domingo, 18 de maio de 2014

IV Ultra Trail de Sesimbra - 03 Maio 2014

Chegara finalmente o dia. Hoje ia correr uma Ultra Maratona, a minha primeira. Parecia que tinha passado uma eternidade desde o dia em que o Sílvio começara a semear a ideia. Mais de seis meses em que sem fazer exactamente uma preparação especifica mudei completamente o chip, puro estradista para um curioso dos trilhos. Hoje ia testar limites. Hoje ia sofrer. Hoje ia ser muito feliz...

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Muito antes de me inscrever nesta prova já andava a preparar a logística associada. A ideia sempre foi levar a família toda e aproveitar o fim de semana para conhecer Sesimbra. Embora já tivesse passado pela vila nunca a tinha efectivamente visitado. O problema é que organizar a estadia para 4 incluindo uma pulga eléctrica de 4 anos e um bebé de 5 meses não é nada fácil, ainda para mais que a minha adorada e muito prestável esposa teria que as aguentar durante todo o dia da prova...

Sesimbra é adorável e com o tempo que apanhámos parecia uma estância balnear de luxo. A família gostou muito do hotel, principalmente da piscina...
Vista da piscina do Hotel no 6º andar...
Ás 6:30 saio da cama e vou silenciosamente preparar-me. E aqui começam as indecisões... levar a tshirt de compressão ou uma tshirt mais leve, levar o boné ou a badana... Com tantas indecisões demoro demasiado tempo e chego ao pequeno almoço já atrasado. Como se não bastasse esqueço-me do dorsal no quarto. Corrida hotel acima e stress pré-prova... Nada bom.

Já com o estômago mais confortado dirigimo-nos para a zona da partida. Acabámos por chegar com bastante tempo e ficámos ali na conversa a apanhar o sol da manhã. Mais tarde iríamos querer fugir de tanto sol mas às 7:30 estava a saber bem! Encontrámos várias caras conhecidas de Monsanto e de outras aventuras. Eu fui surpreendido por dois colegas do trabalho que não sabia que também andava nestas coisas.
Sim, sorriam para o Sol que mais tarde logo choram...
Depressa percebi que ia haver confusão com a partida. Como cheguei de véspera fui logo levantar o dorsal na sexta à noite e, mesmo com tempo, não foi fácil chegar desde a praia até ao local da entrega dos dorsais que ficava na recepção do Hotel do Mar. Quem ia levantar os dorsais no dia tinha logo uma longa e stressante caminhada para aquecer. Acabámos por sair com 10 min de atraso.

Na entrada para o "garrafão" da partida são verificados os equipamentos obrigatórios. Eu não estava à espera que a verificação fosse tão minuciosa e fiquei um pouco atrapalhado. A malta começa a amontoar-se e a adrenalina começa a bombar. Contagem decrescente e lá começa a epopeia!
3, 2, 1... Vamos a isto que os 52km não se correm sozinhos.
O primeiro km, em alcatrão e com as pernas frescas é uma beleza. Uma pessoa tenta não se entusiasmar mas entre a adrenalina e o instinto de rebanho lá vamos nós em torno dos 5'30/km. Mas depressa chegamos à primeira subida, e embora seja perfeitamente corrivel começa o jogo a que chamo: não vou ser o primeiro a andar. Quando sabemos que já devíamos ir a passo mas porque toda a gente à nossa volta ainda corre, corremos mais um pouco.
"Primeira subida" ou "Vamos lá ver quem começa a andar primeiro..."
Depois da experiência de Almourol, o nosso plano era simples: sempre que inclinasse por muito pouco que fosse passaríamos a andar. Nas descidas e em terreno plano correríamos. O problema é que nos primeiros 20km, terreno plano era algo muito escasso.

São 20km em que perdi a conta às arribas que descemos e tornámos a subir. A progressão era difícil e algumas vezes perigosa. Na minha memória ficou uma descida em que tinham espalhado gravilha grossa e mesmo assim parecia que estávamos a fazer ski... Curiosamente nunca tivemos de esperar para ultrapassar obstáculos, o número de atletas reduzido e o facto de irmos já bastante espaçados facilitou a passagem. Era-mos um enorme carreiro de formigas coloridas.
Sempre ladeados de grande paisagens seguíamos o carreiro colorido.
Arriba acima...Arriba abaixo...
Passámos no 1ª abastecimento, só de água, sem parar e seguimos directamente para o 2º no 9km. Este abastecimento, como de resto em todos, tínhamos um autêntico banquete à nossa espera, com muita variedade e quantidade e a simpatia dos voluntários. Acabei por não tocar na comida que levei. Ficámos neste abastecimento cerca de 5 minutos.

A minha estratégia para esta prova em termos de abastecimentos era simples: manter a bolsa sempre cheia de água, levar uma garrafa com isotónico que enchia em cada abastecimento, beber o máximo que conseguia no local e comer sempre uma banana temperada com um pacote de sal. Muito sal comi eu neste dia, perdi a conta aos pacotes mas a verdade é que não tive caimbras! :)
O 2º Abastecimento: vai uma banana com sal? :)
Mal deixámos o abastecimento encontrámos a descida mais vertical e perigosa de toda a prova. Perdemos quase 100m de altitude em pouco mais de 120m. Grande parte da descida era constituída por gigantescos degraus em que era necessário a utilização dos 5 apoios! Sempre ladeados por um muro de cimento com uns postes que ajudavam a dissipar alguma velocidade. Foram 6 minutos muito tensos em que a concentração tinha de ser total. E no último metro de descida os pés do Sílvio falham e caí com o 5º apoio no chão. Na altura pensei que tivesse sido apenas um susto, uma vez que queda tinha sido para trás e devido à inclinação o terreno estava logo ali. Só uns metros mais à frente é que me mostrou os braços e vi que as feridas não tinham bom aspecto...
A meio da "descidinha" junto ao muro, esta parte já estava...
Só faltavam esta...
Já me tinha apercebido que a malta de Monsanto costumava imprimir o perfil vertical da prova com a indicação dos abastecimentos para levar no dia, e por isso decidi também eu fazer o mesmo. E o jeito que aquilo deu! Muitas foram as vezes que o consultámos, qual oráculo divino, e nos ajudou a manter a motivação para chegar até ao próximo abastecimento. Nesta fase fizemo-lo várias vezes... As feridas do Sílvio teimavam em não estancar e precisavam de ser tratadas urgentemente. Foi a primeira fase negra da prova.

Continuámos sempre junto ao mar ao sabor das arribas. A disposição não era a melhor mas lá animámos um pouco quando começámos a ver o farol a aproximar. Sabíamos que a parte mais técnica da prova ficava nos primeiros 20km e que o Espichel marcava o seu fim.
Promontório do Cabo Espichel de um ângulo diferente.
3º abastecimento, 16km, 3 horas. Até aqui as minhas previsões de tempo ainda estavam correctas...
Bem junto ao farol, no 16km e com 3 horas de prova, encontramos o 3º abastecimento. Mais do mesmo e vá de sal para o bucho. E aqui surge, para mim, uma falha da organização que de resto esteve impecável. O Sílvio precisava de limpar e estancar as feridas e, embora estivessem inclusive bombeiros no local, não havia material de primeiros socorros. Lá limpou o melhor que pode com água mas uma das feridas estava difícil de estancar. Ficámos neste abastecimento cerca de 6 minutos.


Com o abastecimento e o terreno mais rolante o espírito do Sílvio melhorou um pouco e conseguimos fazer 2km sempre a correr, o 19km foi inclusive o km mais rápido de toda a prova. Com os caminhos mais largos começaram a ser possíveis as ultrapassagens, e sempre que nos cruzávamos com alguém lá trocávamos umas palavras de incentivo. Foi muito divertido porque às tantas as caras eram sempre as mesmas, ora passávamos nós, ora éramos ultrapassados e nos abastecimentos voltávamos a baralhar as posições.
A passagem pelo Santuário, com alguma pena o caminho não era pelo interior mas por um caminho lateral. 
Aqui em plena confraternização com um casal muito animado  (foto de Ricardo Taxa).
E ao 20km encontrámos a variável inesperada e que veio complicar as nossas contas e as nossas pernas: Areia. Não é que eu tivesse preparado esta prova até à exaustão, mas li alguns relatos e vi alguns vídeos e em nenhum constatei que teria de ir preparado para atravessar um deserto! Começou devagar. Uma subida de areia fina aqui, um planalto acolá. Aqui ainda tentámos correr mas depressa percebemos que era um esforço inglório.

Depois de mais uma descida a pique chegámos a uma lage de pedra enorme ao nível do mar. Seguimos sobre a lage até que alcançamos uma praia deslumbrante, a Praia da Foz, onde se encontrava o 4º abastecimento no 24km. Alguns brincavam com a ideia de ir dar um mergulho enquanto outros efectivamente o concretizaram.
A linda e escondida Praia da Foz.
Com quase 4h30 de prova a minha previsão já estava a falhar (a previsão era 4h), mas ainda acreditava que seria possível recuperar. Felizmente neste abastecimento para além de todos os mantimentos que precisávamos (vá de banana com sal) e da simpatia dos voluntários, e embora não existisse mala de primeiros socorros, um dos voluntários tinha uma bisnaga de betadine. Foi o júbilo, enchemos os estômagos, o Sílvio tratou das feridas e o optimismo voltou em força! Devido às acções de enfermagem levámos 11 minutos neste posto.
Agora é que é, abastecidos e tratados vai ser sempre a bombar... ou talvez não...
Mas o optimismo esmoreceu rapidamente... O troços de areia são cada vez mais frequentes e a progressão cada vez mais lenta. E quando pensávamos que a coisa não podia ficar pior, no 26km, chegamos à praia do Meco e começa um calvário de areia. As marcações levam-nos pelo sistema dunar do Meco. Sempre a passo os km parecem que não passam. Os pés cheios de areia e às 13h da tarde o Sol começa finalmente a incomodar-me.
A famosa Praia do Meco que será sempre por mim recordada como a Infame Praia do Meco.
Este é para mim o troço mais complicado, quando a cabeça começa a acumular dúvidas. Lembro-me de pensar: "Marathon des Sables, Jamais!" e começar a rir sozinho :)

O martírio prolonga-se até ao 30km onde encontramos finalmente o 5º abastecimento sob a sombra de uns pinheiros, qual oásis no deserto. Foram 1h10m para percorrer pouco mais de 6km.
Deserto? Não, é apenas o sistema dunar do Meco...
Areia e mais areia numa sucessão capaz de arruinar os espíritos mais optimistas. 
Este abastecimento parecia uma zona de guerra. Havia gente sentada pelo chão por todo o lado a tirar a areia dos sapatos ou simplesmente a descansar à sombra. A minha prioridade foi retirar a tonelada de areia que tinha nos pés, até porque, assim descansava um pouco. Só depois fui para a mesa da comida e para minha surpresa este abastecimento era ainda melhor que os anteriores. Comi uma sandes de paio que me soube a ginjas. Neste posto vimos muita gente a desistir, nunca antes tinha visto tanta gente a desistir simultaneamente e foi algo desanimador. Ficámos neste abastecimento durante 15 minutos...

Mesmo antes de deixarmos o posto deu-me aquela sensação de faltar alguma coisa, mas não me consegui lembrar. Era tirar fotos! A partir das dunas a máquina foi para o bolso e foram muito escassas as vezes que saiu.

Já a caminho tentei telefonar à minha mulher. Tinha-lhe dito que deveria levar umas 8h (hahaha) mas neste ponto (30km com  5h45 de prova) era evidente que tal não iria acontecer e queria deixa-la mais descansada. Mas entre ela não atender à primeira e a ausência de rede acabei por não conseguir falar.
Sem dunas  mas ainda com muita areia...
Deixámos finalmente a praia para trás mas não a areia... Os km's seguintes foram "andados" pelo pinhal entre a praia e a aldeia do Meco. Embora o caminho fosse sobretudo por estradões, na maior parte das vezes a areia era tanta e as forças poucas para se efectivamente correr.

Por esta altura o Sílvio começa a ficar com algumas dificuldades e foi-se abaixo psicologicamente. Eu bem tentava animar e dizer umas graçolas, mas a coisa estava a ficar bastante negra. Numa das minhas tentativas recordei a altura em que nos conhecemos no desafio para comemorar o seu 31º aniversário e disse que teríamos de tirar uma foto quando chegássemos ao 32km para fazer a comemoração deste ano! 
Não sei se dá para perceber mas estamos a fazer um 32 com as mãos...
A cada km que passava via o Sílvio a ficar mais em baixo e temi que ele ficasse no próximo abastecimento.

E eis que, com 7h de prova e 37km, no meio do caminho vimos uns pinos coloridos no chão. Ao principio pensei que fossem marcações de uma outra prova, mas depois oiço chamarem por nós e vimos o 6º abastecimento debaixo de um telheiro.

Este sim era um verdadeiro abastecimento reforçado, com canja, sandes e tudo mais. Dirijo-me imediatamente para a canja e pergunto ao Sílvio, que entretanto se tinha atirado para o chão, se também queria. E aquela canja para além de salgada (como se quer!) também devia ser mágica porque de um momento para o outro o Sílvio arrebita e está pronto para a acção. Ficamos no posto durante 22 largos minutos mas valeu bem a pena! Voltei a comer umas sandes de presunto divinais e deu ainda para refrescar junto de uma torneira que existia no telheiro. Estávamos prontos para a próxima etapa. Os voluntários informaram que o próximo abastecimento seria na Pedreira.
A caminho da Pedreira numa espécie de trote...
Com novo fôlego e o Sílvio com equipamento lavado, retomamos o caminho. Continuamos nos estradões durante mais uns km's, mas estes vão tendo progressivamente menos areia e tornado-se mais corriveis. Infelizmente as pernas não permitem grandes aventuras e nesta fase só é possível ensaiar um trote ligeiro quando a inclinação assim o permite.

Antes de regressarmos à serra passamos ainda por um lindo morangal. Que seria ainda mais lindo se eu não tivesse visto que, no fim do mesmo, teríamos que passar um pequeno mas impossível de evitar riacho... Depois de tanta areia nunca me passou pela cabeça que ainda teria de molhar os pés... Como sabem eu "adoro" correr com um saco de água em cada pé, que é no que se transformam as minhas sapatilhas quando tal acontece... Mas eu prometi que nunca mais me queixava e por isso todo este parágrafo não é uma queixa.
O lindo morangal imediatamente antes do infame riacho...
Perto do 40km quase nos enganávamos no caminho. Íamos uns 50m atrás de uns atletas e numa mudança de direcção eles continuam em frente e eu ia segui-los. Felizmente o Sílvio ia atento e evitámos o engano. Eu bem gritei aos outros atletas mas não sei se me terão ouvido. Neste aspecto a organização também esteve irrepreensível, as marcações estiveram sempre impecáveis.

O terreno voltou a ficar mais pedregoso e regressámos à serra entre o Espichel e Sesimbra. O terreno não permitia grandes aventuras mas depois do desespero de areia parecia uma pista de tartan. A cada km suspirávamos pela pedreira... E depois de uma descida quase vertical (na realidade até nem era assim tão íngreme mas no estado em que estavam as minhas pernas e a miufa que tenho das descidas parecia-me uma pista de saltos de sky) chegámos finalmente à entrada da Pedreira e ao 7º abastecimento.

Neste abastecimento voltámos a ver alguns atletas a desistir, mas ao Sílvio parece que lhe dão uma injeção de optimismo. Fazemos o abastecimento mais rápido até aí e em 3 minutos estamos a sair. 
Não, não me teleportei para outro planeta, é mesmo ali ao lado de Sesimbra.
Ao entrar na pedreira parece que estamos a entrar noutro mundo. É impossível não admirar a magnitude do local mas não deixa de ser um contraste demasiado berrante com o cenário de reserva natural por onde tínhamos deambulado até ali.

O Sílvio começa a ficar cada vez mais eufórico e só grita "Já cheira a Meta! Já cheira a Meta"". Na realidade estávamos a menos de 1km em linha recta da meta mais ainda teríamos que palmilhar mais 6km até lá chegar. Contagiado pela alegria do Sílvio telefono de novo à minha mulher para dizer que estávamos quase a chegar, mais 30m segundo o Sílvio... Obviamente levámos mais de 1h, afinal ainda faltava conquistar o último obstáculo, o Castelo.
Sempre com o objectivo à vista!
À medida que o tempo passa e o Castelo não há meio de aparecer, as baterias do Sílvio voltam a ficar em níveis críticos. Já tinha lido bastante sobre esta subida e sabia que, embora fosse íngreme, era relativamente curta. Só era preciso não desmotivar e, acima de tudo, não parar! Tomei a dianteira e coloquei um passo certo mas agressivo e gritando incentivos lá escalámos até ao Castelo.
Vamos lá! Já vejo o portão!
No largo do Castelo encontramos o 8º e último abastecimento. Mais parco mas com o essencial nesta fase da prova, água. Dois dedos de conversa com os voluntários e ala que se faz tarde e agora vai ser sempre a descer. Voltámos a gastar 3 minutos neste posto.
Agora é sempre a descer!  "Isto agora é como em Monsanto!"
Saímos do Castelo por uma porta nas traseiras e embrenha-mo-nos nuns single tracks pelo meio de uma floresta. O Sílvio, novamente cheio de motivação grita: "Isto agora é como em Monsanto!". O facto de irmos a descer, à sombra e com fome de meta dá-nos a energia para colocar um ritmo mais vivo.
Voando a "alta" velocidade pelo trilho que a imagem até fica desfocada.
Depois do que me parece uma eternidade chegamos finalmente à vila. Ainda ficamos ali uns segundos sem saber exactamente por onde é o caminho mas alguém nos grita que é pelo passadiço da praia. 

Um mar de emoções passam pela minha cabeça ao correr naquele passadiço. Tínhamos conseguido! Íamos acabar a nossa primeira ultra, uma verdadeira prova de equipa. Depois de 9h40 a torrar ao Sol o espírito tinha ganho sobre o corpo. Sem termos combinado agradecemos um ao outro esta aventura e felizmente captei esse momento que resume o espírito desta equipa.
Já está! Obrigado Sílvio!
Última curva e a meta está a dezenas de metros. De entre a multidão a minha filha desata a correr em minha direcção e recebe-me como um herói. Dou-lhe a mão e corremos juntos os últimos metros da prova. Mas no último segundo dá-lhe a vergonha e volta para a mãe que com o rebento mais novo espera por mim junto à meta. Segundo ela teve vergonha que o senhor dissesse o seu nome e pensasse que tinha feito a prova.
Papaaaa, Papaaaa!
Foi de longe o meu maior desafio até agora. Quer pelo record de distância, 52km, record de tempo, 9h40, quer pelas condições atmosféricas, com um dia abrasador. No final a minha tshirt estava branca, tal era a quantidade de sal que tinha transpirado. Começaram esta prova 244 atletas, mas na classificação final figuram apenas 186, sendo que terminei na 147ª posição. Sozinho muito dificilmente teria conseguido terminar e quero deixar aqui o meu muito obrigado ao meu grande companheiro pela companhia, motivação e espírito de superação com que me contagiou. Curiosamente, ao contrário de Almourol, em nenhum momento tive as habituais questões filosóficas do tipo "que estou eu aqui a fazer" ou "não tenho vida para estas distâncias". Acho que fiz as pazes com as ultras... :)
SOMOS ULTRAS!
O último parágrafo deste "curto" relato é dedicado à minha família. Principalmente à minha mais que tudo, que atura esta minha pancada e, com uma paciência infinita, segue-me nestas aventuras. Obrigado são a minha alegria.

 PS- Se chegaram a este ponto já perceberam que para além de ter ficado super entusiasmado e querer recordar todos os pormenores desta aventura, desta vez tenho montes de fotografias! O motivo e um video todo catita podem ser vistos aqui.


domingo, 11 de maio de 2014

"Só mais um blog de corrida..." - 1º Aniversário!

Há exactamente um ano publiquei o primeiro post do "Só mais um blog de corrida...". É extraordinário como parece que o tempo voa, e este ano não foi excepção. Mas o que é ainda mais incrível para mim é ver a evolução ao longo deste ano.

Há um ano atrás estava a sair da lesão que me colocou de poisio durante mais de 2 meses, fruto de um regime de treinos demasiado intensos para a  forma da altura. Participava em provas curtas e rápidas e estava focado em completar o Troféu das Localidades de Oeiras. As Meias-Maratonas eram eventos esporádicos e correr "no mato" era um conceito completamente impensável para mim. Lembro-me, inclusive, de ter visto uma entrevista ao José Guimarães do "De Sedentário a Maratonista" em que comentava a participação numa ultra, e de me ter interrogado o que levaria alguém a querer correr ultra maratonas... :)

O primeiro click ocorreu algures no final de Maio quando comecei a aumentar as distâncias dos treinos. Primeiro acidentalmente, depois com intenção e finalmente desafiado. Comecei a apreciar as virtudes dos treinos longos e das velocidades mais moderadas. Daí a começar a treinar para a Maratona foi um instantinho.

A Maratona foi o meu grande desafio, a grande barreira que julgava completamente inalcançável e que proporcionou um momento de enorme realização pessoal. Pela primeira vez segui um plano de treinos e durante mais de 4 meses treinei como nunca tinha treinado antes.

O segundo click aconteceu pouco depois. Já andava com a curiosidade de correr em trilhos tendo mesmo,  no verão, participado numa prova na Pampilhosa da Serra respondendo ao desafio da Anabela (Run Baby Run). Mas os trilhos só se entranharam num treino em Monsanto à "Hora do Esquilo". Desde então tenho sido presença assídua nos treinos dos "Loucos Trail Running".

Um dos objectivo deste blog era servir de guarda recordações, para me ajudar um dia mais tarde a recordar aqueles pormenores que desaparecem com o tempo. Neste campo foi um sucesso, mesmo só com um ano, por várias vezes já tornei a reler um post antigo só para me recordar daquela corrida.

Outro objectivo era manter-me motivado e contrariar aqueles momentos mais letargicos, e no processo se servisse para motivar um ou outro leitor ocasional melhor. Nunca fiz muito para divulgar o blog e por isso as mais de 13000 visualizações foram algo surpreendentes.

Curiosamente o post mais lido foi o "Há Esquilos em Monsanto!", com cerca de 400 visualizações é de longe o mais visitado. Não sei se vêm à procura de esquilos de verdade ou se realmente procuram informações sobre os famosos treinos à "Hora do Esquilo". Se assim for e se me virem em algum treino digam que passaram por aqui! ;)

Sem grande surpresa a maior "Fonte de tráfego" é o Blog do João Lima, que foi também o primeiro a comentar o blog logo no post original.

A palavra chave mais utilizada para aqui chegar foi "blog corrida". :) As "vantagens" de ter colocado estas duas palavras no nome do blog...

E claro não podia deixar de mencionar um outro enorme beneficio da criação do blog que nem me passava pela cabeça há um ano, a "descoberta" de um companheiro de treino e aventuras!

O meu foco mudou completamente, agora só penso em trilhos. Já corri uma Ultra Maratona e está outra na calha. Não quer dizer que tenha abandonado o alcatrão, mas só em doses mais moderadas. Por este motivo decidi alterar a foto de capa aqui do estaminé, até porque esta é minha!


quarta-feira, 7 de maio de 2014

UTS - o trailer

Não, ainda não é o relato da minha primeira Ultra Maratona... Depois do teaser há alguns dias, hoje vem o trailer...

Já há algum tempo que andava para comprar uma câmara mais dedicada à acção. Queria fotos para ilustrar os meus posts e chateava-me imenso ter que estar a parar para tirar o telemóvel do bolso. Nunca dominei a arte de o fazer em andamento. Comecei a fazer as provas de trail e queria guardar as paisagens por onde passava e o telemóvel continuava a ser um empecilho. Depois há aqueles leitores muito queridos cujo o comentário aos meus posts costuma ser: escreves muito... só lá vou ver as fotografias. Urgia arranjar uma forma de documentar as minhas provas!

Na véspera da prova fui comprar a câmara e após uma noite a carregar a bateria siga para a prova. E aqui vem o 1º disclaimer: foi literalmente a 1ª vez que utilizei a máquina, aliado à minha falta de jeito e ao facto de numa prova de 52km às tantas o documentar já não está na lista dos pensamentos mais imediatos, foram as filmagens possíveis.

Como já me queixei algumas vezes por aqui, o meu tempo para o blog é muito limitado. E aqui vem o 2º disclaimer: o pouco tempo aliado ao facto de não ter qualquer experiência em edição de videos ou ferramentas para o fazer, este foi o resultado possível. O meu primeiro video totalmente filmado e editado por mim!


terça-feira, 6 de maio de 2014

Ainda Almourol...

Sei que devia estar já a publicar o relato de Sesimbra, mas já tinha este pensado há alguns dias e não queria deixar de o publicar.

Já passaram algumas semanas sobre os Trilhos do Almourol, mas queria deixar aqui para a posteridade esta sequência de fotos da nossa chegada apoteótica, disponibilizadas pela organização. Infelizmente não estavam disponíveis quando publiquei o relato. Mais uma vez a organização esteve impecável!

As nossas expressões não necessitam de mais descrições. Grande equipa e venham mais outras!









domingo, 4 de maio de 2014

Sou ULTRA!

(oficialmente...)


Era uma vez um louco que convenceu um maluco a fazer uma insanidade.

Com um calor demente e com uma preparação insensata meteram-se a correr por um caminho insano.

A sofrer como seria de esperar tiveram momentos em que perderam a razão.

Mas uma canja divinal trouxe o juízo para um nível de apenas alienação.

E mantendo um estouvado espírito de união o Ouro (a praia!) lá alcançaram!


PS - Após 9h40 ao sol era espectável que alguns (todos?!?) os neurónios tivessem fundido mas se souberem de mais algum sinónimo de loucura estejam à vontade de partilhar. 

quinta-feira, 17 de abril de 2014

5º Trilhos do Almourol (Maratona Trail) - 06 Abril 2014

É bom para estreias, diziam eles... É rolante e tens de ter cuidado com os entusiasmos, diziam eles... São "só" 42km, diziam eles... MAS COMO É QUE EU ME DEIXEI ENGANAR DESTA MANEIRA!

Efectivamente fazer a inscrição foi um acto de insanidade, mas terminar esta prova só veio confirmar o meu louco diagnóstico.

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Toda esta prova foi concertada com o Sílvio. Foi ele que me convenceu a inscrever e seria com ele que haveria de correr a prova. Na véspera da prova a logística da deslocação para o Entroncamento foi alterada drasticamente e acabámos por ir de boléia com uns companheiros de treino de Monsanto. Foi uma viagem muito divertida, sempre na conversa sobre temas variados, ou não... ;)

Chegámos ao Pavilhão com imenso tempo e deu para ir nas calmas levantar o dorsal, o que fiz quase instantaneamente. Já se vivia um clima de festa dentro da pavilhão. 
Vamos lá começar a tirar fotos que tenho um blog para sustentar...
Depois de uma frenética demanda por um wc livre lá voltei para o carro para equipar. Verifica e torna a verificar o material para ver se não falta nada. Parece que nem toda a gente leu a parte das instruções finais sobre a necessidade de levar um copo (que depois nem foi assim tão crítico porque a organização facilitou copos de plástico). Eu não tenho nenhum copo xpto todo profissional pelo que tive de levar um da minha filha que saiu numa refeição alegre. Mas devo dizer que funcionou muito bem e não incomodou nada durante a prova.
Tcharam! E com efeito holográfico e tudo!
Já a caminho dos autocarros que nos levariam para Martinchel encontrámos a Isa e o Vitor que aguardavam o outro autocarro para Constança. O ambiente no autocarro era animado e continuámos na conversa o tempo todo. Foi aqui que, com o passar dos kms para chegar à partida, começaram as dúvidas. Todo aquele caminho de ida que confortavelmente estávamos a realizar sentadinhos, teríamos que o fazer a pé...às voltinhas no sobe e desce...

A linha de partida era o portão do Parque de Campismo da Barragem de Castelo de Bode. Entrar no parque era o controlo 0 e como ainda faltavam alguns minutos para as 10h ficámos mais uns minutos na galhofa e depois de alguma insistência lá conseguimos tirar uma foto da equipa.
A grande equipa! João, Rui, Sílvio, Eu, Nuno e o Luís
Fomos ouvir o briefing da organização onde fomos informados que devido às chuvas o percurso iria ter uma pequena alteração e que iríamos ter "alguma" lama (as aspas fui eu que coloquei). Achei imensa piada à mochila do atleta que estava à minha frente no briefing.
Alguém que leva muito a sério o cargo!
E estava na hora. O orador inicia a contagem decrescente: 5 (Epá, afinal isto não é apenas estar na galhofa com amigos)... 4 (e colocar equipamento porreiro)... 3 ( e estudar até à exaustão o perfil vertical)... 2 (se calhar ainda vou ter que correr)... 1 (isto vai doer)... Beeeeepppppp! (Vamos lá pernas eu acredito em vocês!)

Mal se dá a partida metade do grupo sai desaustinado e só os veríamos na chegada já com o banho tomado. Eu o Sílvio e o João engrenamos num passo mais reduzido e acabaríamos por fazer toda a prova juntos. Os três primeiros km são de sonho. Correr sobre o paredão da barragem e depois descer mais de 120m em alcatrão até às margens do Rio Zêzere. Sempre na galhofa e a um ritmo controlado (porque afinal estávamos a correr uma Maratona) que mesmo assim foram os km's mais rápidos de toda a prova. À medida que relógio vai marcando os km, o pensamento é: Epá, se calhar isto até se faz!
Uiiiii. Epá , isto se calhar até se faz!
Perto do 3km saímos do alcatrão e entrámos nos primeiros trilhos, e logo ao fim de alguns metros paramos perante uma fila interminável de atletas. Eu já tinha lido relatos de engarrafamentos em provas de trilhos, mas achei os mais de 15min de espera após ter corrido apenas 15min uma barbaridade. Os obstáculos eram, primeiro uma descida mais técnica para entrar no trilho e depois uma subida inclinada que tinha uma corda e um elemento da organização a ajudar. Uma ressalva, a organização esteve impecável em toda a prova. Muito bem marcada, bons abastecimentos e sinalização de perigo nas zonas mais problemáticas. No entanto, este obstáculo tão perto do inicio (principalmente porque até ali tinha sido ultra rolante) foi muito mal pensado, principalmente porque era perfeitamente evitável.
Hora de ponta em Almourol. Onde está o Wally?

A mão amiga da organização.
Os km's seguintes foram simplesmente espectaculares. Seguindo sempre por trilhos, primeiro subindo umas colinas com vistas deslumbrantes e depois descendo em direcção ao Rio Nabão que iríamos acompanhar até à foz no Zêzere. Eram trilhos algo técnicos (pelo menos para mim) que incluíam algumas subidas onde a organização tinha colocado cordas para facilitar.
"Muito rolante, cuidado com os entusiasmos"
Com as pernas frescas e o espírito embevecido comecei a cometer erros. Primeiro colocámos um ritmo demasiado rápido para a minha forma actual (só para referencia nesta altura ia acompanhando atletas que acabaram quase 1 hora antes de mim). Segundo não hidratei o suficiente, embora o céu estivesse encoberto, a humidade relativa era muito elevada e ao fim de alguns minutos estava completamente encharcado. Terceiro, falhei completamente a parte da alimentação e lá para o 11km comecei a sentir fome.
O sorriso ficou perdido entre a ordem do cérebro para os "Likes" manuais
Junto à foz do Nabão surge um dos momentos mais giros da prova, com a travessia do mesmo por uma ponte militar. Mais uma vez a organização esteve muito bem e nem faltou reportagem fotográfica!
Para a próxima vou à frente... Aquilo com os três balançava bastante...
Mas mesmo com todo o entusiasmo a progressão era tão lenta que fiquei verdadeiramente surpreso por termos levado quase 2h para chegar ao 2º abastecimento ao 12km, o primeiro com sólidos. A minha experiência neste tópico era quase inexistente pelo que considero que os abastecimentos estiveram muito bem, variados e com abundância. Como ensinamento fica a necessidade de levar salgados, estou habituado a que nas provas de estrada haja sempre isotónico o que normalmente para mim é suficiente para repor os sais perdidos, mas nestas provas para além de não existir isotónico é obrigatório fazer um reforço.
Mais um autoretrato para colorir o post e mostrar como o percurso estava bem marcado!
Seguimos caminho com o João sempre na dianteira e rapidamente ultrapassamos o pico do percurso. A partir da até Constança o caminho "abre" um pouco e permite correr mais à larga. Também permite que sigamos na conversa e como sempre que me distraio um pouco, torço o pé. Nada de muito grave, nem chego a parar, mas fica a dorzinha e o espírito nunca mais volta a ser o mesmo.
A grande equipa apanhada em plena acção! Com o João sempre na dianteira.
Passamos por Constança e entramos num trilho no leito do Rio Tejo. Por vezes passamos tão perto da linha de água que se o Rio tivesse mais uns centímetros de caudal estaria submerso. É um percurso muito belo e praticamente plano o que permite efectuar o troço da prova mais rolante (e praticamente único). Para completar o quadro no fim deste troço temos a vista deslumbrante do Castelo. Aqui "obrigo" o meus companheiros a parar e imortalizar o momento.
O postal para mais tarde recordar.
E depois de escalar mais uma subida alcançamos o 4º abastecimento no 27km. Desta vez levámos o nosso tempo. Já tínhamos mais de 4h de prova e ainda acreditávamos que as 6h eram possíveis. Mas nada nos podia preparar para o que iríamos apanhar a seguir.

O telemóvel há muito que não saía do bolso e a partir do 30km o meu cérebro deixou de ter disponibilidade para registar a experiência para se focar unicamente em controlar as ameaças de caimbras e evitar encharcar os pés, batalha que perdi no 33km. Provavelmente esta parte do percurso era igualmente bela, mas para mim apenas ficou registado o sofrimento. O Sílvio bem tentava manter o moral e decidiu que tínhamos de tirar uma foto no 34km para marcar o nosso record em trilhos.
O sorriso digno de um oscar. Aqui estava mais com vontade de chorar...
A lama começou a surgir com mais intensidade mas a bem ou a mal lá chegámos ao 5º abastecimento no 35km. E aqui cometi o último erro. Não recuperei o suficiente, não hidratei o suficiente e não comi o suficiente. Estava a ficar saturado e queria chegar o mais rapidamente possível ao final.

Obviamente que os sintomas não diminuíram e numa descida um pouco mais exigente no 37km tenho uma caimbra no gémeo esquerdo. Mas uma senhora caimbra que me joga para o chão. Eu bem grito (ou pelo menos o meu cérebro gritou bem alto mas pelos vistos não foi assim tão sonoro) mas como ia atrás os meus companheiros não se apercebem e depressa os deixo de ver. Fico ali o que me parece uma eternidade a alongar até que aparece o João que entretanto voltou para trás. Eu bem insisto para que continuem porque vou ter que reduzir ainda mais o ritmo, mas  eles persistem e continuamos todos juntos.

Felizmente recupero um pouco mas apenas para entrar naquilo que denominei como o calvário de lama.

Lama?!? Qual lama?!?!
Por esta altura já estou completamente curado da síndrome de maçarico e nem tento evitar a lama e a água. Nunca mais me vou queixar de ter de molhar os pés! Perdi a conta aos túneis sob as estradas por onde passámos que, com as chuvas dos dias anteriores, estavam cheios de água. Obviamente que nesta fase o meu discernimento já estava um pouco toldado mas algumas destas passagens eram desnecessárias e revelavam laivos de sadismo, como por exemplo o túnel na foto abaixo.
Este era o lado raso... No outro lado a "água" chegava quase à cintura.
Os km's iam passando muito devagar num ciclo interminável de lama e água até que, no meio de um pântano chegámos ao último abastecimento. Era suposto estar no 38km mas o GPS já marcava 40,5km. Esta discrepância não agoirava nada de bom. A cada custosa centena de metros o ânimo esmorecia e só queria que chegasse o 42km. Quando o relógio apitou para o 42km no meio de um lamaçal tive um momento de desespero. Considerei seriamente em sentar-me no chão e gritar "Quero o pavilhão já!", mas depois o facto de ter lama até ao tornozelo ajudou a desistir da ideia e continuar a arrastar-me.

No mesmo instante em que passamos o 43km deixamos a lama para trás e chegamos finalmente à civilização. Sonho por momentos que o pavilhão está já ali e fico irritado com o senhor da organização que me manda virar à esquerda e entrar no Parque Verde do Bonito. Fazemos todo o parque e continuo a não ver o pavilhão. Já tudo me irrita e o atleta que segue comigo sempre a vociferar com dores num joelho também não ajuda. Mais um ribeiro, mais uma barreira para subir e passamos o 44km e pavilhão nada. Acelero o ritmo, as pernas aguentam. Volto a acelerar e tento apanhar o Sílvio. E de repente lá este ele, nunca tinha desejado tanto ver um edifício como naquele momento. O Sílvio espera por mim e entramos no pavilhão juntos e parece que estamos a acabar a maratona olímpica! O João havia terminado uns minutos antes. Um senhor da organização aproxima-se e insiste em colocar-me a medalha ao pescoço. Fico ali meio zombie a tentar comer qualquer coisa que nem me lembro de tirar mais fotos.


Foram 7h08m, quase 45km e 1150m D+ de aventura em excelente companhia. Sendo que a companhia foi o motivo do sucesso, não tenho dúvida nenhuma que se estivesse sozinho o desfecho não teria sido este. O meu muito obrigado!

O pessoal estava com pressa para voltar para Lisboa. Pelo que foi só o tempo de tomar um duche e enfiar-me na parte de trás do carro, local onde estava quando tive a mais dolorosa caimbra que já alguma vez tive, agora no gémeo direito e sem espaço para alongar.
Sim a minha medalha diz 44km!
O pensamento mais recorrente nesta prova foi: não tenho vida para isto. Este tipo de provas requer treinos muito longos e actualmente isso não é possível. Antes de fazer esta prova o meu mantra para Sesimbra era: são só mais 13km. Agora é mais: como é que é possível sobreviver a mais 13km! Estou com bastante receio de Sesimbra. Felizmente o tempo amortece tudo e como estou a escrever este post quase duas semanas depois dos acontecimentos Sesimbra já não me parece assim tão impossível...