sábado, 5 de abril de 2014

Trail Me Up 2 - a "Surpresa"!

Ontem quando cheguei a casa tinha uma surpresa. Chegou finalmente a minha prenda de aniversário por parte das minhas filhas.

Foi uma decisão difícil! A Margarida, com a autoridade de irmã mais velha com 4 anos dizia que deviam comprar ao pai umas Asics. A Mafalda, mais nova mas muito perspicaz para os 4 meses que tem, sugeriu que o pai merecia algo mais adequado às exigências dos trilhos e por isso deviam comprar umas Salomon. A Mafalda levou a melhor mas a Margarida escolheu a cor! E isto tudo obviamente sem o pai saber, e que ficou tão surpreso com a encomenda como a mãe!
Tão lindinhas e limpinhas... mas não por muito tempo!
Só é mesmo pena terem chegado na véspera da primeira insanidade, Trilhos de Almourol. E não, não sou louco o suficiente para ir estrear umas sapatilhas novas num prova de 42km. A estreia ficará reservada para uma ida a Monsanto assim que o empeno que seguramente surgirá amanhã desvanecer.

A todos os que vão amanhã participar em provas, boa sorte! Sejam elas em estrada ou em trilhos!

quarta-feira, 2 de abril de 2014

24ª Meia Maratona de Lisboa - 16 Março 2014

Este ano fui feliz na Meia Maratona da Ponte! Ok, sofri que nem um maluco durante 21km e depois fui muito feliz em Belém (depois sofri novamente para conseguir sair mas isso é outra história).
Não não é uma selfie, o fotografo é que queria tanto centrar a ponte que quase me falhava a mim!
Depois do fiasco do ano passado queria muito voltar a correr esta prova. Tinha umas contas a ajustar e um objectivo a cumprir. Esta prova é muito especial para mim, foi onde corri a minha primeira meia maratona o que constituiu na altura uma superação quase inimaginável. Há quem não goste ou porque é muita confusão, ou a logística do transporte é complicada , ou é cara. Obviamente que é muita gente mas é isso que torna a prova tão especial. É a oportunidade de termos um cheirinho das grandes provas internacionais aqui mesmo no nosso cantinho. É uma festa e por isso deve ser encarada como tal.

Não tinha voltado a tentar correr uma meia maratona e por isso o objectivo mantinha-se o mesmo, fazer em menos de 1h35. Era um objectivo ambicioso, tendo em conta que o meu RP estava em 1h40m e não fiz qualquer treino especifico para esta prova, a minha mania agora é mais trilhos...

Tal como nos últimos anos não tive grande dificuldade em chegar ao Pragal. Saí relativamente cedo de casa, fui "gratuitamente" de comboio da CP até ao Cais do Sodré, metro até ao Areeiro e novamente comboio para o Pragal. Sempre sentado e descontraidamente cheguei à estação pouco depois das 9h. Ai encontrei-me com uns amigos que também iriam participar. O meu chaganço não foi suficiente para convencer o Duarte a ir para a prova maior mas o Jorge fez a sua estreia em grande! O Jorge é um exemplo de resiliência. No inicio do ano meteu na cabeça que ia correr os 21km, definiu um plano, executou escrupulosamente o mesmo e no dia cumpriu impecavelmente!

Os grandes atletas na espera pelo apito da partida!
Com companhia e na conversa a espera no tabuleiro passou rápido e em menos de nada estávamos a começar a avançar aos poucos. Era altura de tentar desentorpecer as pernas após a espera em pé e rever o plano para atacar a 1h35. Na realidade era bastante simples: 1) sair como um louco; 2) aproveitar cada centímetro de descida até Alcantara e "acumular" o máximo de segundos; 3) Tentar manter um ritmo em torno dos 4'30/km e "perder" o mínimo de segundos possível.

Mais uma vez não me posso queixar muito da partida, no entanto, foi um grande ponto de reclamações e confusões. Fazer uma partida simultânea de 40000 pessoas é no mínimo irrealista. Mesmo as 10000 da meia já é complicado. Mesmo nas grandes competições internacionais com o número semelhante de participantes a partida é efectuada por vagas. Claramente um dos pontos que a organização devia rever.

Após 3 longos minutos lá passei o pórtico da partida e comecei a correr. Como habitualmente a confusão inicial é muita mas entre sprints e travagens, ultrapassagens "in extremis" e utilização criativa da parte metálica do tabuleiro, lá consegui engrenar no ritmo planeado. Os meus pés não estavam a gostar nada de correr na grade e sabia que todas estas maluquices iam ter um preço mas nesta altura só esperava que não fosse demasiado alto. 

Felizmente quando cheguei à descida já tinha algum espaço e alarguei a passada ao máximo. Ainda pensei em ignorar o 1º abastecimento mas estava algum calor e optei por pegar numa garrafa... e a seguir choquei com um homem que decidiu parar assim que pegou na dele... Grrrr... A partir daqui decidi que apenas iria aos abastecimentos se tivessem "livres" o que me levou a passar quase metade deles. Alguém se lembrou de mim quando serviram o isotónico em copos? :-)

No km 6 passei pelo Sílvio. Não tínhamos combinado nada e fiquei super contente por o encontrar. Trocamos algumas palavras e às tantas ele fala no ritmo médio e eu lá carrego no relógio para ver: 4'12/km Uau! Não estava à espera que fosse tão bom! Isso deu-me motivação extra e após o Sílvio insistir um par de vezes lá continuei na minha demanda.
Concentradissimo! Inspira... Expira...
O retorno no Cais do Sodré foi uma boa novidade deste ano. Em termos "turísticos" é pena não passar no Terreiro do Paço, mas tudo o que evite correr no empedrado da Ribeira da Naus é uma decisão vencedora (o ano passado foi lá que o meu joelho deu o crack final...). Com a inversão de direcção o vento passa a fazer sentir-se e aliado ao desgaste inicial o ritmo vai progressivamente a diminuir. Mesmo assim ainda consigo passar a marca dos 10km em 42'34'' o que é menos 14s que o meu melhor tempo na distância.

Os 7km seguintes são um longo e tortuoso caminho até quase à Cruz Quebrada, fruto do retorno antecipado. Está é sempre a parte mais difícil, quando as forças já começam a faltar. Passamos pela zona da meta e apesar de estar ali tão perto ainda está tão longe. Mas este ano o que mais me afectou foi mesmo ver os atletas mais rápidos já no retorno. Talvez influenciado pelo corrida da semana anterior em que até ao retorno não havia muita gente já a regressar, aqui eram aos magotes. Felizmente mais uma vez tive um apoio muito especial das minhas três flores na zona de Belém que me ajudou a ultrapassar esta fase.




A corrida necessitava de toda a minha concentração, e à mais pequena distracção o ritmo teimava em abrandar. Tive de deixar de tentar olhar para as caras para ver se via alguém conhecido e focar-me apenas no acto de colocar uma perna à frente da outra. Houve muito sofrimento nesta fase e ver atletas deitados no chão a serem assistidos pelos paramédicos a cortarem a tshirt com uma tesoura não ajudou nada.

E como sempre o retorno chega de surpresa e parece que ganho novo fôlego (provavelmente pelo vento ter ficado a favor). Embora eu não consiga ver ninguém oiço chamarem por mim, primeiro o Sílvio e depois o Jorge e isso dá-me uma força incrível. Vou progressivamente aumentando o ritmo e passo o 20km em 1h29m.Sinto uma onda de felicidade dentro de mim, a não ser que aconteça um cataclismo vou conseguir cumprir o objectivo, pela primeira vez na prova acredito que vai ser possível!

Obrigado Duarte! Vamos lá sprintar!
Acelero ainda mais e a 400m da meta oiço alguém a chamar por mim, era o Duarte que entretanto já terminara a sua prova. Largo num sprint e termino a prova em grande. Desta vez até me lembro de levantar os braços e festejar, infelizmente não havia ninguém para captar o momento. 
E já está! Fui feliz em Belém!
1h34m05s, novo RP e quase menos 1min que o objectivo!
Vejo a Inês com as meninas atrás das grades mas levaria ainda quase 30mim para conseguir finalmente chegar ao pé delas. Felizmente encontrei o Filipe e fomos na conversa no longo caminhar até à saída. Até compreendo a intenção da organização de criar um espaço amplo para os participantes poderem esperar pelos colegas, mas devia haver mais saídas, e localizadas mais perto da meta. Quando finalmente consegui sair estava longe da meta e já não consegui ver o Jorge a chegar.

Fiquei super feliz com esta prova e nem toda a confusão de gente afectou a minha experiência. Nos dias seguintes quando me perguntavam sobre a prova dizia que este seria o meu RP da Meia Maratona para sempre, que não voltaria a sofrer naquela maneira para tentar bater o tempo. Como levei tanto tempo a escrever, agora já não tenho tanta certeza... :) 

De qualquer maneira  agora chegou a altura de mudar de chip e nos próximos meses dedicar-me a outro tipo de terrenos e distâncias...
Com todas as minhas medalhas!

terça-feira, 11 de março de 2014

Corrida das Lezírias 2014 - 9 Março 2014

E assim mais ou menos de surpresa surgiu a oportunidade de este Domingo ir correr a Vila Franca de Xira a Corrida das Lezírias. Foi mais uma prova que corri pelo Clube TAP.  Já tinha ouvido falar desta corrida mas,  como a maioria das corridas de estrada este ano, não estava nos meus planos. Ok, não é exactamente uma prova de "estrada", uma vez que uma grande parte do percurso é num estradão de terra batida, mas não deixa de ter o impacto e o esforço continuo associadas às provas de "estrada".

Com uma distância anunciada de 15,5km seria a minha primeira prova na distância e um excelente teste para a prova da próxima semana, essa sim nos meus planos para este ano e onde tenho umas contas a ajustar. Mas isso é outra história...
As lembranças numa cor espectacular!
O plano era carregar com a família toda e irmos passear para as lezírias, mas entre a logística familiar associada a um bebé e o tempo algo encoberto, acabei por ir sozinho. Embora o tempo não estivesse propício para passeios familiares estava perfeito para correr: nublado e fresquinho.

Até saí cedo de casa, mas entre enganar-me no caminho, não conhecer Vila Franca e ter sido um stress para estacionar o carro cheguei à partida quase em cima da hora. Ainda por cima nem tinha o dorsal, uma vez que tinha combinado que mo entregariam antes da prova. Detesto chegar atrasado onde quer que seja, e detesto ainda mais ficar stressado antes da prova. Felizmente cheguei mesmo a tempo de pegar no dorsal, montar o sistema de telemetria e ainda deu para dizer um olá a algumas caras conhecidas!
"Vá lá David, é para o blog!"
O plano era simples: engrenar na velocidade com que pretendo fazer a Meia e ver se aguentava os 15,5km. A realidade foi um pouco diferente. Mesmo sem fazer qualquer aquecimento, a adrenalina da partida voltou a ser mais forte, e nem os dolorosos paralelepípedos ou a subida(inha) da ponte impediram que os primeiros 5km fossem feitos a uma média de 4'11''/km. Logo após a ponte, um senhor do "VIEIRENS" coloca-se ao meu lado (ou eu coloquei-me ao lado dele...)  e existe claramente um sicronizar de passadas e lá vamos os dois a fazermos de lebre um para o outro.

Por esta altura passamos pelo primeiro abastecimento e tenho a primeira surpresa do dia, passam-me para as mãos uma garrafa de 75cl! Parecia mesmo que tinham lido o meu último post sobre o desperdício de entregar garrafas, e feito exactamente o contrário! Acho que até para quem gosta de carregar com a garrafa, com aquele tamanho não dá muito jeito. Bebi um gole, refresquei a cabeça e forcei-me a beber mais um gole porque me estava a fazer doer a alma jogar fora a garrafa quase cheia...

Após o abastecimento perdi um pouco de momento e comecei a sentir-me cansado. Optei por reduzir um pouco o ritmo e os 5km seguintes foram feitos a 4'25''/km. O meu "companheiro" improvisado lá segue mas nunca o deixo de ver e mesmo sem ter noção continua a ser a minha lebre. Aproxima-se o ponto de retorno e começo a ver os atletas já no regresso. Chego ao retorno e tento distrair-me a ver se vejo alguém conhecido. Ainda grito uns "força" mas as pernas começam a protestar e tenho de me focar apenas no acto de correr. 



Uma das lições desta prova foi a questão da alimentação, não levei nada para comer. Actualmente nos treinos até 15km ou 1h30 não costumo levar nada, algumas vezes quando não há fontes nem água bebo. Mas numa prova a este ritmo e tendo em conta que tomei o pequeno almoço muito antes que o habitual , comecei a sentir fraqueza e a sonhar com uma banana ou um cubinho de marmelada. Provavelmente não teria grande efeito físico, mas psicológico de certeza que teria! Para a semana vou levar sólidos comigo!

Dei por mim a olhar para os montes do outro lado do rio e imaginar como seria estar a trepa-los! Claramente a minha cabeça está noutra onda...

Passo novamente o abastecimento e considero seriamente se pego noutro garrafão ou não. Mas o facto de estar com a garganta seca, com fome e estar a desmotivar  um pouco leva-me a aceitar.
Em pleno sprint final! (foto João Lima)
O estradão dá lugar ao alcatrão e começa a subida para a ponte. Embora o ritmo baixe um pouco, sinto-me novamente com força. Ultrapasso alguns atletas e fico muito confiante. Assim que passo o ponto mais elevado alargo a passada e saio disparado pelas ruas de Vila Franca a o ritmo em torno do 4'/km. Continuo a ultrapassar atletas, inclusivamente o meu "companheiro". Quando contorno a praça de Touros ainda tenho energia para um sprint final.

Segundo o meu relógio corri os 15,8km em 1h08m49s o que dá um ritmo médio de 4'21''/km, quase menos 10'/km que o objectivo. Fiquei em 230º da geral em 1356 atletas que terminaram a prova. Bati ainda o meu record de distância percorrida em 1h, 13,79km.

Claramente muito satisfeito com a prova!
Assim que passei a meta, recebi o saco das lembranças, uma nova garrafa de 75cl de água que aqui muito agradeci, e quando reparo na mesa com fruta vou disparado comer meia banana e dois gomos de laranja porque estava faminto!

Gostei imenso desta prova. Não estive muito tempo no recinto, cheguei em cima da hora e depois estava vento e com a tshirt enxarcada apressei-me a regressar para o carro, mas gostei do ambiente e do recovery. Gostei de, mesmo chegando em cima da hora, ter conseguido colocar-me na partida numa posição que me permitiu correr logo ao meu ritmo (e podia perfeitamente ter ido ainda mais para a frente). Gostei de ver os campinos ao longo do percurso embora tenha ficado "decepcionado" de não ter visto um único gado vacum. Mas acima de tudo gostei porque me deixou super motivado e confiante para o grande objectivo da Meia Maratona! 

quarta-feira, 5 de março de 2014

Copo de papel e os abastecimentos

Tenho lido por essa blogosfera fora alguns comentários menos positivos sobre os abastecimentos em copos de papel, nomeadamente no rescaldo da Maratona de Sevilha. Embora seja pouco usual cá no nosso rectângulo é muito comum nos grandes eventos internacionais.

Eu também era um céptico, mas quando estava obcecar preparar a Maratona vi centenas alguns videos sobre tudo o que estivesse minimamente relacionado com a prova. E ao contrário de outras figuras mitológicas que não fizeram parte da Maratona de Lisboa (como a linha azul ou as esponjas), a bebida isotónica foi distribuída em copos de papel e a coisa correu bem muito graças ao facto de ter visto este video.


Obviamente que a parte de receber o copo do voluntário não se aplicou aos copos porque estavam pousados nas mesas (embora o "truque" seja útil quando recebemos as garrafas) mas a técnica de "fechar" o copo e fazer um funil é muito boa.

Pessoalmente acho que os copos são melhores que as garrafas (principalmente porque nunca carrego as garrafas enquanto corro). Têm uma quantidade menor e por isso não há tanto desperdício (eu quase nunca bebo a garrafa toda e acabo por deitar fora ainda com água o que me faz doer o coração), produzem menos lixo e principalmente NÃO TÊM TAMPAS! :)

domingo, 23 de fevereiro de 2014

Insanidades II - A Sequela

Claramente há algo de errado na minha cabeça esta semana... Talvez seja um vírus ou assim...

Pois bem, quase que ainda não tinha clicado no botão para publicar o último post e já andava a navegar na internet nos sites de outras provas. Enquanto a parte racional do meu cérebro se lastimava com a sua má sorte, a metade emocional lia com um nervosinho electrizante que o prazo para a inscrição numa outra prova estava quase a terminar...

E no mesmo dia em que me deu a preguiça e não fui fazer o treino longo que tinha planeado, inscrevi-me em mais uma prova, tipo terapia de choque...
Espero ter um final como o da Pampilhosa: Feliz, exausto e com recepção apoteótica!
E não numa prova qualquer. Aquela que será o meu maior desafio até ao momento e que vivia no meu imaginário desde Outubro.

Lembro-me, há pouco mais de um ano, ver uma reportagem sobre um homem que corria ultras e pensar que aquilo não era para mim. A minha onda eram mais 10km e de preferência aquelas com as tshirts mais vistosas :) Agora, desdenho as provas populares e acabei de me inscrever naquela que será a minha primeira ultra maratona, isto claro se conseguir chegar ao fim! (sim, tornei-me um snob da corrida...)
UTS - Ultra Trail de Sesimbra (ai... ai... ai... onde me fui meter...)
A parte racional do meu cérebro entrou em choque e recolheu-se no recanto mais escondido da minha psique e a parte emocional está a escrever este post! Estou super entusiasmado com a ideia de ir correr 55km. Só espero que tenha pernas para tal e não esteja a meter "a carroça à frente dos bois". Ainda à alguns dias estava temeroso de fazer 42km... Por outro lado, se Almourol não correr bem tenho ainda algumas semanas para trocar a inscrição para a prova mais pequena ;) 

Obviamente que tenho aqui de deixar uma mensagem para o "culpado" de todo este frenesim de inscrições: a 3 de Maio vamos ser ultras! (pensamento positivo)

E noutro tópico igualmente interessante (para mim, óbvio!). Na sexta-feira fiquei com o ego do tamanho do Mundo! No treino à "Hora do Esquilo", no final do treino, vem ter comigo um rapaz que me pergunta se sou o Rui, porque segue o meu blog! Obviamente que fiquei super inchado. Pela primeira vez alguém que eu não conhecia me reconhecia a mim por causa do blog! Obrigado Francisco, fizeste o meu dia!

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

Insanidades

Esta semana deu-me um momento de insanidade. 

Utilizo esta foto do UTSS para me motivar para os próximos desafios... 
Há algumas semanas que andava a incubar a ideia de participar numa prova de trilhos assim um pouco maior. Mas o lado mais racional do meu cérebro levava sempre a melhor e a mão acabava sempre por clicar na cruzinha no topo direito da página web do evento. 

Embora ande a treinar com alguma intensidade não tenho feito grandes treinos longos. A parte mais complicada é que um treino longo em trilhos implica muito muito tempo, algo que não posso dispensar de momento. Posto isto já estava mais ou menos resignado iria deixar passar a data limite e assim acabaria o dilema. 

Mas num volte face, a minha adorada e muito compreensiva mulher acedeu ao meu "comentário casual" sobre o meu "ligeiro" interesse em participar na tal prova. Um desejo ardente começou a consumir-me por dentro e quando no facebook alguem publicou que apenas restavam 15 inscrições, qual vulcão em erupção, num momento de insanidade fiz algo...

Alguns minutos depois recebia este email...
E pronto, estou inscrito nos trilhos do Almourol versão Maratona...

Será a maior distância em trilhos que já corri e a segunda  vez que irei correr os míticos 42km. Por uma questão de preservação estou a mentalizar-me que 42km em trilhos não é exactamente o mesmo que a "Maratona". Sei o quanto treinei o ano passado e o estado em que cheguei à meta. Agora não vou ter nem de longe a mesma disponibilidade de treino e dai a tentativa de mentalização. Por enquanto está a resultar... vamos lá ver a 6 de Abril...

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

II Trail Running Bucelas - 02 Fevereiro 2014

Já passou uma semana e ainda não escrevi uma linha sobre esta prova. Sinto as memorias lamacentas e escorregadias a deslizarem da minha psique. Ou isso ou estou a interiorizar aquilo que mais fiz em Bucelas: Escorregar!
Aqui ainda estava tudo limpinho e com as sapatilhas sequinhas!
Estava super ansioso por esta prova. Não só devido ao recente interesse no trail, sendo esta a prova mais longa em trail em que participei, como,  na semana que antecedeu a prova, toda a gente falava da prova e de como era a 1ª edição tinha sido espectacular. Tinha as expectativas bem lá no alto e foram completamente preenchidas.

No entanto, na véspera tive uma quebra na motivação, com a mensagem do Sílvio a avisar que não iria à prova. Como referi no post anterior tenho andado a treinar bastante com o Sílvio e uma pessoa habituasse a ter companhia, principalmente quando temos andamentos semelhantes e sentimos que não estamos a atrasar ou a pressionar o outro (não sei se tens a mesma percepção mas espero que sim! :) ).

Mesmo antes de sair de casa assombra-me a indecisão: Levo ou não mochila? Encho a bolsa de água com os 2L ou apenas com 1L? Confio nos abastecimentos sólidos ou levo mantimentos? Visto o corta vento ou levo apenas a camisola?  Levo a badana ou o chapéu? (Esta claramente a mais importante decisão!) Dado a minha "limitada" experiência e porque as minhas aventuras recentes foram em autonomia total acabei por levar  a mochila  com 2L de água , comida para 2 e o corta vento foi enfiado à pressa dentro da mochila segundos antes da partida.
Sharam! Acabei por levar a badana vermelha! Ponto positivo: foi fácil identificar-me nas fotos, era o tipo que parecia um fósforo!
Pensava que iria chegar com bastante tempo a Bucelas, mas acabei por não ter tempo para muito. Entre arranjar lugar para o carro, levantar o dorsal, voltar ao carro para equipar e voltar para a partida era quase hora. Ainda deu para trocar 2 dedos de conversa com alguns dos muitos bloggers que marcaram presença assim como pessoal dos "Esquilos".
Onde está o fósforo? :) (Hint: entre os ramos da árvore)
(Foto FB Grupo Bucelas Aventura)
Como sempre, assim que foi sinalizada a partida, um espírito competitivo apoderou-se de mim e lá fui eu a assapar. O facto do 1ºkm ser em alcatrão ajudou a fazer o km mais rápido de toda a prova. O alcatrão deu lugar a um estradão e aqui começaram a surgir as primeiras "pocinhas" que toda a gente se esforça por contornar.
Vou levar isto na descontracção e apreciar o caminho...ZAZ...ACELERAR, TESTAR LIMITES, DAR TUDO...
(Foto FB Grupo Bucelas Aventura) 
Como se pode ver pelo estado das sapatilhas ainda estávamos bem no inicio!
(Foto FB Grupo Bucelas Aventura)
Do estradão passamos para um carreiro apertado onde evitar molhar o pé se torna algo passível de ter isto como banda sonora. A partir daí foi a loucura em forma de lama. Havia para todos os gostos, consistências, cores, viscosidades e odores.
Speedy Matchstick!
(Foto FB Grupo Bucelas Aventura)
Mantenho um ritmo (demasiado) elevado e rapidamente desisto de me desviar da lama, passando a optar por evitar apenas as zonas muito más. Cedo se veem atletas a perder sapatos no lamaçal e uma ou outra queda (que eu tenha visto nunca nada de muito grave). Nesta fase não consigo apreciar muito as vistas uma vez que é necessária toda a concentração para não ir parar ao chão. É também neste período que muitas vezes bendigo as minhas Brooks GTX, devido à tracção que não me atraiçoou e à impermeabilidade que manteve os meus pés bem sequinhos!
À saída de um dos túneis, não se vê mas à frente estava uma parede de lama para escalar.
(Foto FB Grupo Bucelas Aventura)
Durante 10km o espírito competitivo viveu em mim, mas foi exorcizado na primeira grande subida quando foi expulso pelo espírito de sobrevivência. Estes primeiros 10km foram feitos em 1h02, mas nesta subida percebi que não poderia manter o mesmo ritmo. Foram pouco mais de 600m com 40m de ganho, mas foi uma das subidas mais exasperantes que alguma vez fiz. A lama era mais que muita, e cada passo em frente era acompanhado com meio metro de deslize para trás... O trilho já estava completamente inutilizado e a única forma era utilizar a erva lateral para aumentar a tracção. E eu devia ir na 1ª metade do pelotão, nem imagino como terá sido depois de 600 pares de pés passarem por lá...

Muitas vezes, durante a subida, pensei no que poderia ser pior que aquilo... A resposta chegou rapidamente, quando, após a passagem no topo da colina, começámos a descer... por um trilho igualmente enlameado... Li algures alguém comentar que a prova parecia uma sessão de "Jogos Sem Fronteiras", foi esse exactamente o meu pensamento nestes km's. Na verdade apenas custaram os 1ºs metros, porque depois foi necessário desligar o filtro da sanidade e deslizar trilho abaixo.
Quase conseguia ouvir o Denis: "Attention! Prêts! Piiiiiii!" E vá de malta a escorregar.
(Foto FB Grupo Bucelas Aventura)
Ao km 13 dá-se a separação entre a prova de 25km e a mais curta. Nesta fase já num ritmo mais realista (até porque seguimos por trilhos estreitos onde as ultrapassagens são difíceis e mesmo quando possíveis temos sempre uma boa desculpa por nos deixarmos ir ao ritmo simpático do colega da frente), aproveito para apreciar a paisagem. Não tenho bem a certeza mas penso que é mais ou menos nesta zona onde começam a surgir as primeiras placas a dizer "Perigo" e os primeiros obstáculos algo desafiantes. 
Um dos "obstáculos" com placa a dizer "Perigo"
(Foto FB Grupo Bucelas Aventura)
Passámos também num género de planalto com erva baixa onde não existe propriamente trilho, apenas um elemento da organização ao fundo a marcar o percurso. Foi uma sensação de liberdade incrível, e só me vinha à cabeça os vídeos do Kilian a saltitar pela montanha.

A placa dos 15km marca o início da grande subida. Foram 220m de ganho de altitude em pouco mais de 2km. Felizmente uma boa parte da subida foi feita pela encosta virada a Sul e por isso havia muita pedra mas menos lama. Aqui, apesar de estar a andar, foi das zonas onde ultrapassei mais atletas. As descidas continuam a ser o meu ponto fraco, mas nas subidas consigo colocar um bom ritmo. Já perto do topo, e uma vez que de qualquer maneira já vou a andar, decido tirar umas fotos.
Quase no topo da subida precisava de todo o ar disponível...
Perto dos 19km encontro o 3º e último abastecimento. Ainda não falei dos abastecimentos. Infelizmente ainda não consegui libertar-me daquela sensação que o tempo parado nos abastecimentos é tempo desperdiçado, e por isso não fiquei mais que alguns segundos em cada um. Em todos segui o mesmo modus operandi: comer um quarto de laranja, comer meia banana, agradecer aos simpáticos voluntários e siga que se faz tarde. Uma vez que não estava muito calor e tinha 2L de água às costas optei por não beber a água fornecida em copos de plástico. Na altura até nem achei muito mal, mas depois do FB começaram a aparecer alguns comentários mais negativos pelo facto de andarem copos espalhados pelo percurso. Infelizmente é algo que continua a acontecer, para mim jogar uma garrafa para o chão em provas de estrada já me faz confusão, quanto mais no meio da Natureza.
Mais uma para mostrar as eólicas bem ao lado do caminho.
Continuamos durante mais uns 2km no sobe e desce pelas cristas da serra até que por fim iniciamos a nossa descida, pela encosta virada a Norte. Retornamos a mais uma sessão de Jogos Sem fornteiras e lá vou a deslizar trilho abaixo. Até que surge uma placa a dizer "MUITO PERIGO" a vermelho e como se isso não fosse suficiente ainda estavam 2 elementos da organização a avisar que os próximos metros estavam muito perigosos e que era melhor irmos a andar...E efectivamente uns metros mais à frente surgia um lamaçal em forma de escorrega. À minha frente segue um senhor com bastões. Há alguns km que sigo atrás dele e me pergunto porque carga de água é que alguém leva uns bastões para uma prova desta. Pois bem, não sei se foi karma foi simples inexperiência minha, mas no escorrega o senhor lá foi com os seus bastões serenamente, eu, por outro lado, não consigo ter a mesma tracção e acabo com o cu no chão. Foi a minha primeira queda em trail. Tirando uns arranhões e umas mãos e um ego enlameado não teve consequências de maior. 

Consigo completar a descida sem mais quedas, mas fiquei um pouco desmoralizado e aliado ao cansaço, ao facto de ter as mãos com mais 2kg de lama e não conseguir beber água sem sujar o bocal, a concentração diminui e os 3km seguintes são os mais complicados, embora o percurso em si fique mais fácil. Para ajudar à festa, faço um pequeno entorçe do pé. Felizmente foi mesmo pequeno (ou então os ligamentos já estão tão flexiveis que já resistem às torções :) ) e após alguns metros de avaliação deixou de doer e consegui terminar sem mais problemas.



Os km finais são feitos nas margens do ribeiro, que estava mais que prometido que iríamos atravessar. Se calhar sou um "menino" e não estou preparado para o trail "hardcore", mas a verdade é que atravessar cursos de água não me atrai minimamente. Principalmente porque com as minha sapatilhas impermeáveis, ao ficarem submergidas no atravessamento, tornaram-se dois sacos de água que tive de transportar no último km. Efectivamente a água ia saindo e se calhar aquela é a sensação que qualquer sapatilha encharcada provoca, mas não gostei. Ainda por cima, sabendo a organização que aquele era um dos pontos altos da prova podia ter tirado fotos de toda a gente e não apenas dos primeiros. Assim fiquei com as sapatilhas encharcadas e sem foto para comprovar.
Não sou eu mas é para ficar com uma foto de recordação do Ribeiro.
(Foto FB Grupo Bucelas Aventura)
Os últimos metros em alcatrão pareciam surreais depois de 25km de lama e aproveitei para sacudir a maior  ao correr abaixo dos 5min/km.
A já banalizada foto do depois...
Terminei os 25,4km e 800m D+ da prova em 3h08m o que deu o 184º lugar da geral em 444 atletas que completaram a prova longa. Ao chegar tive de pedir a uma senhora da organização para me dar um biscoito, porque com as minhas mãos com kilos de lama não queria andar a chafurdar no tabuleiro.
A cara da chegada e os 2kg de lama da mão.
Adorei a experiência e fiquei ainda mais rendido ao mundo do trail. Levei o caminho de regresso a casa a pensar em qual será a próxima!