domingo, 4 de maio de 2014

Sou ULTRA!

(oficialmente...)


Era uma vez um louco que convenceu um maluco a fazer uma insanidade.

Com um calor demente e com uma preparação insensata meteram-se a correr por um caminho insano.

A sofrer como seria de esperar tiveram momentos em que perderam a razão.

Mas uma canja divinal trouxe o juízo para um nível de apenas alienação.

E mantendo um estouvado espírito de união o Ouro (a praia!) lá alcançaram!


PS - Após 9h40 ao sol era espectável que alguns (todos?!?) os neurónios tivessem fundido mas se souberem de mais algum sinónimo de loucura estejam à vontade de partilhar. 

quinta-feira, 17 de abril de 2014

5º Trilhos do Almourol (Maratona Trail) - 06 Abril 2014

É bom para estreias, diziam eles... É rolante e tens de ter cuidado com os entusiasmos, diziam eles... São "só" 42km, diziam eles... MAS COMO É QUE EU ME DEIXEI ENGANAR DESTA MANEIRA!

Efectivamente fazer a inscrição foi um acto de insanidade, mas terminar esta prova só veio confirmar o meu louco diagnóstico.

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Toda esta prova foi concertada com o Sílvio. Foi ele que me convenceu a inscrever e seria com ele que haveria de correr a prova. Na véspera da prova a logística da deslocação para o Entroncamento foi alterada drasticamente e acabámos por ir de boléia com uns companheiros de treino de Monsanto. Foi uma viagem muito divertida, sempre na conversa sobre temas variados, ou não... ;)

Chegámos ao Pavilhão com imenso tempo e deu para ir nas calmas levantar o dorsal, o que fiz quase instantaneamente. Já se vivia um clima de festa dentro da pavilhão. 
Vamos lá começar a tirar fotos que tenho um blog para sustentar...
Depois de uma frenética demanda por um wc livre lá voltei para o carro para equipar. Verifica e torna a verificar o material para ver se não falta nada. Parece que nem toda a gente leu a parte das instruções finais sobre a necessidade de levar um copo (que depois nem foi assim tão crítico porque a organização facilitou copos de plástico). Eu não tenho nenhum copo xpto todo profissional pelo que tive de levar um da minha filha que saiu numa refeição alegre. Mas devo dizer que funcionou muito bem e não incomodou nada durante a prova.
Tcharam! E com efeito holográfico e tudo!
Já a caminho dos autocarros que nos levariam para Martinchel encontrámos a Isa e o Vitor que aguardavam o outro autocarro para Constança. O ambiente no autocarro era animado e continuámos na conversa o tempo todo. Foi aqui que, com o passar dos kms para chegar à partida, começaram as dúvidas. Todo aquele caminho de ida que confortavelmente estávamos a realizar sentadinhos, teríamos que o fazer a pé...às voltinhas no sobe e desce...

A linha de partida era o portão do Parque de Campismo da Barragem de Castelo de Bode. Entrar no parque era o controlo 0 e como ainda faltavam alguns minutos para as 10h ficámos mais uns minutos na galhofa e depois de alguma insistência lá conseguimos tirar uma foto da equipa.
A grande equipa! João, Rui, Sílvio, Eu, Nuno e o Luís
Fomos ouvir o briefing da organização onde fomos informados que devido às chuvas o percurso iria ter uma pequena alteração e que iríamos ter "alguma" lama (as aspas fui eu que coloquei). Achei imensa piada à mochila do atleta que estava à minha frente no briefing.
Alguém que leva muito a sério o cargo!
E estava na hora. O orador inicia a contagem decrescente: 5 (Epá, afinal isto não é apenas estar na galhofa com amigos)... 4 (e colocar equipamento porreiro)... 3 ( e estudar até à exaustão o perfil vertical)... 2 (se calhar ainda vou ter que correr)... 1 (isto vai doer)... Beeeeepppppp! (Vamos lá pernas eu acredito em vocês!)

Mal se dá a partida metade do grupo sai desaustinado e só os veríamos na chegada já com o banho tomado. Eu o Sílvio e o João engrenamos num passo mais reduzido e acabaríamos por fazer toda a prova juntos. Os três primeiros km são de sonho. Correr sobre o paredão da barragem e depois descer mais de 120m em alcatrão até às margens do Rio Zêzere. Sempre na galhofa e a um ritmo controlado (porque afinal estávamos a correr uma Maratona) que mesmo assim foram os km's mais rápidos de toda a prova. À medida que relógio vai marcando os km, o pensamento é: Epá, se calhar isto até se faz!
Uiiiii. Epá , isto se calhar até se faz!
Perto do 3km saímos do alcatrão e entrámos nos primeiros trilhos, e logo ao fim de alguns metros paramos perante uma fila interminável de atletas. Eu já tinha lido relatos de engarrafamentos em provas de trilhos, mas achei os mais de 15min de espera após ter corrido apenas 15min uma barbaridade. Os obstáculos eram, primeiro uma descida mais técnica para entrar no trilho e depois uma subida inclinada que tinha uma corda e um elemento da organização a ajudar. Uma ressalva, a organização esteve impecável em toda a prova. Muito bem marcada, bons abastecimentos e sinalização de perigo nas zonas mais problemáticas. No entanto, este obstáculo tão perto do inicio (principalmente porque até ali tinha sido ultra rolante) foi muito mal pensado, principalmente porque era perfeitamente evitável.
Hora de ponta em Almourol. Onde está o Wally?

A mão amiga da organização.
Os km's seguintes foram simplesmente espectaculares. Seguindo sempre por trilhos, primeiro subindo umas colinas com vistas deslumbrantes e depois descendo em direcção ao Rio Nabão que iríamos acompanhar até à foz no Zêzere. Eram trilhos algo técnicos (pelo menos para mim) que incluíam algumas subidas onde a organização tinha colocado cordas para facilitar.
"Muito rolante, cuidado com os entusiasmos"
Com as pernas frescas e o espírito embevecido comecei a cometer erros. Primeiro colocámos um ritmo demasiado rápido para a minha forma actual (só para referencia nesta altura ia acompanhando atletas que acabaram quase 1 hora antes de mim). Segundo não hidratei o suficiente, embora o céu estivesse encoberto, a humidade relativa era muito elevada e ao fim de alguns minutos estava completamente encharcado. Terceiro, falhei completamente a parte da alimentação e lá para o 11km comecei a sentir fome.
O sorriso ficou perdido entre a ordem do cérebro para os "Likes" manuais
Junto à foz do Nabão surge um dos momentos mais giros da prova, com a travessia do mesmo por uma ponte militar. Mais uma vez a organização esteve muito bem e nem faltou reportagem fotográfica!
Para a próxima vou à frente... Aquilo com os três balançava bastante...
Mas mesmo com todo o entusiasmo a progressão era tão lenta que fiquei verdadeiramente surpreso por termos levado quase 2h para chegar ao 2º abastecimento ao 12km, o primeiro com sólidos. A minha experiência neste tópico era quase inexistente pelo que considero que os abastecimentos estiveram muito bem, variados e com abundância. Como ensinamento fica a necessidade de levar salgados, estou habituado a que nas provas de estrada haja sempre isotónico o que normalmente para mim é suficiente para repor os sais perdidos, mas nestas provas para além de não existir isotónico é obrigatório fazer um reforço.
Mais um autoretrato para colorir o post e mostrar como o percurso estava bem marcado!
Seguimos caminho com o João sempre na dianteira e rapidamente ultrapassamos o pico do percurso. A partir da até Constança o caminho "abre" um pouco e permite correr mais à larga. Também permite que sigamos na conversa e como sempre que me distraio um pouco, torço o pé. Nada de muito grave, nem chego a parar, mas fica a dorzinha e o espírito nunca mais volta a ser o mesmo.
A grande equipa apanhada em plena acção! Com o João sempre na dianteira.
Passamos por Constança e entramos num trilho no leito do Rio Tejo. Por vezes passamos tão perto da linha de água que se o Rio tivesse mais uns centímetros de caudal estaria submerso. É um percurso muito belo e praticamente plano o que permite efectuar o troço da prova mais rolante (e praticamente único). Para completar o quadro no fim deste troço temos a vista deslumbrante do Castelo. Aqui "obrigo" o meus companheiros a parar e imortalizar o momento.
O postal para mais tarde recordar.
E depois de escalar mais uma subida alcançamos o 4º abastecimento no 27km. Desta vez levámos o nosso tempo. Já tínhamos mais de 4h de prova e ainda acreditávamos que as 6h eram possíveis. Mas nada nos podia preparar para o que iríamos apanhar a seguir.

O telemóvel há muito que não saía do bolso e a partir do 30km o meu cérebro deixou de ter disponibilidade para registar a experiência para se focar unicamente em controlar as ameaças de caimbras e evitar encharcar os pés, batalha que perdi no 33km. Provavelmente esta parte do percurso era igualmente bela, mas para mim apenas ficou registado o sofrimento. O Sílvio bem tentava manter o moral e decidiu que tínhamos de tirar uma foto no 34km para marcar o nosso record em trilhos.
O sorriso digno de um oscar. Aqui estava mais com vontade de chorar...
A lama começou a surgir com mais intensidade mas a bem ou a mal lá chegámos ao 5º abastecimento no 35km. E aqui cometi o último erro. Não recuperei o suficiente, não hidratei o suficiente e não comi o suficiente. Estava a ficar saturado e queria chegar o mais rapidamente possível ao final.

Obviamente que os sintomas não diminuíram e numa descida um pouco mais exigente no 37km tenho uma caimbra no gémeo esquerdo. Mas uma senhora caimbra que me joga para o chão. Eu bem grito (ou pelo menos o meu cérebro gritou bem alto mas pelos vistos não foi assim tão sonoro) mas como ia atrás os meus companheiros não se apercebem e depressa os deixo de ver. Fico ali o que me parece uma eternidade a alongar até que aparece o João que entretanto voltou para trás. Eu bem insisto para que continuem porque vou ter que reduzir ainda mais o ritmo, mas  eles persistem e continuamos todos juntos.

Felizmente recupero um pouco mas apenas para entrar naquilo que denominei como o calvário de lama.

Lama?!? Qual lama?!?!
Por esta altura já estou completamente curado da síndrome de maçarico e nem tento evitar a lama e a água. Nunca mais me vou queixar de ter de molhar os pés! Perdi a conta aos túneis sob as estradas por onde passámos que, com as chuvas dos dias anteriores, estavam cheios de água. Obviamente que nesta fase o meu discernimento já estava um pouco toldado mas algumas destas passagens eram desnecessárias e revelavam laivos de sadismo, como por exemplo o túnel na foto abaixo.
Este era o lado raso... No outro lado a "água" chegava quase à cintura.
Os km's iam passando muito devagar num ciclo interminável de lama e água até que, no meio de um pântano chegámos ao último abastecimento. Era suposto estar no 38km mas o GPS já marcava 40,5km. Esta discrepância não agoirava nada de bom. A cada custosa centena de metros o ânimo esmorecia e só queria que chegasse o 42km. Quando o relógio apitou para o 42km no meio de um lamaçal tive um momento de desespero. Considerei seriamente em sentar-me no chão e gritar "Quero o pavilhão já!", mas depois o facto de ter lama até ao tornozelo ajudou a desistir da ideia e continuar a arrastar-me.

No mesmo instante em que passamos o 43km deixamos a lama para trás e chegamos finalmente à civilização. Sonho por momentos que o pavilhão está já ali e fico irritado com o senhor da organização que me manda virar à esquerda e entrar no Parque Verde do Bonito. Fazemos todo o parque e continuo a não ver o pavilhão. Já tudo me irrita e o atleta que segue comigo sempre a vociferar com dores num joelho também não ajuda. Mais um ribeiro, mais uma barreira para subir e passamos o 44km e pavilhão nada. Acelero o ritmo, as pernas aguentam. Volto a acelerar e tento apanhar o Sílvio. E de repente lá este ele, nunca tinha desejado tanto ver um edifício como naquele momento. O Sílvio espera por mim e entramos no pavilhão juntos e parece que estamos a acabar a maratona olímpica! O João havia terminado uns minutos antes. Um senhor da organização aproxima-se e insiste em colocar-me a medalha ao pescoço. Fico ali meio zombie a tentar comer qualquer coisa que nem me lembro de tirar mais fotos.


Foram 7h08m, quase 45km e 1150m D+ de aventura em excelente companhia. Sendo que a companhia foi o motivo do sucesso, não tenho dúvida nenhuma que se estivesse sozinho o desfecho não teria sido este. O meu muito obrigado!

O pessoal estava com pressa para voltar para Lisboa. Pelo que foi só o tempo de tomar um duche e enfiar-me na parte de trás do carro, local onde estava quando tive a mais dolorosa caimbra que já alguma vez tive, agora no gémeo direito e sem espaço para alongar.
Sim a minha medalha diz 44km!
O pensamento mais recorrente nesta prova foi: não tenho vida para isto. Este tipo de provas requer treinos muito longos e actualmente isso não é possível. Antes de fazer esta prova o meu mantra para Sesimbra era: são só mais 13km. Agora é mais: como é que é possível sobreviver a mais 13km! Estou com bastante receio de Sesimbra. Felizmente o tempo amortece tudo e como estou a escrever este post quase duas semanas depois dos acontecimentos Sesimbra já não me parece assim tão impossível...

segunda-feira, 7 de abril de 2014

"Maratona" Trail Finisher

Insanidade...................................................................... CHECK!
Maior "ultra" empeno de sempre.......................................CHECK!
Dizer que nunca mais me meto numa destas 99 vezes........CHECK!
Pensar que os organizadores são uns sádicos....................CHECK!
Perder a conta à quantidade de "esgotos" por onde passámos..CHECK!
Andar com água/lama pela cintura......................................CHECK!.
Ter a certeza que os organizadores são uns sádicos...........CHECK!
Andar a penar durante mais de 7 horas.............................CHECK!
Terminar a "Maratona" de 44km.......................................CHECK!
Não sei se já tinha referido cometer uma INSANIDADE...CHECK!.

A lebre "ah é a minha estreia" João, o reboque "ah é a minha estreia" Sílvio, e o lastro "já fiz uma de estrada" Rui.
O meu muito obrigado aos meus companheiros de aventura que esperaram por mim e aturaram o meu ritmo "deixa lá ver se não me dá mais nenhuma cãibra"!

E uma palavra de carinho para todos aqueles que, antes da prova, a descreveram como rolante e boa para estreias. Garanto que estiveram nos meus pensamentos em boa parte da prova!

sábado, 5 de abril de 2014

Trail Me Up 2 - a "Surpresa"!

Ontem quando cheguei a casa tinha uma surpresa. Chegou finalmente a minha prenda de aniversário por parte das minhas filhas.

Foi uma decisão difícil! A Margarida, com a autoridade de irmã mais velha com 4 anos dizia que deviam comprar ao pai umas Asics. A Mafalda, mais nova mas muito perspicaz para os 4 meses que tem, sugeriu que o pai merecia algo mais adequado às exigências dos trilhos e por isso deviam comprar umas Salomon. A Mafalda levou a melhor mas a Margarida escolheu a cor! E isto tudo obviamente sem o pai saber, e que ficou tão surpreso com a encomenda como a mãe!
Tão lindinhas e limpinhas... mas não por muito tempo!
Só é mesmo pena terem chegado na véspera da primeira insanidade, Trilhos de Almourol. E não, não sou louco o suficiente para ir estrear umas sapatilhas novas num prova de 42km. A estreia ficará reservada para uma ida a Monsanto assim que o empeno que seguramente surgirá amanhã desvanecer.

A todos os que vão amanhã participar em provas, boa sorte! Sejam elas em estrada ou em trilhos!

quarta-feira, 2 de abril de 2014

24ª Meia Maratona de Lisboa - 16 Março 2014

Este ano fui feliz na Meia Maratona da Ponte! Ok, sofri que nem um maluco durante 21km e depois fui muito feliz em Belém (depois sofri novamente para conseguir sair mas isso é outra história).
Não não é uma selfie, o fotografo é que queria tanto centrar a ponte que quase me falhava a mim!
Depois do fiasco do ano passado queria muito voltar a correr esta prova. Tinha umas contas a ajustar e um objectivo a cumprir. Esta prova é muito especial para mim, foi onde corri a minha primeira meia maratona o que constituiu na altura uma superação quase inimaginável. Há quem não goste ou porque é muita confusão, ou a logística do transporte é complicada , ou é cara. Obviamente que é muita gente mas é isso que torna a prova tão especial. É a oportunidade de termos um cheirinho das grandes provas internacionais aqui mesmo no nosso cantinho. É uma festa e por isso deve ser encarada como tal.

Não tinha voltado a tentar correr uma meia maratona e por isso o objectivo mantinha-se o mesmo, fazer em menos de 1h35. Era um objectivo ambicioso, tendo em conta que o meu RP estava em 1h40m e não fiz qualquer treino especifico para esta prova, a minha mania agora é mais trilhos...

Tal como nos últimos anos não tive grande dificuldade em chegar ao Pragal. Saí relativamente cedo de casa, fui "gratuitamente" de comboio da CP até ao Cais do Sodré, metro até ao Areeiro e novamente comboio para o Pragal. Sempre sentado e descontraidamente cheguei à estação pouco depois das 9h. Ai encontrei-me com uns amigos que também iriam participar. O meu chaganço não foi suficiente para convencer o Duarte a ir para a prova maior mas o Jorge fez a sua estreia em grande! O Jorge é um exemplo de resiliência. No inicio do ano meteu na cabeça que ia correr os 21km, definiu um plano, executou escrupulosamente o mesmo e no dia cumpriu impecavelmente!

Os grandes atletas na espera pelo apito da partida!
Com companhia e na conversa a espera no tabuleiro passou rápido e em menos de nada estávamos a começar a avançar aos poucos. Era altura de tentar desentorpecer as pernas após a espera em pé e rever o plano para atacar a 1h35. Na realidade era bastante simples: 1) sair como um louco; 2) aproveitar cada centímetro de descida até Alcantara e "acumular" o máximo de segundos; 3) Tentar manter um ritmo em torno dos 4'30/km e "perder" o mínimo de segundos possível.

Mais uma vez não me posso queixar muito da partida, no entanto, foi um grande ponto de reclamações e confusões. Fazer uma partida simultânea de 40000 pessoas é no mínimo irrealista. Mesmo as 10000 da meia já é complicado. Mesmo nas grandes competições internacionais com o número semelhante de participantes a partida é efectuada por vagas. Claramente um dos pontos que a organização devia rever.

Após 3 longos minutos lá passei o pórtico da partida e comecei a correr. Como habitualmente a confusão inicial é muita mas entre sprints e travagens, ultrapassagens "in extremis" e utilização criativa da parte metálica do tabuleiro, lá consegui engrenar no ritmo planeado. Os meus pés não estavam a gostar nada de correr na grade e sabia que todas estas maluquices iam ter um preço mas nesta altura só esperava que não fosse demasiado alto. 

Felizmente quando cheguei à descida já tinha algum espaço e alarguei a passada ao máximo. Ainda pensei em ignorar o 1º abastecimento mas estava algum calor e optei por pegar numa garrafa... e a seguir choquei com um homem que decidiu parar assim que pegou na dele... Grrrr... A partir daqui decidi que apenas iria aos abastecimentos se tivessem "livres" o que me levou a passar quase metade deles. Alguém se lembrou de mim quando serviram o isotónico em copos? :-)

No km 6 passei pelo Sílvio. Não tínhamos combinado nada e fiquei super contente por o encontrar. Trocamos algumas palavras e às tantas ele fala no ritmo médio e eu lá carrego no relógio para ver: 4'12/km Uau! Não estava à espera que fosse tão bom! Isso deu-me motivação extra e após o Sílvio insistir um par de vezes lá continuei na minha demanda.
Concentradissimo! Inspira... Expira...
O retorno no Cais do Sodré foi uma boa novidade deste ano. Em termos "turísticos" é pena não passar no Terreiro do Paço, mas tudo o que evite correr no empedrado da Ribeira da Naus é uma decisão vencedora (o ano passado foi lá que o meu joelho deu o crack final...). Com a inversão de direcção o vento passa a fazer sentir-se e aliado ao desgaste inicial o ritmo vai progressivamente a diminuir. Mesmo assim ainda consigo passar a marca dos 10km em 42'34'' o que é menos 14s que o meu melhor tempo na distância.

Os 7km seguintes são um longo e tortuoso caminho até quase à Cruz Quebrada, fruto do retorno antecipado. Está é sempre a parte mais difícil, quando as forças já começam a faltar. Passamos pela zona da meta e apesar de estar ali tão perto ainda está tão longe. Mas este ano o que mais me afectou foi mesmo ver os atletas mais rápidos já no retorno. Talvez influenciado pelo corrida da semana anterior em que até ao retorno não havia muita gente já a regressar, aqui eram aos magotes. Felizmente mais uma vez tive um apoio muito especial das minhas três flores na zona de Belém que me ajudou a ultrapassar esta fase.




A corrida necessitava de toda a minha concentração, e à mais pequena distracção o ritmo teimava em abrandar. Tive de deixar de tentar olhar para as caras para ver se via alguém conhecido e focar-me apenas no acto de colocar uma perna à frente da outra. Houve muito sofrimento nesta fase e ver atletas deitados no chão a serem assistidos pelos paramédicos a cortarem a tshirt com uma tesoura não ajudou nada.

E como sempre o retorno chega de surpresa e parece que ganho novo fôlego (provavelmente pelo vento ter ficado a favor). Embora eu não consiga ver ninguém oiço chamarem por mim, primeiro o Sílvio e depois o Jorge e isso dá-me uma força incrível. Vou progressivamente aumentando o ritmo e passo o 20km em 1h29m.Sinto uma onda de felicidade dentro de mim, a não ser que aconteça um cataclismo vou conseguir cumprir o objectivo, pela primeira vez na prova acredito que vai ser possível!

Obrigado Duarte! Vamos lá sprintar!
Acelero ainda mais e a 400m da meta oiço alguém a chamar por mim, era o Duarte que entretanto já terminara a sua prova. Largo num sprint e termino a prova em grande. Desta vez até me lembro de levantar os braços e festejar, infelizmente não havia ninguém para captar o momento. 
E já está! Fui feliz em Belém!
1h34m05s, novo RP e quase menos 1min que o objectivo!
Vejo a Inês com as meninas atrás das grades mas levaria ainda quase 30mim para conseguir finalmente chegar ao pé delas. Felizmente encontrei o Filipe e fomos na conversa no longo caminhar até à saída. Até compreendo a intenção da organização de criar um espaço amplo para os participantes poderem esperar pelos colegas, mas devia haver mais saídas, e localizadas mais perto da meta. Quando finalmente consegui sair estava longe da meta e já não consegui ver o Jorge a chegar.

Fiquei super feliz com esta prova e nem toda a confusão de gente afectou a minha experiência. Nos dias seguintes quando me perguntavam sobre a prova dizia que este seria o meu RP da Meia Maratona para sempre, que não voltaria a sofrer naquela maneira para tentar bater o tempo. Como levei tanto tempo a escrever, agora já não tenho tanta certeza... :) 

De qualquer maneira  agora chegou a altura de mudar de chip e nos próximos meses dedicar-me a outro tipo de terrenos e distâncias...
Com todas as minhas medalhas!

terça-feira, 11 de março de 2014

Corrida das Lezírias 2014 - 9 Março 2014

E assim mais ou menos de surpresa surgiu a oportunidade de este Domingo ir correr a Vila Franca de Xira a Corrida das Lezírias. Foi mais uma prova que corri pelo Clube TAP.  Já tinha ouvido falar desta corrida mas,  como a maioria das corridas de estrada este ano, não estava nos meus planos. Ok, não é exactamente uma prova de "estrada", uma vez que uma grande parte do percurso é num estradão de terra batida, mas não deixa de ter o impacto e o esforço continuo associadas às provas de "estrada".

Com uma distância anunciada de 15,5km seria a minha primeira prova na distância e um excelente teste para a prova da próxima semana, essa sim nos meus planos para este ano e onde tenho umas contas a ajustar. Mas isso é outra história...
As lembranças numa cor espectacular!
O plano era carregar com a família toda e irmos passear para as lezírias, mas entre a logística familiar associada a um bebé e o tempo algo encoberto, acabei por ir sozinho. Embora o tempo não estivesse propício para passeios familiares estava perfeito para correr: nublado e fresquinho.

Até saí cedo de casa, mas entre enganar-me no caminho, não conhecer Vila Franca e ter sido um stress para estacionar o carro cheguei à partida quase em cima da hora. Ainda por cima nem tinha o dorsal, uma vez que tinha combinado que mo entregariam antes da prova. Detesto chegar atrasado onde quer que seja, e detesto ainda mais ficar stressado antes da prova. Felizmente cheguei mesmo a tempo de pegar no dorsal, montar o sistema de telemetria e ainda deu para dizer um olá a algumas caras conhecidas!
"Vá lá David, é para o blog!"
O plano era simples: engrenar na velocidade com que pretendo fazer a Meia e ver se aguentava os 15,5km. A realidade foi um pouco diferente. Mesmo sem fazer qualquer aquecimento, a adrenalina da partida voltou a ser mais forte, e nem os dolorosos paralelepípedos ou a subida(inha) da ponte impediram que os primeiros 5km fossem feitos a uma média de 4'11''/km. Logo após a ponte, um senhor do "VIEIRENS" coloca-se ao meu lado (ou eu coloquei-me ao lado dele...)  e existe claramente um sicronizar de passadas e lá vamos os dois a fazermos de lebre um para o outro.

Por esta altura passamos pelo primeiro abastecimento e tenho a primeira surpresa do dia, passam-me para as mãos uma garrafa de 75cl! Parecia mesmo que tinham lido o meu último post sobre o desperdício de entregar garrafas, e feito exactamente o contrário! Acho que até para quem gosta de carregar com a garrafa, com aquele tamanho não dá muito jeito. Bebi um gole, refresquei a cabeça e forcei-me a beber mais um gole porque me estava a fazer doer a alma jogar fora a garrafa quase cheia...

Após o abastecimento perdi um pouco de momento e comecei a sentir-me cansado. Optei por reduzir um pouco o ritmo e os 5km seguintes foram feitos a 4'25''/km. O meu "companheiro" improvisado lá segue mas nunca o deixo de ver e mesmo sem ter noção continua a ser a minha lebre. Aproxima-se o ponto de retorno e começo a ver os atletas já no regresso. Chego ao retorno e tento distrair-me a ver se vejo alguém conhecido. Ainda grito uns "força" mas as pernas começam a protestar e tenho de me focar apenas no acto de correr. 



Uma das lições desta prova foi a questão da alimentação, não levei nada para comer. Actualmente nos treinos até 15km ou 1h30 não costumo levar nada, algumas vezes quando não há fontes nem água bebo. Mas numa prova a este ritmo e tendo em conta que tomei o pequeno almoço muito antes que o habitual , comecei a sentir fraqueza e a sonhar com uma banana ou um cubinho de marmelada. Provavelmente não teria grande efeito físico, mas psicológico de certeza que teria! Para a semana vou levar sólidos comigo!

Dei por mim a olhar para os montes do outro lado do rio e imaginar como seria estar a trepa-los! Claramente a minha cabeça está noutra onda...

Passo novamente o abastecimento e considero seriamente se pego noutro garrafão ou não. Mas o facto de estar com a garganta seca, com fome e estar a desmotivar  um pouco leva-me a aceitar.
Em pleno sprint final! (foto João Lima)
O estradão dá lugar ao alcatrão e começa a subida para a ponte. Embora o ritmo baixe um pouco, sinto-me novamente com força. Ultrapasso alguns atletas e fico muito confiante. Assim que passo o ponto mais elevado alargo a passada e saio disparado pelas ruas de Vila Franca a o ritmo em torno do 4'/km. Continuo a ultrapassar atletas, inclusivamente o meu "companheiro". Quando contorno a praça de Touros ainda tenho energia para um sprint final.

Segundo o meu relógio corri os 15,8km em 1h08m49s o que dá um ritmo médio de 4'21''/km, quase menos 10'/km que o objectivo. Fiquei em 230º da geral em 1356 atletas que terminaram a prova. Bati ainda o meu record de distância percorrida em 1h, 13,79km.

Claramente muito satisfeito com a prova!
Assim que passei a meta, recebi o saco das lembranças, uma nova garrafa de 75cl de água que aqui muito agradeci, e quando reparo na mesa com fruta vou disparado comer meia banana e dois gomos de laranja porque estava faminto!

Gostei imenso desta prova. Não estive muito tempo no recinto, cheguei em cima da hora e depois estava vento e com a tshirt enxarcada apressei-me a regressar para o carro, mas gostei do ambiente e do recovery. Gostei de, mesmo chegando em cima da hora, ter conseguido colocar-me na partida numa posição que me permitiu correr logo ao meu ritmo (e podia perfeitamente ter ido ainda mais para a frente). Gostei de ver os campinos ao longo do percurso embora tenha ficado "decepcionado" de não ter visto um único gado vacum. Mas acima de tudo gostei porque me deixou super motivado e confiante para o grande objectivo da Meia Maratona! 

quarta-feira, 5 de março de 2014

Copo de papel e os abastecimentos

Tenho lido por essa blogosfera fora alguns comentários menos positivos sobre os abastecimentos em copos de papel, nomeadamente no rescaldo da Maratona de Sevilha. Embora seja pouco usual cá no nosso rectângulo é muito comum nos grandes eventos internacionais.

Eu também era um céptico, mas quando estava obcecar preparar a Maratona vi centenas alguns videos sobre tudo o que estivesse minimamente relacionado com a prova. E ao contrário de outras figuras mitológicas que não fizeram parte da Maratona de Lisboa (como a linha azul ou as esponjas), a bebida isotónica foi distribuída em copos de papel e a coisa correu bem muito graças ao facto de ter visto este video.


Obviamente que a parte de receber o copo do voluntário não se aplicou aos copos porque estavam pousados nas mesas (embora o "truque" seja útil quando recebemos as garrafas) mas a técnica de "fechar" o copo e fazer um funil é muito boa.

Pessoalmente acho que os copos são melhores que as garrafas (principalmente porque nunca carrego as garrafas enquanto corro). Têm uma quantidade menor e por isso não há tanto desperdício (eu quase nunca bebo a garrafa toda e acabo por deitar fora ainda com água o que me faz doer o coração), produzem menos lixo e principalmente NÃO TÊM TAMPAS! :)