domingo, 12 de janeiro de 2014

Tenho uma hipótese!

Esta piada só percebe quem tem de ver o canal panda de manhã à noite...
Nos últimos tempos tenho andado a fazer alguns treinos em trilhos. Foi o UTSS, vários treinos em Monsanto à hora do Esquilo e ultimamente até o Passeio Marítimo parece um percurso de trail! Pela primeira vez este mês tenho mais km feitos em trilhos do que em estrada.

Estes treinos em Monsanto têm sido um abrir de olhos para um novo mundo. Primeiro porque a pressão sanguínea deve ser tão alta que até os olhos ficam esbugalhados. Se noutros treinos com companhia costumo ser o elemento que tem de reduzir o passo, neste sou o gajo que vai na cauda do grupo e que o resto do pessoal tem de esperar... Por outro lado correr com pessoal tão experiente permite ganhar rapidamente alguma técnica, mais não seja para sobreviver aos treinos. São treinos muito duros a acrescentar o facto de serem de noite e, com as chuvas dos últimos tempos, com muita lama.

Nestes meus treinos não voltei a torcer o pé. Hurra! Mas tive várias ameaças. Ao analisar todas as situações há algo comum em todas elas. Ao contrário do que seria de esperar todas aconteceram em zonas relativamente planas, sem dificuldade técnica e os casos mais graves em alturas em que ia na conversa. Tendo em conta os sítios por onde tenho andado a correr é, para mim, algo surpreendente. 

Mas voltando ao título deste post. A minha hipótese para o fenómeno é o condicionamento após alguns anos a correr apenas em estrada. Passo a explicar, quando corro em estrada, principalmente em distâncias mais longas, o corpo parece que já está a correr sozinho, em que quase me abstraio do caminho e o corpo começa a relaxar, tocar o solo suavemente e quase sem ruído. E penso que é aqui que reside o problema. Em estrada, com o terreno liso o relaxar dos músculos do pé ajuda a diminuir tensões e o desgaste muscular, mas em trilhos qualquer irregularidade irá provocar a torção do pé sem a protecção do músculo em tensão

Esta teoria responde às minha observações. Nas zonas mais calmas em que estou apenas a rolar e a recuperar das zonas mais técnicas, entro em piloto automático, diminuo a concentração, relaxo e acontecem os entorses.

Provavelmente tudo o que estou para aqui a dizer não faz sentido, mas pelo sim pelo não agora quando corro em trilhos faço um esforço para atacar o solo com intenção, batendo os pés se necessário, principalmente nas zonas mais "fáceis".

terça-feira, 7 de janeiro de 2014

5º UTSS - Ultra Trilhos da Serra de Sintra - 5 Janeiro 2014

ou "Meia Dose que soube a Prato Cheio!"

ou "A minha mulher é uma Santa!" (graxa da mais alta qualidade :D)

No mês passado, num dos treinos à hora do esquilo, comecei a ouvir uns comentários sobre o UTSS no inicio de Janeiro. Fiquei curioso e fui cuscar na net. Não encontrei nada sobre a 5ª edição mas descobri uns videos e uns relatos de edições anteriores. Basicamente é um treino com a organização "Pirata" de um dos administradores do grupo por detrás dos "Esquilos", onde estão convidados todos os amigos dos amigos. O Sílvio teve a amabilidade de me convidar e assim fiquei a par da convocatória:

Vamos manter a Tradição e Re-editar um UTSS no 1º domingo de 2014. O de 2013 foi mítico (fiz Grandes AMIGOS!) Saída à "Hora do Esquilo" 06.00h
Inicio e fim na Malveira (Associação Janes/Malveira)
É disponibilizado o track no dia 3/01/2014.
Mantendo o espírito do 1º UTSS, vão existir distâncias para todos os gostos:
Mini-Prato 13km/600m D+, Meia-Dose 28km/1200m D+ e Prato-Cheio 44km/1800m D+.
A ter em conta:
É uma organização "PIRATA"! 
NÃO HÁ marcações, Exclusivamente seguida por track, GPS
É em Autonomia Total (passa em diversos pontos de água)

Este era o perfil "prometido" para a "Meia Dose" (atentem à linha vertical aos 22km...)
A "Meia Dose" parecia-me muito apetecível, mas face à actual situação familiar era um pouco complicado estar tanto tempo fora. No entanto, num acto de grande magnanimidade da Inês, e depois de explicar que a saída era às 6h e que lá para as 10h estava em casa, lá tive o assentimento para ir. Combinei logo com o Sílvio e fui preparar o equipamento. Era a mais "louca" aventura que alguma vez tinha participado e o factor "pirata" obrigava a mais atenção aos preparativos. Ainda tive de ir à pressa comprar uma bolsa de água, a tampa mal fechada afinal era mesmo um furo. Acabei com uma mercearia dentro da mochila, mas ao longo da tarde de Sábado fui retirando mantimentos e às 6h em ponto estava à porta da Associação preparado para a aventura.

Os primeiros km's eram coincidentes com a Corrida do Monge e por isso eram-me familiares. Se na altura achei a prova dura, imaginem o mesmo percurso de noite, com neblina, com muita lama e com o conhecimento que ainda nos esperavam 28km... O "aquecimento" de 5km sempre a subir foi complicado, principalmente porque não só não tenho muita experiência a correr em trilhos de noite mas sobretudo devido à neblina que mesmo com o frontal no máximo apenas permitia uma visibilidade para ai de 0,5m. Numa curva ia-me quase enfiando numa barreira de lama e um companheiro mesmo à minha frente enfiou-se dentro de um buraco...
A dupla ao raiar do dia, bem fluorescentes para não nos perderem na serra...
No topo da subida surgiu pela primeira vez a frase que nos havia de acompanhar durante todo o treino: "Estamos fora de percurso...". Em "prova" existem as fitas, as marcas no chão, as pessoas da organização. Nas "pirata" existe o track e a fé que o vamos conseguir seguir. Foram várias as vezes que falhámos o percurso e tivemos de voltar para trás, nomeadamente sempre que tínhamos de sair de um estradão e entrar num trilho. Felizmente entre o relógio do Sílvio e o meu telemóvel com o OruxMaps conseguimos cumprir o percurso. Nesta primeira parte do treino íamos apenas os dois. Mas à medida que tínhamos de voltar atrás por termos saído do track fomos criando um grupo que acabaria por fazer quase todo o percurso junto.
Não estávamos a descansar, era só para a foto...
O ritmo era muito baixo e chegámos ao topo da subida do corta fogo já com luz natural e com quase 1h45 (na corrida do Monge passei lá com 1h05). A partir daqui o percurso divergia e tinha uma passagem pela famosa Pedra Amarela, que acredito que seja um excelente miradouro mas que no dia apenas nos permitia ver uma largo manto cinzento. Mas isso não impediu de tirarmos fotos para a posteridade.
Pedra Amarela, uma vista de cortar a respiração (acho...)
Lá seguimos caminho e já perto da Malveira foi uma complicação seguir o track. Em menos de 1km conseguimos falhar o percurso 6 vezes! Era um pagode. Chegámos a um cruzamento e decidimos ir pela direita. Ao fim de 100m, "plim!" fora de percurso, voltar para trás e fomos pela esquerda. Ao fim de 100m, "plim!" fora de percurso, mau! Voltámos ao cruzamento e juntinho a uma casa, com 1 metro de largura, existia um género de barranco. Adivinhem por onde era o percurso? :)
1km = 6 fora de percurso!
Despedi-mo-nos dos companheiros que iam aos 13km e seguimos caminho para o Guincho. Estes foram os km mais regulares onde conseguimos efectivamente correr  de forma contínua, isto claro quando não estávamos perdidos. Mais uma vez, num destes momentos já tínhamos percorrido uns bons metros quando o meu telemóvel apitou, o caminho certo ficava quase paralelo ao que levávamos mas aí uns 100m ao lado. As opções eram: a) voltar para trás e tomar o caminho certo; b) atalhar pelo mato até ao caminho certo. Escolhemos a opção "b)" e atalhámos por um matagal de silvas até à estrada correcta. Apenas um ligeiro problema, o desnível entre os caminhos era acentuado e mesmo antes da estrada existia uma barreira com uns 2 metros que tivemos de ultrapassar. Uns 200m mais à frente o caminho que seguíamos e o correcto convergiam...
Tempo de repor energias mas sempre a correr que temos de aproveitar o terreno plano!
Chegámos ao Guincho e finalmente tivemos o céu limpo e vistas de cortar a respiração. Não podíamos perder a oportunidade de captar o momento! Não sem antes nos metermos noutra aventura. Adivinhem! Fora de percurso, só que desta vez os caminhos eram mesmo paralelos apenas separados por uma rede de aço para aí com 1,5m. Opções: a)Voltar para trás; b)Continuar no caminho "errado" e esperar que convergissem; c) Saltar a rede. Por esta altura já devem de estar a ver o espírito do grupo e por isso, sem surpresa,  optámos pela "c" e digo-vos, após 20km a pernas já não queriam cooperar com a ideia. 100m mais à frente a rede terminava... O que eu ri...
Foto para colocar no perfil...
Depois da passagem no Guincho era altura de começarmos a escalar o regresso à Malveira. E escalar é o termo certo. Em 2km subimos do nível do mar até aos 150m e nos 2km seguintes chegámos aos 470. A tal linha vertical no 25km era MESMO vertical e mesmo com a tracção aos "quatro membros" a coisa não era fácil (vi marcas de dedos com 1m de comprimento...alguém foi a escorregar parede abaixo).
Em plena utilização da tracção aos "quatro membros"
Por esta altura olhei para o relógio e eram 10h... Ainda estávamos a pelo menos uns 5km dos carros, não ia conseguir cumprir o meu "tempo limite"...
Voltámos para a serra e se já tínhamos sentido mais que visto muitos galhos e folhas de árvores pelo caminho, agora com a luz do dia vimos a destruição que o temporal do dia anterior tinha causado. Passámos por várias árvores caídas nos caminhos que faziam as "delícias" dos inúmeros BTT'istas que encontrámos pelo caminho.

Para o fim  já com algum sofrimento físico aliado ao saber que estava atrasado acabou por nebular um pouco os km's finais. O último km a descer em empedrado foi feito muito a custo.




Foram quase 32km em 5h22m e 1380m de D+. Foi um dos treinos mais compridos que alguma vez fiz e de longe o mais longo (o máximo tinha sido a Maratona em 3h58...). O meu relógio indica quase 4000kcal e 98horas de recuperação... (não vai acontecer! :D) Foi um rico empeno com direito a todas as dores já habituais e algumas novidades como dores nas canelas e no dedo do pé.

Foto no final do grupo dos 32km (ou meia dose reforçada!)
Adorei tudo neste treino. A companhia 5 estrelas do Sílvio, a camaradagem no grupo, o percurso exigente, a componente de orientação (vulgo andar perdido a olhar para o gps...) e claro as várias aventuras. O único ponto que julgava que fosse diferente era a questão do grupo. Pensava que iríamos mais ou menos todos juntos com pontos para reagrupar. No entanto, embora estivesse bastante gente no inicio, devido à subida ao fim de alguns metros já estava sozinho com o Sílvio e se não fossem os inúmeros "volta atrás" não teríamos encontrado ninguém. Não é uma crítica, apenas um desencontro de expectativas.
A grande dupla de possíveis-futuros-um-mais-que-o-outro Ultras!
Quero aqui deixar o meu Muito Obrigado ao Sílvio pelo convite, companhia e as excelentes fotos que documentam este post! Quero também pedir desculpa à minha adorada família por ter chegado atrasado e garantir que me esforcei ao máximo por cumprir o prometido. Em contrapartida fomos almoçar ao McDonalds com direito a sobremesa de cheesecake.

6ª São Silvestre de Lisboa - 28 Dezembro 2013

E foi desta que finalmente corri uma S.Silvestre.
S.Silvestre de Lisboa 2013
Mesmo antes de começar a correr sempre me fascinou o conceito das corridas de S.Silvestre. Talvez por acontecerem numa altura com poucas notícias, foram sempre motivo de reportagem nas tv's o que facilita a divulgação por "não corredores". Não percebia o que levaria uma pessoa a sair de casa num dia de inverno, com frio e chuva, numa noite supostamente de festa, para correr... Obviamente que agora não se me colocam esses cepticismos. :) No entanto, por um motivo ou por outro nunca se tinha proporcionado. Este ano proporcionou-se!

Foi a 3ª prova, praticamente consecutiva, que corri com a "camisola" do Clube TAP. Foi uma "camisola" mais administrativa que efectiva, uma vez que embora estivesse inscrito por equipa ainda não tenho tshirt do clube...
Parte da equipa preparados para a partida
Devido à localização da partida decidi que iria deixar o carro na zona do Cais de Sodré e depois ir fazendo o aquecimento até aos Restauradores (2km em 10:44). Cheguei bem cedo e deu, finalmente, para ficar um pouco à conversa com os outros elementos da equipa. Foi fixe conhecer colegas que têm o mesmo gosto pelas corridas.O Clube ao fazer a inscrição não nos pediu os comprovativos de tempo e como resultado estávamos todos no "+60"... Se na Corrida do sporting já tinha acontecido e não me tinha incomodado muito desta vez fiquei um pouco chateado porque eram muitos atletas e ia ser muito difícil ultrapassar o mar de gente à minha frente.

Alguns minutos antes lá fomos para o nosso bloco e aguardámos o tiro de partida sob um ameaçador céu negro... Que acabou por descarregar praticamente ao sinal de partida. Nada como uma chuvada de gotas grossas e frias para começar uma corrida sobre calçada de pedra... Como esperado o inicio foi uma confusão. Fomos imediatamente para o passeio tentar ultrapassar o máximo de atletas possíveis mas devido à chuva estava muito escorregadio e rapidamente desisti da ideia e perdi os meus companheiros. Ainda vi algumas quedas e um senhor com o joelho em muito mau estado...

Até quase ao 2km foi uma frustração de acelera e pára e só depois do Cais do Sodré consegui finalmente entrar no ritmo. Fui ignorando todos os abastecimentos e consegui manter um ritmo sempre abaixo do 4:30.
Mais uma vez a passagem pela Ribeira das Naus foi um tormento. Não só pelo "famoso" piso mas porque comecei a acusar os excessos dos 1ºs Km e ainda por cima encontrei uma autentica barreira quase intransponível de atletas. Acho a ideia dos marcadores de passo fenomenal, o fenómeno das rêmoras nem por isso...

Mas a melhor parte foi mesmo a subida da Av. da Liberdade! Levei toda a prova a ultrapassar pessoas mas quando chegou a subida ultrapassei centenas... Sentia-me muito bem e consegui manter um ritmo em torno dos 4:45! E para terminar em beleza e com as endorfinas ao rubro uma descida de 1km em velocidade supersónica!

Passo a meta, vou desligar o relógio e o ecrã está apagado... Mau... Acabou a bateria! Mesmo nos km's finais. Mas a culpa é inteiramente minha e do karma. Minha, porque há semanas que o icon de bateria em baixo surgiu no ecrã e eu decidi ignorar (em minha defesa no manual dizia que existia um outro sinal de bateria muito fraca...). Do karma, porque por várias vezes gozei com o pessoal dos Garmins GPS e as crónicas faltas de bateria (inclusive minutos antes desta corrida...) e inevitavelmente o karma voltou para me morder no rabo... Felizmente levava o equipamento de backup (telemóvel) e consegui ter o registo da prova.

Depois de uns breves minutos à espera dos restantes elementos de equipa foi hora de fazer o caminho de regresso ao carro num trote recuperador (2,3km em 12:23).

Gostei da prova pela companhia e animação. No entanto, é muita gente. Se não conseguir garantir uma partida mais à frente neste tipo de corridas o melhor é mesmo esquecer qualquer espírito competitivo, arranjar uns amigos e desfrutar do passeio.

segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Agora sim estou pronto para o Trail!


Hoje chegou por correio o equipamento fundamental para qualquer Trail Runner! Agora sim já posso enfrentar os elementos...

terça-feira, 31 de dezembro de 2013

A última de 2013...


Acabei de chegar do último treino de 2013. A minha voltinha pelo Passeio Maritimo de Oeiras e Carcavelos. Era suposto serem 12km preguiçosos, bem ao jeito de como tenho andado nos últimos tempos. Mas mesmo antes de sair tive uma sessão de motivação como a minha linda esposa: 
Ela:Onde vais?!?
Eu:Vou só dar uma corridinha, a última do ano.
Ela: E quanto tempo vais levar? Olha que temos de ir dar banho à Mafalda e ainda não temos nada preparado para o jantar.
Eu: Hum.... Menos de 1 hora.
E pronto, 12km preguiçosos passaram a 12km muito rápidos. Acabou por ser um dos treinos mais rápidos dos últimos tempos. Nada como uma dose de motivação conjugal. Enquanto corria ia-me lembrando do ano e "escrevi" este post.

Em termos desportivos este foi um ano muito bom e muito mau.

Mau, porque após quase 3 anos a fazer desporto com regularidade fui assolado por lesões, sendo a mais desesperante o "Joelho de Corredor" ou Síndrome da banda iliotibial. Entre Março e Maio estive 8 semanas praticamente parado o que quase me levou à loucura. Até ficarmos incapacitados de treinar não damos valor ao simples acto de calçar as sapatilhas e correr. Nos restantes meses torçi o pé pelo menos 3 vezes, tive uma contracção no gémeo e andei 2 meses com uma dor no pé esquerdo que penso que terá sido uma fratura de stress num metatarso.

Bom, porque não só superei grande parte dos meus objectivos como completei outros que nem sonhava no inicio de 2013. Alcancei a minha melhor forma de sempre e participei em 26 provas, um aumento de quase 500% em relação ao ano anterior. Queria correr 1000km e fiz 1843km em 154h (média de 5'01''/km).


Pode dizer-se que este ano teve 3 andamentos.
Vivace: Entre Janeiro e junho participei no Torneio das Localidades de Oeiras. Foram 14 provas muito interessantes, que devido à relativa curta distância e aguerrido nível competitivo eram autênticas provas de velocidade. Nestas provas o coração ia sempre no red line e consegui as médias de velocidade mais rápidas de sempre em prova.

Andante: Nos finais de Junho meti na cabeça que iria correr uma Maratona e no meses seguintes foi tempo de treinar para isso. O objectivo passava então pelo aumento da distância percorrida e a velocidade ficou para segundo plano. Quando antes considerava um treino de 15km como longo  e algo apenas feito nas vésperas das Meias, passou a ser um treino de recuperação dos treinos verdadeiramente longos de fim de semana. Fui progressivamente aumentando a distância até culminar no grande dia 6 de Outubro quando corri a Maratona em menos de 4h (espero que o meu professor de Educação Física esteja a ler este post, o aluno a que dava sempre 3 correu uma Maratona!).

Adagio: Depois de toda a emoção e persistência do treino para a Maratona fiquei um pouco apático, e entre outros afazeres acabei por me desleixar um pouco. Novembro foi um dos meses com menos km's mas foi tambem o mês em que descobri a emoção do Trail. Começou com um treino à "Hora do Esquilo" e culminou com a grande Corrida do Monge.

Para 2014 só espero poder continuar, este agora, estilo de vida e com ajuda da minha família continuar a desfrutar do prazer de correr.

Bom 2014 para todos e boas Corridas!


segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

Corrida do Sporting 2013 - 01 Dezembro 2013

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Sim, estão a ler bem, este é o meu report da Corrida do sporting... Quase um mês depois... E incompleto... Podia colocar as culpas na falta de tempo (o que é verdade), ou na época festiva (o que também é verdade) ou ainda no Blogger andar a boicotar-me (infelizmente também é verdade, passo a vida a ver "Ocorreu um erro..."). Mas a realidade é que tenho andado muito preguiçoso para escrever. Às vezes pergunto-me porque carga de água é que decidi escrever um blog quando o acto de escrever é em mim tão natural como um elefante a andar de bicicleta... Enfim...
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Não, não sou sportinguista, nem tive um episódio de esquizofrenia (à lá interprete de linguagem gestual)... Conhecem a expressão "Só fazia isso se me pagassem...", pois... Por diversas vezes a utilizei para esta corrida no passado e desta vez alguem decidiu cobrar o meu bluf. Forreta Poupado como sou era para mim impossível não ir participar numa prova à borla, e por isso lá tive de engolir em seco e ir para Alvalade no Domingo de manhã.
Eu bem tentei colocar um fundo lindo mas mesmo assim não foi suficiente... ;)
Era suposto ir com o meu sogro, que também faz umas corridinhas mas nunca participou em provas. Ele é sportinguista e seria a oportunidade ideal, mas na véspera não pode ir e fiquei com um dorsal a mais. Ir à prova já seria um "sacrifício", mas ir sozinho seria desumano. Qual seria a companhia ideal? O meu amigo benfiquista Duarte! Até parecia uma daquelas piadas: "Era uma vez um benfiquista, um Portista e 4000 sportinguistas...".

Entre o empeno da Corrida do Monge, um pico de trabalho, as consultas pré-nascimento e o nascimento da Mafalda, não tinha treinado muito nas semanas anteriores à prova e como tinha desafiado o Duarte decidi que iria fazer a prova com ele.

Não tinha pesquisado muito sobre a prova mas lembrava-me vagamente de ler que a corrida terminava dentro do estádio, e isso era o pormenor que tornava esta corrida interessante.

Cedo começaram as desculpas: "Ah e tal não corro há muito tempo, estou com o nariz entupido... Mas quando as pernas começaram a mexer conseguimos manter um bom ritmo. Isto claro depois de termos parado ao fim de 300m devido a um afunilamento incompreensivel logo a seguir ao portico da partida. Aliado a termos saido no bloco  "+60min" o 1ºkm foi feito nuns estonteantes 6'13''. No entanto, nos km's seguintes conseguimos manter-nos em torno do 5'30''. Ainda não era desta que iamos atacar os 50min... mas para a proxima não há desculpa!
Nos 1ºs km (ainda havia sorrisos) e sim, sou o gajo com a tshirt da cor mais linda... 
A prova teve duas fases: a ida em que o Duarte falou o tempo todo e a volta em que eu ia tentanto manter uma conversa para me certificar que ainda lhe chegava oxigénio ao cérebro...

A vantagem de termos partido tão atrás é que fomos ultrapassando atletas toda a prova o que é sempre motivador. Para além das personagens já habituais nestas provas, achei imensa piada a duas atletas que envergavam tshirts da corrida do benfica... Fiquei indeciso se seria um acto de coragem ou um ímpeto suicida...
Perto do km8 onde já escasseavam os sorrisos...

Terminámos ao sprint em 55'10''. Logo ao passar a meta travagem brusca visto estar uma multidão na zona da chegada... Esperámos e esperámos ao frio e eu já imaginava os brindes fantáticos que nos esperavam depois de tão grande espera... uma água, uma maça e um copo de bebida isotónica... Sem comentários.

Mas o pior foi mesmo termos ficado do lado de fora do estádio. Se era apenas para correr na Avenida da Républica há bastantes alternativas...

Muito obrigado ao Duarte por me ter feito companhia o que tornou esta prova uma das mais divertidas de 2013.

Já agora também estou farto de dizer que só vou à corrida do benfica se me pagarem... Só para o caso de haver alguém interessado em patrocinar a minha participação. ;)


segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

21ª Corrida do Monge - 17 Novembro 2013

Mais uma prova de trail e mais um valente empeno...

Desde que comecei a ler blogues de corrida (o que fez começar a  fervilhar a ideia de fazer trails) que tinha em mente correr a Corrida do Monge. Por ser perto, por ser curto, tinha as características ideais (pensava eu) para me iniciar no mundo do Trail. Acabei por fazer a iniciação ao trail um pouco mais cedo na Pampilhosa da Serra, mas a prova de Domingo foi uma perspectiva completamente diferente.
A foto para a posteridade, desta vez antes da prova.
Depois de uma semana sem correr por causa do entorce no pé, a semana anterior à prova optei por me controlar e ficar-me pelo alcatrão e pela passadeira de forma a não fazer nenhuma asneira que pudesse comprometer a tão esperada Corrida do Monge.

No Domingo foi dia de acordar cedinho e carregar com toda a família para a Malveira da Serra. Chegámos cedo e o processo de levantar o dorsal foi instantaneo, sem esperas, sem stress e sem tecnologia. Um simples dorsal com um código de barras. Foi este o mote para toda a logística da prova: simples e eficiente.

Às 10h30 é dada a partida e começa a aventura. Esta prova tem provavelmente o início mais brutal de todas as corridas que já fiz. São 4,5km de subida praticamente contínua com um D+ de 340m, sempre em terreno "corrivel". Praticamente desde o início que se viam atletas a andar, mas eu teimei em correr quase até ao fim da subida, ultrapassando imensos pelo caminho.
A partida: onde está o WallyRui?
Chegámos ao primeiro abastecimento e aqui surge a minha única critica à organização. Estavam a distribuir garrafas de plástico mas não havia (ou pelo menos não os vi) sítios para as recolher. Ainda pensei em levá-la nos calções, mas o mais certo era ir cair a meio do percurso o que era ainda pior. Optei por colocá-la no chão ao lado do voluntário, ao menos estava fácilmente acessivel.

No abastecimento ia ao lado de uma senhora que o voluntário teve a gentileza de dizer que era a 6ª classificada. E porque é que estou a partilhar esta informação aparentemente irrelevante? Já vão perceber.

O pelotão ainda compacto a meio da subida.
Tudo o que sobe tem de descer e a Serra de Sintra não é exepção. Mal passámos o topo da subida entrámos em trilhos propriamente ditos que nos acompanharam até praticamente ao 10km. E aqui começa a adrenalina e a grande diferença para a minha outra experiência em trail. Na Pampilhosa também havia grandes descidas, mas o caminho era maioritariamente estradões de terra. Aqui o terreno era muito irregular, cheio de raizes, pedras e socalcos que formavam por vezes uma espécie de degraus infernais.
Foto do FB da Sirjim. Não sou eu mas é para ficar com recordação dos "degraus".
Eu bem tentei acompanhar mas aos primeiros avisos do meu tornozelo, diminui a intensidade e passei para o modo super cuidadoso. Já não bastava ir cheio de medo que o pé me falhasse, mas comecei a sentir gente atrás de mim, sempre a pressionar e literalmente a voar-me por cima sempre que existia a minima oportunidade. Muitos deles reconheci-os, tinha-os passado na subida quando já iam a passo. Detesto sentir-me pressionado, tenho sempre a sensação que estou a estorvar. Ainda me sentia pior quando eram senhoras que estavam atrás, porque sabia que estavam a lutar pelo TOP10 e respectivo prémio. Tentava sempre ceder passagem mas nem sempre era fácil fazê-lo em segurança.
Foto do FB da Sirjim. Não sou eu. Na minha escala o nivel técnico desta prova: Bem acima das minhas capacidades.
O percurso eram lindíssimo, se bem que "senti" mais do que efectivamente "vi", porque os olhos não podiam sair do metro quadrado de chão à minha frente. Se não fosse o constante receio de lesão teria aproveitado muito mais. Só me vinha à cabeça o treino que fiz em Monsanto, só que numa escala gigante. Já ansiava pela famosa rampa para poder finalmente relaxar um pouco.

E ela lá chegou, e que "bela" subida. A parte mais interessante era a forma sádica com que brindava os iniciantes que como eu a "corriam" pela primeira vez. A cada segmento de inclinação absurda surgiam uns metros planos que permitiam correr, e nos faziam crer que o pior já tinha passado, apenas para nos depararmos a seguir com outra parede para escalar. Mais uma vez me veio à cabeça a imagem dos carrinhos de corda da infância: aperta, aperta, aperta para depois gastar toda a energia potencial numa corrida louca.

Após a conquista do monte foi tempo de iniciar a descida para a Meta. Rápidamente os trilhos deram lugar a estradões e depois a empedrado. Oh bendito empedrado que por esta altura parecia um piso super regular. Aqui mais confiante, com a inclinação a meu favor dei largas às pernas e cheguei a Janes com as endorfinas a bombar.

Episódio caricato mesmo a terminar. Vejo a minha família perto da meta e preparo-me para o habitual sorriso quando sou albarroado por um atleta (que tinha passado na descida vertiginosa) que quer ultrapassar-me violentamente. Já me tinha acontecido algo semelhante no troféu das localidades, mas aí cada posição valia pontos e para quem estava a competir por equipas podia ser relevante. Neste caso não. Queria aqui felicitar o sr. 536 pelo seu espectacular 195º lugar que nada tem a haver com o meu decepcionante 196º.
Mais uma vez obrigado ao Sr. 536 por este momento sem o qual este post não teria a mesma piada.
 Depois foi receber o saco com as lembranças e o famoso pão com chouriço. Tinha lido que haveria balneários disponiveis e decidi proveitar. Balneários talvez seja uma palavra demasiado complexa para descrever o local, mas permitiu limpar o corpo com um revigorante duche de água fria. Obviamente que isto sou só eu, menino de ginásio, que não está habituado à dureza da corrida em montanha.

Gostei imenso desta prova e quero muito cá voltar, de preferência sem o "medo" dos problemas físicos.