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quinta-feira, 29 de outubro de 2015

Há esquilos em Monsanto II

Fez hoje 2 anos que me estreei na "Hora do Esquilo", e como tal, decidi assinalar aqui a data.

Foi um pequeno acto de fé mas que teve enormes repercussões na minha vida desportiva. Vendo em retrospectiva talvez se tenha aproximado mais da loucura: com praticamente zero experiência em trilhos, correr de noite em Monsanto e ainda por cima com um grupo "avançado". Claro que, na altura, eu não sabia esse pequeno detalhe, nem facebook tinha! Felizmente acertei em cheio no dia para fazer uma estreia. A Convocatória foi:

*** HORA DO ESQUILO *** 29/OUT/2013 ***
Treino em ritmo sereno-tranquilo.
Excelente oportunidade para conhecer a primeira parte do percurso Trepador, mas num ritmo ao alcance de todos, ninguém fica para trás!

29/10/2013 A minha primeira esquilo-foto!
Após 2 anos de idas à "Hora do Esquilo" e em perspectiva foi efectivamente um treino muito "sereno" mas o ideal para me fisgar ao trail. Foi com esta malta que fiz os treinos mais duros e os mais divertidos. Agora lembro com alguma nostalgia os treinos em que completamente desorientado na noite de Monsanto (antes de começar a correr à Hora do Esquilo nunca tinha corrido em Monsanto) com o coração no limite, no fim do grupo a tentar desesperadamente não perder contacto com as luzinhas da frente. Épico.
13/03/2014  <TTT> "Apenas" o treino mais brutal que já fiz nos Esquilos!
Mas acima de tudo o que me prendeu ao grupo é o fantástico ambiente. Sempre a puxar uns pelos outros e a partilhar as várias experiências. É sem dúvida esse o grande sucesso deste treino, com um registo diário nestes 2 anos praticamente imaculado (que me lembre apenas por um par de vezes não houve quórum).
29/05/2014 Neste dia calhou-me a mim tirar a tradicional esquilo-foto.
Como todas as sequelas também esta se deve ao sucesso do post original. Com mais de 950 visualizações é de longe o post mais lido aqui do estabelecimento. Provavelmente muitos dos leitores que aqui vieram parar ou queriam ver fotografias de esquilos verdadeiros ou andavam, tal como eu fiz há 2 anos, à procura de mais informações antes de se aventurarem em irem correr de madrugada para o meio do mato. Por esse motivo decidi escrever este post.

A regra mais básica do grupo é: ninguém fica para trás! Mesmo que isso signifique que os mais rápidos andam a fazer "piscinas" para trás e para a frente. É óbvio que em alguns treinos isso não é confortável quer para os rápidos como para os lentos (porque na realidade a tradução da regra é: o último não descansa!).
04/05/2015 Trepador, Tubarões, Sustos e Fantasmas... Daí a minha cara... 6 da manhã e estava eu já preparado para bater uma sestinha sozinho no parque de estacionamento quando me batem no vidro... 180bpm logo ali e o aquecimento ficou feito. Depois, toca de seguir o Luís, qual rêmora e ouvir tilintar e ver vultos pelos trilhos de Monsanto.
Quando me perguntam sobre se terão preparação física para um treino a minha resposta costuma ser: provavelmente sim afinal de contas eu fui praticamente sem nunca antes ter corrido em trilhos. Mas para primeira vez, sugiro experimentarem a ir num dia em que a convocatória seja mais moderada. Há convocatórias no grupo do Facebook todos os dias com a ementa para o dia seguinte. A descrição costuma ser sempre algo enigmática e cheia de siglas mas com um pouco de pesquisa conseguem descobrir o que se trata. Para primeira vez sugiro que evitem convocatórias com as siglas "SSB" (Sabor a Sangue na Boca), "TTT" (Trepador Time Trial) ou qualquer outra que inclua as palavras "RedLine" ou "Diabólico". Procurem antes um "FF" (Fluffy Friday) ou "RSS" (Rolador Sem Stress) de preferência após uma grande prova do trail nacional, que o pessoal costuma estar mais calminho quando está todo empenado.

Para participar? :) Basta aparecer às 6h no parque de estacionamento da estrada do Penedo (junto às antenas) e dizer "Bom dia"!
29/10/2015 Hora do Esquilo by Drone, hoje até houve tecnologia!
PS - Obrigado grande Timoneiro e boa sorte no novo desafio que se avizinha!

quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

Adeus 2014...

Truz truz truz... Está ai alguém? Ouvi dizer que isto é um blog de corrida mas posts está quieto... Se calhar já punhas um "trespassasse" na entrada... Pode ser a tua resolução de Ano Novo!



É verdade, mea culpa, nos últimos meses tenho andado muito desleixado. Podia culpar a falta de tempo ou mesmo o facto de não ter participado em nenhuma prova nos últimos meses, mas a verdade é que tenho tido muita preguiça. Eu até começo a escrever, como são testemunho os 3 ou 4 posts que tenho semi escritos, mas depois o momento passa e acabo por desistir e não os terminar.

Mas embora a actividade literária tenha esmorecido na ponta final do ano, a actividade física tem continuado em bom ritmo. Ainda hoje completei mais um dos meus treinos especiais "2/3 Maratona Rise&Shine", o último de 2014. Foram 28km pelas ruas adormecidas de Lisboa com o nascer do sol à beira Tejo. Acordar de madrugada a meio da noite tornou-se uma necessidade para conseguir encaixar estes treinos, e devido à "logística", nunca consegui convencer ninguém a acompanhar-me. Mas até tem sido bom. Dizem que sou o gajo introspectivo e estas horas permitem-me tempo para assentar ideias. Em oposição às corridas em trilhos em que um só cérebro é insuficiente para coordenar toda a actividade e assim evitar testar o principio físico da gravidade.

Tenho continuado a balancear os treinos de estrada com os de trilhos, e embora não tenha participado em provas nos dois últimos meses, fiz dois treinos épicos em Sintra com a malta da "Hora do Esquilo".
Sintra Non Stop - Grande treino com a elite dos "Esquilos"... Um "rolador" com 1150m D+ num ritmo no limiar do RedLine! 
Mula-GuinchoVelho-Peninha
Mas este é o dia dos balanços e dos números e por isso não posso passar ao lado de alguns.

Se 2013 foi o ano da Maratona, 2014 foi o ano da Ultra-Maratona! Na realidade foram 2 oficiais e mais 1 não oficial, sem contar com a repetição da Maratona de estrada em Lisboa. Mas se tivesse de escolher uma palavra para 2014 teria de ser "Trail". Depois de anos a desdenhar o pessoal que largava a estrada para se dedicar aos trilhos, também eu caí no engodo e fiquei agarrado. Muito graças às companhias. Perdi a conta às vezes que acordei às 5:25 para ir correr para Monsanto com uns "loucos" e até arranjei um outro louco para me acompanhar das minhas ultra loucuras. Continuo a gostar de correr em alcatrão e mais de metade dos km's de 2014 foram feitos com sapatilhas de estrada.

Mas chega de conversa e vamos lá aos números!

Corridas: 225
Distância: 2898 km (1718 em estrada, 1180 em trilhos)
Tempo: 278h 
Ganho de elevação: 46750m

Quando olho para os "objectivos" que escrevi no início do blog quase me dá vontade de rir. Foram mais 1000km que em 2013 e se o ano tivesse mais uma semana alcançava a barreira dos 3000. Foram em média quase 5 treinos por semana a que ainda é preciso juntar as 26 aulas de Spinning e outras tantas de Pilates. Foi sem dúvida o ano mais activo de sempre e os resultados surgiram, não só na conquistas das distâncias mas também com novos RP nos 10km, Meia e Maratona.

Mais uma vez contei com a paciência e o apoio da minha linda esposa. Embora tente sempre minimizar o impacto na vida familiar é ela a minha pedra angular. Obrigado!

A todos um grande 2015 com saúde e cheio de boas corridas! Termino com o resumo do último treino de 2014 e um convite para me acompanhar num próximo "Lisboa Rise and Shine!".

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

A Vida, o Blog e a Maratona

Manter um blog é uma tarefa que consome muito tempo, principalmente para quem a vocação para escrever é algo duvidosa. Era algo que eu sabia desde praticamente o dia 1 do "Só mais um blog de Corrida" mas que se tornou enorme nos últimos tempos.

Não, isto não é um post de despedida, é assim mais um post de redimição. Pela primeira vez não consegui terminar um post em tempo útil e, associado ao facto de não ter participado em provas durante mais de um mês, levou a uma ausência demasiado prolongada.

A  verdade é que o tempo disponível diminuiu consideravelmente e entre treinar ou escrever acho que compreendem qual foi a opção. Embora as idas a Monsanto à Hora do Esquilo se tenham tornado mais difíceis, a verdade é que tenho corrido bastante, tendo inclusive batido em Agosto o meu record de km num único mês.

Alguns dos eventos a que fui mereciam posts para a posteridade mas já interiorizei que não vai acontecer.

Irá ficar por registar os épicos treinos na noite de Sintra com a malta do Trail da Salamandra e como fiz, já para lá da meia noite, o trilho das pontes sozinho depois de ter perdido contacto com o grupo da frente e não saber se vinha alguém atrás, certamente uma história para mais tarde recordar.
Trail da Salamandra LX - Mas que grande estreia na Salamandra! 26km em grande ritmo!
Ou a "Corrida à Sexta" por terras Algarvias onde fiz o Trail de Sta Catarina Fonte do Bispo. Mais uma corrida nocturna com malta muito divertida.
Corridas às Sextas - Trail de Sta Catarina Fonte do Bispo. 12km, 500m D+ a ritmo alucinante. Muito bom!
Também irá ficar por contar o dia em que depois do trabalho convenci a malta a ir para Monsanto correr pelos trilhos (achei o que percurso "Trepador" era um bom cartão de visita). E como ali algures a meio da subida do cozido cheguei a temer pela minha integridade física tal era o estado de espírito dos meus convivas.
Trail EO. Um treino diferente mas com muito bom espírito! 
Ou ainda o meu mini-trail pessoal na Madeira e como fiquei sequioso de correr "à séria" pelas veredas da ilha. E como ao regressar ao continente fui logo pesquisar o MIUT e depois de ler sobre o assunto achei que era "Trail" a mais para a minha camioneta.
O "meu urban trail no Funchal". O bichicho de correr pela Madeira cá ficou...
A palavra "MARATONA" não está no titulo deste post apenas para chamar à atenção. De facto no próximo domingo irei estar em Cascais para "tentar" completar aquela que será a minha segunda Maratona de estrada. E porque "tentar", porque ao contrário do ano passado, em que durante 4 meses vivi, sonhei, treinei, respirei Maratona, este ano a "preparação" não existiu.

Ponderei seriamente em escrever um post apenas sobre a minha "preparação", iria chamar-lhe "Como NÃO preparar uma Maratona" mas depois achei que bastaria colocar aqui neste os tópicos e assim, ter uma justificação para quando a Dª. Maratona não fizer prisioneiros...

Ponto 1: Não fazer um plano de treinos. 
Uma das partes mais exigentes da preparação é ter que seguir um plano de treino. Ter sempre aquela dor na consciência ao faltar a um treino ou ter que se levantar às 5 da manhã porque o plano diz para ir correr um longo. O melhor é mesmo nem fazer plano e correr o que bem me apetece. Correr com os amigos, correr em trilhos, correr quando posso e como me dá prazer.

Ponto 2: Não fazer treinos de séries.
Isso de correr séries doi muito. Só de pensar que tenho de ir correr séries dá-me logo uma soneira que nem o despertador me acorda. O melhor é mesmo ir correr com a malta em trilhos que é muito mais divertido.

Ponto 3: Não fazer treinos longos.
Longos exigem muito tempo, são uma seca e doem muito. Só de pensar que tenho de me levantar às 5h da manhã faz-me logo esquecer de ligar o despertador. Correr um par de horas por Monsanto deve fazer o mesmo efeito, certo? Para descargo de consciência ir correr 32km duas semanas antes só para ter a certeza que não me fico pelo Cais do Sodré.

Ponto 4: Não dizer a ninguém que vai correr outra Maratona.
Com uma preparação deste gabarito o melhor é nem dizer a ninguém para não me pressionar. Ao contrário do ano passado em que até o familiar do amigo do vizinho me tinha ouvido falar da Maratona, este ano, praticamente ninguém sabia. Até à Inês só lhe disse há poucas semanas o que correu muito bem! A minha esposa é um espectáculo e não se importou nada de ter de ficar com as duas pestes o dia inteiro enquanto eu me vou escalfar.

Ponto 5: Apesar dos pontos anteriores, planear um ritmo para a Maratona de forma a melhorar o tempo do ano passado em que se preparou durante 4 meses seguindo um rigoroso plano de treinos.
Porquê não sonhar? Se consigo manter esse ritmo confortavelmente basta multiplicar por 42, certo?

E pronto, termino este post com a promessa que no Domingo cá voltarei para contar o resultado da minha não preparação.

Vejam o comic completo em aqui. Vale mesmo a pena!

terça-feira, 1 de julho de 2014

Treino e a 10K UNICEF

Durante o fim de semana fui surpreendido com um email da organização da corrida 10K UNICEF, a convidar-me para um treino na segunda-feira. Seria um treino para divulgar a prova e segundo o email haveriam várias surpresas. Ao principio fiquei um pouco desconfiado, afinal de contas nem sabia que se iria realizar a prova. Tenho andado um pouco desligado das provas de estrada mas, pelo que percebi depois, penso que também não tenha existido muita divulgação.
E assim, ontem às 19h estava com o meu amigo Duarte na zona Santos prontos para um treino à beira rio. Reparei de imediato que existiam imensas camisolas amarelas do "Correr Lisboa", e na realidade foram eles que dinamizaram o treino. Após alguns minutos à espera lá tirámos uma foto de grupo e após um breve aquecimento começámos finalmente a correr.
O grupo! (Foto do FB do "Correr Lisboa")
Habituado a grupos de corrida mais pequenos fiquei um pouco intimidado com o tamanho do grupo, até porque, embora tivesse reconhecido algumas caras de outras corridas, não conhecia mais ninguém. O objectivo era fazermos 8km. Rapidamente o grupo começou a dispersar-se e nós optámos por seguir num passo "confortável" o que nos levou a seguir quase na totalidade do percurso com o grupo da frente. Sempre na conversa com o Duarte dissertarmos longamente sobre quem teria prioridade na ciclovia: os ciclistas ou um grupo de várias dezenas de corredores. :)
O treino à beira Rio num ritmo "confortável"... (Foto do FB do "Correr Lisboa")
O grupo da frente foi progressivamente aumentando o passo e acabámos por perder o contacto, pelo que quando passámos pela 1ª surpresa íamos praticamente sozinhos. A 1ª surpresa era a extraordinária Rosa Mota! 

Regressámos aos ponto de partida, e após esperarmos por todos os atletas fomos para a explanada de um bar ali perto onde nos esperavam as outras surpresas: garrafas de água e uma T-shirt do evento.

Ficámos ali um pouco na conversa com a Rosa Mota e claro que tinha de aproveitar a foto-oportunidade!
Para um dia explicar à Margarida que esteve ao lado de uma lenda (Foto do FB do "Correr Lisboa")
Gostei muito do treino mas, infelizmente, estes treinos ao final da tarde são logisticamente muito complicados para mim. Muito obrigado à malta do "Correr Lisboa".

Mas voltando à prova em si. É muito mais que uma corrida, é um causa merecedora que todos podemos abraçar.


A corrida 10k UNICEF Sport Zone é uma oportunidade de corrermos todos por uma causa.
Teste a sua boa forma, o seu fairplay e associe-se a uma boa causa. Qualquer que seja a sua idade, amadores ou profissionais do atletismo, todos são bem-vindos. O que importa é a sua participação!
Ao ritmo que preferir, o desafio é correr ou andar com a UNICEF pelas crianças.


Todas as receitas revertem para a UNICEF, sendo mesmo possível obter um recibo de donativo relativo ao ingresso. Todas as marcas envolvidas pagarão a sua inscrição. O evento terá lugar no próximo dia 6 de Julho num percurso com partida em Entrecampos, pelas 9h30, e chegada na Praça dos Restauradores.

A Rosa Mota, como a embaixadora oficial, pede que não venham sozinhos: "Tragam um amigo e peçam a esse amigo para trazer mais outro". Eu já estou inscrito já fiz o meu donativo e esta é a minha forma de pedir aos meus amigos que venham comigo! ;)

Inscrições (até às 23h59 de dia 4) e mais informações em: http://10klisboa.pt/

quinta-feira, 12 de junho de 2014

"Mon parcours course à Genève"

Esta semana A semana passada tive de ir em trabalho a Genebra. Era uma viagem curta mas a ideia de ir fazer uma corridinha por terras Suíças começou mal tive a confirmação da mesma. Comecei logo a pensar numa "Hora do Esquilo" pelas margens do lago, mas "infelizmente" os voos estavam todos cheios e só me conseguiram marcar avião para o dia anterior à reunião logo de manhãzinha. Lá tive a "chatice" de me levantar às 4:30 para ir para o aeroporto e ter uma tarde inteira em Genebra sem "nada" para fazer... Obviamente que o treino curto na manhã antes da reunião se transformou num longo na tarde agora disponível.
Os Pirenéus a 35000 pés de altitude... um dia quero correr alí!
Ia a ser um 2 em 1: conhecer a cidade que nunca tinha visitado a fazer aquilo que mais gosto de fazer, correr! Nos dias que antecederam a viagem, não tive muito tempo para planear um grande percurso. Tirei um mapa de Genebra, coloquei-o no OruxMaps e vi, muito por alto, um circulo de cerca de 40km que me levaria do hotel pelos principiais pontos de interesse da cidade e de volta ao hotel. A ideia era ir num ritmo de passeio uma vez que o principal era admirar as vistas!

Chegado a Genebra, check-in no hotel e siga para que se faz tarde! Para uma viagem de um dia imaginem em que consistia 80% da minha mala? :) Com uma meteorologia perfeita, 18ºC e céu pouco nublado, não podia pedir melhor.
O hotel em forma de donut
Mal saio do hotel tenho logo a sensação que isto vai correr muito bem. Primeiro há ciclovias por todo o lado, não há cá calçada de pedras irregulares. Ao longo de todos estes anos levei cá uma lavagem cerebral da rectidão suiça que no início até tinha receio de correr nas ciclovias não tivesse a cometer um qualquer delito. Mas rapidamente percebi que os peões convivem pacificamente com as bicicletas e vi imensas pessoas a correr. Depois mal me aproximo de uma passadeira os carros param imediatamente e cedem passagem, neste aspecto exactamente como em Portugal... Só os semáforos são uma seca... Levam imenso tempo e o sangue tuga empurra-me para furar o sinal. Mas, mais uma vez, o receio de ser condenado judicialmente por passar um sinal vermelho para os peões faz-me respeitar TODOS os semáforos que encontrei pelo caminho, mesmo quando não estavam a passar carros! Cidadão exemplar!
A ciclovia junto ao aeroporto com a linha a separar os peões dos ciclistas
Os primeiros kms, entre o Aeroporto onde ficava o hotel e as margens do Rio Rhone, são efectuados por uma zona moderna de edifícios de escritórios. Mas, sempre guiado pelo Oruxmaps, rapidamente entro num sistema de caminhos que me levam até às margens do rio. Passo uma das inúmeras pontes pedonais e para minha surpresa chego a um bosque que ladeia o rio quase até ao centro da cidade. Sem esperar tenho a oportunidade de correr nuns trilhos fantásticos, sempre em single-tracks num sobe e desce constante. Não me aventuro muito nas descidas porque estou com as sapatilhas de estrada e já estão um pouco lisas mas aproveito para recuperar nas inúmeras escadas que encontro.
Escadas! Para treinar para os ESS...
Single-tracks encavalitados junto às margens do rio
Com algum pesar deixo o bosque e sigo em direcção ao centro da cidade. Aqui o plano passa por ir de parque em parque até ao ponto de interesse seguinte. Passo pela "Plaine de Plainpalais", pelo "Mur des Réformateurs" e deembulo durante algum tempo pela "Vieille-Ville". Sigo na rota dos parques e corro no "Parc Alfred Bertrand", pelo "Parc de la Grange" e chego finalmente às margens do lago.

O que mais me capta a atenção é a água cristalina, a água do aquário das tartarugas da minha filha está habitualmente mais turva que aquela àgua do lago. Após mais uma eternidade para passar uns semáforos, começo a contornar o lago pelo passeio junto à linha de água. Faço quase 7km neste registo e passo por mais alguns incontornáveis de Genebra, como o "Jeu d'Eau","Île Rousseau" e a "Square de Alpes".

O jacto de água é verdadeiramente impressionante, agora o de Paço de Arcos parece um repuxinho mortiço... Não resisti e, mesmo a ter que andar devido à quantidade de pessoas, fui quase até à base do jacto.
O jacto em contra luz!
A foto postal em Genebra
Continuo a picar os parques da cidade e corro pelos "Jardin Anglais", pelo "Parc Mon Repos" e chego finalmente ao "Jardin Botanique" que marca o fim do percurso junto ao lago. Demoro-me a passar neste jardim, principalmente numa zona de caminhos estreitos que simulam os vários tipos de bosques da Suiça, simplesmente lindo.

Tento entrar numa das estufas do jardim mas já está fechada... Estranho, olho para o relógio e já são quase 17h! Tinha combinado ir jantar com uns primos e já estava a ficar atrasado! Tento atalhar caminho em direcção ao hotel e já não consigo ir ver o edifício das Nações Unidas. Ainda passo ao lado da missão dos EUA mas até tenho medo de ligar a câmara e por isso não há fotos, mas é um edifício impressionante, completamente forrado a paneis solares.
Os caminhos do Jardim Botânico
O edificio da World Health Organization no campus das Nações Unidas
Como já estava a ficar atrasado esta é a altura em que corro mais de seguida quase sem paragens, mas ao passar num supermercado tenho que parar e fazer um "abastecimento" de emergência que já estava a ficar esfomeado. Felizmente existem inúmeras fontes de água pela cidade, todas assinaladas como potaveis e todas marcadas no meu mapa, o que foi muito útil.

Regressei ao hotel quase 5h30 depois de ter saído (4h40 de tempo de corrida) e com quase 37km. Foi um bom treino longo mas o mais importante foi ter conhecido uma linda cidade de uma forma original.
Obviamente que levei a minha câmara e com ela fiz a minha 2ª tentativa de realizador de trazer por casa. Fica aqui o registo do "Mon parcours course à Genève"!


quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Janeiro e inicio de uma nova paixão...

Já tinha mais ou menos desistido de escrever resumos mensais. Primeiro porque o tempo para escrever é agora muito curto e eu continuo uma lesma a escrever. Depois porque na maior parte das vezes para as situações interessantes já crio posts específicos e o resto dos treinos não são assim tão notáveis.

No entanto este mês foi algo diferente. Foi um dos meses mais activos em termos de treinos, em grande parte devido às idas aos treinos à "Hora do Esquilo", ou simplesmente "Esquilos". Depois dos vários problemas com os entorses, finalmente parece que consegui ganhar o mínimo de técnica para que não ocorram problemas em todos os treinos, o que tem deixado espaço para apreciar as correrias loucas pelos trilhos escuros e lamacentos de Monsanto!

São treinos muito duros (à terça e à quinta, às sextas é mais acessível e o dia perfeito para experimentarem ;) ). Só para dar uma perspectiva eu vou apenas quando a convocatória não inclui as palavras "RedLine", "Infernal", "Sangue na boca" ou "Diabólico". E mesmo assim só apareço quando tenho a certeza que vão alguns dos elementos com um ritmo parecido ao meu, para desta forma ter companhia no fim do grupo. Sim, neste grupo vou quase sempre a fazer de grilheta aos tubarões (a sorte é que a malta mais rápida vai esperando nos cruzamentos senão já tinha ficado perdido em Monsanto). Mas no fim fica sempre um pontinho de orgulho por ter conseguido (minimamente) seguir o grupo. Houve um momento sem preço quando, no fim de um treino, passámos por um outro grupo de corrida que estava a começar e ouvi um "lá vêm os esquilos".
Um dos pontos obrigatórios é a foto no final, já estou a ficar com uma bela colecção!
Dado que a "Hora do Esquilo" é das 6h às 7h e já não dá para voltar a casa, sigo directo para o ginásio e aproveito o tempo para fazer mais qualquer coisa. Um género de bi-diário mas muito juntinho. Estas loucuras actividades permitiram ter o mês com mais horas de exercício. Isso, e claro a aventura de 5,5 horas em Sintra. :)

A paixão pelo Trail atacou em força em Janeiro, e embora o número de km em estrada tenha sido um pouco superior aos km em trail, em tempo o trail ganhou destacado!


Outro ponto interessante foi a subida acumulada. Em Janeiro alcançou os 5015m o que representa metade da subida acumulada DE TODO O ANO DE 2013! 

Foram quase 245km, o que eleva este mês ao 3º lugar no pódio dos meses com mais km (apenas superado pelos 2 meses de preparação para a Maratona).

E claro, não podia terminar o resumo do mês sem mencionar o companheiro de grande parte destes treinos o Sílvio,  sem o qual estes não seriam possíveis (não me sinto confortável em ir para os trilhos sozinho e para além disso com companhia é muito mais divertido!). Obrigado e siga para mais que o ultra objectivo ainda não está completamente foram de questão ;)

Treininho 5* em Monsanto!


domingo, 12 de janeiro de 2014

Tenho uma hipótese!

Esta piada só percebe quem tem de ver o canal panda de manhã à noite...
Nos últimos tempos tenho andado a fazer alguns treinos em trilhos. Foi o UTSS, vários treinos em Monsanto à hora do Esquilo e ultimamente até o Passeio Marítimo parece um percurso de trail! Pela primeira vez este mês tenho mais km feitos em trilhos do que em estrada.

Estes treinos em Monsanto têm sido um abrir de olhos para um novo mundo. Primeiro porque a pressão sanguínea deve ser tão alta que até os olhos ficam esbugalhados. Se noutros treinos com companhia costumo ser o elemento que tem de reduzir o passo, neste sou o gajo que vai na cauda do grupo e que o resto do pessoal tem de esperar... Por outro lado correr com pessoal tão experiente permite ganhar rapidamente alguma técnica, mais não seja para sobreviver aos treinos. São treinos muito duros a acrescentar o facto de serem de noite e, com as chuvas dos últimos tempos, com muita lama.

Nestes meus treinos não voltei a torcer o pé. Hurra! Mas tive várias ameaças. Ao analisar todas as situações há algo comum em todas elas. Ao contrário do que seria de esperar todas aconteceram em zonas relativamente planas, sem dificuldade técnica e os casos mais graves em alturas em que ia na conversa. Tendo em conta os sítios por onde tenho andado a correr é, para mim, algo surpreendente. 

Mas voltando ao título deste post. A minha hipótese para o fenómeno é o condicionamento após alguns anos a correr apenas em estrada. Passo a explicar, quando corro em estrada, principalmente em distâncias mais longas, o corpo parece que já está a correr sozinho, em que quase me abstraio do caminho e o corpo começa a relaxar, tocar o solo suavemente e quase sem ruído. E penso que é aqui que reside o problema. Em estrada, com o terreno liso o relaxar dos músculos do pé ajuda a diminuir tensões e o desgaste muscular, mas em trilhos qualquer irregularidade irá provocar a torção do pé sem a protecção do músculo em tensão

Esta teoria responde às minha observações. Nas zonas mais calmas em que estou apenas a rolar e a recuperar das zonas mais técnicas, entro em piloto automático, diminuo a concentração, relaxo e acontecem os entorses.

Provavelmente tudo o que estou para aqui a dizer não faz sentido, mas pelo sim pelo não agora quando corro em trilhos faço um esforço para atacar o solo com intenção, batendo os pés se necessário, principalmente nas zonas mais "fáceis".

terça-feira, 7 de janeiro de 2014

5º UTSS - Ultra Trilhos da Serra de Sintra - 5 Janeiro 2014

ou "Meia Dose que soube a Prato Cheio!"

ou "A minha mulher é uma Santa!" (graxa da mais alta qualidade :D)

No mês passado, num dos treinos à hora do esquilo, comecei a ouvir uns comentários sobre o UTSS no inicio de Janeiro. Fiquei curioso e fui cuscar na net. Não encontrei nada sobre a 5ª edição mas descobri uns videos e uns relatos de edições anteriores. Basicamente é um treino com a organização "Pirata" de um dos administradores do grupo por detrás dos "Esquilos", onde estão convidados todos os amigos dos amigos. O Sílvio teve a amabilidade de me convidar e assim fiquei a par da convocatória:

Vamos manter a Tradição e Re-editar um UTSS no 1º domingo de 2014. O de 2013 foi mítico (fiz Grandes AMIGOS!) Saída à "Hora do Esquilo" 06.00h
Inicio e fim na Malveira (Associação Janes/Malveira)
É disponibilizado o track no dia 3/01/2014.
Mantendo o espírito do 1º UTSS, vão existir distâncias para todos os gostos:
Mini-Prato 13km/600m D+, Meia-Dose 28km/1200m D+ e Prato-Cheio 44km/1800m D+.
A ter em conta:
É uma organização "PIRATA"! 
NÃO HÁ marcações, Exclusivamente seguida por track, GPS
É em Autonomia Total (passa em diversos pontos de água)

Este era o perfil "prometido" para a "Meia Dose" (atentem à linha vertical aos 22km...)
A "Meia Dose" parecia-me muito apetecível, mas face à actual situação familiar era um pouco complicado estar tanto tempo fora. No entanto, num acto de grande magnanimidade da Inês, e depois de explicar que a saída era às 6h e que lá para as 10h estava em casa, lá tive o assentimento para ir. Combinei logo com o Sílvio e fui preparar o equipamento. Era a mais "louca" aventura que alguma vez tinha participado e o factor "pirata" obrigava a mais atenção aos preparativos. Ainda tive de ir à pressa comprar uma bolsa de água, a tampa mal fechada afinal era mesmo um furo. Acabei com uma mercearia dentro da mochila, mas ao longo da tarde de Sábado fui retirando mantimentos e às 6h em ponto estava à porta da Associação preparado para a aventura.

Os primeiros km's eram coincidentes com a Corrida do Monge e por isso eram-me familiares. Se na altura achei a prova dura, imaginem o mesmo percurso de noite, com neblina, com muita lama e com o conhecimento que ainda nos esperavam 28km... O "aquecimento" de 5km sempre a subir foi complicado, principalmente porque não só não tenho muita experiência a correr em trilhos de noite mas sobretudo devido à neblina que mesmo com o frontal no máximo apenas permitia uma visibilidade para ai de 0,5m. Numa curva ia-me quase enfiando numa barreira de lama e um companheiro mesmo à minha frente enfiou-se dentro de um buraco...
A dupla ao raiar do dia, bem fluorescentes para não nos perderem na serra...
No topo da subida surgiu pela primeira vez a frase que nos havia de acompanhar durante todo o treino: "Estamos fora de percurso...". Em "prova" existem as fitas, as marcas no chão, as pessoas da organização. Nas "pirata" existe o track e a fé que o vamos conseguir seguir. Foram várias as vezes que falhámos o percurso e tivemos de voltar para trás, nomeadamente sempre que tínhamos de sair de um estradão e entrar num trilho. Felizmente entre o relógio do Sílvio e o meu telemóvel com o OruxMaps conseguimos cumprir o percurso. Nesta primeira parte do treino íamos apenas os dois. Mas à medida que tínhamos de voltar atrás por termos saído do track fomos criando um grupo que acabaria por fazer quase todo o percurso junto.
Não estávamos a descansar, era só para a foto...
O ritmo era muito baixo e chegámos ao topo da subida do corta fogo já com luz natural e com quase 1h45 (na corrida do Monge passei lá com 1h05). A partir daqui o percurso divergia e tinha uma passagem pela famosa Pedra Amarela, que acredito que seja um excelente miradouro mas que no dia apenas nos permitia ver uma largo manto cinzento. Mas isso não impediu de tirarmos fotos para a posteridade.
Pedra Amarela, uma vista de cortar a respiração (acho...)
Lá seguimos caminho e já perto da Malveira foi uma complicação seguir o track. Em menos de 1km conseguimos falhar o percurso 6 vezes! Era um pagode. Chegámos a um cruzamento e decidimos ir pela direita. Ao fim de 100m, "plim!" fora de percurso, voltar para trás e fomos pela esquerda. Ao fim de 100m, "plim!" fora de percurso, mau! Voltámos ao cruzamento e juntinho a uma casa, com 1 metro de largura, existia um género de barranco. Adivinhem por onde era o percurso? :)
1km = 6 fora de percurso!
Despedi-mo-nos dos companheiros que iam aos 13km e seguimos caminho para o Guincho. Estes foram os km mais regulares onde conseguimos efectivamente correr  de forma contínua, isto claro quando não estávamos perdidos. Mais uma vez, num destes momentos já tínhamos percorrido uns bons metros quando o meu telemóvel apitou, o caminho certo ficava quase paralelo ao que levávamos mas aí uns 100m ao lado. As opções eram: a) voltar para trás e tomar o caminho certo; b) atalhar pelo mato até ao caminho certo. Escolhemos a opção "b)" e atalhámos por um matagal de silvas até à estrada correcta. Apenas um ligeiro problema, o desnível entre os caminhos era acentuado e mesmo antes da estrada existia uma barreira com uns 2 metros que tivemos de ultrapassar. Uns 200m mais à frente o caminho que seguíamos e o correcto convergiam...
Tempo de repor energias mas sempre a correr que temos de aproveitar o terreno plano!
Chegámos ao Guincho e finalmente tivemos o céu limpo e vistas de cortar a respiração. Não podíamos perder a oportunidade de captar o momento! Não sem antes nos metermos noutra aventura. Adivinhem! Fora de percurso, só que desta vez os caminhos eram mesmo paralelos apenas separados por uma rede de aço para aí com 1,5m. Opções: a)Voltar para trás; b)Continuar no caminho "errado" e esperar que convergissem; c) Saltar a rede. Por esta altura já devem de estar a ver o espírito do grupo e por isso, sem surpresa,  optámos pela "c" e digo-vos, após 20km a pernas já não queriam cooperar com a ideia. 100m mais à frente a rede terminava... O que eu ri...
Foto para colocar no perfil...
Depois da passagem no Guincho era altura de começarmos a escalar o regresso à Malveira. E escalar é o termo certo. Em 2km subimos do nível do mar até aos 150m e nos 2km seguintes chegámos aos 470. A tal linha vertical no 25km era MESMO vertical e mesmo com a tracção aos "quatro membros" a coisa não era fácil (vi marcas de dedos com 1m de comprimento...alguém foi a escorregar parede abaixo).
Em plena utilização da tracção aos "quatro membros"
Por esta altura olhei para o relógio e eram 10h... Ainda estávamos a pelo menos uns 5km dos carros, não ia conseguir cumprir o meu "tempo limite"...
Voltámos para a serra e se já tínhamos sentido mais que visto muitos galhos e folhas de árvores pelo caminho, agora com a luz do dia vimos a destruição que o temporal do dia anterior tinha causado. Passámos por várias árvores caídas nos caminhos que faziam as "delícias" dos inúmeros BTT'istas que encontrámos pelo caminho.

Para o fim  já com algum sofrimento físico aliado ao saber que estava atrasado acabou por nebular um pouco os km's finais. O último km a descer em empedrado foi feito muito a custo.




Foram quase 32km em 5h22m e 1380m de D+. Foi um dos treinos mais compridos que alguma vez fiz e de longe o mais longo (o máximo tinha sido a Maratona em 3h58...). O meu relógio indica quase 4000kcal e 98horas de recuperação... (não vai acontecer! :D) Foi um rico empeno com direito a todas as dores já habituais e algumas novidades como dores nas canelas e no dedo do pé.

Foto no final do grupo dos 32km (ou meia dose reforçada!)
Adorei tudo neste treino. A companhia 5 estrelas do Sílvio, a camaradagem no grupo, o percurso exigente, a componente de orientação (vulgo andar perdido a olhar para o gps...) e claro as várias aventuras. O único ponto que julgava que fosse diferente era a questão do grupo. Pensava que iríamos mais ou menos todos juntos com pontos para reagrupar. No entanto, embora estivesse bastante gente no inicio, devido à subida ao fim de alguns metros já estava sozinho com o Sílvio e se não fossem os inúmeros "volta atrás" não teríamos encontrado ninguém. Não é uma crítica, apenas um desencontro de expectativas.
A grande dupla de possíveis-futuros-um-mais-que-o-outro Ultras!
Quero aqui deixar o meu Muito Obrigado ao Sílvio pelo convite, companhia e as excelentes fotos que documentam este post! Quero também pedir desculpa à minha adorada família por ter chegado atrasado e garantir que me esforcei ao máximo por cumprir o prometido. Em contrapartida fomos almoçar ao McDonalds com direito a sobremesa de cheesecake.

terça-feira, 31 de dezembro de 2013

A última de 2013...


Acabei de chegar do último treino de 2013. A minha voltinha pelo Passeio Maritimo de Oeiras e Carcavelos. Era suposto serem 12km preguiçosos, bem ao jeito de como tenho andado nos últimos tempos. Mas mesmo antes de sair tive uma sessão de motivação como a minha linda esposa: 
Ela:Onde vais?!?
Eu:Vou só dar uma corridinha, a última do ano.
Ela: E quanto tempo vais levar? Olha que temos de ir dar banho à Mafalda e ainda não temos nada preparado para o jantar.
Eu: Hum.... Menos de 1 hora.
E pronto, 12km preguiçosos passaram a 12km muito rápidos. Acabou por ser um dos treinos mais rápidos dos últimos tempos. Nada como uma dose de motivação conjugal. Enquanto corria ia-me lembrando do ano e "escrevi" este post.

Em termos desportivos este foi um ano muito bom e muito mau.

Mau, porque após quase 3 anos a fazer desporto com regularidade fui assolado por lesões, sendo a mais desesperante o "Joelho de Corredor" ou Síndrome da banda iliotibial. Entre Março e Maio estive 8 semanas praticamente parado o que quase me levou à loucura. Até ficarmos incapacitados de treinar não damos valor ao simples acto de calçar as sapatilhas e correr. Nos restantes meses torçi o pé pelo menos 3 vezes, tive uma contracção no gémeo e andei 2 meses com uma dor no pé esquerdo que penso que terá sido uma fratura de stress num metatarso.

Bom, porque não só superei grande parte dos meus objectivos como completei outros que nem sonhava no inicio de 2013. Alcancei a minha melhor forma de sempre e participei em 26 provas, um aumento de quase 500% em relação ao ano anterior. Queria correr 1000km e fiz 1843km em 154h (média de 5'01''/km).


Pode dizer-se que este ano teve 3 andamentos.
Vivace: Entre Janeiro e junho participei no Torneio das Localidades de Oeiras. Foram 14 provas muito interessantes, que devido à relativa curta distância e aguerrido nível competitivo eram autênticas provas de velocidade. Nestas provas o coração ia sempre no red line e consegui as médias de velocidade mais rápidas de sempre em prova.

Andante: Nos finais de Junho meti na cabeça que iria correr uma Maratona e no meses seguintes foi tempo de treinar para isso. O objectivo passava então pelo aumento da distância percorrida e a velocidade ficou para segundo plano. Quando antes considerava um treino de 15km como longo  e algo apenas feito nas vésperas das Meias, passou a ser um treino de recuperação dos treinos verdadeiramente longos de fim de semana. Fui progressivamente aumentando a distância até culminar no grande dia 6 de Outubro quando corri a Maratona em menos de 4h (espero que o meu professor de Educação Física esteja a ler este post, o aluno a que dava sempre 3 correu uma Maratona!).

Adagio: Depois de toda a emoção e persistência do treino para a Maratona fiquei um pouco apático, e entre outros afazeres acabei por me desleixar um pouco. Novembro foi um dos meses com menos km's mas foi tambem o mês em que descobri a emoção do Trail. Começou com um treino à "Hora do Esquilo" e culminou com a grande Corrida do Monge.

Para 2014 só espero poder continuar, este agora, estilo de vida e com ajuda da minha família continuar a desfrutar do prazer de correr.

Bom 2014 para todos e boas Corridas!


sábado, 9 de novembro de 2013

Semana Zero km

Ou "Parece que sou feito de cristal..."

Esta semana corri a estonteante distância de zero km. Nenhum, aucun, ningún, kein...


 Depois de na semana passada ter descoberto a adrenalina de correr nos trilhos, esta semana foi um completo anti-climax em que tive de me "atar" à cadeira para não ir correr.

No sábado passado fui fazer o treino organizado pelo Correr na Cidade com o título de "Let's Get Dirty" pelos trilhos do complexo do Jamor. Podem ver  a relado e as fotos "oficiais" aqui. Foi um treino muito interessante e divertido com exceção que na ponta final torci, mais uma vez, o pé direito.


Podem estar a pensar "há e tal correr à maluca em trilhos dá nisso" mas a verdade é que não foi nada assim. Quer dizer, efectivamente andámos feitos bodes da montanha na mata do Jamor e que incluiu uma descida bem emocionante. Aqui o pé esteve sempre bem. O ponto de encontro, e por consequência o final do treino foi em Algés. Já no regresso, no caminho paralelo à linha do comboio, PLANO, e num ritmo CONFORTÁVEL, pimbas, torço o pé.

 Ia distraído na conversar e não percebi o motivo, quando dei por ela já estava agarrado ao pé a gemer. Não foi tão mau como da última vez, acho que até daria para continuar a correr, mas achei que era melhor antecipar o fim do treino. Ainda pior foi que o resto do pessoal também parou e fez os últimos metros a caminhar comigo... Foi muito simpático da parte deles, mas eu já estava em baixo por ter torcido o pé e ainda fiquei pior por saber que estavam a interromper o treino deles por minha causa...

Desde a última vez, fiquei com a sensação que o tornozelo não tinha voltado ao normal, mas como não existia dor ao correr minimizei a situação. Na altura, a pouco mais de uma semana da Maratona não fiz grande descanso e isso "talvez" tenha influenciado a recuperação. Desta vez, embora provavelmente tivesse sido possível correr uns dias depois, decidi que iria descansar até não ter qualquer dor e recuperar toda a capacidade de rotação do pé.

Foi uma semana infernal, sempre a pensar em ir correr sem poder e passar os dias no Facebook a ver os treinos dos outros... Não era capaz de ficar completamente quieto e por isso acabei por ir quase todos os dias ao ginásio. Posso perder a forma de corrida mas fico com um Core de aço com a quantidade de aulas de Pilates a que fui esta semana.

Outro dos motivos que também decidi fazer esta semana de pausa é porque estou farto de sentir que sou feito de cristal. Desde a lesão no joelho no início do ano que não me consigo libertar desta sensação. Ou é uma dor no pé, ou tornozelo inchado, ou uma impressão no joelho, ou uma pontada na anca... Nunca me sinto a 100% e estou sempre com medo de fazer algum movimento mais brusco e "partir" qualquer coisa. Deixei de me sentir livre.

Ontem fui comprar um pé elástico, possivelmente não tem grande função para correr, mas ao menos ajuda na parte psicológica a sentir-me mais seguro. Amanhã vou  fazer uma corridinha de teste, vamos lá ver como corre...


domingo, 3 de novembro de 2013

Há Esquilos em Monsanto!

Não, não me dediquei à observação da fauna de Monsanto. Os "Esquilos" a que me refiro não são os pequenos mamíferos roedores que habitam a floresta mas uma outra espécie. Uma espécie em clara expansão, uns "loucos" que diariamente invadem Monsanto às 6h da manhã, e com os seus pirilampos à cabeça deambulam pelos trilhos.
Cartaz retirado do grupo do Facebook
O mundo é feito de coincidências, mas acabamos sempre por nos surpreender quando nos acontecem a nós. Nestes últimos tempos tenho sofrido de uma "maleita" conhecida por "apelo dos trilhos". Começou com uma vontade de fazer rampas, mas depressa escalou para a procura de provas em trilhos e finalmente a procura de locais para treinar. Meti na cabeça que havia de ir treinar para Monsanto, mas como conheço muito mal o local fui à procura de percursos no Explorer do Sporttracker. Comecei a clicar em alguns treinos aleatoriamente e começo a reparar que existem imensos, e de utilizadores diferentes, com a label "Treino dos Esquilos". Fiquei curioso e fui procurar na net. Encontrei algumas referências mas nada de muito concreto. 

No final desse mesmo dia, ao actualizar o meu treino no Endomondo, fui cuscar os treinos no Sílvio. Qual é o meu espanto quando reparo que um dos seus últimos treinos também contem a palavra "Esquilos". Envio-lhe longo um email a pedir mais informações. Nesse mesmo dia sai no "SOL" uma reportagem sobre Corrida, em que um dos temas abordados são os treinos à hora do Esquilo. E foi deste modo que tomei conhecimento do grupo do Facebook denominado "Loucos Trail Running" que dinamizam todos os dias, à "Hora do Esquilo", das 6h às 7h da manhã, treinos pelos trilhos de Monsanto.

Foto da reportagem do SOL
Mais uns emails trocados, uma ida a correr na segunda-feira à noite à Decathlon para comprar um frontal, e terça-feira às 6h estou a estacionar o carro na estrada do penedo para o meu primeiro treino com os "Esquilos".

E que treino... Foi fantástico. Acho que nunca me tinha divertido tanto a correr como naquela manhã. Foram trilhos como eu nunca tinha feito (e que sozinho nunca teria a coragem de os fazer...). Era um sobe e desce constante com a adrenalina sempre a bombar. E a cereja no topo foi o correr à noite. Embora já tivesse corrido sem Sol, era sempre por alcatrão e com a presença de candeeiros, correr no breu por carreiros só com a luz do frontal é toda uma nova injeção de adrenalina. Na minha perspectiva foi um treino duro, mas como após cada súbida mais exigente aguardava-mos que o grupo se reunisse dava para recuperar um pouco (a opinião dos experts é que tinha sido um treino "sereno"...).
Acabámos com o nascer do Sol e uma vista magnifica sobre Lisboa.
No final do dia ainda tinha o sorriso na boca e no trabalho já ninguém me podia ouvir falar das maravilhas de ir correr às 6h da manhã...

Cheguei a casa e após engulir o meu orgulho fui criar um perfil no Facebook só para poder aderir ao grupo. Sempre fui um "facebook-excluido" por opção e um cético das redes sociais por convicção. Mas a "pancada" foi tão forte que tive de rever as minhas crenças e no dia seguinte aturar a zombaria dos meus caros colegas.

Mal podia esperar por voltar, e na sexta-feira voltei a correr com os "Esquilos". Acho que estou viciado...