamos fazer 2km inteirinhos em alcatrão? Oh Júbilo! Mas a organização ainda tinha uma supresa, mesmo antes da recta da meta temos de descer umas escadas altas até à zona da praia fluvial. Estou com as pernas tão empenadas que tenho de utilizar os braços para as conseguir descer.

Os últimos metros são sobre a passadeira de madeira da praia fluvial e com a meta já à vista pareço que estou a voar. Vejo a minha filhota e a minha linda mulher e lá consigo por um sorriso para a foto.
A chegada e o apoio exuberante da Margarida
Mal passo a meta a minha única preocupação é encontrar um metro quadrado de relva para me sentar, tenho os pés em brasa (felizmente, agora, passada uma semana nenhuma unha decidiu mudar de cor :) ).
O sorriso é só para disfarçar... ainda procurava o coração que me tinha saído pela garganta...
Lá recupero o fôlego e antes de ir "desinflamar" para o rio ainda troco umas palavras com o Carlos.
A minha flor não me largava
A banhos no Unhais
Já mais recomposto fomos assistir à entrega de prémios e depois para a churrascada na traseira dos bombeiros. Aqui tive a prazer de poder conviver um pouco com a malta do Run Baby Run e do PapaKilometros, tudo malta muito positiva e bem disposta! Como já comentei a "socialização" foi um dos pontos altos desta prova. Como não estou em nenhum clube, acabo por ir às provas como "individual" e como normalmente não conheço ninguém assim que acabo de correr não há muito para fazer a não ser ir para casa. Fico sempre com a sensação que fica qualquer coisa a faltar. Na Pampilhosa deu para conviver o que de alguma forma me fez sentir a prova mais completa. O meu obrigado à Anabela e ao Paul Michel pela forma simpática com que nos receberam na Pampilhosa.

No dia seguinte tinha um andar "estranho" e subir escadas era um tormento. Foi tal o empeno que quase uma semana depois ainda não tinha recuperado totalmente os músculos das pernas. O tempo costuma suavizar as coisas mas acho que nem na minha primeira meia maratona fiquei assim tão empenado.

O meu objectivo era mesmo terminar uma prova de Trail e sentir as emoções de correr na natureza, dando o meu máximo, pelo que o tempo e a posição era completamente secundário. Mas fiz a prova com um tempo oficial de 1h59m18s o que deu o 87º lugar na classificação geral (terminaram a prova 201 atletas). Foi uma experiência muito positiva que quero repetir. No entanto, também me fez ver que a minha forma actual, muito focada na maratona, não se adequa a este tipo de prova.

A última frase vai para a minha família, nomeadamente a minha luminosa Inês que atura com um sorriso estes meus "devaneios".

quinta-feira, 15 de agosto de 2013

Resumo Mensal - Julho 2013

Embora já estejamos a meio do mês, devido ao período estival, ainda não tinha tido oportunidade de escrever o habitual resumo mensal.

Julho foi dedicado exclusivamente à preparação para a maratona. Não participei em nenhuma prova o que facilitou a ter não ter "distracções" ao cumprimento do plano.

Foi o mês dos records. A cada sábado, no treino longo, era consecutivamente batido o meu record de distância e duração (22km, 24km, 26km e 28km). Como seria de esperar no final do mês a distância acumulada era também um novo record mensal com 276km.

Fui tentando manter as outras actividades físicas mas cada vez mais a minha mente está focada na maratona e com pouca motivação para andar pelas máquinas do ginásio.
Em termos de corrida os números foram:
Treinos: 18
Distância: 276km
Tempo: 23:33:43s
Passo Médio: 5:05 min/km
Ganho de Elevação: 1263m
Frequência Cardiaca Média: 158 bpm
Calorias: 19203 cal

Como já referi noutros posts, os treinos longos passaram a ser os meus favoritos. Acordar ainda antes do nascer do Sol e ir correr quando a cidade ainda dorme. Tenho aprendido bastante com estes treinos, sobre o meu corpo e sobre a minha mente. 

Uma das funcionalidades do meu relógio (Suunto Quest) é medir o EPOC (Excess PostExercise Oxygen Consumption) que de uma forma simples representa a taxa de esforço do exercício. Quanto mais intenso é o exercício mais rapidamente cresce e quanto mais cresce significa que mais cansado estou. Num treino normal (por exemplo 1h ritmado) esta métrica cresce progressivamente alcançado o máximo no final do treino. Mas nestes treinos longos ocorre um fenómeno diferente. O EPOC cresce até aproximadamente aos 50min e depois estabiliza e começa a diminuir. Não percebo muito de fisiologia mas penso que esteja relacionado com o facto de o corpo entrar num regime mais aeróbico. Também reparo que é a partir deste ponto que começa a custar menos manter o ritmo e a corrida fica mais fácil. Para o final do treino a métrica volta a crescer e fisicamente começo a sentir-me cansado.
Evolução do EPOC no treino longo de 29km (2h34)
Peço desculpa por todo este texto mas é um "mal" de formação (sou engenheiro). Analisar exaustivamente todos os dados disponíveis, fazer gráficos e perceber o porquê por detrás deles é para mim uma funcionalidade "de origem" :)